sábado, 17 de setembro de 2011

"avó"

Até hoje, tinha a sorte de poder dizer que nunca tinha perdido ninguém próximo. Um tio, um bisavô e uma bisavó. Era próxima dos três, mas não tanto como daquela que partiu hoje, com a qual, curiosamente, não partilhava laços de sangue.
E por isso, não sei se posso chorar, se posso sentir a falta, nem sei mesmo o que é suposto sentir.
Nos últimos anos, deixei que a distancia do dia-a-dia se pronunciasse e fugi do abraço, tal como o fazia em menina. As brincadeiras deram lugar às responsabilidades e continuei demasiado ocupada.
Hoje perdi aquela que me ouviu as primeiras palavras, que me viu os primeiros passos, que contava as minhas tropelias, como se tivessem sido ontem, que sempre me chamou pelos meus dois nomes próprios, como se de um único se tratasse. Não cheguei a vê-la nesta minha estadia aqui. Fiz-lhe um adeus da janela, que estava com pressa. "amanhã, passo aí". E o amanhã não chegou porque a porta já não abriu.




4 comentários:

mimi disse...

E agora vai arrepender-se de não ter lá ido,de ter fugido do abraço, de não ter dado mais atenção...é normal.Eu sei que é assim. Sei o que é isso! Mas é tarde.

Beijos.
mimi

clara disse...

Nem é tanto por isso. Sei como é a vidinha e como nos deixamos assoberbar por tudo o resto. E até me irrita esse cliché em que vivem algumas pessoas, que nos primeiros dias, após uma coisa destas, dao mais atençao a tudo, para rapidamente esquecerem. Faz-me impressao tê-la visto tao bem, para não mais abrir a porta.

Maria disse...

Perder alguém de quem gostamos é sempre triste. Mesmo que não existam laços de sangue, por vezes outros laços (de afinidade) são maiores.

Bjs Clara .

Anónimo disse...

Não posso passar sem te deixar um beijinho, sentido, verdadeiro pela perda... Partiu alguém que eu admirava muito, talvez pelas semelhanças na forma de ser e de estar da minha própria avó, que nos deixou no dia do meu aniversário no ano passado.
Ficam as recordações mas mais importante ainda, ficam os bons exemplos, fica o verdadeiro berço na educação dada e por isso um fio condutor para toda a vida.

Um beijo,
AA