quinta-feira, 7 de abril de 2011

Cada um tem aquilo que merece


e ao constatar que no nosso pais, as pessoas estão mais preocupadas com a gaffe dum primeiro ministro demissionário, do que com a mensagem em si, leva-me a crer que merecemos o que vem ai.
Alias, ninguém sabe o que vem ai, o que significa o FMI, mas todos viram já no youtube o engenheiro preocupado com a sua imagem.
Eu devo andar a ver muito Brothers & sisters e o marido político da Ally McBeal, mas se me dissessem que tinha sido de propósito, como manobra de diversão, não me admirava nada. E nos todos a cair que nem uns patinhos. é uma teoria rebuscada, mas não tem sido este governo, também, muito rebuscado?
Hoje, a noticia sobre o FMI na primeira capa dos jornais é um pouco mais pequena, só porque aquilo que as pessoas vão mesmo ler é a descrição dum primeiro ministro vaidoso e mais preocupado com a imagem. Houve um jornalista que teve que escrever um pouco menos sobre as implicações duma coisa muito seria como esta ajuda externa, porque teve que guardar espaço para a futilidade que as pessoas vão efectivamente ler e, efectivamente, comentar e, efectivamente, querer saber.
Alguém sabe quanto vão aumentar os impostos, quais vão ser os cortes na função publica? E os despedimentos, vão ser mesmo para cortar os jobs for the boys ou pelo meio vai quem ate era produtivo? E alguém quer saber?

4 comentários:

A. disse...

O que eu quero saber é precisamente a resposta às questões que colocaste... E enfurece-me que se dê importância a tretas quando a situação é tão preocupante.

clara disse...

Eu, estando a viver na Irlanda, imagino que as medidas em Portugal venham a ser as mesmas ou muito parecidas.
E aqui tambem vou vendo manobras de diversao, como demissao do governo e outras coisas, que deixam as pessoas num excitex suficiente, para se esquecerem ate lhes irem ao bolso.
E' preocupante, mesmo muito preocupante.
Na Irlanda, o problema foram os bancos e as suas respectivas nacionalizacoes, de resto, a economia ate cresce. Se aqui , com este panorama, a coisa esta negra, em Portugal, nem quero pensar...

Joao Filipe disse...

Estranho vermos o PM a preocupar-se se fica melhor ligeiramente para a esqerda ou para direita antes de comunicar aos Portugueses que acabou de fazer um importante pedido de ajuda externa que tanto negou anteriormente... O momento é marcante pq assistimos em directo ao desmoronar de uma politica conduzida por uma figura, em que a principal preocupação foi sempre a imagem!!! Discordo totalmente deste post, porque se há coisa com que os portugueses estão preocupados é com o futuro, nas medidas que vão ser aplicadas, e sobretudo saber o que se pode fazer para de uma vez por todas sairmos de uma crise que já dura há 10 anos!!! O mediatismo que este video do Socrates atingiu revela é a nossa profunda insatisfação de nos andarem constantemente a enganar!! E nestes 30s virou-se o feitiço contra o feiticeiro... Triste país este, que mereceu esta figura durante 7 anos como Primeiro-Ministro.

clara disse...

Nao sejamos hipocritas, Joao Filipe. Qual de nos nao estaria preocupado com a imagem, se fosse falar para milhares de pessoas na televisao. Sim, e' ridiculo a coisa ter passado em directo, quando todos estavam expectantes na mensagem que vinha ai, mas dai a ser um escandalo e utilizar isso como prova que o senhor so se preocupava com a imagem e nao com o pais e' ainda mais ridiculo. Ja todos sabemos que eles tem pessoas a tratar-lhe a imagem, a escolher a cor da gravata, a ensaiar gestos e linguagem corporal. Seja um Socrates, seja um Portas, seja um Passos Coelho, seja ate, imagine-se, um Louca. Como ja li num outro blogue, se fossemos nos, tinhamos ido de t-shirt, calcaozinho e havaiana. Tendo em conta a mensagem, que importava o resto? O senhor, afinal, tinha mais com que se preocupar.
Tenho a certeza que tu, se fores fotografado num funeral, tambem fazes pose. So nao tens um Luis a quem perguntar.

Sinceramente, acho que ha provas e argumentos bem mais validos para se perceber que realmente nao tivemos bem entregues, nao nos ultimos 7 anos, mas nos ultimos 25.
Como tu dizes, triste pais este, que os elege e se preocupa com futilidades.