terça-feira, 31 de julho de 2012

Eu ia escrever qualquer coisa gira

Mas foi-se-me o humor no último espirro e a capacidade de escrever, na antepenultima assoadela.
Isto hoje está non stop.

Happy Ending

Encontrámos a dona do cão.
Eles ainda não se encontraram um ao outro, que ele já esta no mesmo sitio,mas daqui nada já levo a minha grande farejedora comigo, uma cadela chamada Balti, e lá chegaremos.

Falta um bocadinho assim

Fiquei a saber, hoje, que visto o mesmo número da Sofia Vergara.
Só me falta o resto.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Isto, sim, é um coração partido

Hoje a Balti encontrou um cão da sua raça. Claramente doente, abandonado, fraco. Dei-lhe de comer e beber. A Balti deixou-o beber, já comer não achou muita graça.
Tentei ligar para o canil municipal, mas já estava fechado.
Entrou cá em casa e eu estava prontíssima para deixá-lo passar cá a noite e, quiçá, adoptá-lo. Certamente, estaria a adoptar um desgosto, porque aquele cão deve ter sido abandonado para morrer. Mal andava, via ou ouvia. De repente, perdia a força nas patas e caía.
Não sei que doença teria. Talvez fosse simplesmente velhice, talvez fosse um cancro, um vírus, uma qualquer outra porcaria. Não faço ideia.
Convenceram-me que seria um perigo deixá-lo cá. O que quer que tenha, podia pegar à Balti e senão à Balti, que está vacinada, talvez a mim.
Consegui arrancá-lo da minha casa ao comando "lets go for a walk". Andámos um pouco. A Balti a ampará-lo. As patas a falharem e ele a cair. Deitou-se cansado e ali ficou. Não mexeu mais. Voltámos para casa. Não jantei e, é bem provável, que não durma. Abandonei-o pela segunda vez e não me suporto por isso.

É oficial

Odeio lâmpadas. Sobretudo as que não são de rosquinha que são bem mais lixadas.
Mas mais oficial ainda é que sou a MAIOR. Conseeeeeguiiiiii!
Confesso que até tive medo de ligar o interruptor, não fosse aquilo explodir depois de tanta batata, tanto puxão e tanta porcaria. Andava a tentar tirar o casquilho que lá ficou enfiado há mais de uma semana. Hoje foi o dia.

No trabalho

Diz-se por aí que conhaque é conhaque e trabalho é trabalho. Trocando por miúdos, relacoes de índole amorosa ou sexual no trabalho são má ideia.
Não podia discordar mais. Um dos argumentos utilizados é a questão da reputação, mas eu presumo que nenhuma das meninas que me leia seja tao inconsistente ao ponto de andar a fazer olhinhos a tudo e mais alguma coisa. Eu não sou.
Desde que comecei a trabalhar tive dois casos no trabalho. Acho normal, tendo em conta que passamos 80% do nosso tempo, no trabalho. Vivendo fora, a coisa ainda se torna mais normal, dado que 90% das pessoas que conheço são aquelas com quem trabalho. Ou me dedico aos encontros online desses sites manhosos ou acabo por me encantar com o que tenho oportunidade de ver.
Sou profissional, por isso, esteja a coisa a correr muito bem ou muito mal, sou menina para nem olhar para o colega em questão, dentro do espaço e horário laboral. Case tenha mesmo que falar, por motivos de trabalho, faço-o sem qualquer problema e da mesma forma que falo com o colega de 90 anos, longe de me fazer tremer as perninhas.
De resto, ate se pode dizer que sou bastante a favor. Enquanto a coisa está na fase do flirt, a motivação para vir trabalhar, é a dobrar. A pessoa até salta da cama, doida por picar o ponto. Arranja-se mais, tapa as olheiras, afinca-se na dieta e acaba por ser um deleite para o ambiente de trabalho em si.
Quando a coisa da para torto, faz-se aquilo que se faz, nestas situacoes, sejam elas passadas com colegas de trabalho, sejam elas passadas com o gajo que se conheceu no Jamaica, há duas semanas. Foca-se no trabalho. Só vantagens para a entidade empregadora.
Nos meus dois casos, a coisa correu mal. E confesso que nos primeiros dias não foi fácil e todas as manhas pensava que, raisparta, lá tenho que ter encontros imediatos outra vez. E o primeiro gajo era chatinho. Passava o tempo a chamar-me para cigarros e depois gostava de se gabar da conquista do fim de semana, á minha frente. Apetecia-me mandá-lo para um sitio que eu cá sei. Mas a verdade é que, pelo meio andava com tanto trabalho que não tinha tempo para pensar nisso e com o tempo, o azedume passou-me e hoje, posso dizer que somos grandes amigos. Sou menina para ir para os copos com a actual namorada sem problemas nenhuns.
O segundo, o irlandês, é bastante menos chatinho. Esse evita-me no cigarro e é capaz de ir para a direita se me vir a fumar do lado esquerdo. É um bocadinho desconfortável. Se estiver mais gente a fumar, lá fingimos que não é nada connosco e fumamos todos tipo amigos. Não é uma situação ideal, não senhora, mas é coisa para acontecer durante 5 minutos por semana e que não me tira o sono. Custa-me bastante mais quando o encontro no pub,suficientemente descontraído para vir com piadinhas.
Isto só para dizer que não percebo qual é o problema dessas coisas no trabalho. Aqui na Irlanda vê-se muito, devo dizer. Á descarada.

