domingo, 30 de dezembro de 2012

2012

Sou menina para ir contra a maré e não me por a fazer balanços, nesta altura do ano, só porque toda a gente faz, mas... Pus-me a pensar neste meu ano que passou e no balanço que teria feito o ano passado, por esta altura e sinto-me tentada a dizer que 2012 foi o meu ano. Pelo menos, até agora. Passaram-se milhares de coisas este ano e acho que dei um salto que precisava ter dado há muitos anos. Já 2011 foi o meu não ano. Também me sinto tentada a dizer que foi o pior e espero que nunca mais venha um minimamente parecido.

Já escrevi mil vezes sobre o quanto aprendi, sobretudo sobre mim própria, já escrevi mil vezes sobre a história do denominador comum, quando estamos no centro de situações comuns e não me canso de o fazer outra vez. Ás vezes, preciso de fazer esse exercício, outras vezes, tenho esperança que seja tão esclarecedor para outros como foi para mim.

Eu, como muito boa gente, tinha dois defeitos, até agora (entre outros, claro). Primeiro, deixava a minha sorte nas mãos das situações, depois, esperava que os outros vissem o meu valor escarrachapado na minha testa. Demorei a perceber que o mundo, os outros e a nossa vida, é o que nós próprios fazemos dela. Uma pessoa é só uma pessoa e tem, na nossa vida, o espaço que lhes dermos.

Esta minha vinda para a Irlanda é o melhor exemplo. Toda a minha vida quis ter uma experiência internacional. Quando finalmente, a tive e percebi que é bem menos glamorosa do que a pintam, fui-me completamente abaixo. Arrependi-me e achei que tinha, por que tinha, que voltar para Portugal. Enquanto isso não acontecia, nem vivia dum lado, nem doutro. Ia a Portugal já a queixar-me do pouco tempo e já a sofrer por antecipação, por ter que regressar.
Um dia, acordei e pensei, "espera lá, afinal de contas qual era o meu objectivo?" Era aprender a língua, perceber essa coisa das diferenças culturais, conhecer pessoas, melhorar os meus conhecimentos a nível profissional. Quantas destas coisas estavam ao meu alcance? Todas. Eu é que não estava a fazer nada por elas. Esperava que só por ter feito a viagenzinha de avião, carregadissima, iria ter tudo caído do céu. Fiz a minha lista e resolvi começar pelo mais fácil. A empresa até me pagava as aulas de inglês, por isso, bora lá aperfeiçoar a coisa. Um objectivo riscado. Depois foi sempre a andar e a pouco e pouco, vi-me integrada num país bué da frio, vi os amigos aparecerem, vi frutos do meu empenho no trabalho. Às vezes, ainda há dias difíceis, ainda há momentos de solidão, ainda há muitas saudades. Mas agora é só às vezes. E em Portugal haveria outra merda qualquer.

Agora no finalinho do ano, voltei a ter uma situação menos boa, mais a nível pessoal, que, hoje, acho que também teve a sua finalidade. Eu sou uma analfabeta emocional. Há anos que não tenho uma história de jeito e, sinceramente, às vezes, isso custa-me. Tenho saudades de ter saudades de alguém, de ter borboletas no estômago, de beijos longos e abraços apertados.
Também eu, por vezes, meto na cabeça que o sucesso ou insucesso da minha vida nesse aspecto me define. E tenho um medo danado da rejeição por causa disso. Depois de tudo o que descrevi lá em cima, ainda me passa pela cabeça que determinada pessoa não querer nada comigo faz de mim um fracasso. Ou melhor, achava, até ter conhecido um rapaz recentemente.
No momento em que o conheci, achei logo que se ele me desse bola, saltar-lhe-ia para cima. Comecei por estranhar quando ele deu e pus-me logo a pensar que, desta vez, não podia fazer disparates. E fiz. Claro que fiz. Quando achamos que tudo depende de nós, fazemos tudo o que a nossa imaginação permitir. E bolas, se eu sou criativa. Falo demais, escrevo demais, rio demais, choro demais. A história não correu bem. O rapazinho acabou por seguir outro caminho onde eu não estava incluída. Mas a grande surpresa, aquilo que só tive capacidade de perceber recentemente, é que não dependia de mim. Ou pelo menos, não só de mim. As outras pessoas também têm vontades, também têm histórias e também têm fantasmas. Enfim, percebi que nem tudo depende de mim e que uma rejeição também é só uma rejeição. Que não posso exigir às pessoas que desconhecem o meu valor e, também, que há que apresentar valor e não armar-me em maluquinha "olha outro que não quis nada comigo, mais um e pardais ao ninho". Não foi mais um (não chegou a ser), foi uma pessoa que me ajudou a subir mais um degrau.

E termino por aqui o meu balanço, que isto já está muita grande e não era esse o meu objectivo. A minha grande lição foi só uma: as coisas são aquilo que fazemos delas.

Serviço público

Sempre que alguém vos magoar, for menos simpático, mal criado, intriguista, tudo o que se possam lembrar e que seja humanamente possivel (mesmo que pareça pouco humano) , lembrem-se, seja quem for, essa pessoa, fora dessa capa ou personagem, terá sempre algo em comum convosco.
Seja qual for a religião, crenças, valores, educação, também essa pessoa vive o seu dia-a-dia o melhor que pode. E, no final, essa pessoa quer o mesmo que nós: ser feliz.

(modo lamechas para terminar 2012 em altas)

E porque é que decidiste emigrar?

Pois. Não decidi. Acho que esse é o truque.
Na minha empresa, todos os anos, temos que escrever um "Plano de carreira", onde temos que explicar o que gostávamos de fazer, onde nos vemos daqui a uns anos e mais umas tretas que dizem que servem para se lembrarem de nós, caso surja a oportunidade. Daquelas coisas que nós achamos que só servem para encher chouriço, quando nós até já tínhamos o chouriço quase a rebentar. Para despachar a coisa, todos os ano recorri à frase feita "experiência internacional para desenvolver e adquirir conhecimentos".
Praí em Maio de 2010, perguntaram-me se gostaria de integrar o novo projecto que estavam a desenvolver na Irlanda. Não me lembro de sequer ter parado dois minutos para pensar, "bora!" foi a minha resposta e já está. Porque na minha empresa as coisas não são tão taxativas, seguiram-se meses de muitas entrevistas, algumas negociações e muito tempo para pensar no assunto. Que, basicamente, não foi utilizado para esse fim. Tive momentos de medinhos "ai Meus Deus não quero nada ir", tive momentos de certezas absolutas "isto é mesmo o que eu quero", mas a verdade é que não pensei muito ano assunto. De repente, estávamos em Outubro e eu já estava a chorar em jantares de despedida. Quando dei por ela, estava a tentar enfiar todo um interior dum T2 na margem sul, numa mala emprestada.
Dois anos depois, já me arrependi, já me congratulei, já chorei e não foi pouco, já fui feliz. As saudades apertam sempre, mas com o tempo, vamos aprendendo a viver com elas e a desfrutar das novidades duma nova vida.
Poda ter sido muito diferente? Talvez. A verdade é que este foi o meu caminho e não conheço outro. Não sei se tivesse pensado muito no assunto, se seria diferente. Provavelmente, não teria vindo.

Tento manter os pés no chão, baixar as expectativas, manter-me pouco vulnerável e deixar de lado as minhas fragilidades, ainda assim, tendo em conta o desenrolar dos acontecimentos, quero que se lixe, hoje é assim que me sinto e é isto que me sinto no direito de pensar. Felizmente, o Saamago já o tinha dito e, obviamente, melhor que eu.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Afinal o meu Natal vem mais tarde

Num dos fins de semana de Janeiro. E eu sou como as meninas pequenas e só por causa disso, hoje já nem durmo. Nem quero imaginar na véspera!
Ai, o mundo dá tantas voltas!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Em 2013

Este ano, só fiz uma resolução para 2013.
Desporto.
Depois da prova de 500 vestidos para a passagem de ano, decidi que este ano não só tinha que fazer uma resolução com a mesma deveria ser sinónima de tonificação.
Fiz um pequena investigação, já que se é para começar em 2013, que seja logo logo no dia 1. E isso exige trabalho prévio.
Já que tenho que passear a cadela todos os dias, que tal pô-la também a correr. Fizemos um
ligeiro teste. Fomos passear as duas, felizes e contentes, até encontrarmos uma cavalier igualzinha à Balti, mas que se chamava Malti. Porra, que raio de coincidência é esta? O passeio acabou por durar uma hora. O único exercício feito foi dizer "tão fofinha" quinhentas mil vezes, a uma cadela igual à minha.
Uma amiga, sabendo dessa minha nova demanda, levou-me as umas aulas de dança. Depois de pisar 4 vezes o parceiro e cair cinco, percebi que dali traria muitas dores, mas não musculares.
Resolvi fazer uma visita ao ginásio cá do sitio. Raisparta que sou muita desmemoriada. Como é que eu me esqueci da aventura chamada balneário? E porque é que as gajas acham que num balneário a toalhinha se usa à gajo, só pela cintura? Se eu quisesse ver mamilos ia a outro sitio. E, minhas meninas, bem sei que é inverno e tal, que podemos aproveitar para poupar o corpo ás violências da cera, mas nesse caso, por favor, usem calções. Ds verdadeiros. Uma cueca branca por cima de calções felpudos, é uma imagem que me atormentará até 2023.
Está resolvido. Desporto, para mim? É o hoola hoop da wii.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

E a passagem de ano?

Cheira-me que não vai ser muito melhor...
Tive 2 convites, um dum gajo muita pretensioso, que fala sempre no "champú" (sic) que vai beber e o preço que lhe custou, outro, do meu amigo gay.
Claro que o do amigo gay me pareceu muito mais aliciante. Divertimo-nos sempre, vamos com planos de nos misturarmos na multidão e, sendo gay, tem ainda a vantagem de que nunca tentou, nem tentará, beijar-me.
Enquanto o gajo foi a casa passar o Natal, tratei de fazer a minha pesquisa quanto ao sitio ideal e experimentei 500 vestidos, na esperança que algum me disfarçasse a anca e a barriga e, já agora, as mamas (que fizesse milagres, portanto). Lá comprei um vestido em que não pareço a popota (a de antigamente, que a actual 'tá gira que dói) e lá arranjei um sitio fixe. Eis senão que, hoje, o gajo me informa que conheceu uma pessoa. Ah que fixe, fico tão contente por ele. Pois, se ele não estivesse a tentar a fazer a passagem de ano com a nova conquista e eu não tivesse passado para plano B, caso o gajo não aceite.
Olha, vou sozinha. Que se foda.

