quarta-feira, 29 de junho de 2011

E um abraço


Este fim de semana, num passeio com a minha Balti, num parquesito irlandês, tive a oportunidade de ouvir a conversa entre duas miúdas que ali estavam, bebendo e fumando.
Pude perceber que uma contava o seu desgosto amoroso e como o namorado a havia deixado, enquanto a outra opinava sobre o assunto.
A confidente, explicava-lhe como previa já este desfecho e como sabia já, há tanto tempo que a coisa não ia durar. Mais, confessava-lhe, naquele momento de fragilidade da amiga, como o dito rapaz havia comentado, um dia, que gostava muito dela, apesar de não ser bonita. Continuava, dizendo que tinha sido esse o momento em que tinha percebido a tamanha falta de amor, porque a gostar verdadeiramente, achar-la-ia linda de morrer, quer o fosse ou não.
E assim vi, uma miúda já vulnerável, levar uma data de murros no estômago, de onde esperava conforto.
E fiquei a pensar nisto. Como somos todos sempre tão opiniosos. O espírito critico entre amizades e' sobrevalorizado e a frontalidade e' confundida com uma falta de sensibilidade tremenda. Temos sempre algo a dizer, aconselhar, analisar.
Como somos capazes de, sem la estar, explicar a um amigo porque correram tão mal as suas entrevistas de trabalho, uma apresentação no trabalho ou uma relação amorosa. Somos capazes, ainda, de mais tarde ainda atirar com um "bolas, que não sais da cepa torta" com o desprendimento de quem não tem responsabilidades nas palavras erradas, no momento errado. Como, sendo alheios a uma situação, podemos vinca-la no espírito de alguém, simplesmente, porque achamos que as palavras são sempre poucas para tamanho problema e porque temos sempre que ter uma solução. somos sempre mais espertos, mais desprendidos, mais pragmáticos. "Cá a mim não me apanhavam numa destas", garantimos e acreditamos.
Ate podemos, efectivamente, ser mais espertos nas nossas próprias coisas, mas muito negligentes relativamente aqueles que queremos bem.
Sim, porque eu acredito que o discurso da miúda no parque, não era mais que um "tu mereces melhor", mas dito de forma tão errada.
Cada vez valorizo mais o silencio. E um abraço.

3 comentários:

Anónimo disse...

Excelente!!!

Anónimo disse...

Adorei!!! E vou ter em conta p nao cometer este erro q de facto é humano. Abraço e claro, bbbbb!

clara disse...

Efectivamente, e' humano e contra mim falo no meu proprio post. Acho que quando somos alheios a uma situacao, apercebemo-nos da crueldade de que, por vezes, somos capazes.
E para ti nao e' abraco, e' abracinhoooooooooooooooo ;)