quinta-feira, 28 de junho de 2012

360 graus

Apesar de ser uma mariquinhas pé de salsa, incapaz de conseguir conduzir uma mota de àgua a uma velocidade superior ao relentin (é assim que isto se escreve?), de se atirar de cabeça a uma piscina pu pôr uma mudança ao mesmo tempo que aceero, verdade é que sou uma pessoa muita dada à mudança.
Vivo com muito entusiasmo os primeiros dias de qualquer coisa. Seja uma nova comida, uma dieta (já lá vão 3,5kg, btw), a descoberta de um novo mundo na discoteca mais badalhoca do mundo, situada em Drogheda, uma nova amizade ou aprender croché. Começo aquilo e fico toda contentinha com a aprendizagem, a descoberta, a pArte filosófica da coisa, ou fisica, consoante a coisa em si.
Até mudei de país e depois de quase desistir, lá dei a volta e fiz da mudança o que está ser agora, uma novidade.
E isto, às vezes, é chato. Exige criatividade (eu, lembrar-me de aprender a fazer croché?), a criatividade exige tempo livre e, às vezes, o trabalho aperta ou da-se-me o chamado bloqueio criativo. E é aborrecido.
Mas chato, chato, é a inconsistência.
Tanta mudança, tanta mudança, tanta novidade e vai-se a ver, passo 3 dias na santa terrinha portuguesa e volta tudo ao mesmo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

32 como 16

Continuo a pensar de mais nas coisas, a rever e rever situacoes, passadas, possíveis, imaginarias.
Continuo a ter grandes expectativas. Por vezes, vão-se abaixo com um pormenor estúpido, outras vezes, mesmo com todos os sinais, continuo a alimentá-las. Continuo a dar grandes trambolhões, nem vos conto. Literais e metafóricos.
Continuo a ter o quarto desarrumado, com a diferença que agora não é só um quarto, é uma casa, com sala, cozinha, dois quartos, casas de banho e já não tenho a minha mãe a dizer-me “nao sais de casa enquanto não tiveres o quarto arrumado”. Mas acho que vontade não lhe falta.
Continuo com uma espécie de síndrome de Estocolmo. Gosto deles porcos, feios e maus. No sentido metafórico, que lá limpinhos são eles.
Continuo a falar de mais, com a diferença que agora me posso desculpar com o álcool.

Não vejo a diferença de mais umas velas no bolo. Aos 16 anos, os “adultos” diziam que um dia perceber, um dia ia fazer, um dia ia acontecer. Dizem que a idade verdadeira e aquela que sente e porra que eu nem me sinto. O mundo girou, 365 dias [passaram várias vezes, e continua a ser só um dia. Um dia bom e mais um ano nos formulários a preencher. Ainda não vejo a diferença e talvez ainda tenha que crescer. Os meus 32 são como 16. Tal e qual.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

As dietas

Antes que venha algum desgraçadinho criticar a dieta, dizer que isto ou aquilo não pode ser, que não pode ser saudável, que vou ganhar o peso todo de volta, esclareço já que a perda de peso (assim como ganho) é provocado por uma situação de desequilíbrio. Por isso, não há dietas ideiais e cada um deve procurar aquilo que lhe faz bem. O ganho de peso no final de qualquer dieta deve-se, sobretudo, ao facto do nosso corpo se aperceber que começam a entrar menos coisas e, assim, começar a armazenar mais, baixando o nosso metabolismo. É por isso que, no final de uma dieta, há a chamada fase de manutenção, em que é necessário habituar o corpo à abundância. Isto é muito fácil falar, porque, entretanto a pessoa já se sente muita bem, invencível e já se privou de muita treta pelo caminho.
Eu nunca tinha tido uma luta tão cerrada com a balança como este ano, mas toda a minha vida convivi com pessoas que a tinham e sei, melhor que ninguém, as frustrações, as vitorias, as dietas iô-iô.
A dieta que estou a fazer actualmente parece-me das mais equilibradas e é, sem dúvida alguma, a mais fácil. Também tem alguns sacrifícios e posso dizer que ontem, que voltei a ter insónias e, consequentemente fome, custou-me não ter à mão um pedaço de pão que, rapidamente, me aconchegaria.
A minha dieta foi concebida por uma empresa chamada Slimming World, que existe na Irlanda, UK, Canadá e EUA. Todos os dias a pessoa deve comer a quantidade que quiser daquilo que eles chamam de Free Foods (comida livre) e que, em linhas gerais, consistem em frutas e vegetais, deve comer duas Healthy choices (escolhas saudáveis), uma de um grupo a, outra de um grupo b, basicamente, isto consiste em comer um lacticio e cereais, à escolha. Finalmente, temos o terceiro grupo de comida, ao qual chamam os syns (pecados). Segundo a slimming world, devem-se comer 5 pecados por dia, não se devem ultrapassar os 10 e máximo dos máximos, pode chegar-se aos 15. O número de pecados varia de comida para comida. Uma colher de sopa de mel tem 1 pecado, uma colher de sopa de parmesão tem 5.
Nas free foods, há ainda as Super free, que se oodem comer à vontadinha. Um dos truques da dieta é encher um terço do prato com as tais super free, um hidrato de carbono e uma proteína.

