segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Comigo é diferente


Faz parte da natureza humana (ou talvez feminina). Achamos sempre que connosco vai ser diferente.
Seja um trabalho que nos dizem ser muito difícil, um amor impossível, uma amizade que nos dizem muito boa.
Vamos ao engano, porque acreditamos sempre que connosco vai ser muito melhor. Que vamos ser mais espertas, talvez ate mais inteligentes, mais pacientes, mais carinhosas, mais independentes. Acredita-se, ate, na possibilidade de ir contra a nossa própria natureza.
Somos melhores. Ou vamos ser, nem que seja por ter visto o outro errar e com os erros aprende-se, mesmo que não sejam os meus.
E esquecemo-nos da vertente humana. Da falta de paciência que, as vezes, nos assola, dos momentos de cansaço, dos momentos de carência ou mesmo, dos momentos de dependência.
Somos humanas e esquecemo-nos sempre, quase sempre disso. Porque ouvir falar e sempre muito mais fácil, porque teorizar é muito giro. Viver é que é difícil. Vai ser difícil.
Conhecemos o discurso. Cruzes, credo, valha-me Deus, como foi aquela seguir para a esquerda, quando a direita me parecia muito melhor. Como foi capaz ou como não viu. E também ai acreditamos que somos melhores. Mais espertas, mais inteligentes, mais independentes. E esquecemo-nos da parte humana. E que, pela boca morre o peixe e que há merdas que, pura e simplesmente, acontecem. E que é difícil. Vai ser difícil. Mas vai ter que ser.

Os meus amigos sao os melhores do mundo


E a segunda vez que escrevo este titulo. Porque são mesmo. Tenho os melhores amigos que podia desejar.
Desta vez, chegada sem problemas e ainda assim a receber muitos miminhos de todos aqueles que me são importantes.
Meia-hora depois de aterrar em terras lusas, já muitos me tinham ligado. Não só confirmando a chegada, como oferecendo aquelas coisas que, por estar desterrada, já não usufruo em Portugal. Boleia foi o bem mais precioso oferecido.
De resto, muitos abraços, muitas emoções.
Em menos de 48h, senti mais coisas que, talvez, no ano inteiro de 2010.
Vim triste por deixa-los, mas também feliz por voltar.
São estes momentos que ajudam a minha adaptação aqui e, hoje, de volta ao escritório português, me fazem continuar com um sorriso. Feliz.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Comecou bem


As 4h30 da manha, já tinha o taxista a ligar-me porque não sabia bem onde era a minha casa. Pois. Aqui a turista sou eu. Também não sabia explicar.
Chegada ao aeroporto, passo a malinha la naquela maquineta onde eles vem o interior com umas cores garridas, "de quem e esta mal?". Minha, pois claro. "A senhora tem líquidos na mala". Bolas, tinha enfiado la o desodorizante e nem me tinha lembrado desta treta dos líquidos. Abre a mala, tira o desodorizante, passa outra vez. "de quem e esta mala? a sua outra vez? ainda tem líquidos." Bolas, n me lembro de ter posto mais nada. Abro a mala outra vez, não vejo nada. La o gajo descobre um compartimento que eu n me lembrava existir. E olha, era ali que estava o creme que ontem andei duas horas a procura e fiquei a achar que estaria em Portugal. Dentro do saquinho transparente e tudo. E, assim, aquela que garantia não ter líquidos nenhuns, tinha:
- 2 embalagens de desodorizantes;
- uma base liquida;
- 1 desmaquilhante;
- 1 tónico;
- 1 pasta de dentes.
Dias depois de um atentado a Moscovo, aconselho-vos a não brincarem com a sorte. Revistaram-me tudinho. Mala do computador, a malinha a tiracolo e a mala de mão. E sempre giro ver revirarem-nos o que com tanto cuidado arrumamos e ficar ali, em pleno aeroporto com a nossa roupa interior toda, a vista de qualquer um.

Pronto, com ar de muito muito maus, la me deixaram passar para a porta de embarque.
Ryanair. Sabiam que quando a Ryanair diz que só se pode levar uma mala de mão, e mesmo só UMA. Incluindo computador e mala a tiracolo? Pois, eu não. Tentei enfiar tudo numa só mala. Aquilo fechou, mas os gajos não foram na minha conversa. A mala ficava toda deformada e já n cabia naqueles ferros que eles tem para medir as malas. Tau, 34 euros e já vais com sorte. Porra, o mesmo que me custou a viagem Madrid-Lisboa.

(os poucos acentos que isto tem sao da autoria do corrector ortografico. Continuo sem acentos no teclado)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



Só porque vou estar em Portugal!
E, agora, vou só ali a Madrid, venho já.