Já passou

Não gostei do meu Natal. Acho que não gosto do Natal e tenho vergonha de o assumir. Nunca vi ninguém que vibrasse tanto com o Natal como os irlandeses e há algo mágico nos seus olhares, nestes dias. Invejo-os um pouco por isso. Por terem a coragem de pôr corninhos de renas nos carros, de passarem o dia a ouvir e a cantar wham ou the pogues, enquanto ignoram os estrangeiros que dizem que já não aguentam e de se vestirem com camisolas de Natal.
Este ano estive longe. Fiquei pela Irlanda, porque todos estavam longe uns dos outros, o ano passado. Nasci numa família pouco pacifica que se recusa a tolerar-se, mesmo nestes dias. Obrigam a dividir-me e, por isso, decidi ser eu a egoísta. Não foi bom.
Tentei lembrar-me de um bom Natal. Só me ficaram dois na memória. Aquele em que recebi uma boneca que andava e outro, muitos anos mais tarde, em que o meu bisavô resolveu que devia poupar nos presentes e embrulhou o que tinha lá por casa. Livros do reader digest e revistas pornográficas do tempo de mil novecentos e troca o passo. Deu para perceber como eram essas coisas antigamente (e que estas coisas também são cíclicas, que a Rita Pereira fez uma produção parecedissima, este ano) e que ele tinha alzheimer. No ano seguinte, recusava-se a estar connosco porque não sabia quem éramos.
o resto, o que ficou, foram as filas no transito, os encontrões nas lojas e as discussões lá em casa.
Já passou. Venha daí o resto do ano que é, sempre, bem melhor.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hoje, dia 21 de Dezembro de 2012, dizem que vai acabar o mundo e aqui estou eu, sentada á secretaria do escritório, a fazer cenas a que chamamos financeiras e não interessam nem ao menino Jesus, vestida de mãe Natal, com um vestido tricotadinho pela senhora minha mãe.
A Irlanda transformou-me.

O mundo não pode acabar amanhã

- porque é sexta-feira. Dava-me mais jeito a uma segunda. Amanhã ainda vou pó pub e ainda me faltam alguns presentes de Natal para comprar.
- há coisas que não acontecem na minha vida, há tanto tempo que já nem me lembro como se fazem, tipo andar de bicicleta. Dava-me jeito o pub amanhã, para ver se ainda dou umas voltinhas;

Há mais um ou outro motivo, tipo ainda não ter terminado a dieta, já ter marcado a passagem de ano, ter um voucher por gastar, mas estes dois, parecem-me os mais significativos. Gente que é gente quer andar de bicicleta antes de acabar o mundo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os emigrantes e o Natal

- o espanhol só faz o que se faz Em Espanha. Se não se faz assim em Espanha é porque é uma merda;
- a húngara é do contra. No dia em que a empresa faz um almoço especial de Natal, quer ir almoçar fora;
- o italiano encolhe os ombros a tudo e nem sabe bem o que se passa;
- a portuguesa vai vestida de mãe Natal para o escritório, só para participar no concurso anual de camisolas de Natal (alguém se lembra do Mr. Darcy no Diario de Bridget Jones?).

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Assim vai a vida

De vez em quando, acontecem cenas lá fora. Outras vezes, não acontece mesmo nada, senão o puto do trabalho que não nos deixa ter vida. A autora deste blog anda assim. Muito ocupada, dentro e fora. Tem que escolher, ou escreve, ou lê. E eu gosto mesmo muito de ler. E, a julgar por este post, de falar à jogador de futebol, na terceira pessoa.

domingo, 16 de dezembro de 2012

As pessoas são um lugar estranho

A começar por mim. Uma das minhas maiores características é a sensibilidade ao toque e uma, demasiado curta, distancia de segurança. Não gosto que me toquem. Quem não conheço ou não tenho confiança, claro, que depois há toques que até para mim são bastante prazeirosos.
Com o tempo, fui percebendo que era mais sensível que a maioria das pessoas e por isso, quando me tocam em demasia, aprendi a relevar. O problema é que depois fico ali confusa quanto aos limites. Aqui há uns anos, um rapaz que tinha acabado de conhecer, que ficou conhecido entre os meus amigos como o "periodista", passou o tempo todo a desviar-me o cabelo dos olhos. O meu limite estava, largamente, a ser ultrapassado, tudo o que era alarme e luz vermelha, acendeu, mas, era uma realidade que, por causa do gorro enfiado quase até ao pescoço, eu tinha o cabelo nos olhos. Talvez ele estivesse só a ser simpático e não valeria a pena armar-me em bicho do mato em vão. Fui relevando. Só quando o amigo que tinhamos em comum decidiu comentar, é que vi que afinal, o bicho do mato que há em mim, afinal, desta vez, tinha razão.
Também sou assim com o meu próprio instinto. Por receio de ser pessismista, insegura ou até injusta, em vez de o ouvir, vou dando o beneficio da dúvida. Grande parte das vezes, arrependo-me.
Ele acha que lhe escrevo recados no blogue. Claramente, não me conhece, nem leu com atenção todas as minhas mensagens e e-mails. Não importa o quão estapafúrdia ou ridícula possa ser, eu, se tenho alguma informação a partilhar, mando. É um defeito. Uma merda, que isto dos jogos, às tantas, teria muito mais piada. O que escrevo no blogue é só para inglês ver. Quanto muito, uso-o para tentar impressionar. Se tivesse algum recado a dar, hoje, teria duas coisas para dizer. Ás vezes, apetecia-me perguntar-lhe que raio é que ele quer. É uma simples curiosidade. A natureza humana fascina-me e, aparentemente, cada vez a percebo menos. Em segundo lugar, e aproveito para informar também aqueles que me lêem, relembro que as novas tecnologias, hoje em dia são tramadas. Os telemóveis permitem relatórios de entrega, o facebook diz-nos quando foi uma mensagem lida, há quanto tempo estivemos online e até informa sempre que editamos um texto, seja ele uma mensagem privada, o chamado estado ou um simples comentário. As apps para androids, iphones e afins, para o chats, mostram se fomos bloqueados e quando. Se não nos pusermos a pau, qualquer dia aquilo diz quando foi a ultima vez que fo... Pronto, que fomos à casa de banho.
Estes parágrafos, podem parecer todos muito desconexos, mas não são. É o tal do instinto. Afinal, não me falha.

You don't know me at all




Olá,

Tu não me conheces, o meu nome é Clara e tenho 32 anos. Vivo na Irlanda, em Drogheda, que fica a uns 40 kms de Dublin. Vou muitas vezes a Dublin, para poder alternar entre a pasmaceira, perdão, a tranquilidade de Drogheda e o cosmopolitismo de Dublin. Ultimamente, não tenho ido tanto, porque sou muita mariquinhas e diz que há gelo nas estradas. 
Sou a atirar para o baixo, a atirar para o gorduchinha e diz que já fui loira, mas deixei de ter sol na cabecinha, quando me mudei, e agora não sei bem que cor é esta.
Vivo na Irlanda há dois anos, mas ainda me ando a habituar a isto. Tenho muitas saudades de casa e demasiado tempo livre.
Às vezes, tenho a mania que sou comediante, mas na verdade sou a maior chorona de que há memória e choro com coisas tipo o X-factor (ídolos cá do sítio). Opá, tadinhos, há ali gente a realizar sonhos duma vida inteira e gente a desfazer outros que criou porque as mães acharam que a cantoria no banho era de rouxinol. É triste.
Outras vezes, sou como a do rouxinol e acho que escrevo. Tenho amigos que desconhecem o conceito pontuação e acentuação e, em terra de cegos, quem escreve assim, é rei. 
Tenho um blogue onde escondo o meu dark side, o meu funny side e o meu chorona side. Tudo ali bem misturado, para que ninguém saiba que, às vezes, não bato bem. Shhhhiuuuuuu.

Posso-te conhecer?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Restart?

Diz que vem aí o ano novo. Nunca liguei muito a esta coisa de mudar a data no calendário. É só mais um dia e por mais resoluções que se façam, na verdade, pouco se renova.
Há quem deixe de fumar, quem comece uma dieta, quem proclame que vai mudar o mundo. Tretas. A vontade será igualinha, tenhamos nós que pôr um 2 ou um 3, numa data. Na verdade, nem isso muda, que andamos ali três meses em negação, ora bolas, que esqueço-me sempre que mudou o ano. Quem deixa de fumar, continuará a sentir as vicissitudes do vicio, quem começa a dieta terá fome e quem quer mudar o mundo, continuará no sofá a mudar de canal.

Mas este ano, para mim, é diferente. Tenho uma resolução. Um recomeço. Tenho esperanças que o tal númerozinho que muda, pare também o comboio das peças de dominó em que me vi metida. Caiu a primeira e lá foi tudo, por ali a fora, uma atrás da outra, até, quase, não sobrar nenhuma. Vou desejar que o número que muda, trave a sequência, apague e perguntar-te, começamos tudo de novo?

Uma semana para acabar o mundo

Mas os irlandeses devem ter percebido que era hoje e por isso, ontem, tentaram beber todo o álcool que há no mundo, engatar tudo o que mexesse e patinhar-me a casa toda, como se não houvesse amanhã.

Tenho um par de horas para pôr esta porcaria a brilhar, expulsar a irlandesa que faleceu no sofá e ir ao aeroporto buscar gente minha. Pouco tempo para muito pouca energia.

E isto é o melhor que consigo escrever hoje.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Querido Pai Natal

Isto não tem andado fácil, mas ainda não estou preparada para recorrer a sites manhosos na internet. Só me restas tu.
Se é para pedir, aquilo que queria mesmo e me faz mesmo falta, é um namorado. Nem é tanto por mim, é mais pela minha avó, 'tadinha, que não se cala com coisa. Para que vejas como sou altruísta.
Para te facilitar a vida, pode ser um irlandês. Escusas de ter encargos com portes e assim, sempre tenho desculpa para problemas de comunicação. Já agora, se é para ser irlandês, quero daqueles à séria, ruivinhos e cheios de sardinhas. São feiinhos em adultos, mas fazem uns bebés muita giros.

Na proporção certa

Tu não me conheces. Eu podia vir aqui e contar-te uma história, explicar-te que sou assim e sou assado, ocultar-te que acordo sempre de mau humor, mas refutar que esse é o único momento do dia.
Pedir referências aos amigos, que te contariam histórias que me envergonhariam, mas esconder-te-iam as que os envergonham a eles.
Fingir que estou feliz quando estou triste, publicar os rascunhos quando já não me importa.
Podia vir aqui e contar que comprei a lingerie, segundo a vendedora, cor de cereja e ocultar que não faço zumba há mais de mês e comi Nutella há cinco minutos.
Podia também contar que, em miúda, mentia aos meus pais para sair à noite, que a única vez que tentei cabular, numa escala de 0 a 20, tive 2, porque petrifiquei com aquela merda, que fui sempre apanhada nas mentiras, porque falo durante o sono. Também podia contar que sou muito boazinha, mas soa-me sempre à hipocrisia de quem se acha muito boa pessoa porque faz caridadezinha. Como a outra, que prefere a caridade à solidariedade social.
Sou ao contrário dos outros, que acham sempre que o mundo é que está ao contrário. Eu acho sempre que estou do avesso, até ouvir, ler, ver as mesmas histórias e perceber que afinal, isto é só natureza humana. Falo da minha inteligência emocional, até perceber que quem sofre de verborreia é a tal senhora que diz aquilo dos bifes e da caridadezinha num meio social, fazendo bandeira do seu analfabetismo.
Aqui, podia ser quem eu quiser, até porque, na verdade, sou um bocadinho de tudo. Mais proporções de um lado, menos do outras. Talvez as proporções erradas, mas quem sabe quais são as certas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Isto, por aqui, as vezes, até é giro

-          Hoje, uma irlandesa, resolveu fazer uma rotunda ao contrário. Dava-lhe mais jeito, sei lá. Se ela queria ir para a direita, para que fazer a rotunda toda (relembro que na irlanda conduz-se á esquerda). Eu senti-me totalmente solidária com ela. O camiao que vinha em sentido contrario (que era o correcto) é que bem que se pdia ter desviado. Bater assim de frente, num corsa, destruindo toda a sua frente, é que nao está com nada.
-          Uma colega minha, que andava a ficar um bocadinho mais rechonchuda, mas nada de alarmante, para irlandesa até continuava bastante magra, na sexta feira, ligou a explicar que nao vinha trabalhar porque nao se estava a sentir bem. Tinha umas dores no abdomen que nem se podia mexer. Já há uns meses que andava assim, cheiinha de gazes. Hoje ligou a explicar que vai ter que ficar em casa mais uns tempinhos. Foi ao hospital tratar das tais dores e entrou em trabalho de parto. Afinal os gases eram um bebé de tres quilos a dar pontapés.