Exemplo de um dos meus dias de dieta:

- pequeno almoço: weetabix com uma colher de sopa de mel e um pedaço de banana às fatias;
- meio da manhã: resto da banana do pequeno almoço com uma fatia de ananás;
- almoço: omelete à espanhola (com batata cozida, fiambre e uma colher de sopa de ricotta) com tomate.
-meio da tarde: iogurte 0% (é de uma marca especifica que se vende aqui, ainda tenho que descobrir uma marca que a substitua em Portugal) de baunilha com pedaços de morangos frescos;
- jantar: almôndegas em molho de tomate com massa e salada de alface.

Se no meio destas refeições, ainda tiver fome, enfio mais uma peça de fruta ou um iogurte para o bucho.
Neste dia, comi 3 syns (deveriam ser 5 no minimo), um pelo mel e dois pelo ricotta.

Agora, venham de lá essas criticas, que enquanto a balança continuar a descer, querocásaber.

domingo, 3 de junho de 2012

A melhor dieta de sempre

Pois que depois da minha luta interior, entre tenho que fazer dieta e querocásaber, a semana passada resolvi começar um dieta nova. Foram as minhas colegas de trabalho que me falaram na coisa. Aparentemente, não há ninguém naquele escritório que não tenha feito ou não tenha um qualquer membro da familia a fazer. Como é que esta gente nunca me falou nisto? Sim, porque a minha obsessão peso não se revela só neste blogue e não deve haver ninguém naquele escritório que não estivesse a par do meu mantra, hoje faço dieta, hoje já não faço.
Todas as semanas há um encontro em que a malta se pesa e depois conversa tipo alcoólicos anónimos, mas quem, preferir pode tentar fazer a coisa online. Eu optei pelo esquema online, que não me pareceu que as reuniões acrescentassem valor. Assim como assim, não ia entender nada da pronuncia drogheana.
Comecei por me arrepender de fazer a coisa online. Achei que não podia estar a perceber bem a coisa, enquanto tentava planear as refeições. É que a coisa nem parece dieta. Não passo fome absolutamente nenhuma e uso alguns truques para cozinhar as minhas comidas preferidas. Confesso que estava muito céptica, mas a verdade é que, em 5 dias, perdi já quase 2 kilos e mais não foram porque me desgracei nos meus anos com bolo e álcool. Cumpri tudo o resto, mas bolas, uma pessoa tem comer uma fatiazinha do seu próprio bolo. As bebidas, simplesmente não podia recusar. Ao contrário de Portugal, na Irlanda, quando uma pessoa faz anos, toda a gente lhe oferece bebidas. Tequilla e vodka, foram os meus pecados. Mesmo assim, o peso continuou a diminuir.

Partilho um truque que ainda não experimentei, mas disseram-me ser mesmo muito bom. Para quem adora batatas fritas, pode faze-las, dando-lhes uma entaladelazinha e levando ao forno borrifadas naquele spray em que cada borrifadela tem só uma caloria. Antes do forno, devem ser bem escorridas e secadas com um pano, para garantir que ficam crocantes.