A saga dos lençois com elástico

Normalmente, também eu uso a técnica que tanta gente me sugeriu, tirar do estendal e enfiar logo na cama, bem esticadinho.
Resolvi tentar esta aventura, apenas porque vou ter visitas para a semana e diz-me a experiência e as poucas vezes que passo as t-shirts a ferro (isto de passar a ferro ainda é novidade e tudo o que é novidade é giro), que aquilo passadinho a ferro até fica mais fofinho e dá a sensaçao que afinal o amaciador de marca branca até funciona e não é só para entupir a gavetinha dos detergentes.
Encontrei várias dicas nesse grande mundo que é o google, que explicavam que o truque era dobrar em envelope (what the fuck is that?) e passar só num sentido e pardais ao ninho e lá fui fazer-me à coisa. Pois que estive ali uns bons minutos, a tentar perceber qual a melhor forma de pôr aquilo em cima da tábua direitinho, vira para aqui, vira ali... Que se lixe, faço macros no excel. Não preciso disto.
Os meus amigos, esses levam a capa de edredon e as fronhas passadinhas a ferro. E vão com sorte, que enfiar o edredon dentro da capa também é já um grande feito. Para compensar far-lhes-ei umas panquecas daqui (e levo os dedos à orelha enquanto escrevo), prometo-lhes muita rambóia, com direito a abracinhos inebriados, à moda antiga.

A minha capacidade para escrever sobre sobre assuntos deveras interessantes e de extrema utilidade, melhora a olhos vistos!

Sossegai, sossegai

Oh meus amigos, um pseudo-caso, é, como o nome indica, pseudo.
Escusam de esfregar as mãozinhas, que não é desta que esta vossa amiga vai desencalhar.
Nada disso. Eu sei que já há muito tempo que não temos uma festarola à moda antiga, mas eu não sou a próxima.
Tendo em conta que, actualmente, vivo numa ilha de onde, dado o mau a tempo, as greves e sei lá mais o quê, é dificil sair e onde 90% da população é pouco dada à higiene, estou mais encalhada que o Tolan.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Private


futuro ex-caso também me parece uma boa denominação. Mas ficaremos pelo pseudo.

Os efeitos da globalização


Sou portuguesa, vivo na Irlanda, mas trabalho para Espanha.
Esta semana vou a Madrid, em trabalho e já que estou ali ao lado vou passar o fim de semana a Lisboa.
Vou despedir-me de um amigo que vai para Angola.
Sei já que vou encontrar um ex-namorado, um ex-caso e um futuro pseudo-caso (esta é uma private joke, para arrancar um sorriso a melhor de todas as amigas, que só ela ira perceber). O que me leva a dizer que a minha vida é uma novela. Mexicana.

Colegas

Para além da mete-nojo-cor-de-rosinha e da colega fofinho, tenho agora, há cerca de uma semana, mais uma nova colega.
Ainda não tenho grande opinião formada. É simpática, mas a meye-nojo também o era, ao inicio.
Durante o almoço, quando se falava sobre o programa biggest looser, refereiu-se às pessoas obesas como "os montros". Não me parece um bom começo...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Yes I can

Tirei um curso superior, faço macros, pivot tables e vlookups no excel, falo inglês, francês e espanhol, conduzo à esquerda, com neve e com gelo.
Passar a ferro um lençol com elásticos não me vai amedontrar.
Mas, porra, é difícil para caraças.


Já não peço mais


Chega-me assim. Frio, luvas, cachecol, gorro e essas coisas todas, já não me incomoda, mas pelo menos, temperaturas como as de hoje, em que o carro não congela e não tenho que estar eu, de manhã , de volta dele, com o tal spray.

Dublin vs Drogheda

O escritório da empresa para a qual vim trabalhar (para quem não sabe, é a mesma onde trabalhava em Portugal), situa-se numa cidadezinha a 40/50 km da capital da Irlanda, Dublin.
Logo que me pus no processo de entrevistas (que começou em Maio, terminou em Outubro, originando a proposta que só aceitei dois dias antes de vir para aqui, quatro antes de começar a trabalhar), os meus amigos começaram logo a dar os seus conselhos. E a opinião era, de forma generalizada, bastante unânime. Todos me diziam para viver em Dublin e fazer os tais 40km todos os dias.
Não conhecendo nada da Irlanda, pus-me a investigar pela net e, rapidamente, decidi ir contra essa opinião generalizada e vir para Drogheda. Achei que estaria mais confortável, pouparia dinheiro e, sozinha por sozinha, prefiro em casa com televisão, net, comida e aquecinebto, que parada no transito, duas horas por dia.
Exactamente, no mesmo dia que eu, começou também aqui a trabalhar, um colega espanhol, que conhecia já do escritório em Madrid.
Este meu colega pensou exactame te como todos os meus amigos, que o melhor seria viver em Dublin, para conhecer mais pessoal, estar numa cidade mais cosmopolita, fazer mais turismo etc etc etc. E é graças à sua decisão, que não me arrependo da minha.
Como as casa são muito mais caras, este meu colega teve que procurar uma casa para partilhar. Assim, para além da escolha dele próprio da casa, teve que ser também escolhido como room mate. Assim, entre o processo de procura e as entrevistas a que teve que se submeter, demorou mais de dois meses a mudar-se. Enquanto eu, mudei-me em 23 dias.
Para não falar no preço. Eu pago 650€, por uma casa de tamanho bastante razoável com 2 quartos. Ele paga 850€ pelo seu quarto. Paga 3€ e tal de portagem, todos os dias, para não falar em combustível e desgaste do carro. E o seu próprio desgaste, por ficar tantas vezes parado numa autoestrada sujeita a neve e a gelo.
Conhece mais gente que eu, é bem verdade, mas porque, para além de conhecer as miúdas com quem vive, costuma ir para um pub qualquer onde passam os jogos de futebol espanhóis e lá vai falando com outros espanhóis ou sul-americanos. Acho que se estivesse em Dublin, nao estaria de certezinha absoluta, num pub a ver futebol. Logo, acho que, se no caso dele pode ser benéfica esta escolha, no meu, seia igual ao litro.
Gastar mais dinheiro, tempo e conforto numa coisa que me daria igual ao litro, seria um desperdicio. Por isso, estou contente com a minha escolha.

