quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eu não tinha noção que, cada vez que desabafo com os meus amigos ou familiares os deixo frustados, com uma sensação de impotencia. Talvez por demasiada modestia, talvez, por puro egoísmo, não me tinha ainda passado pela cabeça que o meu tormento também atormentava. Eu só procuro desabafar e algum consolo. Quando o faço, não tenho a expectiva que os outros, por artes mágicas, resolvam os meus problemas e não tinha noção que lhes podia passar pela cabeça que eu tivesse essa expectativa.
Hoje, a meio da tarde, enquanto trabalhava, recebi uma mensagem de alguém muito, muito próximo que, entre outras lamechisses, me dizia que não aguentava a pressão. Fiquei completamente atónita, dividida entre a tentiva de descortinar essa pressão que estou a exercer e o facto de estar no escritorio e nao poder pensar no assunto, correndo o risco de desatar a chorar naquele open space.
Este fim-de-semana, também uma amiga explicou que não me tinha ligado, porque estava sem cabeça. Noutras alturas, eu seria a pessoa a quem ligaria para, pelo contrário, espairecer a cabeça.
É curioso, como podemos sentir-nos tão sozinhos e ser, ao mesmo tempo, um fardo tão grande para as pessoas.
Eu não quero ser assim, tento contrariar este meu estado de espirito, tento manter o meu sentido de humor, escrendo textos como o do CV.
Ninguém quer ler as desgraças alheias. Já nos bastam as nossas e os telejornais. E eu gostava que este blogue não fosse uma seca.
Mas também não quero continuar a sobrecarregar os meus amigos e preciso deste desabafo.
Eu vim para a Irlanda, principalmente, porque em Portugal, me encontrava na mesma situação de muitos outros portugueses, o sobre-endividamento. O dinheiro não me chegava até ao final do mês. Tinha que escolher, muitas vezes, poder sair de casa ao fim-de-semana, ou ter gasoleo para ir trabalhar durante a semana. E eu, até nem podia queixar-me dum mau ordenado. A culpa desta situação foi minha, que dei um passo maior que a perna quando decidi comprar a minha casa. Não fiz bem as contas e cheguei a uma situação de descalabro.
A minha vinda para a Irlanda resolveu esse problema. Não tenho grandes luxos, que a vida aqui também é cara, não junto tanto dinheiro como gostaria, mas saí, finalmente, desse sufoco e consigo chegar ao final do mês, sem esquemas ou estrategemas.
Para isso, sinto que vendi a alma ao diabo e que, sem sonhar, escolhi viver um inferno, em que um dia bom é aquele em que só se chorou uma vez (hoje foram três) ou se tomou um comprimidinho milagroso, que não tira o aperto no peito, mas não deixa as lágrimas cairem.
Ás vezes, mais milagroso que esse comprimido é o puro desabafo, é poder conversar. Infelizmente, o meu conversar nestes dias, não é muito feliz, mas saber que está ali alguem para ouvir, chega-me.
Sei que há pessoas em situações muito piores que a minha e tento agarrar-me a isso muitas vezes, mas quando se está a escalar o monte evareste, ninguém se lembra da saúde dos outros ou de quem passa fome. Infelizmente, isto é o que eu sinto todos os dias, nas mais variadas tarefas, que estou a escalar o monte evareste e que não posso olhar para baixo, para poder continuar a sobreviver...

3 comentários:

Maria disse...

Conheço muito bem, os sentimentos de que falas e de como isso afasta as outras pessoas. Sei o que é sentirmo-nos sós e não termos com quem falar porque pura e simplesmente não queremos afastar "ainda mais" os outros, as nossas desgraças são isso mesmo "nossas", por isso toca a enfrentá-las, escala o monte evareste, e não olhes para baixo se isso te fizer sentir melhor . Agora concentra-te também na certeza de que um dia tudo isso vai passar e vais voltar a sorrir todos os dias e a escrever sempre bons textos . Bjs

R. disse...

Caríssima,
Inevitavelmente, as pessoas que gostam de ti vão preocupar-se sempre, por isso acho que deves continuar a desabafar, até porque isso te faz bem, e pode ser a ajuda que precisas.
Quanto ás dificuldades, existem para que as possamos ultrapassar. É garantido que com atitude, podes conseguir mudar as coisas. É só isso que é preciso... e viver um dia de cada vez...

Anónimo disse...

Amiga fui eu q disse q tava sem cabeca?!?? Provavelmente fui mas a falta de cabeca era p mim e nao para ti. Pf nao me interpretes mal. Tb tenho aqui as minhas montanhas p escalar e sabes q eu faco isso melhor sozinha do q acompanhada. stf!!! Bbbbb