domingo, 29 de julho de 2012

Como curar um desgosto de amor a um Domingo à tarde

Ontem foi dia de encontro imediato. É o que dá viver numa terrinha onde existem, tipo, deixa cá contar, UM pub. E o encontro foi mais que imediato, acabou por durar a noite toda, que o menino agora diz que já nem quer que eu goste dele, mas não suporta a ideia que eu não goste (devia apresentá-lo à Lili Caneças, cheira-me que ele ia achar o máximo à inteligentíssima expressão que estar vivo é o contrário de estar morto). Vá de pagar rodadas à malta toda e tudo.
Acho que tenho que mudar os meus requisitos, isto de gostar dos que se armam em engraçadinhos, não está com nada. Depois os gajos armam-se em verdadeiros comediantes, ao nível da melhor stand-up comedy, uma pessoa quer-lhes mostrar o seu meu melhor ar de sou-uma-gaja-resolvida-que-não-atura-merdas-baza-daqui, mas os gajos lá nos desarmam com os disparates e acabamos a mostrar-lhes os dentes muito mais vezes do que gostaríamos. Só para, no final da noite, lembrarmo-nos qual é a verdadeira desculpa de um gajo que está connosco, mas vai dar beijinhos a uma rameira qualquer desta vida. Simplesmente, não gostam de nós e não nos têm respeito. E não me venham com essas merdas da bebida, do assustou-se, do tem medo de compromissos. Chamem-lhe o que quiserem.
E como hoje não me apetece pensar mais nesta merda, vou abrir uma excepção ao meu habitual Domingo solitário e vou afogar as minhas mágoas. Entre ir comprar roupa, ir arranjar o cabelo, ver a última comédia romântica, comer um mega crepe/gelado/bolo/qualquer-coisa-doce-com-milhares-de-calorias, e essas merdas todas que nós fazemos, nestas ocasiões, optei por uma visita ao Ikea. Preciso de uma recarga para a esfregona e dumas caixas para os sapatos. Só glamour.
Bom domingo, eu volto já.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Posso armar-me em mete nojo?


Estou feliz. Diz que estas coisas sao ciclicas e que nao tarda nada estou com TPM. Há que aproveitar.

