quinta-feira, 29 de março de 2012

Mariquinhas pe de salsa

O meu pai conta que, acabadinhos de nascer, pegou em mim e no meu irmao, de uma forma dificil de descrever, mas que, em resumo, poderia dar uma sensacao de pouco suporte ao bebe.
Com o meu irmao a coisa passou-se bem, sem problemas, bebe contente, papa ainda mais.
No meu caso, parece que eu nao achei la grande piada a falta de suporte e comecei logo a tremer cheiinha de medo, refutando assim, as mil e uma teorias psicologicas de que a crianca so tem medo e nocao do perigo a partir duma certa idade. Eu estava ali acabadinha de nascer e ja cheiinha de medo, para nao dizer outras coisas.
Acho que, embora o meu pai nao tenha bem essa nocao (ou, pelo menos, nao a verbaliza), esta historia me define. Por completo.
Acho que e’ uma das minhas caracteristicas mais fortes e o meu maior defeito: sou uma medrosa do pior.
Dizem que o medo e’ um instinto para nos alertar sobre predadores e outros perigos presentes nessa epoca das cavernas. E que, portanto, pode ate ser bem salutar. Mas no meu caso nao o e’.
Por ter tanto medo de conduzir e do que se move a volta do meu carro, esqueco-me de por uma mudanca, por ter tanto medo de dar um toque, nao consigo estacionar, por ter medo de magoar, nem sempre digo a verdade, por ter medo de falhar, muitas vezes, nao dou um passo.
Muitos dizem que fui uma pessoa de coragem ao vir viver para o estrangeiro, sozinha e completamente as escuras. E eu, quando oico dizer isto, sinto-me uma completa frauda. Nao sei bem de que, mas se vim, concerteza que tera sido para fugir de algo.
Assim como fugir foi a solucao encontrada para um problema que me ocorreu aqui.
O medo ou nos petrifica ou nos leva a fazer tudo ao contrario. E e’ num desses momentos em que estou agora. Se por um lado, adormeco extasiada pelo numero de possibilidades qe me pode oferecer esta nova situacao, por outro, acordo ja a pensar em tudo o que pode correr mal, como, quando e porque.
Podia tentar combater esta irracionalidade que, as tantas, se torna demasiado racional, mas la esta, combater diz que e’ sinonimo de coragem eisso nao abunda por aqui.

5 comentários:

Quel* disse...

AI mulher isso está mesmo mau. Temos de olhar para as oportunidades sempre com optimismo. Se ficares sempre presa ao medo não vais a lado nenhum.
Se bem que em relação ao carro, compreendo-te perfeitamente. Adoro conduzir mas tenho um medo gigante de fazer asneira. E estacionar? Só se for num espaço onde caiba um camião, senão nem tento.

Marciana disse...

Acho que és mais forte do que aqui descreves. O medo é uma coisa tão normal. Tudo depende do modo como lidamos com ele.

bee disse...

clara, ter medo significa que tens alguma coisa a perder, e que vale a pena valorizar, e isso é bom. a mim ajuda-me visualizar as situações (o pior cenário) e pensar qual seria a minha reacção, e procurar por antecipação 'resolver' a questão. muitas vezes dá para perceber que os medos não têm assim tanto sentido, ou que por pior que sejam as situações que nos assustam há sempre saídas...

[vale o que vale, esta é a minha forma de lidar com a coisa, e é simplesmente 'psicologia de algibeira', porque não sou nenhuma especialista na matéria, ok?]

Anónimo disse...

Ja se disse ha muito tempo: mulher ao volante, perigo constante!

Anónimo disse...

Tu nao sabes o q dizes!!! Ingratona, deus castiga! Tu medrosa???!! Ahah
Bbbb