domingo, 17 de julho de 2011

Curriculum Vitae

Tinha 12 anos quando dei o meu primeiro beijo. O gajo não era giro, não me seduzia por aí além, mas já estava a ficar entradota para a coisa, tinha curiosidade e o gajo estava ali à mão. Enquanto eu tentava descortinar como se fazia  a coisa, o gajo apalpou- me o rabo. Dando-se até ao desplante de me tirar a carteira do bolso (sim, tempos houve em que eu usava uma carteira amarela do Snoopy, no bolso de trás das calças e não, não me orgulho).  Esta agora, mas lá porque damos beijinhos o gajo já me pode mexer no rabo? Pelo sim, pelo não, vim-me logo embora , deixando que esta fosse a minha recordação do meu primeiro beijo. Aos13 anos, o Pedro pediu- me em namoro, estávamos na cozinha da casa do Marco, porque todas as outras divisões da casa, estavam já ocupadas pelos outros casais. Namorámos um mês, mas só demos beijinhos duas vezes. Ele lambuzava- me um bocado, por isso, quando me levava a casa, eu esquivava-me. Um dia ele zangou-se, que assim não éramos namorados, não éramos nada e lá o deixei lambuzar-me outra vez. Desistimos e acabámos.
 Mais tarde, comecei a namorar com um gajo cinco anos mais velho. Quando se tem catorze anos,  estudar no 12o ano, é por si só um estatuto. Como se passar do 11º para o 12º ano, fosse requisito suficiente para fazer parte de uma elite. Apaixonei-me por isso e porque ,desta vez, os beijinhos até eram bué da bons. O gajo trocou-me por uma alcochetana vesga e eu ia morrendo com o degosto desse primeiro amor. Mais tarde tive um gajo mesmo à maneira, namoro assumido, poemas escritos, serenatas à janela. Até que começou a proibir-me de fumar, de vestir certas roupas ou de falar com certas pessoas. Tive que o mandar à fava. Finamente, lá aparece um gajo normal, tudo muito bonito, gosto muito de ti, eu gosto mais, mas afinal éramos duas e o gajo tinha muito amor para dar. Coitadinha de mim, fiquei traumatizada, nunca mais quero homens.
Anos mais tarde, conheci uma figura pública que me disse "A tua vocação é escrever" e essa foi a frase mais romântica que alguém alguma vez me disse. Raisparta que me apaixonei outra vez.
O gajo apareceu nas revistas com uma boazona e eu continuei a escrever, acreditando que "um dia a gravidade ataca, as mamas descaem-lhe, mas as palavras ninguém mas tira." Na esperança que, durante esse processo o gajo, um dia acordasse e pensasse  “quem escreve assim não é gago” e largasse a boazona pela gorduchinha, eu, para uma vida repleta de textos, aforismos e metáforas.
Não aconteceu. Ele deixou a boazona, mas não se compadeceu das minhas boas palavras.
E assim voltámos à estaca zero. E, tal desempregado, aqui escrevo eu o meu currículo, comunicando a minha total disponibilidade, para aprofundar os detalhes da minha experiência.
Não acrescento carta de motivação, dado que, face ao acima exposto, não é assim muita.

Nota1: este blogue estava a precisar dum abanão.
Nota2: Qualquer semelhança com a realidade foi deveras aumentada, caricaturada, satirizada. Se algum dos leitores se identificar com algumas das personagens, por favor, não leve a peito. Isto é só uma brincadeira (AA, por favor, não te zangues comigo).

10 comentários:

Maria disse...

Lindooo, adorei este post !

Laura Ferreira disse...

Gostei imenso do texto.

Anónimo disse...

Zangar? Não era capaz :)

Beijos e venham de lá mais textos!
AA

R. disse...

Muito bom :)
A meu ver, já deves ter a experiência necessária para seres "colocada"...mas a oferta está sempre dependente da procura, não é? :)

Anónimo disse...

Belo abanao mas cheira me q faltam aqui alguns bons capitulos...eh eh. Bbbb

clara disse...

Ahahahah.
R, tens razão, já merecia ficar efectiva, não era?
Bbbbb, que é isto de vir difamar-me virtualmente?

AA, the last but not the least, obrigada pelo fairplay e sentido de humor :)

Cláudia L. disse...

Muito bom!

olha-me só o que eu andava a perder!

Anita disse...

MUITO BOM!!! :)
Tens um CV notável e mesmo sem carta de motivação acredito que darias uma excelente "profissional". Já eu não ousava apresentar o meu CV assim ehehehehe, mas visto que também me encontro "desempregada", só me resta assumir que é a crise!!!! :)))
Deixa lá que quando encontrarmos passamos imediatamente a um cargo de chefia ahahahahahahah! :)

MRPereira disse...

Muito bom! Eu que andava a tentar reconhecer aí pessoal (que não eu)... Até ler a última frase... E percebi quase tudo! :)

Continuas a escrever muito bem!

clara disse...

Tens razão, Anita, isto também devem ser sintomas da crise ;)

MRPereira, isso não vale! Tentar adivinhar, não! ;)
Obrigada pelo elogio. De vez em quando, ainda vou tendo uns laivos de criatitvidade. E tu? Deixaste de escrever?