segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Na véspera

Nas vésperas destas viagens de trabalho, fico sempre com a neura.
Adio a mala por tudo e por nada, é só para descansar mais um bocadinho, vou só ali comer mais qualquer coisa, vou só à net ver alguma coisa urgente. Acho sempre que se fosse no dia seguinte é que dava jeito. Para poder passar mais qualquer a ferro, preparar melhor o trabalho ou só para pôr uns pirilimpipis.
Gosto muito de viajar, gosto deste trabalho que me faz viajar, mas só me passa a neura depois de pasar aqueles raios-x, as filas e quando, finalmente, me sento e ponho o cinto.
No fundo, sou como aqueles putos, que nunca querem tomar banho, mas depois nunca querem sair de lá.
agora vou só ali fazer a mala e pôr o despertador para as 4h da manha...

Pérolas do meu colega espanhol

Tengo una resaca de tres pares de cojones.
Ontem pus-me a ver estes videos da Luna, com excertos do programa "Portugueses pelo Mundo" sobre Amesterdao.
Nunca tinha visto o programa e sendo eu uma poruguesa pelo mundo, achei que iria ser positivo ver aqueles com que me poderia identificar.
So vi o primeiro video e nao foi ate ao fim.
Aquilo assustou-me. Ouvi  cada uma das pessoas contar "Vim so para fica X tempo e agora ja la vao 5 anos". Uma delas ia so por 3 meses e foi ficando. Tirando um ou outro, nao me pareceu que alguma delas pessoas pensasse voltar. Pareceram-me felizes. Ainda assim, o seu relato, relevou-se-me absolutamente assistador. Tambem eu emigrei para a Irlanda por tempo determinado. Esse e o objectivo. E o meu tempo determinado nem e tao curto quanto o deles.
Quero um dia ser uma portuguesa que andou pelo Mundo. Nao uma portuguesa NO mundo.
Em Portugal, sossegadito, e onde quero estar, a curto/medio prazo.
Se uns ficam porque se adaptam, gostam, apaixonam-se, etc etc etc, outros ficam porque deixam de encontrar um lugarzinho para eles nesse mercado de trabalho que e o portugues.
E isso e o que mais me assusta. Nao desisti do mercado portugues. Resolvi fazer este investimento, para voltar com mais forca a esse mercado. Tenho receio que esse mercado desista de mim...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aborrecido?


Quem disse que esta minha nova aventura ia ser aborrecida?
Eu confesso que tive receio... Também pus a hipótese de me sentir sozinha. Ouvi os conselhos dos outros e ponderei ir viver para Dublin, só para estar numa cidade mais cosmopolita. E ponderei milhares de coisas que me ajudassem a passar o tempo.
Primeiro as aventuras na procura de casa, papeladas burocráticas, conduzir a esquerda, neve, comida e sei la mais o que.
Agora, vem o entusiasmo de trabalho e com ele as viagens. Ah e as visitas.
Desde o dia 28 de Janeiro que não estou um fim de semana sozinha. Num mês, já fui a Portugal, a Madrid, Dublin, Belfast e a Londres. Recebi duas levas de amigos.
Na próxima semana, 7 dias apenas e estarei em Londres, Madrid e Portugal novamente.
A minha vida e aborrecida? Sinto-me sozinha? Sou uma coitadinha fechada nessa terrinha em que não se passa nada chamada Drogheda?
Ontem estava em dia não. O próximo mês será de dias SIM.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dia não

Nõ só tenho que carregar mais 4 quilos e meio no lombo (depois de os ver na balança pesam muito mais), como se me avariou o congelador, vou deitar um montão de comida fora, nao recolheram o lixo da semana anterior, vá se lá perceber porquê, ando a pagar por um telefone fixe e uma internet que não funcionam e não consigo estar em casa a horas de vir cá o técnico, encontrei uma aranha enoooorme ao lado dos detergentes que guardo, por baixo do lava loiça, dói-me o joelho, tou cansada e isto às vezes até é dificil. Hoje é o dia.

O cumulo da preguiça, da falta de exercício e da nabice


Lesionei-me a fazer wii fit.
Aiiiiiii o meu joelho!

