domingo, 5 de dezembro de 2010

1 semana

Os meus pais chegaram há uma semana e ficarão por mais duas.
Gosto de os ter cá. Já tinha saudades e, na verdade, têm-me ajudado muito. Ajudaram-me a limpar a casa, trouxeram de Portugal milhares de pequenas coisas, sem as quais não vivo, compraram muitas outras, para que esta casa se parecesse o mais possivel com um lar, de manhã ajudam-me a tirar a neve do carro, cozinham e, sobretudo fazem-me companhia. Não podia estar-lhes mais grata. Mas o meu lado bicho do mato, hoje, fez-me sentir a falta dum momento sozinha. Sempre precisei de ter um bocadinho só para mim. Quando vivia com eles, só conseguia ter esse bocadinho de manhã, antes de ir para a escola ou para a faculdade. Esse hábito, fez com que me transformasse na pessoa mais mal-humorada do mundo, de manhã. A verdade, é que estraga-me o dia ter que partilhar esse momento com alguém. Tornou-se mais forte que eu. Só ao fim-de-semana ou se tiver de férias é que consigo ser um ser humano suportável. Às 7h da manhã, hora à qual me levanto, só e apenas, se tiver que trabalhar, o melhor é nem tentarem falar comigo. Só consigo grunhir.
Desde que os meus pais chegaram, esse momento acabou. Deve ser da idade, mas parece que agora se levantam com as galinhas. Oiço-os cirandar logo que toca o meu despertador. Tomo o meu banho, visto-me e quando chego à cozinha para o pequeno-almoço, já lá está o meu pai, de portátil à frente, cheio de energia e novidades para contar. Nem as consigo ouvir. Para não grunhir, nem falo.
Desde que cá estão, deixei de fumar na sala, para não os incomodar. Como aqui não há varandas, vou à rua sempre que me apetece fumar. Estando uma temperatura negativa na rua, o momento não é nada agradável. Mato o vicío e venho logo para dentro. Há uma semana que não disfruto do prazer de um cigarro. Sentadinha, quentinha. Eu e a nicotina.
Aqui, as portas da rua abrem-se do lado de fora. É só rodar a maçaneta e já está. Por causa disso e dos meus cigarros, tenho o hábito de trancar a porta por dentro e deixar a chave na fechadura. Não sei porquê, isso deve fazer espécie ao meu pai, que passa vida a tirar o raio da chave dali. E, depois, há falta de sítio melhor, põem-na, basicamente, onde calha. Assim, lá vou eu toda lampeira fumar, já depois de ter ouvido toda a ladaínha sobre os maleficios do tabaco, e tenho que voltar para trás e procurar o raio da chave.
Num dia de neve com estes, não há nada melhor que ficar em casa à tarde, ver um filme e, como sempre, deixar-me dormir a meio e fazer uma bela sestinha. Aqui não dá. Adormeço como sempre, mas passado 5 minutos, oiço-os. Ou estão a gritar de uma divisão para a outra, "VISTE OS MEUS ÓCULOS?", ou estão a ver um qualquer mail, que alguém lhes mandou, com uma música estridente ou chamam-me só para perguntar se estava a dormir.
Há momentos que não são fáceis e eu faço um grande para ser razoável e não um verdadeiro bicho do mato.
Amanhã, Domingo, o meu despertador vai tocar às 6h da manhã, para tentar ter o meu momento sozinha e fazer wii, o meu conceito de vida activa e que tendo só uma televisão, também tem sido impossível fazer com eles aqui.
Veremos, primeiro, se eu consigo acordar a essa hora e, depois, se é suficientemente cedo para acordar antes deles.



5 comentários:

Look by me disse...

Sei exactamente o que isso é.bj

Nokas disse...

É normal...já estás habituada à tua rotina, sem ninguém no meio :)

mimi disse...

Percebo bem o que sentes. No entanto, e uma vez que tenho muiiiiito mais experiencia vou-te alertar para o seguinte.

Eu sempre fui assim como tu. Estive sempre ao lado dos meus pais, sempre presente e sempre com vontade de zarpar, de ter uns tempos so para mim. Casei e nunca abandonei os meus pais. Em Lisboa vivia ém casa deles e só à 5ª.f vinha para a minha casa, em Sesimbra.Ajudaram-me a criar a minha filha, mas eu, sempre à espera da 5ª.feira.
Agora, que já cá não estão, choro, por não ter aproveitado mais a sua presença, por não ter sido mais carinhosa, por não ter sido mais compreensiva. Sei que fui uma boa filha, mas podia ter sido melhor. Agora é tarde.
Conselho de amiga: Usufrui dos teus pais, que são certamente, as pessoas que mais te vão amar durante toda a tua vida.
Beijos (sortuda que ainda os tens).

Narizinho disse...

Compreendo perfeitamente esse sentimento....
às vezes até parece que somos más pessoas....
Mas precisamos apenas do nosso momento "alone"

Beijinhos

João disse...

a mimi e a narizinho já disseram tudo.
bjs