O tal amor platónico

Bem posso estar aqui com teorias e teoremas, sobre o meu amor platónico, mas a verdade, verdadinha, é que a coisa só é platónica porque ele não me liga patavina.
Ligar até liga, cá beijinho e abraço e bora prós copos e ai tão giros que nós somos. Mas sempre que há um momento mais emocional da minha parte, ai que gosto tanto de ti, és o meu melhor amigo e apetecia-me estrafegar-te como me faziam as amigas da minha avó, o gajo desaparece-me. A atenção, que não lhe digo isto de forma literal, o que justificaria o distanciamento. A coisa depois passa e basta um telefonema para quebrar o gelo. Mas tenho que ser eu a tomar a iniciativa e enquanto ali ando, ligo ou não ligo, a coisa dói-me como se uma espada me atravessasse.
É alguém com uma paciência infinita para mim, um ombro que está sempre disponível e uma das melhores companhias que conheço. A possibilidade de algum dia não poder viver com isso, seria demasiado dolorosa, o que me leva não só a não arriscar, como a nem sequer a ousar pensar noutras coisas.
Confesso que já pensei duas vezes, mas no fundo não contam. Uma das vezes estava muito carente e o ombro ali à mão confundiu-me. Outra, foi logo quando nos conhecemos, ainda sem esta amizade consolidada. E, apesar de hoje em dia eu insistir que, que de e ter sido impressão, ou, ou meus deus, como nós estávamos, que isso não faz sentido nenhum, é verdade que houve ali umas maozinhas dadas. E, para isso, são precisas duas pessoas, que eu ainda não dou a mão amim própria. Mas a coisa desenvolveu por outro caminho e hoje em dia, prefiro o que tenho, a milhares de borboletas na barriga. Ainda há cá uma. Só uma, que fica assim quietinha, sem bater a asinha, e só por isso lhe chama de platonismo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Uma boa noticia

Estou a começar a ficar farta de panquecas.



Bolos

Estou aqui que não posso, cheia de vontade de comer um bolinho. Depois de panquecas ao pequeno almoço e ao lanche. E de "huevos rotos" ao jantar.
A aguentar-me, que a bimby a esta hora é capz de incomodar os vizinhos. E, ainda assim, num durmo, não durmo, ai que me apetecia tanto um bolinho.
E porque vos brindo eu com um assunto de tamanho interesse? Na esperança que a vontade de comer bolos, seja como a vontade de esganar a mete-nojo-côr-de-rosinha. Depois de escrever aqui, passa-me.



sábado, 22 de janeiro de 2011

Pelas ruas da amargura

Perdi um seguidor. Releio o blogue e perco-me a mim. O assunto escasseia. A mete-nojo posta no seu lugar, ou muito perto disso. As aventuras repetem-se. A saga no supermercado continua (como é que não existem cogumelos enlatados aqui?). Já não há neve, mas é como se houvesse. O manto branco, pela manhã, mantém-se, feito de geada congelada. O carro congelado já não me leva 40minutos, mas sim 10. Mas as lágrimas ainda me escorrem. Não sei se do vento, se do frio, se do cheiro do tal spray que descongela.
Ao fim-de-semana não tenho companhia. Mas tenho a minha. O tempo permite-me, agora, disfrutar de mim mesma. Passei ater o ferro, a aspirar aranhas, a cozinhar, a ler e a escrever. Nem sempre no blogue. Em blocos espalhados pela casa, em livros sublinhados e nas minhas memórias. O tempo passou a ser só meu e esse mais do mesmo reflecte-se agora, só agora, em mim própria. Às vezes dói e outras vezes cura. E no final, isso é o que sobra. Eu própria. E não é tão mau com temia.



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Hora certa

Ha mensagens certas, que chegam na hora certa. Mesmo quando sao para a pessoa errada.
Adoro quando a malta se engana a mandar sms's.