A dimensao dos estragos


Eu já sabia que a coisa estava ma, muito ma. Mas andava aqui sem coragem de a quantificar e adiar, a adiar a subida para uma balança.
Ontem foi dia. La me enchi de coragem e deixa la ver em quantos quilos se reflecte esta desgraça.
Três mesinhos apenas. Estou aqui há três meses. Os quilos a mais, esses, são 4,5.
Se antes queria perder 5 quilinhos, coisa pouca, agora tenho 9 para perder.
O pior, e que gostava muito de dizer que vou tomar medidas drásticas e perder isto num ápice, mas infelizmente, a única coisa que vou deixar de fazer e o petisquinho ao jantar, com a desculpa de que ao almoço a comida e tão ma, que tem mesmo que ser.
De resto, o raio de almoço, na cantina do escritório, infelizmente, continuara a ter comida Irlandesa. Peixe só frito, massas, batatas, sopa de cenoura e laranja (lamento, mas não consigo) e de não sei o que com bacon (não e sopa e não me venham com coisas). Por isso, se calhar o melhor e assumir os novos quilinhos e comprar roupa que me sirva... Mal por mal, dizem que na cara me fica melhor. E eu cá acredito. Que remédio...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Supresas


Quando estou mesmo muito feliz não me apetece escrever.
Bem ou mal, gosto mais de escrever sobre o que me deixa infeliz ou com o que não concordo, o que me anda a chatear ou flagelos da sociedade que não se aguentam.
Este foi um fim de semana muito bom. A visita de uma amiga, que me deixa já emocionada no aeroporto (ando uma chorona) e a voz de uma segunda que me deixa em pânico, estando já a chorar que raio me vai acontecer com a chegada desta, do nada, do inesperado. Acho que este estupido panico nem me deixou revelar a reaccao a supresa. Foi uma boa surpresa e o fim-de-semana a três não podia ter sido melhor.
Emocionalmente, não poderia estar melhor. Creio que durante vários anos imaginei o que esta agora a acontecer e nunca, no auge da minha criatividade, imaginei que fosse esta a minha reacção. Pelo caminho, sem saber como, de onde e porque, ganhei amor próprio. Um amor próprio que me permite, hoje, ver com discernimento que não há ali absolutamente nada que adicione valor e muito menos, me faca feliz. E isso, só por si, deixa-me feliz. Por si só. Porque afinal tudo o que eu preciso para ser feliz não vem dali e e muito mais, muito melhor, muito mais tudo, do que aquilo que dali pudesse vir. Anos atrás, talvez meses e este seria um post sobre agruras, duvidas e amarguras. Hoje não.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pois pois


Ah e tal, os aquecimentos aqui sao muito melhores, tudo de manga curta dentro de casa, pijaminha de verao, toalhinhas aquecidas para depois do banho.
Uma alegria sem precedentes. E tres meses para receber a factura. E 550 Euros, assim, tau, sem apelo nem agravo. Nem nenhuma solidariedade para com a menina que e portuguesa e tem muito frio...

Não esquecer


- perceber melhor que raio tenho a funcionar a gás em casa, antes que volte a aparecer uma factura de 550 Euros.
- não abrir a boca ou colocar um dedinho numa tecla que seja, sem ter a certeza que se tem para dizer algo minimamente interessante. Algo absolutamente genial era o ideal, mas isso já funciona segundo as regras da probabilidade. Quanto mais vezes atiramos a moeda ao ar, maiores são as probabilidades de sair coroa (mesmo que nunca sejam superiores a 50%). Há que mandar umas larachas para se conseguir dizer alguma coisa de jeito, vá, pelo menos, uma vez por ano.
- não começar listas, sem ter mais que dois míseros itens. Começa agora.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

I will be in love

Se me oferecerem este puzzle:

Happy Valentine's day

I'm in love!



(pelo meu novo puzzle. Nao e lindo???)

Happy Valentine's Day


I'm in love!

