quinta-feira, 28 de julho de 2011

Qual e' a melhor traducao?


Berlin's balls?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Se hoje me desse para isso


Eu podia chegar aqui e fazer como muitas das bloggers por essa blogosfera a fora e postar, umas fotozinhas dos meus outfits.
O problema e' que nao teriamos imagens bonitas.
Primeiro porque estou gorda que nem um techugo e ninguem quer ver as fotos duma gorducha, mas, principalmente, porque, hoje, 21 de Julho, enbergo, uma saia de ganga (ate aqui tudo bem), umas botas que posso ja afiancar que sao excelentes para a neve, umas collants castanhas, opacas, compradas em pleno Dezembro na Calzedonia e uma camisola de gola alta. Umas das mais quentes que possuo. Para dar cor a coisa, optei por um lenco em tons de laranja. Nao optei por nenhum dos meus cachecois, porque ja estou um bocadinho farta. Mas confesso que quando fui ali a rua fumar um cigarrinho me arrependi um bocadinho. No caminho de casa para o trabalho, ainda acrescentei um sobretudo a coisa e liguei um bocadinho a saufage (nao sei se e' assim que se escreve e nao me apeteceu confirmar), para nao passar frio.
A 21 de Julho.
Posto isto, como e' que querem que uma pessoa nao ande deprimida?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eu não tinha noção que, cada vez que desabafo com os meus amigos ou familiares os deixo frustados, com uma sensação de impotencia. Talvez por demasiada modestia, talvez, por puro egoísmo, não me tinha ainda passado pela cabeça que o meu tormento também atormentava. Eu só procuro desabafar e algum consolo. Quando o faço, não tenho a expectiva que os outros, por artes mágicas, resolvam os meus problemas e não tinha noção que lhes podia passar pela cabeça que eu tivesse essa expectativa.
Hoje, a meio da tarde, enquanto trabalhava, recebi uma mensagem de alguém muito, muito próximo que, entre outras lamechisses, me dizia que não aguentava a pressão. Fiquei completamente atónita, dividida entre a tentiva de descortinar essa pressão que estou a exercer e o facto de estar no escritorio e nao poder pensar no assunto, correndo o risco de desatar a chorar naquele open space.
Este fim-de-semana, também uma amiga explicou que não me tinha ligado, porque estava sem cabeça. Noutras alturas, eu seria a pessoa a quem ligaria para, pelo contrário, espairecer a cabeça.
É curioso, como podemos sentir-nos tão sozinhos e ser, ao mesmo tempo, um fardo tão grande para as pessoas.
Eu não quero ser assim, tento contrariar este meu estado de espirito, tento manter o meu sentido de humor, escrendo textos como o do CV.
Ninguém quer ler as desgraças alheias. Já nos bastam as nossas e os telejornais. E eu gostava que este blogue não fosse uma seca.
Mas também não quero continuar a sobrecarregar os meus amigos e preciso deste desabafo.
Eu vim para a Irlanda, principalmente, porque em Portugal, me encontrava na mesma situação de muitos outros portugueses, o sobre-endividamento. O dinheiro não me chegava até ao final do mês. Tinha que escolher, muitas vezes, poder sair de casa ao fim-de-semana, ou ter gasoleo para ir trabalhar durante a semana. E eu, até nem podia queixar-me dum mau ordenado. A culpa desta situação foi minha, que dei um passo maior que a perna quando decidi comprar a minha casa. Não fiz bem as contas e cheguei a uma situação de descalabro.
A minha vinda para a Irlanda resolveu esse problema. Não tenho grandes luxos, que a vida aqui também é cara, não junto tanto dinheiro como gostaria, mas saí, finalmente, desse sufoco e consigo chegar ao final do mês, sem esquemas ou estrategemas.
Para isso, sinto que vendi a alma ao diabo e que, sem sonhar, escolhi viver um inferno, em que um dia bom é aquele em que só se chorou uma vez (hoje foram três) ou se tomou um comprimidinho milagroso, que não tira o aperto no peito, mas não deixa as lágrimas cairem.
Ás vezes, mais milagroso que esse comprimido é o puro desabafo, é poder conversar. Infelizmente, o meu conversar nestes dias, não é muito feliz, mas saber que está ali alguem para ouvir, chega-me.
Sei que há pessoas em situações muito piores que a minha e tento agarrar-me a isso muitas vezes, mas quando se está a escalar o monte evareste, ninguém se lembra da saúde dos outros ou de quem passa fome. Infelizmente, isto é o que eu sinto todos os dias, nas mais variadas tarefas, que estou a escalar o monte evareste e que não posso olhar para baixo, para poder continuar a sobreviver...