Teoria de Darwin


Sou uma fervorosa adepta da teoria de Darwin. Bem sei que isto é  cientifico e não há cá acreditar ou não. São factos.
Mas vou mais longe que Darwin. Não é  apenas a natureza que e selectiva. Ou melhor, é  sempre a natureza, mas não apenas no que à evolução das espécies diz respeito.
A teoria de Darwin aplica-se a todas as áreas da nossa vida. Trabalho, amizade, amor e ate dinheiro.
E nem sempre os mais fortes e mais capazes de perpetuar a sua espécie, são os mais óbvios.
Nem sempre os que mantém trabalho são os que tem mais mérito, nem sempre os mais leais são os que mantém uma amizade, nem sempre as mais giras vivem happily ever after e nem sempre os mais espertos são os que ganham mais dinheiro.
Há uma tendência, isso sim. De identificação. Identificação com o meio em que se trabalha, com a sociedade em que se vive, com a economia que se verifica.
E é  ao longo do tempo, tal como na teoria de Darwin, que se filtram os mais capazes de se identificar. E não, não chega adaptação. São mais próximos, os amigos que vivem as mesmas situações, porque os que não as vivem, não compreenderão. E a incompreensão é  o flagelo de falta de identificação.
Não há nada pior que um incompreendido. Que luta contra o mundo, o chefe ou, simplesmente, a vizinha de baixo.
Um incompreendido é  aquele senhor que se atirou num parlamento, o que se emulou na Tunísia ou, simplesmente, o cabrão que nos faz a vida negra no trabalho.
Esses, a vida vai eliminando, aqui e ali. Que isto não há espaço para os que sobressaem e não se identificam. Ou, falando bem e depressa, não há espaço para os mal fodidos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

E bom demais para nao "postar"


O nome da filha da Floribela.
Lyonce Viiktorya!
Acho que faz todo o sentido. Ou quase todo.
Lyonce estava-se mesmo a ver. A junção mais lógica do nome destas duas alminhas que agora foram pais. Nem percebo como e que essa gente toda que andou a tentar adivinhar que nome dava a junção de Luciana (ou seria Floribela?) e Djalo não viu logo. E que só podia ser isto. Tao bonito, Lyonce...
O que eu gosto mesmo e de Viiktorya. Acho lindo. Se este amor, entre o Djalo e a Lucy, mais não e que uma vitoria, o fruto do seu amor tinha que assim ser chamado.
As letras que não constam no alfabeto português são só para dar uma pinta a coisa. Isto nas revistas vai fazer um figurão. E quando a miúda tiver facebook??? Upa, upa! Já nem precisa de se por a inventar.
O que me choca mesmo, mesmo, mesmo. Tou aqui farta de dar voltas a minha cabeça para perceber, são os dois ii's.

Já começo a ficar irritada

Meus amigos, se alguma vez pensarem em emigrar, nunca, mas mesmo nunca a, escolham a Irlanda.
Como diz o meu amigo, daqui não se pode sair, nem entrar.
No Natal fiquei eu pendurada, este fim de semana, foi o voo dos amigos que me vinham visitar que foi anulado.
O fim de semana que se adivinhava de muita cowboiada, muitos abraços e muitas gargalhadas, ficou pelo caminho, com um simples mail "Your flight has been cancelled". Pedimos muita desculpa e tal, mas ainda reembolsamos ou deixamos marcar nova viagens porque somos uns porreiros que querem la saber dos vossos planos.
Um dia e a neve, outro uma greve e para a próxima, deve ser um pum, porque não há cu que aguente. Pardon my french.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Outro bicho papão


Dizem que é o grande problema das relações. E eu acrescento a tudo o resto. Pelo menos para mim.
Já não tenho neve, já começa a ser natural a condução a esquerda, na minha casa, já cozinho, já durmo, já vivo e não sobrevivo.
E agora?
Agora chegou a altura de por o despertador. Acordar todos os dias a mesma hora, ir ao fim de semana ao supermercado, pensar no que farei para o jantar, a que horas irei passear.
Vejo-a a aproximar-se, dia após dia e a instalar-se. E isso assusta-me. Porque perco o assunto, estabilizo e habituo-me.
A rotina é, também, o meu grande bicho papão.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Bicho papão