Os pormenores


Londres encantou-me, não como um todo, mas pelos seus pormenores.
Poderia encantar como um todo. Acho a cidade bonita e adoro as misturas arquitectónicas. Mas eu sou uma pessoa de pormenores. Um pormenor pode fazer-me odiar, outro pode fazer-me adorar.
Aqui, não gosto de um, nem de dois ou de três pormenores. Gosto de todos e gosto do facto de que haja tantos.
Gosto dos autocarros vermelhos, dos táxis pretos, dos vasos floridos a cada poste de iluminação.
Gosto das pessoas que interagem, sem interagir. As que vão depressa, as que vão devagar, as que sorriem, as que choram, as que aproveitam o espelho da grande loja, para arrancar um pelinho com pinça, as que passam e não vêm.
Gosto do tempo, que ora chove, hora faz sol, hora faz vento. Chega-te para o lado que aqui esta frio e a um passinho esta muito melhor.
Gosto da loja de brinquedos, com 200 anos, repleta das novas modernices, repleta dos antigos tesourinhos.
Gosto do big ben e do seu som a cada hora.
Gotos do tal palácio, do tal museu, da tal rua.
Gosto de Londres.

Muito mais


Escrevo, nao escrevo. Escrevo, nao escrevo.
Londres pela janela.
Um ingles lindo de morrer mesmo a minha frente (finalmente, um rapaz giro por esta bandas).
Um fim-de-semana repleto de coisas novas. Novas paisagens, novos monumentos, novas comidas, novas gentes.
O fim-de-semana anterior que ainda traz tanto para contar. O seguinte que traz mais amigos para me visitar.
Tanto, tanto, tanto... e eu com tao pouco para escrever.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Margem de erro


Nem tudo o que eu escrevo deve ser levado a letra.
Ultimamente, tenho feito aqui do blogue um quase diário, com as minhas aventuras em terras da Irlanda. Por isso, o que escrevo e verdadeiro e sentido. mas a verdade e que eu sou menina para por alguma manteiga no pão. Gosto de dar mais ênfase aquilo que me parece que vai ter mais piada. Gosto de ser eloquente no que me parece mais romântico. Consigo ate ser mais agressiva nos momentos que, afinal, são só assim um bocadinho menos bons.
Gosto de entreter, de surpreender, de brincar.
A minha vida nem sempre e tão interessante como eu a pinto. Eu não sou sempre tão racional, como a escrever (alias, escrever ajuda-me a se-lo) e muito menos tenho o bom senso que, as vezes tento demonstrar.
As vezes, deito para aqui uma ou duas larachas, sobre o que me esta a chatear ou o que me esta a deslumbrar e depois de escrever, volto a base e fica, finalmente, tudo bem. Ao ponto de conseguir esquecer  que, nalgum momento, aquilo me passou pela cabeça.
Outras vezes, pego em coisas tão verdadeiras e tão simples, que e apenas por isso que tem piada.
Eu leio muitos blogues. Sempre li. E, na verdade, quero la saber se o que esta la escrito e verdadeiro ou não. Entretêm -me, surpreendem -me e, as vezes, identifico-me.
E este meu blogue, para mim, e mesmo isso, só um blogue. Como os outros, ou pelo menos, como eu vejo os outros.
Nem sempre as pessoas o compreendem e, as vezes, arrependo-me que seja tão pouco anónimo. Aqueles que me conhecem pessoalmente, indignam-se, questionam, criticam o que escrevo a aqui.
O fundo de verdade esta cá, porque eu não consigo ser assim tão criativa e, também, não consigo deixar de escrever sobre outras coisas, que não as que me vão na cabeça, mas há e sempre haverá, uma ligeira margem de erro, como em tudo na vida.
Aqueles que me conhecem, quando me leem, imaginem que e sabado a noite e que estamos numa qualquer discoteca ou bar e eu estou so, com o meu copinho, armada em piadolas.

A Ême é genial!






Quem?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O tal presente


Nunca cheguei a responder ao mail a confirmar se queria participar no presente da mete-nojo-cor-de-rosinha ou não.
Assumiram que queria.
Andou um envelopezinho a passar entre nos, para ela não ver e cada um punha o que queria.
Pronto, não tive coragem de dizer que não.
Esta coisa de cada um por o que queria, deixou-me perdida. Ate um euro me custa!!!
Espreitei para dentro do envelope para ver quanto estava la dentro. Duas notas de 50 euros! Fogo, houve duas pessoas que puseram 50 Euros, cada uma, para o raio da miúda.
Acabei por pôr 20... Estou com uma telha que não se aguenta. 20 euros dava para muita coisa. E tanta a gente a precisar...