sábado, 2 de junho de 2012

E assim se passou o dia

E o dia de ontem lá passou.
Como tive insónias na véspera, quando o despertador tocou, senti dores físicas. Tinha no telemovel, exactamente a mesma mensagem do ano passado. As mesmas palavras, curtas e grossas, da mesma pessoa. O ano passado, primeiro ano longe de casa, fez-me chorar. Este ano não.
Chegada ao trabalho, com um bolo enorme nas mãos, tentei dirigir-me á minha secretaria, da forma mais discreta possível. Não havia.
Reunião de 15 minutos, seguida de lanche da manhã (sim, a minha empresa pára de manhã, para a malta tomar o pequeno-almoço) para correr para outra reunião, esta de 6 horas.
Ficaram as chamadas todas por atender, as mensagens por responder e as saudades por matar.
Lá fizemos uma pausa para almoço e á tarde, outra para o bolo.
Os irlandeses dão os parabéns meio de fugida. Não há cá beijinhos. Atiram um happy birthday a uns 3 metros de distancia se passarem por nós no corredor.
Depois da reunião, tive que ficar a fazer mais horas para acabar o meu trabalho.
Vim para a casa a correr, preocupada com a cadelinha, que não costuma ficar tantas horas sozinha e que já devia estar aflitinha.
Pois, quando cheguei a casa, a Balti não estava aflitinha, não senhora. Estava de diarreia. Abri a porta e deparei-me logo com o presente. Não seria o meu aniversário se não tivesse presente da minha menina.
Depois das devidas e difíceis limpezas, doía-me a cabeça.
Dormir era missão impossível, que havia ainda chamadas a atender.
Saí de casa ás 11 horas da noite. De entre dois bares, acabámos no vazio.
Bebi álcool, infringindo a dieta (sim, voltei à dieta e farei em breve um post sobre a mesma).
Dali fomos para uma das duas discotecas da cidade, que se chama Earth. Mas que eu prefiro chamar (quando os irlandeses não estão a ouvir) de faroeste.
Bebi mais álcool.
Tiraram-nos uma foto e comprou um dos meus amigos, o porta-chave com a respectiva fotografia para me oferecer. É uma moda irlandesa que não percebo. Sim, é habitual andarem nas discotecas, pessoas com um cartaz numa mão e máquina noutra, prontos para oferecer porta-chaves com fotos tiradas no momento.
Disse alguns disparates impulsionados pelo alcool, que segunda feira são capazes de criar-me alguns constrangimentos.
Vim para casa.
O quarto rodou um bocadinho.
Adormeci feliz.

É preciso ter lata

E não é que veio um puto, praí de 12 anos, tocar-me à campainha, para, atentem bem, cravar-me um cigarro!!!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

32 (ou porra que isto passa depressa e ninguém me avisou)

Faço hoje 32 anos. Ainda estou acordada e não sei se é do excitex de fazer anos, mas acho que é mais provável que seja porque decidi descansar um bocadinho os olhos quando cheguei do trabalho.
Vou desafiar as tradições irlandesas e levar para o trabalho o meu próprio bolo.
Era suposto ter festa de anos pela noite, mas decidi cancelar, depois do dito descanso de olhos.
Nao ia ser na minha casa, nao tinha nada organizado à minha maneira e não ia conseguir escapar ao trabalho tão cedo como gostaria.
Já recebi o tradicional postalinho da minha avó, com uma mensagem bem lamechas, como sempre, mas que continua a deixar-me os olhos húmidos. Deve ser alergia. Trazia também a tradicional notinha. E tinha o meu nome errado. Oh vó, eu nem sequer sou uma dessas tuas netas que mal vês, com nomes estrangeiros. Não me conformo que não saibas que sou Maria Clara e não Clara Maria, como escreveste nos dois envelopes e dentro do postal. Três vezes, para eu ter a certeza que não foi distracção.
São 32 e eu sinto-os tal e qual como quando fiz 2, 10, 18 ou 30. Vá se lá perceber, os 30 foram o meu número preferido.
O primeiro a dar-me os parabéns foi o mesmo de sempre. Demos o primeiro beijo neste dia, por volta desta hora, há 16 anos atrás. A vida deu muitas voltas, tive outras pessoas, ele tem a sua, mas esse pormenor nunca mudou.
Apesar de tudo, não posso dizer que não esteja onde sempre me imaginei com esta idade. Tenho um bom trabalho, estou a ter a experiencia internacional que sempre quis, embora, por vezes seja menos glamorosa do que pensava. Faz parte descobrir que o mundo é verde e azul e branco e preto e vermelho e todas essas cores que não só o cor de rosa. Mas esse, dê por onde der também lá está e aparece-nos quando menos esperamos e, as vezes, numa mete-nojo cor de rosinha.
Não era nada disto que tinha pensado escrever, mas a mão levou-me para este lado mais lamechas. Uma boa introspecção nunca fez mal a ninguém e esta veio bem a tempo.