Estamos a ter um dia deveras animado neste escritório. Duas noticias destas é o que basta para nos manter entretidos por uma semana.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nas relações como no futebol

Se nós pensarmos bem, ser-se adepto dum clube de futebol é uma cena meio louca. Vejamos o exemplo do sporting, que por aquilo que a malta está a pôr fervorosamente no facebook, parece-me bastante ilustrador da minha teoria.

Um adepto de futebol é um louco. É um gajo que veste umas determinadas cores, só porque lhe disseram que representavam o tal clube. Um gajo que grita, que chora, que vibra, que altera toda a sua vida, em função de um jogo, só porque, por razões que lhe serão difíceis de explicar (lá está, o sporting, como o melhor exemplo) gosta daquele clube. A sua capacidade de influenciar o resultado, de efectivamente se envolver na coisa, é zero. Os jogadores não se esforçam mais só porque, algures no mundo, está um paspalho atrás da televisão (no estádio não conta, porque acredito que um estádio cheio já tenha mais capacidade de gerar motivação) a sofrer que nem um parvo.

Isto não faz sentido nenhum. O gajo investe ali todas as suas emoções e põe ali o seu coração à mercê de uma bola que não entra na baliza (se se tratar do sporting). O homem até podia ter ali um ataque cardíaco, que o jogador não vai deixar de receber o seu ordenado.

Isto é o máximo investimento, alto risco (ainda preciso de falar no sporting?), zero envolvimento na coisa. De doidos, diria eu. Só que eu também sou assim. Nas relações.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Pela primeira vez

Achava-o estranho. Cruzavam-se, várias vezes, no cigarro.
Sempre abstraído nos seus pensamentos, demasiado concentrado para ver o que se passava à sua volta.
A faladora-mor, aterrorizada com o silencio incomodo entre duas pessoas que partilhavam o mesmo espaço, ia tentado meter conversa. O tempo, há muito tempo que não te via, o trabalho, conversa de chacha. Por vezes, ele respondia-lhe um seco "sim", outras encolhia s ombros, outros não respondia.
Ás vezes, ele aparecia muito penteadinho. Outras vezes, com uma barba que dir-se-ia ser de dois meses, não o tivessem visto dois dias antes, sem ela.
Um certo dia, ele resolveu descer à terra, quando a viu numa luta entre a chama de um isqueiro e umas rajadas de vento certeiras. Explicou-lhe a técnica.
Ela, em jeito de desculpa, mas só para impedir o silencio que a afligia, explicou-lhe que de onde vinha, o vento não soprava assim. E ele olhou-a. Olhou-a nos olhos, mediu-lhe os contornos. Viu-a pela primeira vez.
A partir daquele dia, os silêncios terminaram. Perguntava-lhe que planos tinha. Falava-lhe nos fins-de-semana. Durante cinco dias, falavam nas possibilidades dos outros dois. Ela, sempre demasiado ocupada, para, verdadeiramente, escutá-lo.
Num certo dia, alguém lhe explicou que ele era uma pessoa brilhante. De uma inteligência inigualável. Que os que o conheciam, não sabiam se, do alto da sua inteligência, gozava com esta merda toda, se como muitos outros génios, o que que sobejava num lado, faltava-lhe, noutro. Parafusos, perceba-se.
E foi aí que ela o viu. Pela primeira vez.


E depois queixo-me.

Donas de casa desesperadas

Quando vi a série donas de casa desesperadas, achei que aquilo era, realmente uma amostra daquilo que se vê na vida real. Tirando os assassínios e as últimas séries que já só servem para encher chouriço, as manipulações, chamadas de atenção e essas coisas todas que aquelas mulheres faziam eram uma caricatura do dia-a-dia de muita boa gente.
Se há coisa de que me orgulho, é de ser compreensiva com esses comportamentos que muitos de nós, às vezes, adoptamos.
Eu própria, já fiz das minhas. Momentos de delírio absolutamente ridículos não me faltam. Já fui capaz de muita mentirinha inocente para chamar a atenção, fazer ciúmes, etc e tal. Já liguei com desculpas "ligaste-me? Não? Ah, tinha aqui um número muita parecido com o do teu trabalho"; "sabes aquele exercício de matemática que resolveste na aula? Não sei fazer. Explicas-me?"; "Podes ajudar-me com aquela transacção do nosso sistema contabilistico? Precisava mesmo dessa informação, mas não sei como se faz".
Na adolescência, ajudei uma amiga a mandar flores a ela própria, só para o rapaz em que ela estava interessada, percebesse como ela era espectacular e como era melhor decidir-se duma vez por todas, que a concorrência era muita. Fui à florista, comprei as flores, paguei-as e ainda escrevi um cartãozinho com um "gosto muito de ti". A malta acreditou mesmo e ainda analisou o simples cartão até à exaustão. Tive que ouvir que o suposto gajo que tinha mandado aquilo, tinha escrito ele próprio o cartão e devia ser canhoto, tão feia era a letra. Enfim, um pequeno preço a pagar por um casamento que, ainda hoje, passados tantos anos, é feliz.
É por isso que também percebo quando o meu ex me diz que precisa dumas aulas de espanhol, para uma entrevista, ou quando liga com problemas existenciais que, segundo ele, sou a única que percebo.
Por isso, meu amigo, que me lês, desculpo-te por teres mandado a mensagem mais estapafúrdia que alguma vez recebi. Eu sei ler nas entrelinhas e tu não tens culpa que eu seja tão espectacular e te faça tanta falta. Abracinho.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Adicionar à lista

Nunca mais escrever posts, às 4h da manhã, depois duma prova de vinhos. Nunca mais escrever posts, às 4h da manhã, depois duma prova de vinhos. Nunca mais escrever posts, às 4h da manhã, depois duma prova de vinhos. Nunca mais escrever posts, às 4h da manhã, depois duma prova de vinhos. Nunca mais escrever posts, às 4h da manhã, depois duma prova de vinhos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Eu não digo?

Eu - vais ao evento organizado pela empresa?
Ela - vou, mas não posso beber álcool.
Eu - mas é uma prova de vinhos!?!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Acho muito bem, que isto uma pessoa tem que se organizar

- portanto, conto contigo para a passagem de ano. Depois ligo-te a confirmar o sitio, a hora e a data.

Os melhores métodos contraceptivos

- fazer o pino. Não durante a coisa, esperem lá e não vão já a correr pôr-se em experiências, que daqui a nove meses, não vou amadrinhar ninguém. Experimentem fazer o pino, em frente à televisão, naquele preciso momento em que a equipa, pela qual torce o vosso potencial parceiro, está prestes a sofrer um pénalti.
- demasiado tempo livre. Eu defendo que numa era em que tudo é digital, tempo livre devia ser utilizado a fantasiar métodos não contraceptivos. Infelizmente, tempo livre significa mandar uma mensagem ao potencial parceiro. Pensar na mensagem e mandar outra a explicar melhor a primeira. Pensar nas duas e escrever um mail a explicar as duas. Pensar nas três coisas e terminar com um temos que falar, que assim não nos entendemos.
- manter contacto com ex's. Há milhares de cenários possíveis, neste caso. Enrolarmo-nos com eles, não é um deles. É contraceptivo só para quem ficou de fora.
- contar tudo tudinho. Eles ficam mesmo muito interessados e depois não querem pausas para batatinhas. Focarmo-nos em assuntos como a cor do verniz que escolhemos, como cortamos o cabelo, a visita ao médico, os pormenores de um papa-nicolau ou, simplesmente, as gracinhas da cadela. Sofrer de verborreia crónica e ter um blogue também pode ser bastante útil para a não contracepção.
- ser mal-fodida. É um contra senso, porque o ovo nasce primeiro que a galinha, mas apresentem-me o gajo capaz de fazer aquela cabra que nos atendeu com três pedras na mão e ainda nos faz agradecer pelo favor (private joke: tipo aquela senhora do 100) e já vos conto uma história.

Bullshit

Quando saí de Portugal, os meus amigos fizeram um powerpoint com factos sobre mim. Um dos factos, num dos slides, dizia que uma das minhas qualidades era a capacidade de rir, até de mim própria. Já agora, agradeço-vos pela selecção de fotos para ilustrar o facto. É sempre bom, mostrar a umas quantas pessoas a nossa imagem de olhos tortos ou boca escancarada, com todos os chumbinhos á mostra.

Se há coisa que eu gosto muito é de contar historias. Saio ao senhor meu pai, embora, como pupila ainda não tenha suplantado o mestre. Ainda não consigo contar toda a minha vida á senhora da caixa do supermercado, enquanto arrumo as minhas compras. Mas la chegarei, um dia destes.
Gosto de me gabar que não é a mim que acontece toda a espécie de aventuras, histórias engraçadas ou dramas. Deixo as pessoas a pensar que é só a minha forma de ver as coisas que é engraçada (ou não). E essa é a minha grande mentira. Não há nada que não me aconteça. E esta porcaria, ás vezes, parece aquela novela da tvi que nunca mais acabava. Isto é o anjo selvagem com a trinca espinhas que nunca mais se decidia por aquele actor com cara de sonso, que afinal anda metido nas drogas, cujo o nome, agora não me lembro (Zé Carlos?).

Sou desastrada por natureza, por isso caio mais que as outras pessoas, bato mais vezes com o pé na esquina da cama e uma vez, entrei dentro do carro dum amigo, com a boca toda rebentada e cheia de sangue, sem me aperceber. Tinha conseguido a proeza de bater com a cara na porta do prédio, mas fingi que não era nada comigo, para ele não se aperceber.

Também tenho a capacidade de atrair toda a espécie de malucos. Desde a senhora do pontapé, aquela que estava sempre ao pé dos barcos do barreiro, que nunca me chegou a acertar, mas foi por uma unha negra, ao senhor benjamim, o arrumador de carros, á porta da minha faculdade, que nunca arrumou um único carro e gostava de vir contar que tinha aquecido os pés á cunhada ou que trazia no bolso uma garrafa de agua do luso, sem agua, mas sim cheia de tintol. Desde o amigo que fez 100 quilómetros com o travão de mão do carro puxado e achava que o cheiro a queimado era da cassete que rodou durante os tais 100 quilómetros, ao gajo com quem dei umas voltas e uns meses depois é colhido por um toiro, fica em coma e acorda a achar que tinha um cavalo e que eu era a mulher dos seus sonhos. Bem dizia a minha professora de Biologia, não os juntem que eles se juntarão. Este magnetismo, no fundo, no fundo, deve explicar muito sobre mim.