domingo, 17 de julho de 2011

Curriculum Vitae

Tinha 12 anos quando dei o meu primeiro beijo. O gajo não era giro, não me seduzia por aí além, mas já estava a ficar entradota para a coisa, tinha curiosidade e o gajo estava ali à mão. Enquanto eu tentava descortinar como se fazia  a coisa, o gajo apalpou- me o rabo. Dando-se até ao desplante de me tirar a carteira do bolso (sim, tempos houve em que eu usava uma carteira amarela do Snoopy, no bolso de trás das calças e não, não me orgulho).  Esta agora, mas lá porque damos beijinhos o gajo já me pode mexer no rabo? Pelo sim, pelo não, vim-me logo embora , deixando que esta fosse a minha recordação do meu primeiro beijo. Aos13 anos, o Pedro pediu- me em namoro, estávamos na cozinha da casa do Marco, porque todas as outras divisões da casa, estavam já ocupadas pelos outros casais. Namorámos um mês, mas só demos beijinhos duas vezes. Ele lambuzava- me um bocado, por isso, quando me levava a casa, eu esquivava-me. Um dia ele zangou-se, que assim não éramos namorados, não éramos nada e lá o deixei lambuzar-me outra vez. Desistimos e acabámos.
 Mais tarde, comecei a namorar com um gajo cinco anos mais velho. Quando se tem catorze anos,  estudar no 12o ano, é por si só um estatuto. Como se passar do 11º para o 12º ano, fosse requisito suficiente para fazer parte de uma elite. Apaixonei-me por isso e porque ,desta vez, os beijinhos até eram bué da bons. O gajo trocou-me por uma alcochetana vesga e eu ia morrendo com o degosto desse primeiro amor. Mais tarde tive um gajo mesmo à maneira, namoro assumido, poemas escritos, serenatas à janela. Até que começou a proibir-me de fumar, de vestir certas roupas ou de falar com certas pessoas. Tive que o mandar à fava. Finamente, lá aparece um gajo normal, tudo muito bonito, gosto muito de ti, eu gosto mais, mas afinal éramos duas e o gajo tinha muito amor para dar. Coitadinha de mim, fiquei traumatizada, nunca mais quero homens.
Anos mais tarde, conheci uma figura pública que me disse "A tua vocação é escrever" e essa foi a frase mais romântica que alguém alguma vez me disse. Raisparta que me apaixonei outra vez.
O gajo apareceu nas revistas com uma boazona e eu continuei a escrever, acreditando que "um dia a gravidade ataca, as mamas descaem-lhe, mas as palavras ninguém mas tira." Na esperança que, durante esse processo o gajo, um dia acordasse e pensasse  “quem escreve assim não é gago” e largasse a boazona pela gorduchinha, eu, para uma vida repleta de textos, aforismos e metáforas.
Não aconteceu. Ele deixou a boazona, mas não se compadeceu das minhas boas palavras.
E assim voltámos à estaca zero. E, tal desempregado, aqui escrevo eu o meu currículo, comunicando a minha total disponibilidade, para aprofundar os detalhes da minha experiência.
Não acrescento carta de motivação, dado que, face ao acima exposto, não é assim muita.

Nota1: este blogue estava a precisar dum abanão.
Nota2: Qualquer semelhança com a realidade foi deveras aumentada, caricaturada, satirizada. Se algum dos leitores se identificar com algumas das personagens, por favor, não leve a peito. Isto é só uma brincadeira (AA, por favor, não te zangues comigo).

sábado, 16 de julho de 2011

O dilema

Corto a franja a mim própria ou continuo com este ar de cão de águ, com cabelos enfiados nos olhos?

Não, ir ao cabeleireiro não é uma hipotese.

