domingo, 1 de janeiro de 2012

Ontem


Até aos dezoito anos, tive sempre que fazer a passagem de ano, em casa, com os papás. Uma seca, portanto.
A primeira vez que fiz a passagem de ano, com amigos, se não me falha a memoria, foi na Serra da Estrela. Estivemos por lá 3 ou 4 dias e foram bem fixes. No entanto, na noite da passagem de ano, em si, aquele que era o meu namorado, não só tinha febre, como partiu um dente da frente. Um mau humor do caraças, que me obrigou a voltar para o quartinho, gelado, alugado e com uma puta de uma pulga, antes do resto da festa começar. Nem nesse quartinho houve festa (só para a pulga que se banqueteou dum corpo gelado e de outro com febre). O dia seguinte, passei-o a ouvir as mil e uma aventuras que os outros começaram a viver, no exacto momento em que eu saí daquele restaurante.
A partir daí, foi sempre a descer. Não me consigo lembrar duma noite de passagem de ano que tenha sido para lá de espectacular.
Por isso, do meu ponto de vista, esta é uma noite sobrevalorizada.
E foi por isso que, ontem, em vez de ir com a eslovaca para o pub checo, como estava previsto, decidi ficar em casa com a minha cadelinha mais linda, prestes a ter um ataque cardíaco com os putos foguetes caseiros que os irlandeses tanto adoram.
Não disse nada ninguém, para evitar aquela conversa do “não pode ser”, “mas que se passa contigo?”, “’tas com uma depressão”, blablabla.
Vivendo aqui na Irlanda, é suposto andar feita maluca a conhecer pessoas novas, mas dispenso fazê-lo num vestido que mal me serve, congelada, à meia-noite de um dia que todos dizem ser especial. À meia-noite, não fossem os tais dos foguetes, estaria a dormir. Adormeci a ver um filme lá para as 10h30.
E devo dizer, foi uma das minhas melhores passagens de ano!
Feliz 2012!

4 comentários:

Madame Frufru disse...

A minha melhor passagem de ano novo foi em Zagreb, onde fui a um encontro Taizé e passámos todos em silêncio numa pequena igreja a fazer um flashback mental, com os olhos fechados.
Não duvido nem um pouco que ficar em casa a relaxar, seja menos que isso.

Johnny disse...

Welcome back Babe!!Hope to see you around or maybe drink a coffee in Grafton Street.

Fuschia disse...

A minha melhor passagem de ano foi com namorado e familia, no meio da santa terrinha. Dispenso as passagens cheias de gente desconhecida. Nada que supere um jantar de conversa junto dos mais próximos.

Bloga-mos disse...

A minha mais boa passagem de ano foi passada num hospital em Barcelona, depois de ter sido atropelado por umas escadas em contra-mão, na companhia de duas enfermeiras cubanas completamente mamadas. Acordei nos cuidados intensivos...