quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os outros


O homem é um animal social e contra isso não há nada a fazer. Dependemos dos outros, da sua aceitação, do seu contacto, do seu afecto.
Por isso, desconfio quando alguém me diz que consegue fazer o que quer que seja, sem preocupar-se com o que os outros podem pensar. Há, sempre, pelo menos, uma pessoa que nos importa. Outras vezes, há mais.
Preocupa-nos o que os outros possam pensar, a imagem que podem ter de nos e o apoio que (sobretudo os nossos amigos) nos podem dar. Podemos estar convictos que fazemos o melhor, ou a única saída, ou que a nossa consciência justifica. Se tal não for visto a olho nu, procuramos justificar.
Podemos estar muito muito seguros daquilo que vamos fazer. Acreditar que não nos trará problemas ou dores ou carências. Mas há sempre um risco, por pequenino que seja, e como tal, esperamos que nos validem os nossos actos, just in case.

Nem tudo o que os outros dizem é  verdadeiro. Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. A nossa capacidade de influencia esta directamente relacionada com o nosso grau de conhecimento.
Eu posso não ligar nenhuma as tricas e coscuvilhices a minha volta.
Aqui falam dum colega que anda enrolado com uma colega. Não quero nem saber, não me diz respeito. Não convivo muito com os dois, portanto, não tenho conhecimento de causa. Nunca os vi juntos, não sei como interagem. Uns dizem que é  verdade, outros não. E quando vejo uma mensagem entre os dois, a minha mente esta já moldada. Vou ler essa mensagem de forma diferente daquela com que leria se nunca me tivessem feito a conversa. E, dessa forma, a mensagem, muito provavelmente, só porque existe, valida os boatos e reforça a minha opinião.

Nenhuma destas duas vertentes de que falo, a forma como nos preocupa o que pensam os outros ou a forma como influenciam as nossas opiniões, é  sempre a certa. Nem sempre são os outros que sabem o que é  melhor para nos, da mesma forma que nem sempre a informação que nos passam é  100% correcta.
Entre relações sociais, nem sempre tudo é  preto no branco, há caminhos, nuances e ideias que se misturam e transformam uma realidade. é  humano. E muitissimo mais interessante.

1 comentário:

João(mais nada) disse...

absolutamente de acordo.
beijo