Mais uma volta, mais uma viagem

Resumo da minha viagem a Bruxelas:
- No aeroporto, almocei no Burger King. Tive que esperar que fritassem umas cenas que se vendem aqui, os cheesy bites e durante a espera, vi muito hamburguer a sair do microondas, não vi luvas, nem nada a prender cabelos, vi aquelas tortilhas dos wraps a serem atiradas ao ar, qual disco, duns empregados para os outros, vi a menina que me deu troco, com as mesmas mãozinhas, por os tais dos cheesy bites, um a um, no pacote. O que não mata engorda e diz que não é assim que se apanha a e-coli. Os cheesy bites estavam de comer e chorar por mais, talvez seja esse o segredo;
- no primeiro dia, perdi os oculos escuros comprados há um mês, para subsitituir outros, também perdidos em viagem. No regresso, perdi 3 vezes o papel a que eles chamam bilhete de embarque (para a proxima imprimo essa porcaria tres vezes, so para evitar correrias);
- descobri quem em Bruxelas, o estado dá muitas regalias, como subsídios de estudo a quem queira mudar de area ou, simplesmente, continuar a progredir na carreira, que os seguros médicos cobrem tudo e mais alguma coisa e que, pelo menos na minha empresa, cada um faz o seu horário e se quiser, não trabalha um dos dias da semana, podendo escolher entre fazer mais horas nos outros dias ou simplesmente, ganhar menos;
- Apanhei mau tempo, enquanto, pelo que dizem, na Irlanda estavam 23 graus (a puta da loucura). Estou desconfiada que as nuvens me perseguem e que esta ano, não há cá sunshine para mim.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Fogem-me quando acordo pela manhã. Deixam- se ficar ali pairar a sobre a Balti e assim as apanho como que desprevenidas e levanto- me. Voltam a tentar fugir, enquanto me lavo, me escovo, me visto. Esquivam-se ao peso do pedal, que teima em resistir. No trabalho, enquanto arregaço as mangas, tornam-se minhas aliadas e lá vão, pouco a pouco, empurrando os ponteiros do relógio, que teimam em parar. À noite, quando chego deitam-se sobre as minhas palpebras forçando-as a fechar. são tramadas, fintam-me, fogem-me, falham-me. As forças.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Different place

Gosto desta expressão, porque resume, em duas palavras, o que demoraria muitas para dizer.
E porque, muitas vezes, isso é pura e simplesmente o que se passa. As pessoas têm objectivos, visões, ideias muito diferentes. Às vezes escassa o assunto, como se a amizade ou o amor em comum não chegassem. Em que é dificil entender, perceber e, talvez até, apoiar. Simplesmente estamos um passo à frente, ou num caminho paralelo, em que o trilho dos outros não interessa ou, pura e simplesmente, cansa.
Às vezes, a distancia dessas duas pessoas, que cresceram em sentidos diferentes dói e a dor leva sempre a culpas, ou mágoas ou incertezas.
Não há culpados e estou convencida que é ciclico e que, volta e meia, as pesoas lá se voltam a encontrar.
Ate lá, e volto ao inglesismo, passa-se por um "bad place".
Hoje, eu, estou num lugar desses e, sei-o, não há pachorra.




Descobrir a lei a reciprocidade e' uma coisa tramada. Quando, finalmente, percebemos que tambem podemos fazer/dizer/pensar, o que nos dizem a nos, damos por nos a fazer aos outros o que nao gostavamos que nos fizessem.
O equilibrio e', sempre, uma coisa lixada.

Anda-me a escapar qualquer coisa


Alguem veio para este blogue com a seguinte pesquisa no google:
"Passos coelho esposa diogo infante"
Qual e' a relacao do Diogo Infante, aqui? Alguem me explica?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Missao Impossivel


