quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ponha a mão no ar


- Aquele que nunca andou no banco traseiro dum carro sem cinto (acho que nunca pus):
- Aquele que a conduzir, nunca tirou o cinto (ou não o pôs), porque ia só ali, porque queria despir o casaco, ou só para conseguir estender o braço ate ao porta luvas para tirar aquilo que, naquele momento, era absolutamente imprescindível, mesmo indo a conduzir:
- Aquele que usa sempre o cinto, anda sempre dentro dos limites legais de velocidade e essas coisinhas todas e nunca atendeu uma chamada, nunca escreveu uma mensagem, nunca se distraiu com o radio;
- ou ainda, aquelas que nunca se maquilharam ou puseram eyeliner com destreza, a uma velocidade que lhes parecia perfeitamente segura (no meu caso, a velocidade segura será de 0 km/h. Parada, paradinha. E mesmo assim, nem imaginam os acidentes.)

Aquilo que tenho para dizer e' apenas isto: ninguém esta livre.
Raisparta a puta da saudade, que bate quando menos esperamos.
Quando estamos num solarengo dia (não é o caso, que eu vivo na Irlanda e isto é só uma metáfora) e qual rabanada de vento, nos levanta a saia, deixando-nos vulneráveis e fragilizadas. Precisamente, aquela saia, que é o nosso melhor outfit e que nos fez sair de casa a sentir poderosas.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

E um abraço


Este fim de semana, num passeio com a minha Balti, num parquesito irlandês, tive a oportunidade de ouvir a conversa entre duas miúdas que ali estavam, bebendo e fumando.
Pude perceber que uma contava o seu desgosto amoroso e como o namorado a havia deixado, enquanto a outra opinava sobre o assunto.
A confidente, explicava-lhe como previa já este desfecho e como sabia já, há tanto tempo que a coisa não ia durar. Mais, confessava-lhe, naquele momento de fragilidade da amiga, como o dito rapaz havia comentado, um dia, que gostava muito dela, apesar de não ser bonita. Continuava, dizendo que tinha sido esse o momento em que tinha percebido a tamanha falta de amor, porque a gostar verdadeiramente, achar-la-ia linda de morrer, quer o fosse ou não.
E assim vi, uma miúda já vulnerável, levar uma data de murros no estômago, de onde esperava conforto.
E fiquei a pensar nisto. Como somos todos sempre tão opiniosos. O espírito critico entre amizades e' sobrevalorizado e a frontalidade e' confundida com uma falta de sensibilidade tremenda. Temos sempre algo a dizer, aconselhar, analisar.
Como somos capazes de, sem la estar, explicar a um amigo porque correram tão mal as suas entrevistas de trabalho, uma apresentação no trabalho ou uma relação amorosa. Somos capazes, ainda, de mais tarde ainda atirar com um "bolas, que não sais da cepa torta" com o desprendimento de quem não tem responsabilidades nas palavras erradas, no momento errado. Como, sendo alheios a uma situação, podemos vinca-la no espírito de alguém, simplesmente, porque achamos que as palavras são sempre poucas para tamanho problema e porque temos sempre que ter uma solução. somos sempre mais espertos, mais desprendidos, mais pragmáticos. "Cá a mim não me apanhavam numa destas", garantimos e acreditamos.
Ate podemos, efectivamente, ser mais espertos nas nossas próprias coisas, mas muito negligentes relativamente aqueles que queremos bem.
Sim, porque eu acredito que o discurso da miúda no parque, não era mais que um "tu mereces melhor", mas dito de forma tão errada.
Cada vez valorizo mais o silencio. E um abraço.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Pronto, é oficial




imagem retirada do blogue cycle chic

Quero uma bicicleta!
Vim completamente fascinada pelo meio de transporte, depois de conhecer Berlim.
Vim a pensar porque raio não podia, a irlanda, ser mais plana e menos chuvosa. Adorei ver as pessoas, de fato, de vestido, de mini saia, tudo a pedalar.
Também quero.
Entretanto, descobri este blogue e já o pus no meu google reader.
Para ver se me inspira, até dia 14 de Agosto - impulsiva como sou nestas coisas, por mim, ia já amanhã.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

E por falar em bike


Fiquei com vontade de arranjar uma, em Agosto.
Em Agosto porque e' o momento em que o meu escritorio muda de local e passara a estar a 10 min a pe da minha casa.
Eu sei, a tal distancia, dava bem para ir a pe, mas com 30 minutos de almoco, imperdir-me-ia de ir almocar a casa. Por outro lado, ir de carro e' ridiculo.
So nao assumo, aqui, ja, o compromisso, porque tenho que ver precos (nem ideia) e onde a posso guardar. Porque a minha vontade era mesmo dizer aqui ja, a partide dia 14 de Agosto, ando de bike.

