quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Feliz?


Este fim de semana, três amigos vieram-me fazer uma visita. Saíram daqui com a sensação que não sou feliz e que quando lhes digo isso, me estou a tentar convencer a mim própria.
Custou-me que tivessem ficado com esta ideia. Em primeiro lugar, porque demonstra como não me conhecem bem e não sabem que sou menina para não conseguir deixar de chorar em ombro alheio, em segundo lugar, por terem partido do particular para uma generalização.
O fim de semana teve algumas particularidades, por isso percebo as duvidas que lhes tenham ocorrido.
Era suposto terem vindo duas semanas antes, mas, de véspera, o seu voo foi cancelado devido a uma greve. Marcaram novo voo para duas semanas depois, no entanto, nessa semana, a greve continuava e todos os dias víamos voos serem cancelados, cruzando os dedos para que o deles não fosse. Na véspera, o voo deles não tinha sido cancelado, mas dado o numero de cancelamentos, ocorreu-lhes que o de regresso a Portugal pudesse, entretanto, ser cancelado, pelo que puseram a hipótese de voltar a altera-lo, de modo a não correrem riscos. A gestão de expectativas neste caso, não e uma coisa fácil, pelo que não tomei balanço numa euforia que me seria normal, noutras circunstancias.
Dias antes, eu tinha estado numas reuniões em Madrid, das quais trouxe muito trabalho para a semana em que eles chegaram e tinha também passado o fim de semana em Portugal, onde a pressa de viver tudo fez com que não parasse um segundo e ficasse de rastos, pronta para uma cura de sono de uma semana. Mas não, tive que trabalhar.
No dia em que chegaram. quinta-feira, vim as 8h da manha para o escritório, para poder sair a horas decentes e, ainda, deixar tudo feito e poder tirar a sexta-feira. Sai do trabalho, fui para casa, e estive ainda a passar a ferro e a fazer camas. Seguidamente, fui ao supermercado, comprar umas cervejas que pesavam toneladas. Fui busca-los ao aeroporto a hora que me costumo deitar.
A emoção que se sente, num pais que ainda nos e desconhecido e onde não temos amigos, nas chegadas dum aeroporto, a espera daqueles que queremos e nos fazem bem e impossível de descrever por palavras. Antes deles chegarem, estava já emocionada com os reencontros que ia vendo, entre amigos, familiares, pais e filhos. Por isso, não pude deixar de ficar desiludida quando resolveram brincar e passar por mim fingindo que não me viam. Para mim, um abraço era urgente. Esse abraço aconteceu e acabei por achar picuinhas esse meu sentimento, por isso nem me ocorreu verbaliza-lo.
No dia seguinte fomos a Dublin, conhecer e visitar a cidade. Um deles, afirmava conhecer muito bem a cidade pelo que fez-nos andar quilómetros e dar voltas desnecessárias para chegarmos a fabrica da Guiness. A minha resistência foi-se logo a meio, tendo que fazer um grande esforço para disfarçar e não ter que admitir que o único exercício que faço, normalmente, e do sofá para a cama, ou de casa para o carro. Pelos vistos, não disfarcei tão bem como pensava, já que repararam e ficaram a pensar que estava a fazer um frete naquela vida de turista. Nada disso, não me ocorreu nunca fazer as coisas de maneira diferente, ate porque, eu própria não conhecia a cidade, apesar de viver a tão escassos quilómetros. Não me passou nunca pela cabeça que seria melhor irmos para um esplanada. Aquilo era o que fazia sentido. Infelizmente, o meu corpo e as minhas forcas, não estavam de acordo. A fabrica da Guiness tem uma ou outra coisa interessante e um bar num sétimo piso absolutamente fantástico, mas pelo meio tem muita palha e muitas escadas completamente desinteressantes. A cerveja oferecida, no final da visita, no tal bar, também não me serve como grande motivação, já que não consigo beber aquilo, nem a lei da bala.
Depois desta visita era altura de jantar e beber uns copos. Normalmente, isto chega-me como motivação e forcas extras, mas neste caso, já não havia um pingo delas, pelo que não lhes foi, mais uma vez, possível ver a minha euforia habitual.
Isto tudo para concluir que, ao contrario da ideia com que ficaram, eu não estou triste, nem muito introspectiva e muito menos, muito só comigo própria. Estava, pura e simplesmente, cansada.

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu faria uma descricao diferente do fds. Mas a conclusao agrada me. Fds melhores virao! Bbb