Uma missão impossível, e' dormir as horas suficientes, para acordar as 5h da manha, por causa dum raio de um voo que nos pareceu a boa hora e excelente ideia. Sobretudo se a coisa se passar de um Domingo para Segunda, ultimo dia de festas populares, na nossa cidade. Mesmo que uma pessoa ate consiga adormecer as 10h, as 11h ou mais tarde, há sempre alguém que se esquece do nosso voo e manda uma mensagem "não estas aqui?". Depois da meia noite, há o tradicional fogo de artifício, que não e' nada silencioso, depois desse fogo de artifício, há pessoal animado e muito barulhento a passar, mesmo por baixo da nossa janela e, pela madrugada adentro, há bêbedos, a tocar as campainhas.
E assim, se vai fazer uma formação, numa língua que não e' nossa, para Madrid.
Outra missão impossível, e' conseguir ir toda pimpona para uma formação como essa. A saia, a camisa, as collants (eu sei que esta calor, mas lembrem-se que eu sou uma branquela, a viver na Irlanda, tenho que recorrer a truques) não vão chegar apresentáveis a hora da dita formação.
Ainda impossível, e' a missão de usar sapatinhos paneleirinhos, quando se vai de viagem, se vai fazer a dita formação de pé, se vai andar muito dentro do próprio escritório, porque só para se fumar, se tem que andar quilómetros.
Se ao chegarmos ao aeroporto, sem ter feito o raio do check-in online, por se ter revelado também impossível, já que o raio do site não funciona e, apanharmos uma fila de 500 pessoas para o check-in dum voo relativamentente pequeno, os sapatos tornam-se ainda mais impossíveis de aguentar.
Afinal as 500 pessoas não iam voar todas. Eram uns putos que vinham fazer um desses cursos de Inglês de algumas semanas, para a Irlanda. E nada como trazer o pai, a mãe, os irmãos, o gato e o periquito para a fila do check-in. Infelizmente, a parte da família que não voa, nem por isso deixa a fila andar mais depressa. Porque choram, porque acham que tem que dar já instruções ao rapazinho que lhes põe a mala no tapete rolante.
E tentar pedir um lugar bem longe desses putos, todos num excitex? "Missão impossível, eles estão em todo o lado" respondeu-me o comissário de terra.
Arranjar uns ténis, sabrinas, whatever, numero 34, para este pezinho de princesa (já que não se arranja calcado, inventam-se auto-elogios fofinhos), no aeroporto de Madrid, e' o que já sabem... impossível. Comprei os sapatos mais horríveis da minha vida. Um misto de ténis, sabrina, com elásticos no peito do pé, com muitos brilhantes e prateados. 40 euros (porra, porra, porra!).
Missao impossivel e' dormir num aviao cheio de putos dos 10 aos 18 anos, a viajar sem familia, para um pais estrangeiro.
Missão nada impossível e' depois de acordar as 5h da manha, viajar para Madrid, fazer formação numa língua que não e' nossa, com farpelinha xpto, voltar para Irlanda e chegar a meia-noite, toda amarrotada, com uns tenis-sabrinas-o-raio-que-os-parta, sem parecer uma sem abrigo que não come, não dorme, não se lava há quinhentos mil anos. O que me valeu foram os pés, esses brilhavam.



sexta-feira, 1 de julho de 2011

You can't go home again


Diz Thomas Wolfe, no titulo de um romance.
Li isto há dias num comentário num outro bloque e fiquei a pensar nisto.
A minha primeira reacção foi de negação.
São muitas as vezes que, vivendo na Irlanda, penso que só quero voltar para casa. E acredito nisso.
Isto, as vezes, e' duro e durante algum tempo, só me apeteceu fechar os olhos e esperar que passasse ou que, por algum milagre, me teletransportasse para casa.
Quando decidi abraçar este desafio, fi-lo, por achar que iria encontrar algo melhor. Economicamente, profissionalmente, pessoalmente. E ah primeira contrariedade esqueci-me desse meu objectivo.
Achei que isto não trazia nada de bom, nem nenhuma transformação na minha pessoa.
Ate que dei por mim a pensar, na quantidade de vezes que aprendo algo no trabalho e me ocorre como me daria jeito no meu antigo trabalho. Hoje, não o faria da mesma forma. Assim, como, não consideraria os mesmos pressupostos para aceitar um novo emprego. E outras transformações, mais pequeninas, menos visíveis, vão ocorrendo, sem que eu me consciencialize delas.
Aprendi que, se tudo nos corre mal,temos que procurar um denominador comum e, muitas vezes, muito provavelmente, este denominador somos nos mesmo.
Se todos tem medo de falar connosco ou, pelo contrario, todos sentem a liberdade de nos falar de qualquer forma, temos que mudar a nossa estratégia, a imagem que transmites. Deixar o ataque como defesa ou a defesa como ataque.
Foi preciso mudar de pais para perceber isso, mas percebi e, ao mesmo tempo, relembrei o meu objectivo inicial. Melhorar. Sendo esse o objectivo principal, porque não começar por mim própria?
Delineei o meu plano. Hoje, posso dizer qual vai ser o meu ultimo dia aqui. Qual a data em que vou regressar e como vou sobreviver. Um plano a longo prazo tem desvios e eu estou bem consciente disso, mas pelo menos, tomei as rédeas e deixei de esperar por outros ou por milagres. Quem esta mal, muda-se. A si própria se for preciso.