terça-feira, 24 de abril de 2012

O problema, nao és tu, sou eu

Antes dos meus pais virem, expliquei-lhes que estou a fazer dieta e que a minha alimentacao se tem resumido a peixe e marisco (em vao, mas isso eles nao precisam de saber) e que vindo por tres semanas e nao havendo grandes cerimonias entre nós, teriam que se sujeitar á minha alimentacao. Claramente, o que eles ouviram foi “tragam uma mala só com comida, bem calórica e tipicamente portuguesa, daquela que nem nos meus melhores sonhos encontraria por aqui” e assim o fizeram. Pelo meio, lá me disseram que o meu irmao vinha passar um dia connosco, pelo que estavam a ppensar fazer uma feijoada e blablabla. Como um dia nao sao dias, la assenti que fizessem a feijoada. Eramos 4 a comer. Eles fizeram uma feijoada para 40 e uma semana depois ainda estavamos a comer feijoada.

Normalmente, adormecer nao é um processo fácil para mim. Tenho que dar umas voltinhas na cama, antes de o fazer (nada de pensamentos pecaminosos, estas voltas sao dadas com pijamas ao bom estilo avozinha, calcas entaladas nas peugas, camisola entalada nas calcas, gola quase alta). Por esse motivo, tenho todo um processo para adormecer. Normalmente, tenho que me deitar uma hora antes e fico a ler até comecar trocar os olhos. O facto de terem vivido comigo 27 ou 28 anos, nao chega para se lembrarem que o facto de ter a luz acesa, nao significa que podem vir fazer-me todas as perguntas e dar todos os recados que só se lembram nessa altura. Até a Balti já sabe que nessa altura, o silencio é sagrado. Depois de lhes ter relembrado esse meu processo e que uma interrupcao podera custar-me uma ou mais horas de sono, passaram a respeitar um pouco mais. Mas, se eu gritar alguma coisa do meu quarto, como tenho feito várias vezes, só para baixarem a porcaria do volume da televisao, por exemplo, o pensamento deles é “podemos lá ir e vamos já e vamos todos, perguntar-lhe cenas altamente pertinentes, tipo se leu a noticia do rei que andou a cacar elefantes, e que nao podem esperar pelo dia seguinte”.

Gosto de os ter cá, a sério que gosto, ou nao os teria tido ja 5 vezes num ano. Mas confesso que, de manha, quando estou a correr para trabalho e nao encontro os meus cereais, que costumo ter estrategicamente arrumados, porque foram empurrados para o fundo do armario, para arrumar neste todas as bolachas e chocolates comprados, fico um bocadinho chateada. Ou quando acordam as 4h da manha para ir á casa de banho e fazem uma barulheira desgracada. Ou quando deixam papeis ao alcance da cadela, que os destroi em tres tempos, espalhando-os pelo chao da casa. 3 semanas é muito tempo, sobretudo para uma esquisitinha como eu.

2 comentários:

Fenix disse...

Como te entendo... A coisas que não têm preço...

Anónimo disse...

Aproveita-os agora miuda, que eles nao duram para sempre!