Afinal, afinal


Isto ate' e' giro.
Ontem la consegui escapulir-me ao trabalho e dar uma voltinha turística pela cidade de Berlim.
Dei por mim, ate', a imaginar-me a viver por aqui e ate já me imaginava de bike para todo o lado, como os alemães (quem me conhece já soltou uma boa gargalhada, eu de bike!).
A cidade tem bastante vida, muito movimento e, claro, uma carga histórica brutal.
O que mais me chamou a atenção foram os transportes turísticos. O taxibike, as charretes e um bar ambulante a pedal (não da para descrever e a foto que tirei com telefone ficou uma porcaria).
Agora, tenho e' pena de ter que trabalhar e não ter tempo para visitar mais.
Ficou o bichinho de querer voltar.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Berlin


A viagem começou logo por correr bem. Como e' que eu não pensei que, as filas para quem fez check-in online e só precisa de deixar mala, quando voa pela Ryanair, no seu pais de origem, eram capazes de ser um bocadinho granditas?
Não sei, não me lembrei. Acho que nunca tinha feito isto com uma low cost e muito menos com a Ryanair.
Cheguei uns 50 minutos antes de a porta de embarque chegar, descansadinha e deparei-me com uma fila que, a primeira vista, duraria dias.
Vá la que aquilo ate andava depressa, mas mesmo assim, só me safei porque anunciaram que o check in para o meu voo ia fechar e me deixaram passar a frente duma data de gente.
Depois, corrida louca (e o que eu gosto de correr, senhores) para a porta de embarque, para ficar la 20 minutos a espera...
Enquanto puder escolher, Ryanair, never more.

Berlim, ate agora não me convenceu. As pessoas não são simpáticas, não percebem as limitações de quem esta a viajar, a cidade esta em obras e esta quase tanto frio como na Irlanda (aqui e' que me enganaram bem!).

Ontem, escapei-me cedo do escritório, já a pensar fazer um autocarro turisticozinho para tentar conhecer a cidade. Não me safei, nem me vou safar. O raio do ultimo autocarro e' as 3h30 da tarde.
Acabei por dar uma volta a pé, mas sem saber bem o que estava a ver e sem perceber absolutamente nada do alemão.
O hotel, e' todo xpto. Um labirinto, com um elevador para cada coisa. Se e' para o restaurante, apanha-se um elevador, se for para o estacionamento outro, e ainda outros dois para os quartos. Um para os andares pares, outro para os andares impares. Esses obrigam a passar a chave (que e' um cartão) para, então, levar-nos ao andar pretendido. Posto isto, já apanhei todos os elevadores e já conheci muito canto do hotel. Também já fiquei parada dentro do elevador, sem saber porque não andava.

De resto, esta gente come mais salsichas que os Irlandeses, batata.
Há por aqui muito quiosque e vê-se seja a que hora for, gente a comer salsichas, per si, ou com um bocadinho pequenino de pão, ou num cachorro, em que a salsicha e' três vezes maior que o pão.
Eu como não almocei, la fiz por me integrar, em Roma, se romana, o que significa que as 4h da tarde, comi umas salsichinhas com caril. Eram boas.


terça-feira, 21 de junho de 2011

O melhor do meu facebook


É ter a mulher a dias da minha mãe na lista de amigos.


Psicologia para cães

Resolvi dar uma vista de olhos na " literatura" que me foi dada no veterinário sobre psicologia para cães e o problema que foi diagnosticado à Balti.
Assim, descobri que, afinal, a minha cadela, é uma cachorra de 4 meses, perfeitamente normal, que gosta de roer uma porta de quando em vez.