Isto para dizer que não há uma puta duma coisa que não me aconteça. O que me vale mesmo é tal capacidade de rir sobre as coisas. Não tivesse eu essa capacidade e era menina para fumar 500 cigarros, em vez de 250.
Isto hoje pode não ter muita piada, mas um dia ainda vou rir muito desta merda.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Private post

Dias não são dias

Na tua vida, vais conhecer pessoas simpáticas, pessoas chatas, pessoas que te fazem rir, pessoas de que gostas, pessoas de quem gostas mais um bocadinho, pessoas egoístas, pessoas inteligentes, pessoas que não dão uma para a caixa.
Um dia, alguém vai te conhecer e vai te achar uma pessoa simpática ou chata ou engraçada. Um dia, alguém vai te conhecer e vai gostar de ti ou gostar de ti mais um bocadinho ou achar-te egoísta ou achar-te inteligente ou que não dás uma para a caixa.
Todos temos os nossos dias e o timing é uma cena tramada.

Grande Emilio

Numa reunião de trabalho, em que se antecipavam vários cenários, inclusivé um que implicava um bocadinho de falta de boa fé: "Pues esos, que los cojan, que se les ponga un negro por detrás y que les tome por culo." Mai' nada. Solucionado.

Mais um recado para o manolo e cia

Pode parecer ironia, mas é fruto de uma tarde experimental a ver filmes. As pipocas fazem-lhes gases.

Piece by piece

Já passei por pior. Também já passei por melhor. Sou uma eterna romântica, por isso custa-me sempre. Tenho vergonha de ser uma romântica e finjo que são outras coisas e depois tenho vergonha das outras coisas. Das reacções exageradas, sobretudo. Já passei por pior.
A pouco e pouco, vai passando. Passa sempre. Primeiro esquece-se a vergonha, dissipam as raivinhas e as frustrações. Há muitas fases. Nem sempre são iguais, mas vão-se sucedendo. Mesmo que não queiramos. Mesmo que não as vejamos. Passam. E hoje já custa um bocadinho menos e quando damos por elas, já nos esquecemos. Entramos na fase 1 outra vez e voltamos à romântica. A tal que, mal ou bem, fica sempre. É eterna. O primeiro passo foi dado. Mediram-se as culpas, trouxeram-se os ensinamentos. A pouco e pouco, lá chegaremos.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Pergunta para queijinho

Aqueles que se aproveitam das inseguranças ou fraquezas dos outros, para chutar para o lado culpas e responsabilidades, dormem bem de noite?

Quando essas pessoas tropeçam nos seus próprios pezinhos, só tenho uma pena, que não se lembrem do velho ditado, what goes around comes around. A vida trata disso.

A próxima vez que te vir

A próxima vez que te vir vou te dar um abraço. Vou te dar uns estrategos desses que a Balti quando o adivinha até foge. Vou encostar a minha cabeça ao teu ombro e esperar que os teus braços aninhem os meus. Gosto de abraços. Muito. Daqueles que fazem parar o mundo e nos fazem pensar que o mundo podia desabar ali e agora, que naqueles braços, nada nos acontece.
Também gosto de ti e quase me apetece acrescentar um "meu palerma", porque isto não pode ser assim. Gosto de ti. Gosto que tenhas entrado na minha vida e não te quero deixar sair.
A próxima vez que te vir, vou-te dar um abraço. Valente. Nada como o dos irlandeses que é só ali, ombro com ombro, palmadinha nas costas, toma lá, que já levas daqui.
Um abraço daqueles. Que não deixam palavras por dizer, nem post por escrever. Que nos deixam calados, olhos nos olhos, a imaginar o que vem a seguir.
Talvez me aproveite de ti. Talvez toque ao de leve na tua face. Talvez deixe os teus lábios sentirem os meus. Só ao de leve. Cantinho com cantinho. Para saberes o que quero de ti.
A próxima vez que te vir, vou te dar um abraço e descobrir logo e ali, se vale a pena, Se és uma bomba como dizes ou se beijas como no cinema (não era suposto esta coisa rimar e ficar ainda mais lamechas).
A próxima vez que te vir, vou-te dar um abraço, vou encostar a minha cabeça ao teu ombro, encostar a minha cara à tua, sentir o cantinho dos teus lábios nos meus. E vou ficar-me por aí, dar meia volta e fugir. Só para saberes que te quero a ti.

Resumo da semana

- renato seabra condenado pela morte de carlos castro. Por esta é que eu não esperava;

- luciana abreu e djaló cancelam divórcio. Os tempos são de crise e há que poupar uma casa;

- margarida rebelo pinto publicou um conjunto de folhas encadernado, cuja a capa diz "O amor é outra coisa". Erro de impressão. Afinal, aquilo chama-se "um livro é outra coisa";

- arrumadinho pousou o cão no chão;

sábado, 1 de dezembro de 2012

De vez em quando, também a pouso no chão

Mas ela gosta mais do sofá.

So badly

Há coisas que se nos entranham na pele.

Nem sempre o real e presente é o que nos realmente atormenta. São parêntesis do passado e não escolhas do futuro.

Aperta-se-nos o peito quando tudo nos chega sem se anunciar. Aperta-se-nos o peito depois do adeus.

Nada disto faz sentido.

são só palavras.

À conversa com as minhas amigas

"aquilo é uma excitação só de me ver. Nem dorme. Chega a acordar às 4h da manhã, só para pedir brincadeira. Ando que nem posso."

Obviamente, estou a falar da cadela.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Eh lecas

Eu não sei porque é que não leio o tal blogue mais vezes. Afinal, aquilo é tão giro. Quizilias com dinheiro, videos a dançar, levar o cão à rua e, atentem bem, pousá-lo no chão. Estou orgulhosa. Estás quase um homenzinho. Pousar o cão no chão, não é para qualquer um. Qualquer dia estás a queimar as calças vermelhas. Arrumadinho ao poder!

É preciso dizer mais?

Do longo post que escreveu o arrumadinho, sobre a aparente polémica do dinheiro e mais não sei, a única frase a reter é esta:

"Então, fica já aqui acordado, que eu pago os 15€ a quem me enviar histórias e me exigir o dinheiro."

Ele não paga a quem lhe enviar as histórias. Ele paga a quem enviar e EXIGIR.
Perdem-se tantas oportunidades para se estar caladinho.
E o IVA, meu menino? Tu vê lá essas contas.

Pior a emenda que o soneto

A minha mãe descobriu a blogosfera. Desengane-se quem algum dia pensou que alguma blogger tinha já esgotado o potencial para angariar mais leitores. Hoje foi um cão, amanhã será o mundo.
Desde que apareceu o raio do cão, as minhas conversas telefónicas que, supostamente, me ajudam a manter-me ligada a esse lindo país, chamado Portugal resumem-se à opinião que a minha mãe vai desenvolvendo sobre uma tal de pipoca, um tal de arrumadinho e um tal de manolo.
Diz a minha mãe que a pipoca arranja-se muito bem. A minha mãe diz que alguém se arranja muito bem, da mesma forma que algumas pessoas quando questionadas sobre a estética de alguém, explicam que era simpática.
Acha também a minha mãe que eles não gostam lá muito do cão. Não lhe ligam nenhuma. Em vez de se porem a por fotos de tamanha beldade, põe deles próprios. Ou muito me engano, ou qualquer dia, a pipoca está a levar com telefonemas como os meus "ah, rapaste o pelo da cadela, atrás das orelhas e não se nota nada? Manda-me uma foto", ela treme de frio e por isso compraste-lhe uma camisola muita paneleira que nem no pior juízo lhe vestirias em Portugal? Manda foto".
Diz também a minha mãe que o manolo gosta mais do arrumadinho que da pipoca. Mas já castraram o cão? Ah, é verdade, levaram-no a um mercado, sempre ao colinho, porque não podia andar na rua e qualquer jornalista deste gabarito, leva a coisa à letra. Depois, foi só mostrar-lhe o video do gajo a dançar no gelo. Aquele que ele acha que a malta achou muita piada porque ele cai e não por causa daquele jeitinho de anca.
Como disse a secretária executiva, um gajo com coragem para pôr aquele video ao escrutínio dos outros, merece o meu respeito. Já quem casou com ele...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Como isto está

Eu - e então, mandei um mail ao sr. Xptozh.
Outro - que escreveste no mail?
Eu - qual mail?

Drama queen

Eu sou a maior drama queen de que há memória.
Sempre fui uma mariquinhas. O meu pai conta que mostrei medo, logo no dia que nasci, refutando todas as teorias de que o ser humano só tem medo quando começa a ter consciência não sei do quê, a uma idade qualquer, bem mais avançada que a minha.
Não faço desportos radicais, porque tenho medo, sou má condutora porque tenho medo, evito flirts e afins porque tenho medo. Eu sei que este blogue não mostra isso. O que é que eu posso dizer, é um instinto que luta contra o outro e é precisamente isso que faz de mim a maior drama queen do mundo.
No preciso momento que decido que gosto de alguém, tenho um medo pavoroso. Não sou perfeita, nem sempre tenho sentido de humor e, às vezes, sou um bocadinho ciumenta. Estou mais gorda, tenho celulite e nem sempre o meu cabelo me obedece. E tenho um medo pavoroso que a pessoa do meu apreço descubra todos os meus defeitos.
Por isso, gajos da minha vida, este é um clássico caso de "o problema não és tu, sou eu".
Vulnerabilidade também me assusta. Sou uma chorona, que já chorou à frente de toda a gente, mas que odeia esse facto. Se alguém me perguntar se estou triste, vou imediatamente responder "ora essa, estou aqui tão contente, oh pra mim a fazer piadas". No momento em que perceber que pode haver outra pessoa "no pedaço", enquanto a minha mente grita "pick me, pick me", o que eu vou verbalizar vai ser um "mas nós somos só amigos, qual é o problema?". Dizem aqueles que me conhecem mesmo, mesmo bem, que sou uma brutinha. Que se alguém me pedir boleia, vou atirar logo com um "apanha um autocarro", só pelo facto de haver ali uma atracçao sexual da minha parte. E se eu sou menina para dar boleias, oh se sou.
Como tenho dificuldade nessa treta da vulnerabilidade e de mostrar um simples "gosto de ti", tento mostrar de outra maneira. Quando não acho que está escrito na minha testa. Sim, também tenho a mania que as pessoas adivinham. Fico em estado de choque se alguém me diz "mas tu não fizeste nada!". Não fiz nada? E as horas que pensei no assunto? E os cenários que imaginei? Devo acrescentar aqui, que entretanto, fiquei-me pelo pior cenário. E desta complicaçãozinha interior, que tem motivos de ser, mas que ninguém tem que levar com eles, surgem os dramas. Os mal-entendidos. As confusões. O grito "por favor, faz-me como nos filmes, entra por aquele aeroporto e resgata-me desse voo que para sempre nos separará". E não há pachorra. E eu estou cansada. E se a própria drama queen está cansada...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Caros amigos

Quando fiz o meu primeiro amigo gay, senti-me uma gaja muita moderna. Imaginei-nos a discutir out-fits, penteados e outras técnicas que tais para maravilhar o género masculino.
Concerteza aquele não seria o meu primeiro amigo com tal escolha sexual, mas era o primeiro que assumia, que contava as histórias na tropa e explicava o famoso mito do radar. E eu deixei-me deslumbrar.
Pois, deixem-me que vos diga, a realidade não é como nas novelas.
O meu amigo gay veste-se mal, não me sabe dizer se o rapazinho que me deixou com dúvidas está dentro do radar, ou não, e fica-se mesmo só pelas histórias na tropa que nunca mais acabam e basicamente são iguais às nossas. Flirt, encontro, beijinho e pumbas. Sendo que pumbas significa que ou se inicia uma relação ou fica-se pela night-stand.
Depois de todas estas desilusões, tive o infortúnio de perceber que estes gajos têm, ainda, oitro grande defeito. Os gajos acham que nos podem tocar à vontadinha. Ele é mão na cintura, palmadinha no rabo, ele é dançar na versão americana, espeta lá o teu rabinho e esfrega-o aqui.
Oh meus amigos, o facto de nós sabermos que vocês não nos vêm dessa forma, que não vos cresce o entusiasmo, nem vão para casa com ideias, não muda um simples facto: nós sentimos na mesma.

