terça-feira, 23 de agosto de 2011

De há uns tempos para cá que critico o facto das pessoas, cada vez mais, usarem a critica em vez do elogio.
Disse-o na minha carta ao Fernando que podem ler mais abaixo. As pessoas dizem, cada vez mais, regerem-se pela frontalidade. Orgulham-se de não ter papas na lingua, mas só as utilizam para apontar o dedo.
A critica também é necessária. Tenho uma amiga que costuma dizer que uma boa amiga é aquela que te avisa que estás um bocadinho mais gordinha e que aquelas calças já não te ficam bem e eu aceito, porque curiosamente, essa também é a amiga que me aponta as qualidades quando as vê.
No meu trabalho, temos semanalmente, uma reunião de equipa.
O trabalho entre os membros da equipa acaba por se cruzar pouco e o objectivo dessa reunião, acreditava eu, era a entre-ajuda. Mas não é. Passamos ali duas horas, às vezes mais, a apontar o dedo. Uma queixa-se que fez mais horas extrordinárias que a outra, outra procura o erro, num detreminado trabalho, outra regojiza-se pelas dificuldades que teve a X, gabando-se que se fosse ela, não faria assim, não tardaria tanto, não cometeria determinado erro.
Nessas reuniões e noutras situações especificas, eu tenho vindo a defender sempre o mesmo, que deveriamos utilizar os conhecimentos umas das outras para nos ajudarmos mutuamente.
Somos de nacionalidades diferentes, com curriculos muito diferentes e temos tudo para ser o melhor departamento da empresa. Se tivessemos outra atitude. Eu faço a minha parte e já ajudei muitas vezes em coisas que trago já experiencia de Portugal. De resto, vejo-me, por vezes, grega, em coisas que a minha colega do lado sabe fazer de trás para a frente.
Fora do trabalho, também vejo isto acontecer muitas vezes. Acredito que, nalgum momento, talvez por causa da competitividade a que a sociedade nos obriga, talvez por outro motivo qualquer, passou a ser tabu falar bem, encorajar, dar uma palmada no ombro e dizer a alguém o quão genial é.
"ele é muito bom, mas não sabe inglês", "fez um bom trabalho, mas a apresentação tinha poucos bonequinhos" e a mensagem que passam a dita pessoa fica-se só pelo mas.
Eu acredito que o mas faz falta, mas há que dar enfase à parte boa e, seguramente, essa motivação, trará um trabalho com menos mas das próxima vez.
Aqui há uns tempos, elegi os meus textos preferidos dessa nova revista, que imprime blogs em papel. Fui genuina e achei que deveria dar-lhes destaque, por achar, efectivamente, que se destacavam e que foram aqueles que li com mais prazer.
Uma das autoras de um desses textos, mandou-me um mail esta manhã a agradecer e a explicar que depois de umas férias menos boas, este elogio lhe soube bem. Fez um post sobre isso no seu blogue.
E assim, esta manhã, ficaram duas pessoas felizes. Eu, que fiz o elogio, por perceber que tinha animado alguém, mesmo que involuntariamente, a Joanex, por tê-lo recebido. E porque fui sincera e genuina e acho que esta blogger tem uma forma diferente e muito intererssante de escrever.
Eu podia ter vindo escrever quais os textos que não gostei e se calhar, hoje, ter um mail duma outra pessoa a chamar-me parva outra coisa qualquer.
O elogio compensou e, seguramente, hoje sorrimos as duas.




2 comentários:

R. disse...

Infelizmente tens razão. As pessoas não são capazes de apontar as virtudes, como apontam as fraquezas de outros.
Como uma dos meus lemas é "dar aos outros, aquilo que quero para mim", muitas pessoas sorriem comigo. E é esta a essência dos dias bem passados... porque é uma opção também.

PS: "bato sempre à porta" do teu blog, porque sei que vou sorrir com auqlquer coisa que escrevas... Se te fizer mais feliz, junta-se ao grupo das pessoas que ficam felizes - todos os dias - só por ler o que escreves :)
E aí vão três :)

clara disse...

Que comentario tão bom, R.
Este blogue já me dá um prazer enorme. Tanto a escrevê-lo, com depois, a receber estes comentários :)