quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Olá outra vez

Fui baptizada com um novo nome: não-não. A minha dona agora, passa a vida a chamar-me não-não. E gosta de o fazer, especiamente, quando estou a brincar com sapatos ou a puxar o edredón dela para o chão, para poder deitar-me em cima.
Gosto muito de passear, mas ultimamente, abriram o frigorifico lá fora e assim, não me apetece muito. Preferia ficar em casa no sofá. O sofá é das minhas cenas preferidas. Como não consigo ir para lá sozinha, assim que a minha dona chega a casa, começo logo a pedir-lhe. Às vezes, até tenho que lhe ladrar, raisparta, que eu já percebi o novo nome e mesmo assim, ela não se cala, "agora não".
A minha dona, cada dia acorda mais cedo. Ainda não sei as horas, mas vejo que cada vez está mais escuro lá fora, quando toca uma cena branca, para a qual a minha dona, às vezes fala e à qual eu gostava de afinfar um dente. E tá uma cadela cheia de sono e levam-na logo à rua. Até fazer chichi, na relva molhada e gelada. Continuo a preferir os papeis dentro de casa.
Quando vamos à rua, gosto muito de comer os caracois que se passeiam nos arbustos. São crocantes. Também gosto das frutinhas desses arbustos, que a minha dona, por não ter a certeza se são blueberrys, berrys nao sei de quê, chama de berrys-puta-que-as-pariu.
E agora tenho que ir, que a dona já tá ali a chamar "não-não, o ipad não" e eu tenho que lhe abanar o rabo.

2 comentários:

Rachelet disse...

Tens de dizer à tua dona para te arranjar roupas. A minha também demorou a perceber que se ela não anda nua na rua, eu também dispenso uns agasalhos quando está frio. Não deliro, mas sempre ando menos tremeliques.

Ass. Sebastião José

CoisasDaGaja disse...

eheheheh! O que eu adorei este texto! "não-não" é um belo nome :))