Um grande beijinho para a minha avó

Avó: e a Balti, está boa?
Eu: Está, está. Esta semana ensinei-lhe um novo truque. Agora também deita. Já sentava, dava a patinha, depois a outra, agora também deita.
Avó: Mas ela não dorme deitada?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

E mais tenho a dizer, mas sobre o casal-vampiros

Já li uma ou outra coisa na blogosfera portuguesa, mas nos blogues de língua inglesa anda tudo ao rubro com a história e a sofrer as dores do pequeno enganado. Lêem-se pérolas como “deixei de acreditar no amor”, “também me sinto traido”, “como pode ela fazer-nos uma coisa destas” (sim, fazer-NOS, como se toda a gente fizesse parte daquele romance).
Pois eu, não fiquei nada surpresa. Sempre soube que as sonsinhas, com olhos de carneiro mal morto são as piores.

Tambem eu tenho alguma coisa a dizer sobre o assunto (contem spoiler)

Também li o famoso livro das “50 Sombras de Grey”. Em minha defesa, desde já explico que neste momento, impus a mim própria ler, alternadamente, um livro em inglês, um livro em português. Ora o meu inglês ainda não é assim tão bom que me permita ler um Shakespeare e as vezes, só pelo idioma, a coisa cansa-me. Por isso, estou ainda no patamar dos livros básicos.
Já li nesta blogosfera que o livro não está bem escrito. Lá está, o meu inglês ainda não me permite fazer essa analise de forma cuidada, mas tenho para mim que é capaz de haver aí um probleminha de tradução. Só o titulo, faz muito mais sentido em inglês, que em português. Há ali todo um jogo de palavras que se perde ao traduzir. De resto, não é seguramente de uma linguagem muito elaborada, caso contrario, eu não teria passado das duas páginas.
De resto, todo o enredo é uma seca. Ao inicio aquilo parece muito excitante, muito kinky como se diz por aqui. Palmadinhas no rabiosque, todo um sem numero de instrumentos que tive que googlar e mesmo assim fiquei com dúvidas sobre como aquilo se utilizava. Logo ao inicio, percebe-se que a coisa não é lá muito realista. Uma miúda de vinte e poucos anos, virgem, e que não liga nada a rapazes. Na sua primeira vez, entre dores, sangue e todo esse cenário, que todas bem recordamos, alto orgasmo para a menina ver logo o que andava a perder. Depois de ler isto, ainda dei o beneficio da duvida ao livro. Pronto, deve ser uma fantasia comum, achar que a primeira vez vai ser maravilhosa e linda e com a pessoa certa. Continuando, a certa altura aquilo começa a ser bastante previsível e uma pessoa lê e pensa “olha, acordaram, lá vem sexo outra vez”, “olha, vão tomar banho, obviamente o sitio onde sexo é requisito obrigatório”, “olha, estão a piscar os olhos, venha de la mais uma pinocada”. Todos nós já passamos pela fase em que o nosso objecto de desejo respira e só por isso já queremos saltar-lhe para cima, mas isto assim escrito, preto no branco, cansa, pá.
A grande fantasia perfeitamente relatada no livro não é a relacionada com o sexo, não senhora. É o facto de o pequeno ter problemas emocionais e a menina virgem, que nada sabe da vida, liberta-o dos seus fantasmas. Fantasmas esses que, obviamente se devem á sua maezinha. Óbvio. Para mim, esta é a parte mais realista do livro e sem duvida o sonho de muito boa menina.

Coisa esquisita

Os meus colegas irlandeses, já impressionados com os meus habituais tupperwares de peixe e marisco, perguntaram-me, no outro dia, se eu já tinha comido alguma cena assim bué da estranha. Eu pensei logo nas baratas da Tailândia e disse logo que não, que nós em Portugal comemos muito peixinho e marisco, mas não somos cá dados a grandes aventuras.
Conversa puxa conversa e eles puseram-se a falar de comidas altamente estranhas, tipo caracóis. "ahhh, nós também comemos caracóis e são bem bons". Dizia outro que já tinha ouvido falar em tripas, "errr, tripas á moda do Porto", e outro que havia quem comesse orelha de porco e língua de vaca e um sem fim de exemplos altamente exótico e extravagantes, que para mim são, simplesmente e absolutamente deliciosos.