8 horas. Estou  estendida no meu sofá, a ver uma qualquer serie. Num esforço continuo para não adormecer.
Vivo num res-do-chao. ao lado da minha casa há um caminho, com cerca de meio metro de largura e que leva a parte de tras da casa, uma espécie de quintal. Um quintal publico, onde os meus vizinhos acumulam madeira para a neve e onde a vão buscar, de vez em quando. Tenho duas janelinhas para esse caminhozinho. Na minha primeira tarde assustei-me com um vulto que passava e, por isso, passei a ter sempre os cortinados corridos. Para não me assustar e manter a minha privacidade.
Pois ontem, quando estava ali tão descansadinha, alguém bateu com muita violência no vidro. Levantei-me num ápice e fiquei a espera doutro sinal. Mais pancadas fortes, desta vez na outra janela. Vi uma sombra que se afastava e ouvi miúdos a rirem-se.
Senti-me vulnerável e esse estado impediu-me de ir espreitar. Como se essa minha vulnerabilidade fosse visível aos olhos de quem poderia ali estar.
Fiquei em silencio, a espera. Talvez me estivessem a chamar por um qualquer motivo, talvez fossem os miúdos numa brincadeira parva. A segunda opção e a mais provável.
Passei a noite sem dormir, em estado de alerta, atenta aos demasiados barulhos que se destacavam no silencio. Demasiados. A caldeira que, de vez em quando arranca, o relógio da minha caldeira, que soa um estalido a cada meia hora. Outros estalidos impossíveis de identificar.
Quando decidi mudar de pais, para um novo trabalho, todos me diziam que era um acto de coragem.
E eu, sinto-me muito feliz desde aqui estou. Na verdade, mais feliz do que antes de vir. Mais feliz do que nos últimos anos.
As vezes dou por mim a perguntar, para que era preciso essa coragem. Que o mau, se calhar, ainda estava para vir.
Há a neve e a chuva e o mau tempo e a comida, desafios que moem mas não matam. O que poderia ser pior? Onde estava esse bicho papão que requeria tamanha coragem?
Ontem descobri. Tenho medo do escuro.

Nao esquecer


A professional is an amateur that didn't gave up.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Isto dos horoscopos


Eu tambem li o artigo da visao. So depois de ter visto blogues a falar do assunto, mas li.
E ha um factor importante que nao e mencionado e que, provavelmente, acalmaria muito gente, deixado-a pois, voltar a concentrar-se na cries (ou no Carlos Castro, provavelmente).
Eles dizem que os signos mudam todos, inventam um novo e explicam que as posicoes entre os planetas e a estrelas ja nao se encontram a mesma distancia e isso, parecendo que nao, faz toda a diferenca.
Mas afinal, quando foi que mudaram essas posicoes, antes ou depois de eu nascer. Como nao e mencionado, tenho quase a certeza que e depois. Lancam o panico para depois vir dizer que nao, afinal e so para quem nascer em 2011.

(continuo sem acentos e estou sem tempo para me por com copy-paste como tenho feito ultimamente)

Quero Quero Quero


Não tenho opinião formada sobre o facto que da lugar ao escândalo que preenche as paginas dos jornais portugueses. Isto é, não tenho opinião sobre o acto em si de matar e continuar a matar e torturar e mutilar. Tenho uma teoria, isso sim. A teoria de que a mente humana, por vezes, ultrapassa qualquer compreensão. Provavelmente, nem o rapazinho sabe o que lhe terá passado pela cabeça.
Eu tenho uma opinião muito vincada, isso sim, relativamente a opinião publica. Choca-me a homofobia que saltou cá para fora, na mesma medida que me choca, o ataque aos que defendem o assassino.
é com esses que eu estou. Com os amigos e os familiares. Tanto da vitima, como do assassino.
Uma das maiores capacidades do ser humano é a capacidade de desculpar. Vejamos, nos casos menos drásticos, a namorada que desculpa o namorado antes mesmo de ouvir, a mãe que defende o filho que desrespeitou a professora e por ai fora. As pessoas que hoje, ou ontem, ou la o que foi, manifestaram o seu apoio a Renato. Não lhes vai valer de nada, mas não é por isso que são menos humanos. Muito pelo contrario. Eles não defendem um assassino, eles defendem o amigo duma vida toda. Uma pessoa que conheceram e não imaginavam (nem conseguem imaginar) capaz duma coisa destas. A linha entre a loucura e a sanidade é muito mais ténue do que gostaríamos e, normalmente, os maiores monstros são aqueles que depois ouvimos dizer "era tão boa pessoa" e pardais ao ninho. E, neste caso, infelizmente, há estigmas que ajudam a encontrar desculpas e tentar entender.
Estas pessoas não conseguem ouvir, ver, ou processar o mesmo que aqueles que se encontram alheios a esta realidade. Por isso, percebo a sua necessidade de mostrar ao mundo que estão com ele. é uma forma de manifestar a sua dor, o seu choque e a sua crença. Mesmo que esta não seja valida.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Competições


