quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ligações

Talvez esta seja apenas mais uma teoria instantanea, um vamos lá teorizar que até é cool, um "hoje acredito nisto, amanhã já não sei".
Estou convencida que as pessoas não procuram o amor. Se é que procuram alguma coisa. Os livros, os filmes, os poemas, passam essa ideia, que as pessoas passam a vida à procura de algo e os mais romanticos dizem que é o amor. Ou o ser amado.
Eu digo que todos procuram a aceitação. Uma aceitação cheia de premissas, politicamente correctos, regras da sociedade, que leve a essa coisa de brincar às casinhas, mas a aceitação. Alguém que goste de nós, mesmo conhecendo as nossas paranóias, os nossos pormenores, as nossas frustações. A cara desmaquilhada pela manhã, os pequeninos estúpidos hábitos, as esquisitices com as comidas ou os guilty pleasures. As paranóias. As inseguranças. A intimidade.
Mostrar as nossas fraquezas é uma das formas de mostrar amor. Aceitarem-nas, é uma das formas de o sentirmos retribuído.
Talvez tenha sido apenas a vontade de falar, o desabafo. Mostrei aquela que sinto como a minha grande fraqueza. E sem querer, dei um pedacinho pequenino do meu coração, na esperança que, mesmo sendo tão pequenino, volte intacto e tratado com cuidado. Como se diz em inglês, it freaks me out, e por isso, regresso ao silêncio.



7 comentários:

P. disse...

Na minha modesta opinião, apenas metaforizaste o amor. Para mim, é daqueles conceitos que são extremamente abstractos e complexos, próprios de cada um. Mas o mais comum, mesmo sem implicar uma relação, talvez seja alguém aceitar-nos tal e qual nós somos.

clara disse...

Tens razão P., talvez seja apenas uma metafora fácil.
Talvez seja apenas a minha forma de tentar dizer outras coisas.

Anónimo disse...

Li há algum tempo algo que guardarei para sempre e que é das melhores definições desse estranho conceito que é o amor:
amar é compreender, conhecer e gostar dos defeitos de alguém. Os defeitos são únicos, característicos da personalidade. As qualidades, essas, são idênticas em todas as pessoas e reconhecemos-las facilmente.

Gostei deste texto Clara. Mesmo.

Bjs
AA

P. disse...

Não me parece que seja uma metáfora fácil. Antes um processo de compreensão da tua parte. Eu, pessoalmente, não definiria o amor, nem as suas ramificações, melhor do que a definição dada pelo(a) AA.

clara disse...

Acho que não me expliquei bem no meu post.
Longe de mim tentar definir o que é ou que não é o amor. Temos francescos alberonis com livros inteirinhos sobre o assunto.
O que eu tentei definir é aquilo que acredito que as pessoas procuram. Quando atingimos um tom mais confessional, criamos uma ligação. Ao mostrarmos as nossas fraquezas, damos um bocadinho de nós e o nosso coração já palpita enquanto esperamos esse julgamento alheio e analisamos uma ou várias reacções.
Se isso faz parte do amor, não sei, é possivel, mas acho que é a derradeira procura.

P. disse...

Então resume-se tudo ao que disseste no texto, que todos procuramos aceitação, seja de que forma for, profissional, pessoal (connosco próprios) ou pessoal (com outros). :)

Se isso tem a ver com amor? Talvez...

clara disse...

Sim, acho que no fundo é tão simpes quanto isso.