Sao muito simpáticos e tal


mas cheira-me que estes irlandeses também são muito cínicos.
As minhas colegas passam a vida a cascar na mete-nojo-cor-de-rosinha e hoje lembraram-se que devíamos juntar-nos e oferecer-lhe um presente para a casa nova.
Como e que, sendo nova num trabalho, não querendo levantar ondas, estando num mail com copia para chefes e afins, consigo, airosamente, manter os meus principios?

Feliz?


Este fim de semana, três amigos vieram-me fazer uma visita. Saíram daqui com a sensação que não sou feliz e que quando lhes digo isso, me estou a tentar convencer a mim própria.
Custou-me que tivessem ficado com esta ideia. Em primeiro lugar, porque demonstra como não me conhecem bem e não sabem que sou menina para não conseguir deixar de chorar em ombro alheio, em segundo lugar, por terem partido do particular para uma generalização.
O fim de semana teve algumas particularidades, por isso percebo as duvidas que lhes tenham ocorrido.
Era suposto terem vindo duas semanas antes, mas, de véspera, o seu voo foi cancelado devido a uma greve. Marcaram novo voo para duas semanas depois, no entanto, nessa semana, a greve continuava e todos os dias víamos voos serem cancelados, cruzando os dedos para que o deles não fosse. Na véspera, o voo deles não tinha sido cancelado, mas dado o numero de cancelamentos, ocorreu-lhes que o de regresso a Portugal pudesse, entretanto, ser cancelado, pelo que puseram a hipótese de voltar a altera-lo, de modo a não correrem riscos. A gestão de expectativas neste caso, não e uma coisa fácil, pelo que não tomei balanço numa euforia que me seria normal, noutras circunstancias.
Dias antes, eu tinha estado numas reuniões em Madrid, das quais trouxe muito trabalho para a semana em que eles chegaram e tinha também passado o fim de semana em Portugal, onde a pressa de viver tudo fez com que não parasse um segundo e ficasse de rastos, pronta para uma cura de sono de uma semana. Mas não, tive que trabalhar.
No dia em que chegaram. quinta-feira, vim as 8h da manha para o escritório, para poder sair a horas decentes e, ainda, deixar tudo feito e poder tirar a sexta-feira. Sai do trabalho, fui para casa, e estive ainda a passar a ferro e a fazer camas. Seguidamente, fui ao supermercado, comprar umas cervejas que pesavam toneladas. Fui busca-los ao aeroporto a hora que me costumo deitar.
A emoção que se sente, num pais que ainda nos e desconhecido e onde não temos amigos, nas chegadas dum aeroporto, a espera daqueles que queremos e nos fazem bem e impossível de descrever por palavras. Antes deles chegarem, estava já emocionada com os reencontros que ia vendo, entre amigos, familiares, pais e filhos. Por isso, não pude deixar de ficar desiludida quando resolveram brincar e passar por mim fingindo que não me viam. Para mim, um abraço era urgente. Esse abraço aconteceu e acabei por achar picuinhas esse meu sentimento, por isso nem me ocorreu verbaliza-lo.
No dia seguinte fomos a Dublin, conhecer e visitar a cidade. Um deles, afirmava conhecer muito bem a cidade pelo que fez-nos andar quilómetros e dar voltas desnecessárias para chegarmos a fabrica da Guiness. A minha resistência foi-se logo a meio, tendo que fazer um grande esforço para disfarçar e não ter que admitir que o único exercício que faço, normalmente, e do sofá para a cama, ou de casa para o carro. Pelos vistos, não disfarcei tão bem como pensava, já que repararam e ficaram a pensar que estava a fazer um frete naquela vida de turista. Nada disso, não me ocorreu nunca fazer as coisas de maneira diferente, ate porque, eu própria não conhecia a cidade, apesar de viver a tão escassos quilómetros. Não me passou nunca pela cabeça que seria melhor irmos para um esplanada. Aquilo era o que fazia sentido. Infelizmente, o meu corpo e as minhas forcas, não estavam de acordo. A fabrica da Guiness tem uma ou outra coisa interessante e um bar num sétimo piso absolutamente fantástico, mas pelo meio tem muita palha e muitas escadas completamente desinteressantes. A cerveja oferecida, no final da visita, no tal bar, também não me serve como grande motivação, já que não consigo beber aquilo, nem a lei da bala.
Depois desta visita era altura de jantar e beber uns copos. Normalmente, isto chega-me como motivação e forcas extras, mas neste caso, já não havia um pingo delas, pelo que não lhes foi, mais uma vez, possível ver a minha euforia habitual.
Isto tudo para concluir que, ao contrario da ideia com que ficaram, eu não estou triste, nem muito introspectiva e muito menos, muito só comigo própria. Estava, pura e simplesmente, cansada.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pronto