Sabem aqueles totós que se picam na estrada sozinhos. Que vêm o nosso carro e interpretam um qualquer movimento com uma corrida e começam que nem uns doidos a competir, sem que nos estejamos minimamente interessados nisso e prosseguimos o nosso caminho sem nos chatearmos um bocadinho que seja e com vontade de rir da figura ridícula que o outro esta a fazer? Pois, eu não sei, que eu cá raramente ando mais depressa que 40 Km/h, mas já vi como pendura. E vejo noutras situações.
Aqui a mete-nojo-cor-de-rosinha gosta de ser a primeira a chegar e a ultima a sair do escritório. Fica aqui, as vezes, a anhar, só espera que nos saiamos e quando tem mesmo que sair justifica-se mil vezes, com as coisas que não nos interessam nada e tem que fazer.
Chegar mais cedo que ela, no meu caso, e coisa muito rara. Quando ela cá chega, estou provavelmente, na minha luta habitual entre o despertador e o seu snoozer.
Ainda assim, há dias em que caio da cama e, vá se la perceber porque, chego mais cedo. A miúda fica pior que estragada. Pergunta logo há quanto tempo cheguei e porque estou cá tão cedo.
Hoje, por acaso, tive mesmo que vir mais cedo. Tinha umas coisas para preparar antes das 9h. Como somos vizinhas, cruzamo-nos no caminho. Assim, como eu a identifiquei logo (não muitos carros da marca do dela com alguém de gorro cor-de-rosa e pompom no alto), ela também me identificou (também não e difícil, o meu carro tem matricula portuguesa, volante a esquerda e, actualmente, esta zarolho com um medio fundido). Foi muito giro ver a reacção dela. Fingir que não me via e acelerar como uma doida, só para conseguir chegar 5 min mais cedo. Eu prossegui, calmamente.
Há competições que pura e simplesmente não acrescentam valor, nem ao meu trabalho, nem a minha realização pessoal.
Esta e uma delas.
E ve-la armada em tunning, a acelerar para ganhar 5 min e muito divertido!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Novo vicio


Descobri uma forma de ouvir rádios portuguesas aqui.
Ele é radio comercial, antena 3, radio clube de Portugal. Acho que só me falta a romântica.
Em caso, já não faço mais nada. Logo pela manha, quando estou a cozinhar, quando estou a aspirar.
Adoro. Oiço a musica portuguesa, as musicas que se ouvem em Portugal, os locutores. Não ligo muito ao tempo, porque deixei de conseguir perceber a temperatura. Vinda de 10 graus negativos aqui, para 16 positivos ai, tive frio. A chuva também não me impressiona. Uma das coisas que aprendi com a neve, foi a gostar da chuva. Com os irlandeses, que não se usa chapéu de chuva. Uma das coisas que eu gosto mesmo muito, é ouvir o transito. Os acidentes na segunda circular, as filas na A2...
Não sei porque gosto tanto. Se pela forca do habito. Se por poder pensar que ainda bem que não estou la, se por me fazer sentir mais próxima. I'm a weirdo. E essa é a explicação mais provável.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Coitadinha



Hoje deu-me para ter peninha de mim própria. Chateei-me por uma parvoíce, emocionei-me com um sms (era dos bons!) e estou aqui com uma dor de cabeça, que não se aguenta. O raio do sistema com que tenho que trabalhar esta lento e sempre a crashar e isto
é uma desgraça pegada o dia todo.
Para complicar ainda mais, eu não sei lidar com as pessoas com pena de si próprias. é das coisas que mais irrita. O que implica um ciclo vicioso no meu estado de espírito (ou na minha bipolaridade). Irrito-me comigo própria por estar armada em coitadinha, ai que preciso tanto de um abraço, sinto-me ainda mais coitadinha, com a canseira que isto tudo provoca.
Hoje é um daqueles dias difíceis. Aqueles dias em que, por estar aqui sozinha, um probleminha é um drama.
E ontem que estava tão feliz que não cabia em mim. Acho que também faz parte. E, as vezes, la me calha. Amanha será melhor.

Sou humana e a mais (já) não me obrigo

Eu tenho este defeito, não consigo aceitar que exista alguém que não goste de mim ou tenha uma ideia que eu considere errada.
é  um defeito, porque é impossível agradar a gregos e troianos e eu sou pessoa para, não literalmente, abanar uma pessoa, "olha que eu ate sou simpática e querida e divertida". A coisa acaba por se desgastante. Para mim, que me preocupo demasiado, para o outro, aquele que tenha que aturar esse meu (demasiado) grande esforço.
Hoje recebi um mail menos bom. Daqueles que nos faz pensar como é  possível alguém dizer-nos coisas tão feias.
Esta minha aventura, tem tido em mim um efeito depurativo para o espírito, permitindo-me eliminar todos os meus resíduos. Tenho sido tão mimada por todas aqueles que me são importantes, que mesmo ficando triste, consigo relativizar. Há uma altura em que temos que eliminar quem só nos sabe fazer  mal. Sem ter qualquer sentimento de perda.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

E eis senão quando

Passados 2 meses, me apercebo que trouxe a wii, mas nenhum dos seus jogos.



Viver fora é - Comida

Viver fora é  ter que comer sopa com um caldo knorr por concha e com muita pimenta.
Viver fora é  comer um molho castanho nojento com tudo e mais alguma coisa.
Viver fora é  ir ao supermercado e não encontrar um peixe de jeito. Ou um molusco de jeito. Qual polvo, ou lulas, ou o que seja. Queres comer aqui, come salsichas, hamburgueres, nugets. Estes gajos vivem numa ilha e não comem peixe!
Viver fora é  não encontrar batatas fritas com o sabor original. Só com sabor a presunto, a queijo, a cebola e a vinagre (???). Nem tostas. Nem pão de jeito. Sementes a torto e a direito que aqui eles chamam "refeição inteira" (all meal).
Viver fora é  querer cozinhar algo de jeito e não encontrar ingredientes. E beber chocolate com marshmallows ou demasiado açúcar. E tudo frito ou gorduroso ou a saber mal. Provavelmente, a caldo Knorr, que aqui parece a oitava maravilha do mundo.