Gostei, particularmente, das soluções apresentadas:
- arranjar uma babysitter (neste caso, dogsitter);
- ignorar o cão (afinal, em que é que ficamos, atenção 24h/dia, contratando uma miúda para lhe fazer companhia ou fingir que o bicho não existe?);
- arranjar uma jaula para o cão (castigá-lo quando saio, para não sinta ansiedade pelo facto de sair?);
- arranjar outro cão (e uma babysitter para os dois, ignorar os dois, enfiá-los aos dois na jaula?).

Os veterinários psicólogos, ou lá o que eles são, são pessoas extremamente coerentes.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Vantagens de ter um cão na Irlanda

Descobrir que, afinal, há UM irlandès giro: o veterinário.

domingo, 19 de junho de 2011

Ninguém merece

Passar a madrugada a ouvir os vizinhos a discutir e, logo de seguida, levar com as pazes.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bem vinda!

Se a minha cadela não tivesse uma pancada qualquer, não faria parte da familia.



O que faltava

Hoje levei a minha Balti ao veterinário.
Enquanto a senhora doutora veterinária fazia lá aquilo que lhe competia, fomos conversando.
Contei as asneiras e trabalhos que me tem dado a Miss Balti, nos últimos dias. Coisas normais de cães, achava eu, como roer portas ou um ou outro chichi fora do sitio. A veterinária ouvia atentamente e fazia perguntas, tal médico, quando pergunta, "e se eu carregar aqui, doi?"
Fiquei então a saber que a minha menina sofre de um sindroma grave: ansiedade de separação.
Acabei por ter que trazer muita literatura para ler. Psicologia para cães. E fugi, antes que prescrevesse anti-depressivos ou coisa que o valha.


Um aparte: um dos problemas da Balti é comer os seus dejectos. A veterinária aconselhou-me a por uns comprimidos na comida, cujo o efeito é fazer com a coisa lhe saiba tão horrivelmente mal que a demova. Ao explicar-me o processo, resolvi perguntar no meu pouco forte inglês para estes temas: "mas depois também vai ser mau para mim?". Eu estava a pensar no cheiro e no acto de apanhar a coisa. Ainda não consegui parar de rir, cada vez que me lembro da cara da mulher!

terça-feira, 14 de junho de 2011

People are the common denominators of progress… no improvement is possible with unimproved people.

—John Kenneth Galbraith, The Affluent Society




quinta-feira, 9 de junho de 2011

Designios irlandeses




Ter que andar de botas de inverno, collants grossas, gola alta, cachecol, sobretudo ou penado (quando vou passear a cadela), em pleno Junho, por que estão uns puta-que-os-pariu duns 9 graus centígrados.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desígnios canideos

- deixar de poder usar o snooze, porque um despertador, acorda o outro;
- levantar às 7h da manhã e ir, ainda de pijama, banho por tomar, dentes por lavar, para a rua, na esperança de obter, fora de casa, o primeiro chichi do dia;
- não conseguir andar descalça, em casa, sem lambidelas nos pés e mordidelas no dedão;
- chegar ao trabalho e, ao esvaziar os bolsos, deparar-me com bolas ou outros brinquedos e sacos para dejectos;
- ter bolas, galinhas, ratos e olhos e narizes dos respectivos espalhados pela casa;
- ter um monte de pedras e pauzinhos, guardados como tesouros, à porta de casa;
- passar a contar cocós, "hoje ainda só fez duas vezes, ainda temos que dar mais uma volta";
- chegar a casa e "pára tudo!" porque alguém quer colinho.





terça-feira, 7 de junho de 2011

Eu, bifa me confesso


7 meses depois de viver na Irlanda, num fim de semana, em Portugal:

- Fico espantada quando, no restaurante, na mesa ao lado, oiço português (daaaaaahhhh);
- A minha pele, já branquela como um raio, deixou de reagir bem ao sol, deixando-me com umas sardinhas tal qual estes "putos irlandeses" (expressão do meu colega espanhol);
- Tinha-se varrido da minha memória e do meu sistema imunitario coisas como picadas de mosquitos, pelo que fiquei com uma merda duma alergia, que fez inchar 10 vezes cada picada;
- Já me saem expressões em inglês, no meio do português, mesmo a emigra (fuck, how lame is that?).