terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O primeiro

Nao sou pessoa de ligar muito ao dia dos namorados (Talvez devido ao facto de nao ter um, mas isso agora nao interessa nada). Nunca adorei, nunca odiei.
Mas confesso que tive ja um dia dos namorados muito especial. O primeiro. Ou seja, a primeira vez que tive um namorado neste dia.
Lembro-me perfeitamente do que tinha vestido. Umas calcas azuis que eu amava e a camisa branca, cintada, ah qual eu dava um nozinho na cintura, quando estava mais magra. E nessa altura estava. Eu emagreco sempre que me apaixono e esse primeiro namoro arrebatou-me 12 quilos, em menos de nada. Deu direito a ida ao medico e tudo que, coitado, inexperiente nestas coisas da adolescencia, limitou-se a encolher os ombros, “deve ser o corpo a mudar”. Tinha quinze anos e um corpo mudadado ja ha algum tempo, pelo que esta frase muito nos assustou, a mim e a minha mae, que se esta porcaria mudasse mais, rais parta que a gravidade nao me deixaria andar de pe.
Continuando, vesti a minha melhor roupa nesse dia, pus ate um pouquinho de maquilhagem, pouca, porque aos quinze anos, nao ha ca olheiras a atormentar e os namorados nao costumam gostar. Um cremezinho com cor da Yves Rocher e nada mais.
Nao me consigo lembrar bem porque, eu e o meu namorado, decidimos almocar juntos nesse dia. Nao me recordo se assim o decidimos para, na euforia desse primeiro amor, celebrar todas as refeicoes importantes desse dia, se, por ter quinze anos, nao tinha ordem de soltura ao jantar. Sei que eram umas 13h e eu, prontissima, desci as escadas e pus-me a porta de casa a espera do meu amor.
Esse meu namorado era bastante pontual. Mais que eu, ate. Se tivesse sido o gajo que se lhe seguiu, tinha combinado as 11h para me aparecer as 14h. Por isso, estranhei quando o tempo comecou a passar e o menino nao aparecia. Qualquer outra que esteja agora a ler, pensaria “Ai meu Deus, que ele vai-me deixar pendurada” ou choraria a cada ambulancia que passasse, mas a minha mente optimista aos quinze anos, imaginou-o numa longa fila numa florista, a tratar de trazer o maior ramo de rosas que ha memoria.
E assim, vagueava a minha mente, quando se aproxima um gajo de bicicleta, enlameado, ao qual nao liguei, talvez achando que coitado, provavelmente nao teria namorada e por isso estava, naquele 14 de Fevereiro, de bicicleta e lama ate ao tutano, so para se sentir mais homem. Levei algum tempo a perceber que estava enganada, que o rapaz que vinha nas calmas na sua bicicleta, tinha namorada, sim senhora e era eu.
Pois o c@%^&%, achou que em vez de me ir comprar rosas, em vez de passar uma manha a perfumar-se, o melhor que tinha a fazer, era ir com os amigos sabe-se-la para onde,  fazer um todo o terreno de bicicleta e regressar a ponto de nao se poder aproximar menos que dois metros da minha camisa branca.
 A meio dessa grande discussao despoletada, ainda me respondeu que este era um dia “estupido”. Hoje, ao lembrar, nao consigo evitar um inclinar de cabeca e uma certa pena, coitado, era um puto, tao inexperiente com as raparigas, na generalidade, e esta em particular.
Nao me consigo lembrar de mais nenhum dia dos namorados. Nao sei se o comemorei com o rapazinho aqui descrito ou com o que se lhe seguiu. Nada, zero, rien. Esvaiu-se-me da memoria. O que so pode querer dizer, uma de duas coisas, ou que baixei a minha expectativa, ou estes meninos portaram-se muito bem. A segunda hipotese e’ a mais provavel.

3 comentários:

a_secretária disse...

gostei dessa reminiscência! :)

Anónimo disse...

Porra Clara Maria!O teu namorado virtual nem se manifesta!
O gajo ficou mesmo chateado.

Rita Maria disse...

Ooooohhhh...eu tive um meio revolucionário e esquisito uma vez e muitos a que não liguei nenhuma, mas também tive um memorável, também com o meu primeiro namorado. Já estávamos juntos há uns anos e já nos dedicávamos a tropelias de outros tipos, mas pedi para beincar-mos aos Legos e ele concordou.

Começamos a construir uma escola e quando acabamos tinhamos criado um sistema de ensino totalmente permeável: alunos da primária que gostassem de um tema podiam ir ouvir as aulas desse tema ao secundário, os alunos do secundário podiam ter algumas aulas na universidade, a todo o momento se podia ir recapitular umas coisas uns anos abaixo e outras coisas eram totalmente em conjunto.

Ainda hoje acho que isto tinha o seu quê....