terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sono

Perco o sono com facilidade. Sofro de insónias, dizem alguns.
Os últimos anos, foram de noites mal dormidas.
Perdi o sono refazendo listas e listas de afazeres, coisas que não me podia esquecer, responsabilidades a garantir. Esforços sobre humanos para uma pessoa só.
Perdi o sono com adivinhações. Pensamentos exigidos e nunca comunicados.
Perdi o sono com angústias, com injustiças, com infelicidades.
Mudei de pais e recuperei o sono. E com o sono recuperei discernimento, energia, capacidade e crédito próprio nessa mesma capacidade. Deixei para trás o que me angustiava, sem vontade de voltar atrás.
Dizem que não podemos fugir de nós próprios e eu acreditava, finalmente, poder encontrar-me. Anos e anos de presença, desforço, de vivência não se apagam. E a falta de sono regresso, porque há pesadelos que nos acompanham. Sempre. Ou pelo menos, durante um certo período de tempo.
Encontrei-me, fechei a porta ao que atormentava, mas há coisas que encontram sempre forma de nos encontrar, de tocar uma campainha, de nos assombrar.
Hoje tive uma noite mal dormida e o receio que certos pesadelos não sejam suficientes para perturbar uma paz de espírito difícil de encontrar e, talvez, fácil de perder.

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