Os últimos tempos não tem sido fantásticos. E o blogue também sofre com isso e com esta minha coisa de querer e não querer dizer.
Sofro pelo passado e por antecipação. Coisas que já não posso mudar e que, se tiverem, as suas consequências não se sabem ainda.
Deitei-me com uma telha, mal dormi com o raio da telha e acordei com ela.
Cheguei ao trabalho, arregacei mangas, concentrei-me e tudo me pareceu um bocadinho melhor.
Pelo meio, marquei a minha viagem para Londres, para este fim de semana, uma amiga marcou a sua viagem, para me visitar, para o fim de semana seguinte. E estou já a ponderar que farei eu no outro a seguir. Descanso, vou a Portugal ou marco outra coisa qualquer? Parar não me apetece (e limpar a casa também não).
É certo que sempre ouvi dizer que do querer ao fazer vai um enorme esticão;
Mas haverá quem possa negar que querer é poder e o nunca é uma invenção;
Bem sei que este nosso cruzar pode até nem passar de um capricho sem valor;
Mas porque raio hei-de evitar se esse teu ar me trouxe ao sangue calor...

Virgem Suta - Linhas Cruzadas


Roubadissimo ao MRPereira (ou sera meipe?).
Os actos não são isolados. Por detrás de cada acto, teremos sempre outros actos, outros factos, outras histórias.
Justificações, explicações ou, talvez, desculpas.
Cada um de nós vive de acordo com os limites que conhece, as condições impostas, as motivações geradas.
O exercicío mais dificil, noutras condições, seria o mais fácil nas minhas. Ou vice-versa, que tudo depende do meio. O que nos rodeia. Uma realidade minha, não é uma realidade tua. E o mais fácil? Apontar o dedo ao que se conhece e ignorar o que se desconhece.




terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sono

Perco o sono com facilidade. Sofro de insónias, dizem alguns.
Os últimos anos, foram de noites mal dormidas.
Perdi o sono refazendo listas e listas de afazeres, coisas que não me podia esquecer, responsabilidades a garantir. Esforços sobre humanos para uma pessoa só.
Perdi o sono com adivinhações. Pensamentos exigidos e nunca comunicados.
Perdi o sono com angústias, com injustiças, com infelicidades.
Mudei de pais e recuperei o sono. E com o sono recuperei discernimento, energia, capacidade e crédito próprio nessa mesma capacidade. Deixei para trás o que me angustiava, sem vontade de voltar atrás.
Dizem que não podemos fugir de nós próprios e eu acreditava, finalmente, poder encontrar-me. Anos e anos de presença, desforço, de vivência não se apagam. E a falta de sono regresso, porque há pesadelos que nos acompanham. Sempre. Ou pelo menos, durante um certo período de tempo.
Encontrei-me, fechei a porta ao que atormentava, mas há coisas que encontram sempre forma de nos encontrar, de tocar uma campainha, de nos assombrar.
Hoje tive uma noite mal dormida e o receio que certos pesadelos não sejam suficientes para perturbar uma paz de espírito difícil de encontrar e, talvez, fácil de perder.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A proxima vez

que alguem me perguntar porque raio não saio eu à noite na Irlanda, espeto com esta foto:


Esta fotografia é apenas uma pequena amostra duma discoteca aqui. Estas miúdas até estavam compostinhas, dentro do panorama.
As restantes, estavam bêbedas, despidas (tipo estas), com saltos de 15 cm, sobre o quais não sabem andar  e a fazer-se a tudo o que se mexia.
Estou em choque. Ainda estou em choque.
Ao descrever isto no trabalho, depois de explicar que em Portugal não é bem assim, fiqei a saber que a mete-nojo-cor-de-rosinha é uma habitué. Como é que eu não vi logo?


