sexta-feira, 1 de julho de 2011

You can't go home again


Diz Thomas Wolfe, no titulo de um romance.
Li isto há dias num comentário num outro bloque e fiquei a pensar nisto.
A minha primeira reacção foi de negação.
São muitas as vezes que, vivendo na Irlanda, penso que só quero voltar para casa. E acredito nisso.
Isto, as vezes, e' duro e durante algum tempo, só me apeteceu fechar os olhos e esperar que passasse ou que, por algum milagre, me teletransportasse para casa.
Quando decidi abraçar este desafio, fi-lo, por achar que iria encontrar algo melhor. Economicamente, profissionalmente, pessoalmente. E ah primeira contrariedade esqueci-me desse meu objectivo.
Achei que isto não trazia nada de bom, nem nenhuma transformação na minha pessoa.
Ate que dei por mim a pensar, na quantidade de vezes que aprendo algo no trabalho e me ocorre como me daria jeito no meu antigo trabalho. Hoje, não o faria da mesma forma. Assim, como, não consideraria os mesmos pressupostos para aceitar um novo emprego. E outras transformações, mais pequeninas, menos visíveis, vão ocorrendo, sem que eu me consciencialize delas.
Aprendi que, se tudo nos corre mal,temos que procurar um denominador comum e, muitas vezes, muito provavelmente, este denominador somos nos mesmo.
Se todos tem medo de falar connosco ou, pelo contrario, todos sentem a liberdade de nos falar de qualquer forma, temos que mudar a nossa estratégia, a imagem que transmites. Deixar o ataque como defesa ou a defesa como ataque.
Foi preciso mudar de pais para perceber isso, mas percebi e, ao mesmo tempo, relembrei o meu objectivo inicial. Melhorar. Sendo esse o objectivo principal, porque não começar por mim própria?
Delineei o meu plano. Hoje, posso dizer qual vai ser o meu ultimo dia aqui. Qual a data em que vou regressar e como vou sobreviver. Um plano a longo prazo tem desvios e eu estou bem consciente disso, mas pelo menos, tomei as rédeas e deixei de esperar por outros ou por milagres. Quem esta mal, muda-se. A si própria se for preciso.

7 comentários:

Maria Bê disse...

Clara,
Acho que o comentário que leste foi o meu (chuckles).
E então, achas que voltando a casa (entenda-se ao lugar de onde partiste), voltas mesmo a casa? É que tu já não és a mesma e nem o que deixaste (ou quem deixaste) permaneceu incólume ao passar das estações.
Depois diz-me, sim?
Um sorriso!

GuroZen disse...

Que texto tão sábio! Há decisões que são muito dificeis de tomar, mas quando o fazemos, e apesar de tudo o que possa envolver, sentimos uma enorme felicidade. Se é algo que não nos faz felizes, o melhor que temos a fazer é mudar.
Beijinhos

Laura Ferreira disse...

Espero que corra muito bem.

clara disse...

Maria Bê,
O meu objectivo final com o post era esse mesmo, concordar com o comentário que tinha lido.
Estive em fase de negação e nao fazia nem deixava de fazer. Acredita que tudo estava em stand-by e nao aproveitava da melhor forma esta experiência. Foi o teu comentário que me permitiu tomar consciencia e mudar de atitude.

Gurozen, tens muita razão. è uma decisão dificil de tomar. Um passo dificil de dar. Mas quando não retorno, só podemos ir em frente. Obrigada pelo teu comentário.

Obrigada, Laura.

Anónimo disse...

Clara, permite-me uma provocação/inquietação: dizes que quando não há retorno só nos resta ir em frente. Em que direcção é frente?
É que seja qual for o sítio para onde esteja virado é frente... Excluindo o caminho que me trouxe até aqui, frente é tão vasto que chega a assustar...
Parabéns para o teu plano. Espero que o vivas. Mesmo que não o cumpras. Como diz a outra: "não é urgente chegar, o que é preciso é ver!"

Menino da Mamã disse...

Todo eu sou a favor da mudança. E também eu presto vassalagem a um plano a médio prazo. Tenho um caminho de dois anos, que não se avizinha fácil. Dois anos de sacrifícios que podem mesmo não resultar. Uma mão cheia de decisoes difíceis a muito difíceis. Justificações/explicações a quem não quero dar, até porque, isso não está na minha natureza. Mas, acima de tudo, faço-o por mim. Faço-o porque o devo a mim próprio. Espero que te agarres a esse plano e te vincules a ele apenas deixando uma margem mínima de manobra para que não sufoques. Espero que aprendas e que cresças. Espero, que tenhas sucesso.

clara disse...

Cara(a) anonimo(a),
Acho que esse é o cerne da questão. Se em frente, pode ser tão vasto dar-nos tantas opções, paraquê continuar obcecada com o trilho que se deixou para trás?

Menino da Mamã,
Obrigada pela tua partilha. Pelo teu blogue, não se adivinha e é bom quando percebemos que não estamos sozinhos. Obrigada por me lembrares, "faço por mim". Força para ti também :)