Notas soltas

Quando eu gosto de alguém, não há quem me pare. Ja falei sobre o pino, cuspir fogo e outras metáforas que me sairam geniais. Ele é mensagens, ele é pôr-me a jeito para um convite, "vais ver o jogo do Porto? Já te disse que adoro futebol e o Pinto da Costa é o meu pai?", ele é todos os pretextos e mais alguns.

Eu e todas as gajas temos o chamado síndrome de Nothing Hill, em que acreditamos que, no momento em que estivermos a dar uma conferência de imprensa bué importante, nos vai aparecer o Hugh Grant, a fazer uma pergunta qualquer que já não me lembro, mas que era muito enternecedora. Enquanto chamam e não chamam para a tal conferencia, contentamo-nos com o drama, em forma de sms. "dói-te o dedo mindinho? Que queres dizer com isso? É alguma indirecta. Acho que é melhor encontrarmo-nos, que por mensagem não nos vamos entender".

Todos os gajos que me rejeitam, arrependem-se. Pronto, confesso, só alguns. Ok, foi só um. Aquele que teve um acidente, ficou um mês em coma e sem fazer puto ideia qual era a diferença entre o que tinha acontecido há 3 dias ou há 3 anos. Aparecemos, juntas, pela porta daquele hospital dentro, eu e a actual e demos-lhe cabo da cabeça. Ele acordou a achar que eu era a namorada que sempre quis. Também acordou a achar que tinha sido forcado toda a vida e que tinha um cavalo preto. Faz sentido, no fundo, são 3 coisas que qualquer um almeja na vida.

Isto no fundo, não são notas soltas nenhumas, estão bem juntinhas, a contar uma mesma coisa. Que eu sou muita boa, que isto, num blogue, pode-se tudo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Não consigo

Nunca tive pretensões que este fosse um blogue genial, nem que tivesse muitas visitas. Uso-o como catarse, para dizer algumas piadinhas e para desenvolver teorias de alguidar, como a dali de baixo, da picada de mosquito.
Esse é um dos motivos pelo qual gosto de manter algum anonimato e não faço grande esforço para ter mais visitas, para nunca me sentir condicionada.
Muitas das coisas que escrevo, são coisas nas quais penso durante 5 minutos e venho aqui despejar. Às vezes, são piadas que me fazem rir a mim, às vezes melodramas que enfio na cabeça, outras vezes teorias que nalgum momento me pareceram fixes.
Isto dá-me prazer. Não sendo um reflexo fidedigno de mim, já é parte de mim.
Hoje trabalhei uma catrefada de horas seguidas, a um ritmo muito intenso, não tive tempo de vir almoçar a casa, nem passear a cadelinha mais linda do mundo, mas com a bexiga mais pequenina do mundo. Vinha cansada e zangada. E por isso, vinha já ao blogue escrever este post, mas em versão "venho com tudo e saiam-me da frente". Tinha noção que estava demasiado cansada para ter algum discernimento e não cometer injustiças, mas é para isso que este blogue me tem servido. Amanhã, já tinha passado e era menina até para me arrepender do que tinha escrito.
Não costumo arrepender-me do que ponho aqui. Seja um post mais pessoal, seja uma história que ouvi e que gosto de contar na primeira pessoa (ou não, tem dias), seja uma treta qualquer sobre a minha Balti.
Quem lê o blogue, já sabe que isto anda mouro novo na costa. Ando práqui encantada com um tal de OMD (para quem chega aqui de novo, OMD é objecto do meu desejo, mas também podia ser oh meu deus, que é aquilo que me apetecia gritar, quando se atira à estrada, sem ver se vêem carros). E esse OMD, volta e meia, vem cá espreitar. E eu gostava muito de o impressionar com metáforas e aforismos. Isto leva a que eu passe a pesar e repesar o que escrevo. Porque não é genial, porque pode ser interpretado mal, porque até já deu origem a mal entendidos. E isso, tira-me um bocadinho do prazer que tenho nisto. Para ajudar à festa, não sou correspondida na mesma medida. E qualquer um sabe, o gajo pode ser um anjo, só ter esse defeito de ainda não ter percebido que somos a ultima Coca-Cola no deserto, que, ainda assim, nós, de vez em quando, vamos ter vontade de vir práqui chamar-lhes nomes, receber uma palmadinha nas costas e ir à nossa vida, convencidíssimas que eles são mas é todos iguais e nós é que somos especiais de corrida.
E era mais ou menos isso que eu vinha aqui fazer. Vinha interromper a tal pausa, para despejar as minhas frustrações e mandar pócaralhinho quem me arrepiasse caminho.
Ao chegar a casa, percebo que a bexiguinha da minha menina estava aguentar-se melhor à bomboca que eu. Peguei no telemóvel português e vi uma mensagem de alguém que me é muito especial, a pedir que não alongasse esta pausa. Vim ler os comentários e tinha três a desejar que voltasse. Perdoem-me as outras meninas, que muito contribuíram para este post, mas um deles foi-me um bocadinho mais especial, por ter sido feito pela Rita Maria que é daquelas pessoas que me faz pensar "quando for grande quero escrever assim". Finalmente, fui cuscar o facebook e vi que alguém tinha partilhado um dos meus posts, que é daquelas coisas que nos faz sentir um Fernando Pessoa em pequenino, só porque é o rei das citações facebokianas.
E assim, decidi não fazer pausa nenhuma. Não consigo. Gosto disto. E a quem enfiar a carapuça com os meus posts, para a próxima, pergunte.
O link ali em baixo, que diz comentários, é a serventia da casa. A clara responde.

domingo, 25 de novembro de 2012

Uma pausa

Já tenho andado a ameaçar há uns tempos e acabo por nunca o fazer. Preciso de uma pausa.
Quem me conhece, sabe que tenho um defeito, quando meto uma coisa na cabeça, dificilmente ma tiram. E eu meti uma coisa na cabeça e o resultado será o obvio, o mesmo de sempre, eu vou conseguir.
Meti uma coisa na cabeça e, na verdade, tenho feito uma coisa muito foleira para atingir o meu objectivo, tenho utilizado o blogue para esse fim. E isto das palavras tem muito que se lhe diga. Se num dia conseguimos escrever algo brilhante e obter uma reacçao que supera as nossas expectativas, no outro, ou porque estamos menos inspiradas ou menos seguras, o mesmo não acontece. E o pior é que, esta coisa das palavras, atormenta-me a mim, mais do que a qualquer outra pessoa. Vira-se o feitiço contra o feiticeiro. E não é saudável.
Tenho muita coisa para dizer. Tenho sempre. Mas ando aqui demasiado focada num determinado tema, no qual sou muito melhor ao vivo e a cores. Sobre o qual também tenho muito a dizer, mas lá está, sei que o farei melhor, pessoalmente.
Tirando isso, falta-me o assunto. E é por isso que, até arrumar esta cabecinha, vou ficar calada (aqui, que isso de ficar calada na vida real é demasiado esforço para mim).
Volto em breve. Prometo.

Depois passa

Estou convencida que esta coisa de gostar de alguém é como a picada de um mosquito. Desculpem-me a falta de romantismo, mas isto é mesmo assim e o romantismo foi uma cena que se inventou para que Adão e Eva se resignassem ao facto de não poderem pular a cerca, porque também não havia ninguém para fazê-lo. Isto é um jogo que uns jogam com mais mestria que outros. Há uns acrobatas, verdadeiros artistas de variedades, capazes de porem ao lume, situações paralelas, deixá-las em banho maria, até terem ou poderem fazer uma escolha e irem pelo mais conveniente. E, alguns, têm ainda a capacidade de nos porem a consolá-los por se prestarem a uma situação tão constragedora como explicarem-nos a estratégia do lume brando e agora terem que o apagar porque que lhes interessa mais (que pode ser ou não mais interessante. Atenção, auto-estimas desta vida, que, no fundo, no fundo, não é disso que se trata) a outra situação. Estes são os piores, aqueles que depois de nos darem uma tampa, ainda nos poem a dizer que foi muita divertido, temos que fazer isto mais vezes, para a próxima com alcool, que ainda é mais giro.
Mas dizia eu que é como uma picada de mosquito. E é mesmo. O gajo pica-nos, deixa ali um altinho e a coisa faz-nos comichão. E quanto mais nós coçarmos, mais comichão vai fazer e lá ficamos nós com uma vontade doida de nos atirarmos aos seus braços, escrever posts sobre as nossas melhores performances e ainda fazermos brochuras sobre as vantagens dum update às suas vidas. Obviamente, isso será sempre o que seremos, um update. Mesmo que sejamos como aquela versão do windows que afinal tinha mais bugs e que rapidamente teve que ser substituida. Enfim, seja como for, não é o meu caso. Não se iludam. La créme de la créme, é onde me incluo.
Se não coçarmos, a coisa passa mais depressa. Há que ter disciplina e há umas que conseguem. Deixam de mandar ou responder a mensagens, deixam de ir ver aquela foto, no facebook, onde o gajo está giro, mas giro e o raio do formigueiro até se nos sobe à cabeça e a coisa lá passa. Se coçarmos, também passa. Demora mais um bocadinho, dói mais um bocadinho, mas, eventualmente, passa. E eu não sei porque é que a malta ainda não percebeu isto e vem parar a este blogue, à procura da resposta à pergunta "como curar um desgosto de amor". Mas cá estou eu, benfeitora dos corações despedaçados, para vos explicar. É um prazer.
Agora, vou só ali ao facebook, coçar mais um bocadinho. Depois passa, qualquer dia passa.

sábado, 24 de novembro de 2012

Na garantia

Quem é que quer uma ex-namorada?
Desculpem-me que vos diga, mas as namoradas são como os electrodomésticos, se dão problemas logo ao inicio não haverá muito a fazer, o resto é negação. Lá se arranjam nuns primeiros tempos, arrastando a coisa e conseguindo que torçam uma ou outra máquina, até acabar a garantia e deixarem de torcer de vez. Uma namorada nova é um risco. Nunca se sabe se pertence ao mesmo lote e não virá a dar problemas semelhantes. Um tiro no escuro. Mas dá-nos logo outra confiança. Se for uma boa namorada, trabalhadora, virá cheia de pica para arregaçar mangas e mostrar quem é que sabe. Nos primeiros tempos é um tal torcer de roupa como se não houvesse amanhã. Com sorte, traz botões diferentes e não me venham com coisas, não há gajo que não aprecie experimentar botões novos e ver se funcionam. Isso é um básico que vem no livro dos gajos para totós. Se for duma gama mais alta, é capaz de ter mais funções, que podem ser relevantes ou não. É questão de experimentar.
Vendessem-lhe, os irlandeses, miudezas e esta que vos fala, estaria a arregaçar mangas, torcer roupa e, ainda, a preparar uma canjinha para OMDs desta vida, que se apresentam doentes. Se isto não é topo de gama...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Back to basics

A minha mãe jura que eu sou a pessoa mais distraída do mundo, mas isso é porque ainda não conheceu aquele que, por não me apetecer revelar nomes, vamos passar a chamar de objecto do meu desejo. Objecto do meu desejo, parece-me um nome fixe, que ainda não vi nenhuma blogger usar e que pode ser resumido ao acrónimo, OMD, que me faz pensar, também, em Oh Meu Deus, que é aquilo que me imagino a gritar-lhe, entre outros momentos, cada vez que se atira à estrada, sem ver se vêem carros.