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os outros


O homem é um animal social e contra isso não há nada a fazer. Dependemos dos outros, da sua aceitação, do seu contacto, do seu afecto.
Por isso, desconfio quando alguém me diz que consegue fazer o que quer que seja, sem preocupar-se com o que os outros podem pensar. Há, sempre, pelo menos, uma pessoa que nos importa. Outras vezes, há mais.
Preocupa-nos o que os outros possam pensar, a imagem que podem ter de nos e o apoio que (sobretudo os nossos amigos) nos podem dar. Podemos estar convictos que fazemos o melhor, ou a única saída, ou que a nossa consciência justifica. Se tal não for visto a olho nu, procuramos justificar.
Podemos estar muito muito seguros daquilo que vamos fazer. Acreditar que não nos trará problemas ou dores ou carências. Mas há sempre um risco, por pequenino que seja, e como tal, esperamos que nos validem os nossos actos, just in case.

Nem tudo o que os outros dizem é  verdadeiro. Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. A nossa capacidade de influencia esta directamente relacionada com o nosso grau de conhecimento.
Eu posso não ligar nenhuma as tricas e coscuvilhices a minha volta.
Aqui falam dum colega que anda enrolado com uma colega. Não quero nem saber, não me diz respeito. Não convivo muito com os dois, portanto, não tenho conhecimento de causa. Nunca os vi juntos, não sei como interagem. Uns dizem que é  verdade, outros não. E quando vejo uma mensagem entre os dois, a minha mente esta já moldada. Vou ler essa mensagem de forma diferente daquela com que leria se nunca me tivessem feito a conversa. E, dessa forma, a mensagem, muito provavelmente, só porque existe, valida os boatos e reforça a minha opinião.

Nenhuma destas duas vertentes de que falo, a forma como nos preocupa o que pensam os outros ou a forma como influenciam as nossas opiniões, é  sempre a certa. Nem sempre são os outros que sabem o que é  melhor para nos, da mesma forma que nem sempre a informação que nos passam é  100% correcta.
Entre relações sociais, nem sempre tudo é  preto no branco, há caminhos, nuances e ideias que se misturam e transformam uma realidade. é  humano. E muitissimo mais interessante.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O frio


Toda a minha vida ouvi que, em Portugal, não se pode queixar do frio. Que as pessoas sabem la o que e frio e a sorte que tem.
Agora que vim para um pais que se diz frio, discordo completamente.
O frio e diferente.
Aqui temos temperaturas negativas, agua e chuva que se transformam em gelo e neve e escorregam para caracas. Mas a verdade e que eu só tenho frio quando vou fumar em corpinho bem feito ou seja sem casaco.
Fui passar o fim-de-semana a Portugal e achei que podia ir mais levezinha que aqui, onde uso umas luvas, um cachecol, um bom casaco e uma roupinha levezinha por baixo, Deixei as luvas e o cachecol cá. Raisparta que passei frio como nunca. Portugal tem temperaturas mais altas no Verão e o termómetro acusa mais graus no Inverno. Mas sente-se mais. Com a desvantagem que com esta historia de que em Portugal não nos podemos queixar, não se investe em bons aquecimentos. Aqui durmo de edredão, mas manguinha curta. Em Portugal, tentei dormir com mantas, pijama polar, edredão, ar condicionado no máximo e tive que me levantar as 5h da manha, para tomar um banho a escaldar, que não aquecia nem por nada.
Aqui, hoje, estão 11 graus. Esta frio porque esta um vento gelado que não se entende. Mesmo assim, estou aqui fresquinha, com uma saia levezinha e estou muito bem, obrigada.

As vantagens


Uma das vantagens de mudar assim de pais, é essa coisa de voltar a estaca zero, á tábua rasa, á pagina em branco e podermos-nos armar em filósofos indagando sobre questões existenciais nunca antes abordadas.