Pronto, confesso que não como tripas, nem orelha, nem língua fumada. Já um couratozinho que mais não é que pele de porco tostadinha...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Vantagens de viver na Irlanda

Daqui a 10 minutos vou dormir a sesta.

Nao é por aí

Dizia-me ontem uma amiga que arrumou o caso com gajos giros. De agora em diante, só se interessará por rapazes feios, convicta que estes darão muito menos trabalho.
Aqui há uns tempos, também eu dei para esse peditório. Só para chegar á conclusão que não, os gajos não são todos iguais e que conseguem sempre superar-se uns aos outros. Pois, há uns aninhos, enrolei-me com um gajo feiinho, feinho, gordinho e, como na altura não tinha um blogue para escrever o meu chorrilho de disparates, dizia-os alto e  bom som. Assim, essa história terminou comigo a dizer-lhe que era um mentiroso, um cabrão, um isto e aquilo e gordo e feio. Para ajudar á festa.
Se quando um gajo giro nos faz das dele, a nossa auto-estima treme, quando é um gajo feio, vai abaixo.
O problema do gajo feio, é que ele saca uma gaja gira e fica logo todo convencido que saca quem quiser. Depois de dois dias a pensar o que lhe teria passado pela cabeça (que é que nós fazemos. Alias, é por isso que vamos á casa de banho juntas, para perguntarmos umas as outras que raio lhes passou, ao gajos, pela cabeça), cheguei á conclusão que o problema do gajo irlandês, ultima personagem desta novela que é a minha vida, foi mesmo esse. Nunca na vida dele ele tinha sacado gaja tão boa (eu! Já vos disse que perdi 5 quilos? Ainda não, pois não?) e achou que era tempo de provar aos amigos que podia comer tudo o que andava. Calhou-lhe uma gorda nojenta, mas ele estava demasiado bêbedo para perceber.
Um gajo feio, também traz mais concorrencia, ao contrario do que seria de pensar. Se uma gaja vê um gajo giro com uma gaja, claramente, abaixo da sua liga, pensa imediatamente que ela deve ter qualquer coisa muito especial e que é melhor nem se meter nisso. Se for ao contrario e vir a gaja gira com o feioso desdentada pensa logo “alto lá, que este gajo deve ter qualquer coisa de interessante, deixa-me lá fazer a peca”.
Posto isto, minha amiga, não, não é por aí que consegues passar a ter uma vida mais descansada. Isso nao existe quando se trata do género masculino.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Nutella tudo cura

Desde os meus tempos de blogueira, já conheci dois gajos pelo blog, que é como quem diz, pela net.

Achava piada ao primeiro porque achava piada ao blogue e a umas fotos que o pequeno volta e meia postava de si mesmo. O segundo, pelo simples facto de sermos emigrantes num mesmo país. Curiosamente, os dois encontros terminaram exactamente da mesma forma. Os ditos cujos aos beijos a uma espanhola.

Se o primeiro me custou porque havia interesse da minha parte, o segundo, custou-me porque estava a viver nesta merda de país (era assim que eu o via, nessa altura), não sabia voltar sozinha para o carro e era a segunda vez que aquela merda me acontecia.

Estive quase para conhecer um terceiro rapazinho. Não me parece que houvesse dali interesse, que o pequeno disse-me logo que namorava, mas depois duma troca interessante de mails, lá me convenceu a encontrar-me com ele nos pasteis de Belém. Azares dos azares, não o vi com nenhuma espanhola, porque estava numa fase complicada da minha vida e achei que no caminho para os pasteis de Belém, podia visitar uma pessoa que me ajuda nos tempos mais difíceis (cá beijinho, Silvia). Aquilo que se estimava ser um café duma hora, revelou-se uma choradeira de quatro horas, que me levou a deixar o rapaz pendurado, enquanto me mantinha sem capacidade de falar ou escrever uma mísera sms. Quando, finalmente, me recompus, ainda liguei a pedir desculpa, mas acabaram-se aí os poemas, as sugestões de filmes e o envio de músicas.