Odeio a comida! E a neve, Já vos disse que odeio a neve?

Teoria da minha mae


Segundo a minha mãe, o facto de ter muitas aranhas em casa e sinal de que o ambiente não e poluído. E que, não sendo o ambiente poluído, e muito melhor ter aranhas que outra coisa que qualquer. E que as aranhas previnem outros bichos.
Parece-me um bocadinho rebuscado, mas acho que preferia só um bocadinho de poluição.
Pelo sim, pelo não, ontem aspirei-as todas!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Hoje é que foi


Depois de ter escrito ontem que não me podia esquecer do meu Português Suave, hoje esqueci-me.
Pronto, 8,55 €! Tau!
E também me esqueci do cachecol. Que nem no trabalho tiro. Andava aqui sem perceber porque tinha mais frio, quando ate estão 3 graus positivos. Pois...
Está bonito, está!

Viver fora é


Perceber que aqueles que sempre foram os nossos pilares, não vergam com a distancia.
Perceber que se tem mais saudades do que se esperava ou de quem não se esperava.
É testar os nossos limites e perceber que vamos sempre ate onde é  preciso.
É ficar eufórica com um telefonema daqueles que já ligavam todos os dias.
É dar valor a pequenas coisas e dismistificar outras.
É querer ler todos os jornais e ver o facebook todos os dias.
É descobrir como ouvir uma radio portuguesa e ficar feliz ao acordar com uma banda portuguesa.
É conhecermos novas facetas, novos limites. É conhecermo-nos a nos próprios.

Viver fora é

Não saber como cumprimentar. Em Espanha é logo beijinho, em França um frio aperto de mão, até num engate de discoteca, beijos e abraços entre amigos, até rapaz com rapaz. Na Suiça dão-se três beijinhos.
É sair do trabalho e não encontrar nenhum supermercado aberto, porque fecham às 18h. É demorar a escolher o leite, porque afinal, o azul é o gordo e o verde, o magro.
É ir ao restaurante e não perceber a ementa.
É não conseguir acompanhar uma conversa ao almoço, porque falam todos ao mesmo tempo. É perder o fio à meada numa reunião, porque não se percebeu uma palavra.
É demorar a perceber que o melhor centro comercial é aquele que fica entre ruínhas e ruelas, onde o ponto de embraiagem é difícil.
É saber que uma Zara é uma Zara em qualquer lado, mas não conhecer mais nenhuma loja.
É não saber que se paga para a recolha de lixo.
É pagar 2,5€ por uma garrafa de àgua na rua e não poder nunca esquecer o Português Suave em casa, porque se paga 8,5€ por um maço de tabaco.
É ter que escavar neve ou descongelar o carro todas as manhãs e ter sol 5 min durante uma semana.
É aprender dia após dia. É sair da zona de conforto. É crescer.





quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Taxista


Já ouvi muitas historias de taxistas, mas ate a data, ainda não me tinha deparado, ao vivo e a cores com uma digna de se contar. O mais estranho que me tinha acontecido, tinha sido apanhar um taxista que, muito indignado com os classificados do Correio da Manha, me mostrou, uma a uma, as fotografias que lhe apareciam indecentes. Assim me fartei eu de ver o que o homem criticava, rabos e mamas.
Foi preciso vir para a Irlanda para apanhar um daqueles como deve ser. Ou não.
A coisa começou logo mal. O taxista pediu-me para ir a frente, sentada ao lado dele. Coisa que eu, esquisitinha como sou, não acho muita piada. Gosto de vir cá atrás, sossegadinha, com os meus pensamentos. Por mim, não precisam de fazer conversa. Embora perceba que, coitados, estão ali o dia inteiro e tem necessidade de falar. E, as vezes, ate são muito fofinhos e acabo por achar piada a conversa. Mas são poucas.
Mas enfim, eu ando aqui meia perdida, sem conhecer as regras e dou por mim a questionar-me sobre coisas simples. Se aqui só se da um beijinho, sei la se também se vai atrás no táxi. Ok, e capaz de ser universal, mas uma pessoa questiona-se com estas coisas. Por isso, la fui.
Continuou mal, porque assim que me sentei deu-me uma espécie de beliscão no ombro, enquanto me tentava ensinar a dizer Drogheda e terminava a sua frase com "My dear". Mas eles aqui são todos assim, muito de toques e "love", "honey", "dear" a toda a gente. Continuei a achar normal.
Contou-me a historia da sua vida. A historia da vida dos filhos. Perguntou-me donde vinha. Dizia que Portugal era uma ilha e eu não tive para contradizer.
A certa altura perguntou-me a idade. La me desviei dos meus monossílabos e respondi: 30.
Nao disse rigorosamente mais nada. Ao que ele me respondeu:
- Velha? Não és nada velha? És uma bebe! Ta calada! Essa agora, não és nada velha!
Aqui comecei a ver que deviam faltar ali um parafuso ou outro.
Continuou. Perguntou-me se em Portugal, as raparigas gostavam de homens mais velhos. Lembrei-me logo do Pinto da Costa. Mas esse, pelo menos, tem poder e o FCP e essas coisas todas. Este era mesmo só um taxista rajeta. REspondi-lhe que não tinha conhecimento.
Falou, falou, falou. Perguntou-me se gostava de dançar. NÃO, respondi-lhe. "Estava aqui capaz de te convidar para o baile no Domingo." Rais'parta o velho, a atirar-se a mim.
Aqui já estava começar a ficar com medo. Eram 11h da noite. Estava ali sozinha com o velho. E, a parte melhor, o gajo ia levar-me a casa.
Cravou-me um cigarro que fumou de vidros fechados. Acelerou que nem um doido nestas estradas cheias de gelo. Tive que lhe gritar, porque não via uma rotunda.
No final, fez questão de me levar as malas a porta de casa! Ora esta, mas agora não me livro do velho?
Pronto, la o consegui convencer a largar ali as minhas malas, no meio da rua e esperei que saísse. Nem sei como.
E assim foi o meu primeiro impacto, nesto regresso a Irlanda. Isto promete.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