Pois que o OMD distrai-se com a mínima mosca que lhe passe à frente dos olhos, mesmo estando perante a coisa mais interessante do mundo e eu não sou excepção.
No nosso primeiro encontro, estávamos num bar, e, deve ser algum hábito irlandês, estava um senhor a fazer de baloiço humano, no meio do chão, com um puto de dois anos. Tanto balançou, para ali e para aqui, que está visto que perdi o OMD, nesse preciso momento. Tive que fazer o meu melhor pino, para o ganhar de volta.
No nosso segundo encontro, tive a sorte de avistar primeiro, um senhor com uma barba e um cabelo tão brancos e tão grandes, que parecia um algodão doce, com um narizinho de fora (tenho que começar a sair de casa com a máquina a postos). Lancei logo ali, três bolas no ar, que pus a rodar, sem deixar cair e lá me safei.
No terceiro encontro, íamos a passear na rua quando avistámos 4 meninas a fazer alongamentos à beira rio. Ali estavam elas, de rabo espetadinho, a esticar articulações. E um rabo espetadinho é logo um deleite para a vista deste meu OMD. Quatro, nem vos conto. Foi nesse momento, que fiz a roda, um mortal e ainda cuspi fogo. Ali, pronta para qualquer contingência.
Diz que agora, anda por aí outra acrobata, capaz de profecias extraordinárias, tipo apanhar um avião. Pronto, eu, já era.
E só então me ocorreu a minha melhor acrobacia. A que me esqueci de fazer. A cambalhota.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Querida avó

Lamento informar-te mas as doze passas que engoliste, ao passar a meia noite, não deram resultado. Está o ano a acabar e em vez dos doze namorados que eu achava que iam resultar desses teus 12 desejos tive apenas... Zero.
Posto isto, resolvi que talvez devesse seguir mais os teus conselhos. Está decidido, vou aprender a bordar e, porque o ano ainda não acabou e a esperança é a última a morrer, esta semana, vou despedir a empregada e dedicar-me à lida da casa. Mas só depois dela me passar a ferro aquele vestido que até engana os mais atentos, que, como tu bem dizes, não é com vinagre que se apanham moscas.
Estive a ler os apontamentos que me deixaste e olha, avó, eu e a minha cabeça no ar, tinha percebido que eles tinham que fazer tudo o que eu quero e, afinal, não, afinal, eu é que tenho que fazer o que eles querem. Devias ter frizado melhor essa parte. Eu bem lhes dizia, tal e qual como faço à cadela, "fica", "busca", "rebola" e "traz traz". Eles, às vezes, até rebolam que é uma maravilha, também buscam que se farta, mas não ficam. É virar costas para ir à casa de banho e já buscaram outra coisa qualquer.
Também estive a ler a happy e não é que concordam contigo? Também falam da importância da cama. Por isso, avó, até tenho medo de te dizer isto, não vá o teu peito inchar-se demasiado de orgulho, mas tenho ali os lençois tão bem, mas tão bem entaladinhos, que é um primor.
Quanto ao cozinhar, como sabes, isso nunca foi um problema. Mas tenho tentado manter a cinturinha de vespa, como me aconselhaste e diz que eles não gostam muito de verduras. Se calhar, tenho que fazer como tu fazes ao avô, pelar e tirar as graínhas ao tomate. A happy também falava na importancia do tomate e de como o mesmo não deveria ser descurado.
Esperança avó, não percas a esperança, que esta neta que fala, está no bom caminho.

domingo, 18 de novembro de 2012

Queria um Pablo Neruda na minha vida...

Não para me escrever coisas destas, mas, sim, para fazê-las.

O anão

Este gajo, ás vezes, acerta em cheio.

Balanço

Na verdade, este blogue já me trouxe muita coisa boa. Para grande surpresa minha, já que o uso para descarregar muito disparate que me passa pela cabeça e porque nem sempre tenho cuidado com a ortografia e a gramática e saem erros que se os meus pais vissem, punham-me logo de castigo, mesmo aos 32 anos.
No meu primeiro ano de Irlanda, fiquei aqui retida no Natal. Nevou que se fartou e cancelaram os voos até dia 26. Vim ao blogue fazer um choradinho e recebi dezenas de e-mails que me acompanharam durante a consoada.
Mais tarde, criei um perfil no facebook e, por essa via, recebi um mail dum jornalista, a contar que me tirava o chapéu (confesso que nessa altura escrevia com um pouco mais cuidado, é só ir ali aos arquivos, lá em baixo e comprovar).
Às vezes, passam-me pela cabeça aquelas cenas que ninguém no seu juízo normal, às paredes, confessaria e recebo comentários ou e-mails de gente que se identifica. É tãaaaaoooo bom.
Tive uns problemas no meu primeiro ano de Irlanda e fiz disto uma página de melancolia que pouco interessaria a outros ler e o número de seguidores, que até não é grande, continuou a aumentar. Recebi mails de força, de gente que também está fora e percebia. E isso ajudou tanto, na altura que estive 6 semanas, enfiada em casa, doente.
Recebo muitos mails sobre esta coisa de emigrar. Gente descontente com a situação em Portugal e que também pensa dar o salto. E eu adoro. Gosto de passar o meu know how, de ter um pretexto para voltar a enumerar as vantagens e as desvantagens.
Ás vezes, ajuda-me a manter o sentido de humor. Momentos há em que é completamente impossível, mas, a verdade é que, muitas vezes e porque gostaria de fazer disto mais uma cena humorística que outra coisa, faço um pequeno esforço e faço o que na verdade sempre fiz, aqui ou fora de aqui, vejo a parte engraçada da coisa.
Também me trouxe coisas más, como o tuga que também estava aqui na Irlanda e que conheci através do blogue e me deixou pendurada para ir dar os beijinhos à espanhola. Momentos houve, em que também me trouxe mal entendidos. As palavras são uma coisa muito mais forte do que aquilo que, às vezes, pensamos e eu, com história do humor, das metáforas ou dos aforismos, esqueço-me um bocadinho do peso da mensagem que estou a passar.
Tenho tendência para o melodramatismo. É o meu estilo e a minha melhor e pior qualidade. Nunca pensei em mudar essa característica porque acredito que, quando estou virada para o humor, é a minha melhor arma. Se eu dissesse que tinha tido arritmias, em vez dum quase ataque cardíaco, no ginásio, que piada é que tinha?
A verdade é que, fazendo um balanço, este blogue, mesmo passando despercebido, mesmo tendo uma média pequena de visitas trouxe-me muitas coisas boas. O balanço é positivo. É para continuar.

sábado, 17 de novembro de 2012

Nem tudo está perdido

- esta foi uma semana repleta de boas noticias. Uma bem grande a nivel profissional, outra relacionada com a melhor das amigas es, bolas, bem maior que a minha;
- descobri como fazer desaparecer do google reader post escritos em condições pouco recomendaveis, como às tantas da manhã, depois de uma noite copos. Eu achava que o reader que era a cena que guardava tudo ad eternum;
- matei saudades de duas amigas através das maravilhosas novas tecnologias;
- não ganhei o jantar mistério, mas mesmo assim ganhei um voucher num sorteio que para lá fizeram;
- aparentemente, devo ser a que deveria ter ficado com a maior dor de cabeça (ler post anterior),
tendo em conta a quantidade de mensagens que recebi hoje. Ainda não sei se isso é bom ou mau, mas, pronto, a pessoa hoje até se sente popular;
- comi Nutella.

Para este dia ser perfeito, só me faltava poder, também, apagar mails escritos, na manhã seguinte ao consumo de alcool, muito provavelmente, ainda sob o efeito do mesmo. Eu não dizia que acabava sempre por dizer a coisa errada. Pois.

Como é que eu não me lembrei disto mais cedo?


Qual é a cena ideal para alguém que acabou a caixa da pilula há três dias e bebeu muita vodka há um?

Afinal de contas, qual é a cura para todos os males?

Sempre a aprender

Ontem, tive um jantar da empresa. Um murder mistery night, que é um daqueles jantares mistério em que temos que adivinhar quem matou não sei quem.
A coisa começou logo mal, uma vez que, por motivos que agora não interessam nada, eu, inicialmente, tinha decidido não ir e por isso, nunca li os mails enviados sobre assunto. Quando decidi ir, lá dei o meu nome, mas esqueci-me de ir ler os mails outra vez. Isto significa que eu nunca percebi que havia um dress code. E que, havendo, nem sequer era uma cena para se ir, simplesmente, bem vestido. Só no próprio dia, quando ouvi as gajas todas a falar no assunto, é que percebi que as gajas tinham que ir à anos 20 e os gajos de gangsters. Eram praí umas 5h da tarde e tínhamos que estar prontas às 6h. Valeu-me o facto das irlandesas adorarem bandoletinhas e peninhas e adornos que não lembram ao diabo em Portugal, o que fez com que conseguisse engendrar qualquer coisa, no supermercado mais próximo. Ainda assim, longe de estar a rigor como todas as minhas colegas, que levavam vestidos a preceito, meias a preceito, perucas ou ondinhas como se faziam na época. Mas pronto, levava uma pena na cabeça e dei-me por contente.
Como o jantar era numa casa em carcanhois de cima, tivemos que apanhar um autocarro. Devo dizer que os irlandeses não param de me surpreender. Aquela gente apareceu toda com sacos e saquinhos que eu não fazia ideia o que traziam. Pois aquela gente levava já bebidas para beber no autocarro, que isto se é para beber, o melhor é começar quanto antes. Uns levavam vinho, outros cervejas e a velha guarda, armados em mais finórios, para condizer com a farpela, levavam champanhe. Houve rolhas a rasar a cabeça do motorista e muito champanhe entornado pelos chão e pelas ditas farpelas.
O jantar foi mais do mesmo. A cena do mistério foi uma seca, com maus actores a fingirem que andavam à briga e a meterem-se connosco e depois, lá tocou uma banda, e ficou tudo doido.
A minha equipa não adivinhou o raio do assassino graças a mim, que como percebo muito de horóscopos, não fazia ideia que o signo virgem em ingles, diz-se virgo e não virgin e por isso, achei que a pista que dizia, as estrelas dizem que eu sou virgem, era bastante óbvia e mostrava que o assassino tinha nascido em Setembro. Ficou tudo muito impressionado e, no final da noite, quando fomos reler uns apontamentos que o estagiário tinha ficado incutido de escrever, se resumiam a todas as calinadas que eu tinha dito. Não foi bonito ver assim, escrito, tudo o que eu tinha dito e perdemos. A cena do signo era a única certa.
No autocarro de volta já ninguém bebeu, mas toda a gente cantou musicas irlandesas que eu não conhecia de lado nenhum.
Hoje, estão todos orgulhosíssimos, a medir a intensidade das dores de cabeça, no facebook.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

E depois a mariquinhas sou eu

Uma gaja vem aqui ao blogue, peito aberto, descrever o que se passa nas nossas cabeças, passa a manha a receber mails, ah e tal, percebo-te tão bem, também sou assim, tal e qual e pardais ao ninho, mas um comentariozinho, ali em baixo, para inglês ver, nepias. Nada, niente, zero.
Fraquinhas.

