segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Eu, nerd, me confesso

Uma das dificuldades que tenho tido, nesta minha experiência, na Irlanda, é a de fazer amigos.
Já fiz um jantar cá em casa, já conheci dois portugueses, mas isto é tudo gente que já tem a sua vidinha e a ela regressa. Eu própria, às vezes, tenho receio de combinar mais vezes, não vá essa gente pensar que sou uma chata, uma cola e agora vão ter que levar com a emigra a toda hora.
Como toda a gente, sou uma pessoa que precisa de sociabilizar e passar fins de semana inteiros sozinha é coisa que não ajuda nada a suavizar esta mudança.
Tenho recebido várias sugestões sobre como conhecer pessoas, mas, e não me leve a mal quem mas deu, cada caso é um caso e o que serve a um, não serve a todos.
No ginásio, não sou menina de meter conversa. Aquilo não é sitio onde me sinta confortável. Sou azelha, tenho pouca resistência e estou sempre a olhar para o relógio, à espera que aquilo acabe.
Para fazer um curso é preciso dinheiro, tempo, disponibilidade. Com as minhas viagens em trabalho, das duas uma, ou estaria o tempo todo a faltar ou condicionaria a minha liberdade para um ou outro fim de semana em Portugal ou nos destinos para onde me mandam em trabalho.
Como tenho um quarto a mais, um amigo, sugeriu-me o couchsurfing. Mas a ideia de ter gente que não conheço de lado nenhum a mexer nas minhas coisas, os riscos que se correm e a privacidade que se perde, não me convenceu. Acredito que até possa ser uma experiência gira, mas lá está, não serve para todos.
Num forum para portugueses expatriados, vi uma mensagem de não sei quantos anos que falava num site que se chama meetup.
Dei uma vista de olhos. Antes de mais, o site é outro mundo. É um site onde são criados grupos, para, eventualmente se encontrarem. Ele há de tudo. O grupo dos naturistas, dos que querem fazer caminhadas, o clube de leitura, o grupo de apoio a homens enganados pelas mulheres, transsexuais, travestis, gays, os que seguem "o segredo" como doutrina, etc etc etc.
No meio dos grupos mais surreais lá há uns grupos, aparentemente, mais normais.
Gostei, particularmente, daquele que se destinava a imigrantes em Dublin, cujos os encontros se dão num brunch ao Domingo de manhã. Achei que seria mais confortável que aqueles que se juntam só para copos, deixando a dúvida se é uma cena de engate ou não.
Fui. Que tinha eu a perder? Na pior das hipoteses, comia umas panquecas e ia à minha vida.
E a verdade é que gostei. Encontrei pessoas absolutamente normais, que pura e simplesmente, estão na mesma situação que eu. Eram 25 e, obviamente, havia de tudo e nerds também não faltavam.
Ao meu lado ficou um inglês, com problemas de dicção. Não seria problemático, se eu não tivesse, ainda, dificuldade em acompanhar o ingles, assim, em conversar cruzadas, com um monte de gente a falar ao mesmo tempo. Disse-lhe a tudo que sim. Não faço ideia do que falou. Até pode ter-me perguntado se me podia ver toda nua. Nem ideia. Se o fez, acenei afirmativamente.
De resto, conheci irlandeses, espanhois, italianos, alemães. Conversei muito e gostei muito.
No próximo Domingo, estarei lá, outra vez.


3 comentários:

R. disse...

Essa coisa da solciabilidade pode acontecer de várias formas... Ás vezes temos receio de ter novas experiências, por preconceitos que temos. Ainda bem que decidiste ir. Afinal até gostaste e vais repetir. podes não fazer amigos, mas vais passar tempo de qualidade...

Anónimo disse...

Ena!!! Like
Bbb

clara disse...

Sim, R., nao vim de lá com amigos para a vida, mas enquanto ali estive, passei um bom momento, ouvi historias interessantes. Fou um dia mais interessante, nesta Irlanda.

Bbbb, não tinha acerteza se irias achar piada. :)