So podia!


E o que e que a mete-nojo-cor-de-rosinha recebeu no natal? O que foi?
Um sobretudo. E de que cor, de que cor?

Coisa mai'linda!!!!

Eu queria


Eu queria conseguir escrever tudo o que se passou durante a minha estadia em Portugal.
Como andei a correr de um lado para o outro, ao ponto de nem conseguir dormir, tal a adrenalina com que andava.
Eu queria conseguir descrever as emoções que senti.
Queria conseguir explicar o que e voltar a casa, quando essa já não e a nossa casa.
Queria poder explicar porque chorei quando visitei o antigo escritório.
Como horas com certas pessoas me souberam a escassos minutos.
Como os abraços souberam ao mundo e ainda assim souberam a pouco.
Queria ser capaz de verbalizar tudo e todos.
Queria concentrar-me e arrumar as minhas próprias ideias.
Mas não consigo. Não há palavras para descrever o que senti. A perda do primeiro voo tornou tudo muito mais intenso, o tempo muito mais escasso e uma Clara muito mais emocional.
De tal forma emocional, que não consigo descrever. Nem lembrar-me de outro momento em que me tenha sentido assim.
Já tinha feito erasmus e, também, nessa altura, fui passar o natal a casa. Não sei se por ter data final marcada, se por andar só em festas e não a trabalhar, a verdade e que foi muito mais tranquilo e muito menos giro.
Queria contar as mil e uma coisas. O vizinho no avião, que escrevia da direita para esquerda, em inglês. Que apontava o numero de voo e pormenores relativos ao mesmo.
Queria contar-vos o primeiro dia, em que tive com família e amigos e me deitei as 4h da manha. A passagem de ano, que mesmo calminha, foi das melhores dos últimos anos.
A tarde com a sobrinha emprestada. A tarde, na praia, com gaivotas e peixes mortos.
O ultimo dia, que se dividiu num almoço, com uns, café com outros, lanche com a minha melhor amiga, mais um café, mais um jantar.
Aconteceu tudo tão depressa que tive dificuldade em registar. Passei duma emoção a outra, com tal rapidez, que quase foi difícil sentir.
As emoções ficaram a flor da pele, mas nem por isso consigo agarra-las.
Agora vem outras aventuras. Ontem já tivemos um taxista irlandês maluco, que chegou ao ponto de me perguntar se as portuguesas gostavam de homens mais velhos e se eu não queria ir ao baile com ele, no próximo domingo.
Portanto, cá estamos de volta e outras aventuras se avizinham.

Depois de 4 dias perdidos por causa da puta da neve (como diz uma amiga minha, ja nao se pode falar na neve sem o prefixo!), chegar a Portugal, teve outro sabor.
Quis aproveitar ao maximo o tempo perdido, o que significa diminuir horas de sono e correr dum lado para outro.
Soube a pouco. A muito pouco. Nao consegui ver toda a gente e tenho a sensacao que acabei por ter pouco tempo de qualidade com cada um.
Regressei a Irlanda cansada do meu lufa-lufa. A precisar de ferias das ferias. Com ainda mais saudades. Mas foi tao bom.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

De volta

Depois de finalmente ter conseguido um vôo para Portugal e ter passada uma das semanas mais intensas da minha vida.
Resta-me, agora, arrumar a mala e arrumar as emoções.
Ah! E catar aranhas!