Dicotomias absolutamente normais

Conhecer uma pessoa do sexo oposto, achá-la fixe, sentir empatia, decidir ali e agora que se fez um amigo para a vida. Um amigo, só um amigo. Conhecer um pouco mas dessa pessoa e ter vontade de lhe dar uns amassos, não desses suas mentes porcas, daqueles que dou à Balti, que até a estrafego. Pronto, admito, desses também, que é dessa merda que isto se trata, atracção. Amassos? foda-se, tenho que fazer abdominais, voltar à zumba. Está mas é quietinha, quais abdominais, qual porcaria. Amigos, só amigos. Grandes amigos. desses que daqui a uns pedem conselhos, discutem trabalho e bebem vinho verde. Talvez com benefícios. Benefícios,?foda-se, mas essa cabeça não pára? Benefícios é o que te confunde, é o que estraga tudo. Merda, vais fazer merda. Outra vez. Como sempre. Amigos. Amiga sabes ser. És uma amiga bem fixe e com muito menos complicações. Bem mais segura.
Escrever posts, apagar posts, re-lê-los no reader. Escrever este post assim muito depressa, tipo furacão, entre dois e-mails e um ficheiro de excel que nunca mais acaba. Depressa, bem depressa, pode ser que assim, ele não leia. Que não fique já a perceber que és a gaja mais complicada do mundo. Amigos, só amigos, bem simples.
Ter esperança que alguém venha ler e explique, "complicada? Nãaaaaooooo. Somos todas assim. Tu tens é uma capacidade extraordinária de o verbalizar". Sonhos, sonhos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Conduzir à esquerda

No total, acho que tive 60 aulas condução e 3 instrutores diferentes.
Tirei a carta numa escola no campo pequeno e, ainda hoje, acho que esse foi o grande problema. Aquilo era muita perigoso. Um movimento, ui! E eu, sem nunca ter pegado num carro, fui logo ali atirada aos bichos. Levava uns 20 minutos só para sair da garagem. Achava sempre que não dava tempo, mesmo quando não vinha nenhum carro. E não dava mesmo. Aquilo era bué difícil, tinha que olhar para o passeio, para a estrada, pôr uma mudança, controlar o carro com a embraiagem. Ufa, só de me lembrar, já estou cansada.
Na segunda ou terceira aula, o estúpido do instrutor, disse-me que não gostava de mim. E depois? Quem disse que eu gostava dele? Pronto, pedi à escola para me mudar de instrutor.
O segundo era meio maluco. Explicou-me que não tinha profissão. Que se fartava das coisas e estava sempre a mudar. Que antes trabalhava numa câmara municipal e era uma merda. Ao fim dumas aulas, levou-me para um cruzamento difícil. Cada sentido tinha duas faixas e não havia semáforos. Não dava, é que não dava mesmo, para me meter. Ainda por cima era para virar à esquerda. Que merda. Tinha que atravessar quatro faixas. Isso é uma eternidade. Os carros, quando apareciam, vinham a abrir, 20/30 km/h, o que poderia provocar um acidente daqueles.
O instrutor gritava-me:
- vai agora, vá agora, porra, porque é que não te mexes, não vem ninguém, bora, bora, bora.
E eu, só respondia:
- não consigo, não consigo, não consigo.
Já quase a chorar.
Quando, finalmente, lá passei o cruzamento, o instrutor, continuava a gritar:
- pára aqui, pára aqui, pára já.
- mas é proibido.
Com a insistência dele, lá parei. Viro-me para ele e já só dou com a porta do carro escancarada. O gajo deu de frosques. E deixou-me sozinha com o carro da escola, ali no meio de nenhures. Pronta, era no meio de Lisboa. Lá para os lados do Areeiro ou coisa que o valha, mas isso eu não sabia. Porra, o que é que eu faço, pensei eu. Passado uns minutos que pareceram eternidades, o homem lá aparece, maço de tabaco na mão. Diz que já não fumava há 2 meses.
Fraquinho.
Na semana seguinte, vou para a minha aula e fico a saber, o gajo tinha-se despedido. Disse à escola que não aguentava.
Lá tive um terceiro instrutor. Este era bem fixe e não se chateava minimamente por percorremos juntos, as ruas de Lisboa, em segunda.

Isto tudo para explicar esta coisa de conduzir à esquerda, na Irlanda. Não é assim tão difícil. Depois de duas ou três rotundas em contramão, a pessoa habitua-se. De resto, sinto-me em casa. Aqui não se ultrapassam limites de velocidade, pára-se em todos os amarelos, dão-se prioridades. Temos tempo. É fixe.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Uma irlandesa em biquini



Não, não é essa, é a outra.

Voulez vous?

Hoje comprei um livro que se chama "I suck at girls". Ia comprar o "quando casares a tua mulher vê-te o penis", mas estava esgotado.
Inspirada pela piada que o autor destes livros tem, vinha já toda lampeira escrever aqui um post sobre os meus infortúnios e a minha parca capacidade para jogos de sedução. E, na minha cabeça, já havia titulo para o post e tudo. O mesmo da primeiro livro, mas adaptado à minha realidade, que é gostar de homens.

Pois. Depois percebi o que ia escrever. É disto que falo, a minha capacidade para dizer a coisa errada, à hora errada. Vou ficar calada.

Vou mudar o mundo

Andei com um irlandês que me disse que o mais gostava numa gaja era que fosse funny. Funny? Eu sou funny! Sou a portuguesa mais funny que já conheceste. Só depois de fazer dieta percebi que funny era eufemismo. Para gorda. Um dia fomos sair, fui à casa de banho, quando voltei, estava atracada a uma gaja de 90 quilos.

Conheci um português que me disse que não tinha interesse nenhum nas irlandesas. Eu não sou irlandesa. Posso ter a pela clara como a das irlandesas, um pai com sardas como os irlandeses, mas digam o que disserem sou portuguesa. Um dia fomos sair, fui à casa de banho, quando voltei, estava aos beijos com uma espanhola.

O meu ex-namorado costumava dizer que gostava de gajas maduras. Bolas, como é que consegui enganá-lo? Um dia fomos sair, fui à casa de banho e fiquei a saber que me andava a trair com uma gaja 10 anos mas velha.

Claramente, vejo aqui um padrão e tenho que tentar quebrá-lo. Putas. Estou rodeada de putas. A puta da velha, a puta da espanhola, a puta da gorda.

Coisas que não interessam a ninguém

A minha cadela, se lhe tirar a trela num sitio que não conhece, começa a tremer.
Percebe muitas das coisas que lhe digo. Se lhe disser "vai para a caminha", vai. A chorar, mas vai. Se lhe disser que vou dar um abracinho, foge.
Ensinei-lhe uns truques e ela decorou a coreografia. Ainda lhe estou a pedir para sentar, já ela deu a pata, a outra, deitou e já está a rebolar. Deita só a cabeça para se despachar mais depressa.
Veio despenteada da tosquia. Afinal, quem sai aos seus, não degenera.

Agora, diz-me, mãe, esse tal manolo, cujas fotos, não páras de ver, em blogue alheio, faz alguma dessas coisas?

domingo, 11 de novembro de 2012

Decisão de vida depois do visionamento de um excelente filme

Nunca mais como gomas. Nunca mais como gomas. Nunca mais como gomas.

Questão pertinente

Quem me conhece sabe que eu e exercício físico não andamos de mão dada. Fixe esta expressão. Obviamente, ninguém anda de mão dada com o exercício físico, mas a verdade é que há muita coisa que, se eu pudesse, se tivesse mãozinhas, eu daria logo a minha. Pois ao exercício físico, nem um abraço de misericórdia, que é aquela coisa que quase sou incapaz de negar.
Mas tudo tem uma razão e a verdade é que eu tenho um trauma. Uma daquelas coisas que nos marca para a vida. Não é por ser preguiçosa, nem nada disso. Não me subestimem, sff.
Quando comecei a trabalhar, ao lado do meu escritório havia um ginásio duma daquelas cadeias consideradas finórias, só porque nos dão uma toalha limpa, se lhes dermos 10% do nosso ordenado. Andava tudo doido com aquilo. Que era o melhor ginásio, que era o maior. Infelizmente, as pessoas ainda acreditam que tamanho é qualidade. Uma pena. Enfim, depois daquele alarido todo, eu lá resolvi experimentar.
Na altura em que me fui inscrever, havia uma promoção qualquer, que oferecia um check-up médico e umas aulinhas com um PT. Eu, na altura, ainda acreditava que PT era personal trainer.
A coisa começou logo mal com o check-up médico, que de médico tinha muito pouco. Era o próprio PT que nos ligava a umas máquinas, no meio do ginásio.
Estávamos no meio de pessoas-armário, a "encher" que nem as bestas que são, quando o dito PT me informa que tem que me meter uma merda duma máquina na cintura e para isso tenho que levantar a t-shirt. Ali, no meio de dezenas e dezenas pessoas que, claramente, estavam todas a olhar para mim. Era só a barriga que eu tinha que mostrar, não era para me armar em americana em cancuun, mas, foda-se, era para isso que eu lá estava, para dali a umas sessões poder mostrar a barriga em sítios tipo praia e quarto de casal.
Resultado, o gajo lá me põe aquilo na barriga, mais umas molas nos dedos e mais não sei quê e começa a olhar para o monitor. E eu fiquei só um bocadinho nervosa. E parece que isso altera ligeiramente, coisa muito pouca, os batimentos cardíacos. E o gajo começa a dizer que não com a cabeça e a dizer cenas tipo "isto é muito estranho", o que é capaz de me ter deixado um pouco, só um pouco, mais nervosa. Assim, enquanto eu me mantinha ali, firme e hirta, a fingir que aquilo era só a cena mais normal do mundo, o monitor informava o gajo que devia ligar imediatamente para o 115. Depois de alguma argumentação para o gajo não chamar nenhuma ambulância, ainda paguei outros 10% do meu ordenado, para os convencer que não precisava de nenhum atestado para certificar que não tinha nenhuma condição cardíaca e podia passar às aulas, sem problemas. Muito fina, esta cadeia de ginásio.
Passámos à aula e foi quando percebi que o P de PT, significa psicopata. O gajo queria matar-me. Mesmo. Já estava eu a deitar os bofes pela boca, o gajo pôs-me mais peso na máquina. Já estava prestes a desmaiar, ele veio e inclinou o tapete de corrida. Quando ia a rastejar, literalmente, para o balneário, o gajo aproveitou que já estava no chão e obrigou-me a fazer abdominais. Fugi assim que pude. Nunca mais voltei. E fiquei sem saber o que significa o T. Alguém sabe?

sábado, 10 de novembro de 2012

Hoje, bati fundo

Levei a cadela a um cabeleireiro para cães.