E filosofo que é filosofo já sabe que o imaterial transcende o material, que deveríamos lembrar sempre a criança que há em nos e olhar para as coisas sempre como se fosse a primeira vez, de modo a elevarmo-nos ao espanto e ponderar questões metafísicas de extrema utilidade ao nosso bem estar.

E afinal que tem isto a ver com a mudança de pais? Permite-nos, efectivamente, aos 30 anos, ver coisas pela primeira vez.
E, trocando por miúdos, passar a apreciar as coisas simples da vida e deixarmo-nos de tretas com alter egos e realizações psicológicas.

Senão, vejamos, coisas que, actualmente, me fazem muito muito feliz:
- Chegar ao trabalho de manha. Chegar a casa ao final do dia. Sim, eu sei que vocês já estão fartos da neve e do gelo. Pois. Eu também.
- Conseguir ver um episodio do Mad Men, sem legendas, sem adormecer. E acreditar que também um dia será possível manter-me acordada mais do que 5 minutos com o CSI.
- Conseguir chegar ao final duma reunião, tendo pedindo, apenas, 10 vezes, para repetir alguma coisa. Isto sim, é muito bom. Nos primeiros dias nem chegava a fazer perguntas. Percebia tão pouco desta pronuncia irlandesa, que nem as minhas duvidas eu entendia.
- Conseguir comer alguma coisa verdadeiramente saborosa. Uma simples massa com queijo, sabe a pato.
- Problemas existenciais desapareceram. Analises a discursos alheios, também. Perder tempo a interpretar o que fulano e beltrano queria dizer, quando disse que estava tudo bem ou que não estava tudo bem é coisa que não me posso dar ao luxo. já passo muito tempo a analisar palavras estrangeiras que, ainda, não fazem parte do meu vocabulário. Isto permite, também, afastar os chatos que não conseguem dizer o que quer que seja, preto no branco e depois vem com conversas que não estávamos atentos e pardais ao ninho. Se aconteceu uma ou duas vezes, acabaram por desistir, dada a minha falta de preocupação.
- Poder escrever tudo no blogue porque ninguém fala português. Não tem preço.

Educar


A mete-nojo esta feliz feliz feliz por ter ficado decidido que alguém a tinha que ajudar. Não lhe importa se sou eu ou outra qualquer, alguém a fazer o que ela pede e o paraíso para ela.
Chega aqui e começa a toda a velocidade, a enviar coisas e a mandar. Não lhe tiremos mérito, a gaja sabe mandar. Ou talvez não, que o tom de voz e tudo menos carismatico, mas la que ela tem energia para a coisa la isso tem.
A certa altura, o tal tom de voz irrita-me e faco-a parar. Não lhe digo nada directamente, mas mostro-lhe que assim não vai longe e a mete-nojo bufa, suspira e tenho cá para mim que conta ate 10 (ou mais) para não me mandar a merdinha ou sair-lhe um "quem manda aqui sou eu". Depois da contagem, fica muito mais calminha e só, então, eu começo a trabalhar. E faco-o sem qualquer problemas. O trabalho em si e uma seca descomunal, mas permite-me o que há muito queria. Educar.
E agora, la foi ela para o seu lugar, bufar um bocadinho sozinha.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Já percebo


Hoje calhou-me ajudar a mete-nojo-cor-de-rosinha com uma parte do trabalho dela, para que ela consiga terminar dentro do prazo estipulado. Ate já me sinto mais solidária com ela.
Se eu tivesse que fazer isto todos os dias, também era uma ressabiada do pior.

Hoje é o dia


No dia em que alguém nos faz infeliz, choramos, esperneamos e desejamos-lhe um terço, um terçozinho dessa nossa infelicidade.
Mesmo que o seu único feito seja não ser já feliz connosco.
Se existirem mais feitos, somos bem capazes de passar uma vida a desejar, a fantasiar, a imaginar, o dia em que essa pessoa vai ser infeliz. E que vai sentir a nossa falta ou dizer-nos que errou ou procurar outro aconchego. E feio, mas é humano e é mais forte que nos. Mas ainda mais humano é, chegar esse dia e, em vez do regozijo, sentirmos pena e até arrependermo-nos de o ter desejado. Chega o dia em que nos é completamente indiferente.