quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Taxista


Já ouvi muitas historias de taxistas, mas ate a data, ainda não me tinha deparado, ao vivo e a cores com uma digna de se contar. O mais estranho que me tinha acontecido, tinha sido apanhar um taxista que, muito indignado com os classificados do Correio da Manha, me mostrou, uma a uma, as fotografias que lhe apareciam indecentes. Assim me fartei eu de ver o que o homem criticava, rabos e mamas.
Foi preciso vir para a Irlanda para apanhar um daqueles como deve ser. Ou não.
A coisa começou logo mal. O taxista pediu-me para ir a frente, sentada ao lado dele. Coisa que eu, esquisitinha como sou, não acho muita piada. Gosto de vir cá atrás, sossegadinha, com os meus pensamentos. Por mim, não precisam de fazer conversa. Embora perceba que, coitados, estão ali o dia inteiro e tem necessidade de falar. E, as vezes, ate são muito fofinhos e acabo por achar piada a conversa. Mas são poucas.
Mas enfim, eu ando aqui meia perdida, sem conhecer as regras e dou por mim a questionar-me sobre coisas simples. Se aqui só se da um beijinho, sei la se também se vai atrás no táxi. Ok, e capaz de ser universal, mas uma pessoa questiona-se com estas coisas. Por isso, la fui.
Continuou mal, porque assim que me sentei deu-me uma espécie de beliscão no ombro, enquanto me tentava ensinar a dizer Drogheda e terminava a sua frase com "My dear". Mas eles aqui são todos assim, muito de toques e "love", "honey", "dear" a toda a gente. Continuei a achar normal.
Contou-me a historia da sua vida. A historia da vida dos filhos. Perguntou-me donde vinha. Dizia que Portugal era uma ilha e eu não tive para contradizer.
A certa altura perguntou-me a idade. La me desviei dos meus monossílabos e respondi: 30.
Nao disse rigorosamente mais nada. Ao que ele me respondeu:
- Velha? Não és nada velha? És uma bebe! Ta calada! Essa agora, não és nada velha!
Aqui comecei a ver que deviam faltar ali um parafuso ou outro.
Continuou. Perguntou-me se em Portugal, as raparigas gostavam de homens mais velhos. Lembrei-me logo do Pinto da Costa. Mas esse, pelo menos, tem poder e o FCP e essas coisas todas. Este era mesmo só um taxista rajeta. REspondi-lhe que não tinha conhecimento.
Falou, falou, falou. Perguntou-me se gostava de dançar. NÃO, respondi-lhe. "Estava aqui capaz de te convidar para o baile no Domingo." Rais'parta o velho, a atirar-se a mim.
Aqui já estava começar a ficar com medo. Eram 11h da noite. Estava ali sozinha com o velho. E, a parte melhor, o gajo ia levar-me a casa.
Cravou-me um cigarro que fumou de vidros fechados. Acelerou que nem um doido nestas estradas cheias de gelo. Tive que lhe gritar, porque não via uma rotunda.
No final, fez questão de me levar as malas a porta de casa! Ora esta, mas agora não me livro do velho?
Pronto, la o consegui convencer a largar ali as minhas malas, no meio da rua e esperei que saísse. Nem sei como.
E assim foi o meu primeiro impacto, nesto regresso a Irlanda. Isto promete.

5 comentários:

Anónimo disse...

O verdadeiro delírio, melhor que isto só as minhas visitas...eheh
boa sorte Clara, a coisa promete!
X

...Ju... disse...

um bom regresso, portanto!

MRPereira disse...

Ui, tu a gritar, Clara? Correu bem, então! :)

Beijo

Me,myself & I! disse...

Credo!
Eu acho que fugia...sem malas nem nada!
Muito sangue frio tiveste tu!

Anónimo disse...

Nao acho piada! Tem cuidd ctg sff. Bbb