Em querendo, sou fácil

Sim, este é um recado. Não é uma história que ouvi contar, não é a personagem a falar. A que te escreve não é a clara. Sou eu, com o nome pelo qual já me conheces e menos disposição que a que te mostrei. É aquilo que não cabe numa mensagem, nem sei se queres ouvir. E por isso o deixo aqui, ao escrutínio dos outros, na esperança que aqui venhas saber.

Eu, em querendo, sou fácil. Não jogo, não faço malabarismos, não finjo que não é sim, nem que sim é talvez. Em querendo, quero. Não importa se o tempo é o certo, se deste os passos certos ou se ficarás com a chamada ideia errada que, no fundo, até é certa. Eu, em querendo, sou fácil.

Em querendo, não sou fácil, corro atrás. Jogo os jogos se o quiseres, sou honesta se preferires.

Excepto esse. O de medir forças. Não me importa quem mandou mais mensagens, quem foi o último a mandar, quem mostrou mais imteresse, qual foi a último a falar. Digo o quero, quando quero, correndo esse risco que tantos me contam, de perder essa coisa do interesse e do desafio.

Em querendo, ter-me-às aos teus pés.

Mas não nesse jogo. No jogo das forças eu perco, sou a fraca. Sou a que fará todos os quilómetros que nos separam. Uma, duas... As vezes que forem preciso. Mas quando medires forças comigo, perceberás que sou a mais fraca. Por-me-às a nu, conhecerás essa fragilidade, descobrirás essa verdade. E isso, isso não te perdoarei. Porque em querendo, sou fraca.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Por linhas tortas

Fico tão, mas tão contente por saber que o Arrumadinho anda a partilhar que anda com o cão ao colo, tipo pochette, em mercados e mais não sei o quê.
Assim, até a minha mãe já sabe. Já só falta a dele.

12 horas sem fumar

3 crises de choro.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Só na minha casa

Ter um gato que fica internado, por causa duma unha encravada.







(espero não me arrepender da piadinha...)

To stop or not to stop

Sou fumadora inveterada há 18 anos. Ouch. Estas cenas é que me fazem sentir velha.
Sei os malefícios do tabaco todos de cor. Como fumadora, forçam-me a ouvi-los dia sim, dia não.
Também sei que deixar de fumar custa e, sobretudo, engorda. Já senti no pelo.
Nunca nada disto me convenceu a deixar de fumar, depois duma curta tentativa que fiz há uns quatro ou cinco anos.
Manter o vicio do tabaco na Irlanda é uma cena muito muito cara. Enquanto um maço em Portugal, actualmente, custa cerca de 4 euros, na Irlanda custa 9,20 euros. Desde que vim para Irlanda, tenho-me safado com tabaco português ou espanhol, que vou comprando ou pedindo que me tragam. No primeiro ano tive que viajar bastante em trabalho, por isso, o esquema funcionou relativamente bem. De há uns meses para cá, a coisa já não tem funcionado tão bem e tenho-me visto a pagar um dinheirão para alimentar o meu vicio. E este tem sido o mote que me tem levado a pensar mais na coisa. Claro que a questão da saúde também pesa, mas tenho que confessar que a carteira pesa mais. E o cheiro. O hálito, o cabelo, a tosse...
Por isso, estou a pensar seriamente que agora é que é. Só tenho um problema, tenho um medo terrível de engordar até há quinta casa. Logo agora que fiz tanto esforço para perder uns míseros 5 quilos.
Tenho investigado tudo o que possa ajudar, desde os pensos, a acupunctura, passando pela hipnose.
Resolvi perguntar à enfermeira lá do trabalho que recomendava ela. Foi muita bruta. Força de vontade e acabou. E o efeito placebo, dude? E pelo caminho, lembrou-me do que vai acontecer nos primeiros tempos. "vais engordar, vais tossir a porcaria toda que fumaste até agora, a tua pele vai estalar, vais engordar, etc etc etc". Animadora.

sábado, 3 de novembro de 2012

Nada a acrescentar

A capacidade de dissertar sobre os mais diversos assuntos, depois de 3 dias em casa, em estado febril, devo dizer, é grande. Como se costuma dizer, viver para aprender e algo me diz que as minhas dissertações, neste estado, são, basicamente, ridículas. Amanhã, passa-me a febre e passa-me tudo.
De resto, estes têm sido dias deveras animados. Passado entre drogas, muitas sestas e uma cadela cuja a cauda faz um vento do caraças. Tenho acordado tipo às cinco da manhã em puro delírio. Viver sozinha e estar doente é uma grandecissima merda e nestas alturas, arrependo-me sempre de ter saído da asinha dos papás.
O facto de conhecer um farmacêutico português tem grandes vantagens, como medicação, sem receita, ao domicilio. Tem também a grande desvantagem de passar a haver alguém neste mundo que me viu com aquele que chamo o pijama da doença. Um pijama feiinho, feiinho, cor de rosa choque, mas que de tão abotoadinho, não permite uma fresta que seja para correntes de ar. Aquele pijama que à ultima hora, a minha mãe me enfiou na mala, "ai que já te esquecias do pijaminha que te ofereci". Suspiro. Pronto, hoje até deu jeito.
A cadela anda numa excitação com uma dona tão caseira e cheira-me que está achar o máximo esta coisa de nao ir à rua e ter um corredor cheio de papeis à sua disposição.
Ontem vimos o filme "o Marley e eu", enroladas num edredão e chorámos as duas. Eu, porque o cão morre no fim, ela porque ouvia ladrar e não sabia bem donde vinha aquela merda.
Hoje estamos quase a chorar as duas, porque não há nada de jeito na tv que não sejam as novelas irlandesas ou o x-factor, que é o Ídolos cá do sitio. É deprimente.
E agora, venham daí esses desejos de melhoras, que sempre animam um bocado a coisa. Um blogue também serve para isto.

Marley e eu

Se já me tinha desgraçado, ao ver o filme, numa altura em que nunca tinha tido um cão, o que faria agora, que tenho.
Claramente desanconselhável, se para além do cão, estivermos há 3 dias em casa, estado febril, carências afectivas nos píncaros e quando a nutella não sabe a nada.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Em roma, sê romano


Sou das tais que nunca percebeu a tentativa de importar o halloween para Portugal.
E mesmo aqui, na Irlanda, onde não há cá carnavais, não percebo bem a piada.
No Domingo, enquanto tentava chegar a um jantar tranquilo com amigos, tive que passar por cima duns quantos comas alcoolicos, mal mascarados.
Se há quem não perceba, a malta semi despida em Torres Vedras, aqui, com a temperatura perto dos zero graus, ainda se percebe menos. Estive quase para tirar uma fotografia a uma cat woman, mas em renda, mas a gaja topou-me e eu tive medo dela. É que é preciso cabedal para se aguentar tamanha falta de roupa, numa noite irlandesa.
Ainda assim, confesso, a cena dos putos virem cá a casa pedir os doces, é absolutamente deliciosa. Tirando o puto que me pediu alcool e a outra que me pediu tabaco, são tão fofinhos.

I rest my case

Ao telefone
Mae: o manolo já está em casa. É tãaaaaaoooo giro.
Eu: tou tramada.
Mae: será que se pode ver mais fotos?
Eu: sei lá, talvez no arrumadinho
Mãe: ah. Vou procurar o arrumadinho.
(...)
Mãe: já encontrei. É tãaaaaaooooo giro.
Eu: o arrumadinho?
Mãe: não, o cão. Mas viste as calças do pijama do arrumadinho?
Eu: são vermelhas?
Mãe: são de xadrez
Eu: muito melhor.
Mãe: porque é que lhe chamam arrumadinho? É a pipoca?
Eu: sei lá. É o nome que ele escolheu para o blogue.
Mãe: ele chama-se a ele próprio arrumadinho? Aaahhhh....

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Desvios

Esta semana fez dois anos que me mudei para Irlanda. Em tom de comemoração, resolvi repescar um post sobre o assunto. E não foi preguiça, acreditem. Tive que ler uma data de porcarias escritas por mim própria e é com muita pena que constato, sou uma seca.

De qualquer foram, gostei deste post, em particular, ao qual hoje, mudaria muito pouco. Talvez apenas a cena da data final. E é por isso mesmo que é interessante. É a minha prova de que vida dá muita voltas.

"You can't go home again, diz Thomas Wolfe, no titulo de um romance. 
Li isto há dias num comentário num outro bloque e fiquei a pensar nisto. 
A minha primeira reacção foi de negação. 
São muitas as vezes que, vivendo na Irlanda, penso que só quero voltar para casa. E acredito que um dia será possível".
Isto, às vezes, é duro e durante algum tempo, só me apeteceu fechar os olhos e esperar que passasse ou que, por algum milagre, me teletransportasse para casa. 
Quando decidi abraçar este desafio, fi-lo, por achar que iria encontrar algo melhor. Economicamente, profissionalmente, pessoalmente. E à primeira contrariedade, esqueci-me desse meu objectivo. 
Achei que isto não trazia nada de bom, nem nenhuma transformação na minha pessoa. 
Até que dei por mim a pensar, na quantidade de vezes que aprendo algo no trabalho e me ocorre como me daria jeito no meu antigo trabalho. Hoje, não o faria da mesma forma. Assim, como, não consideraria os mesmos pressupostos para aceitar um novo emprego. E outras transformações, mais pequeninas, menos visíveis, vão ocorrendo, sem que eu me consciencialize delas. 
Aprendi que, se tudo nos corre mal, temos que procurar um denominador comum e, muitas vezes, muito provavelmente, este denominador somos nós mesmos. 
Se todos têm medo de falar connosco ou, pelo contrario, todos sentem a liberdade de nos falar de qualquer forma, temos que mudar a nossa estratégia, a imagem que transmitimos. Deixar o ataque como defesa ou a defesa como ataque. 
Foi preciso mudar de pais para perceber isso, mas percebi e, ao mesmo tempo, relembrei o meu objectivo inicial. Melhorar. Sendo esse o objectivo principal, porque não começar por mim própria? 
Delineei o meu plano. Hoje, posso dizer qual vai ser o meu ultimo dia aqui. Qual a data em que vou regressar e como vou sobreviver. Um plano a longo prazo tem desvios e eu estou bem consciente disso, mas pelo menos, tomei as rédeas e deixei de esperar por outros ou por milagres. Quem esta mal, muda-se. A si própria se for preciso. "