quinta-feira, 17 de março de 2011

O IVA e o golfe


Ao contrario do que as pessoas pensam, o governo não tem impostos só para nos lixar, não senhora.
Os impostos servem para um estado previdente poder proporcionar infra estruturas e qualidade de vida ao pais.
Se depois, os governantes efectivamente aplicam bem esse dinheiro, já e outra conversa. Não me vou aqui pronunciar se o TGV e o aeroporto são ou não uma prioridade.
O que eu sei, e que estas coisas são calculadas com muitas continhas e  que o objectivo de se por um ginásio, uma Coca-Cola ou um golfe a uma determinada taxa, e' apenas e só, gerar o máximo de receita possível para o Estado, dentro do razoável.
E, talvez, nem todos saibam, mas estas coisas tem uma curva. O governo vai aumentando e recebendo mais receita, aumentando e recebendo mais receita, aumenta e Oh, afinal e' menos receita, porque as coisas afinal ficaram caras de mais e a malta já não compra/usa. Ou seja, há um ponto de saturação em que já não compensa ao estado aumentar mais. E esse ponto de saturação e' efectivamente diferente consoante se trate de golfe ou de um ginásio. Há primeira vista, claro que todos pensamos que praticam golfe só os mais abonados (o que e' muito provavelmente verdade) que estariam disposto a pagar e assim ir enchendo os bolsos do Estado. Só que, para quem não sabe, aqueles que jogam golfe em Portugal não são, maioritariamente, portugueses. São turistas. Vivo na Irlanda e não há irlandês que não conheça o Algarve porque já la foi jogar golfe. Um deles, coitadinho, quando soube que eu era de Portugal, perguntou-me "isso fico mesmo ao lado do Algarve, não e?".
E para estes Irlandeses, sei de fonte fidedigna, o importante não e' ser no Algarve ou noutro sitio qualquer do mundo. O clima e' porreiro, os campos também e os preços ainda melhores. E por isso escolhem Portugal. Mas, as vezes escolhem Espanha. O clima e' porreiro, os campos também e os preços também.
A decisão deles recai sobre aqueles que forem mais baratos. De resto, e' lhes igual ao litro. E quem diz os irlandeses, diz os ingleses, os franceses e por ai fora.
E, por acaso, infelizmente para nos, Espana tem taxas de IVA mais baixas que nos. Se mantivermos o golf nos 23%, perdemos todos estes turistas para os nossos vizinhos.
E o dinheiro com que eles contribuíam para o estado, também. E se for assim, o bolo do estado diminui mais um bocadinho e o sacana vem-nos outra vez ao bolso, no pão, no leite, naquilo que estiver mais a mão e ainda margem para o tal ponto de saturação.
E eu, como não quero que o Estado me continue a ir ao bolso, estou muito contente com esta medida. Golfe a 6%.

4 comentários:

João(mais nada) disse...

Eu também!!

como há uns anos atrás (e talvez se mantenha) a gasolina/gasóleo para desportos náuticos/lazer (não sei se tecnicamente se dirá assim) é mais -ou era- barata!

Anónimo disse...

Nunca antes tao bem explicado. Ės um genio das finanças! Assim tb concordo mas só pq me fizesre ver o outro lado. Obrigada amiga. E eu até simpatizo com alguns golfistas....! Bbbbb de portugal, no algarve hi hi

clara disse...

E tu, o génio da palavra certa, à hora certa. Thank you.

E bom algarve. I miss algarve. Enfim, agora tenho saudades de tudo, até de mirafleures.
Bbbbbb

Anónimo disse...

Coisa crida!
Bbbb