De vez em quando, as pessoas normais têm momentos de lucidez, as pessoas como eu, armam-se em totós. E é em momentos como esses, em que me deparo com alguém que escreva ao bom estilo do Kevin Costner das "palavras que nunca te direi", mas menos lamechas e com mais piada. Daqueles que põem qualquer gaja a suspirar pelo que o gajo escreveu à defunta. E nesses momentos, ocorre-se-me "eh lecas, temos gajo".

Mas depois como umas colheres de Nutella e a coisa passa-me.

Empatias

Não temos de gostar de toda a gente, pois não?
Uma pessoa pode ser muito boa pessoa, bom fundo, bons valores, mas não tem que passar a ser uma prioridade, mesmo que se viva no estrangeiro e só se conheça duas pessoas, um cão e um gato. Nem sempre falamos a mesma língua e eu até falo 4. Não consigo ter muita paciência para quem não tem sentido de humor. E muito menos para quem acha que tem o maior e melhor porque se ri sempre que ouve a palavra cocó (a menos que seja dita pelo Bruno Aleixo, que esse já não tem piadinha nenhuma).
Eu bem tento não ser o feminino de um bode velho. Tenho consciência que posso ser um bicho do mato e não quero ser má, mas o tempo que passo comigo própria tem demasiada qualidade para ser preterido pelo tempo passado com alguém a quem tenho que explicar "era só uma piada" ou que nem só o que se veste conta e muito menos o que se faz profissionalmente.
Ser emigrante no mesmo país não obriga a que sejamos os melhores amigos. E se assim for, emigro já outra vez.
Não é fácil encontrar boas pessoas nos tempos que correm. Muitos e muitas talvez fossem capaz de ir lá ao fundinho do meu caixote de lixo, mas há empatias e empatias e há pessoas que me geram muito poucas.
Lá está, tempo de qualidade não pode ser desperdiçado e aos 32 anos já não papo grupos destes.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Eu sabia que este dia ia chegar

Está mais quente aqui que ai! Toma, toma! Toma, toma!
é certo que aqui está mais ventoso. E diz que vai chover. Mas isso, agora, nao interessa nada.

Bricolage

Fundiu-se-me a luz na casa de banho. Como mulher moderna e independente que sou, lá fui comprar lâmpadas novas. Vivi toda a minha vida rodeada de lâmpadas, mesmo assim, ou talvez por isso, aquilo é todo um mundo novo para mim. Ele há de rosquilha, sem ser de rosquilha, com uns V’s e uns W’s que ninguém sabe o que querem dizer. Dava para fazer a cena mais simples?
Ainda armada em moderna e independente, subi a um escadote, pronta para a grande missão, arriscando assim, um braço ou uma perna ou uma qualquer outra parte do corpo. Claramente, sou a maior e a mais corajosa.
Pois que começo a desenroscar a bola, presa ao tecto, que não faço ideia se também se chama abajour e aquilo saiu que foi uma maravilha. Juntamente com lâmpada. Logo um dois em um. Só foi pena ter ficado la o casquilho. E eu, ainda, armada em moderna e independente, ter já usei todas as ferramentas deixadas pelo meu pai e algumas facas da cozinha, para sacar aquela merda. Caem cenas castanhas cada vez que mexo naquilo e uma das vezes, acho que saiu uma borboleta. Uma imagem muitíssimo bonita.
Posto isto, continuo sem luz. O que não me chateia nada, porque eu conheço a casa de banho de olhos fechados e não preciso de luz para tratar da minha higiene. Nem me chateia o facto de , no sábado á noite, ter-me posto a tirar a maquilhagem ás escuras e entre apalpadelas, ter deixado cair um frasco de perfume. E o mesmo ter-se partido. E a minha casa cheirar agora a outra coisa que não a cão, mas de forma muitíssimo intensa.
É nestas alturas que me passa pela cabeça que, se não requeresse tanta manutenção, era menina para arranjar um gajo. Se o gajo não conseguisse tratar-me da bricolage, que isto dos géneros já não são garantia de nada, podia ser que me oferecesse um perfume novo.



domingo, 22 de julho de 2012

Teoria cientificamente comprovada

Associado ao gene que determina o grau de interessante de um gajo, vem o gene da miopia, assim como associado ao gene do nerd, vem o gene da surdez.
Só assim se justifica que uns nem se apercebam da minha existência, enquanto o careca, com dentes para lá de tortos, não arrede pé, mesmo depois de lhe ter dito, alto e bom som, essas duas palavrinhas dignas de ser pronunciadas por uma verdadeira lady, "fuck off".

sábado, 21 de julho de 2012

Quando o meu telefone toca

Eu: tou? (Com voz rouca que quem nao falou ainda hoje sem ser com um ser de quatro patas)
Do outro lado: tou. Tavas a dormir?
Eu: não, estava a ler.
Do outro lado: oh valha-me Deus!
Eu: valha-te Deus porque?
Do outro lado: por estares a dormir às seis da tarde.
Eu: mas eu não estava a dormir.
Do outro lado: ou ler, pronto, é a mesma coisa.

alguém me explica qual é o problema de estar a ler às seis da tarde dum sábado?

Sai uma receitinha dietética para a mesa do canto

Se há coisa que eu adoro neste mundo são massas. Sempre que penso em dieta esse é o meu pior pesadelo, deixar de comer pizzas e massas. Felizmente, nas duas dietas que fiz na vida, isso nunca me foi proibido.
Claro que não posso fazer aquela massa de carne com montes de natas ou a minha famosa lasanha, mas lá me vão sendo dadas alternativas.

Esta é uma receita que me foi dada nesta nova dieta e que satisfaz, e bem, esse meu desejo de calorias no formato de comida italiana.

Caneloni de espinafres e ricota

É muito simples, para o recheio dos ditos canelonis, misturo espinafres cozidos, escorridos e picados com uma embalagem de ricota, cebola picada, já refogadinha em azeite, sal e noz moscada. Encho os canelonis com o recheio, disponho-nos num tabuleiro e cubro-os com molho de tomate, que fiz só com tomate concentrado, cebola, um fio de azeite, sal e pimenta. Finalmente, um bocadinho de parmesão ralado para lhe dar graça. Posso usar o parmesão, mas à conta, que é o que tem calorias, nesta receita. Para fazer render a coisa, ralo-o muito fininho.


Na minha opinião, é de comer e chorar por mais.

Bom apetite.

Adenda: sou um génio a cozinhar, já a tirar fotos...

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A minha dieta

A minha dieta é uma confusão muita difícil de explicar.
Começaram por dar-me umas listas de alimentos, os que podes comer a vontade, os que podes comer mas não á  vontadinha, os que tem uns pontos que se chamam pecados e tens que pesar e contar, para não ultrapassar os tais pontos.
A primeira vez que olhei para aquilo, achei que nunca na vida ia perceber nada e que já devia estar a emagrecer uns dois quilos, só pelo esforço mental. Depois la comecei a tentar fazer o meu puzzle, a combinar os alimentos entre as listas e lá percebi que afinal, aquilo resulta numa dieta normalíssima. Muita fruta, muitos vegetais, alguns alimentos proibidos, alguns a terem que ser pesados e mais não sei que.
A grande diferença, do meu ponto de vista, é que aquilo, no fundo, ensina a planear as asneiras. Por exemplo, num dia como hoje, onde há a possibilidade de querer sair á noite e embarcar em coboiadas tipo shots de tequila, porto-me muito bem o dia todo e nada de comer o que eles chamam pecados. Noutros dias, se me tiver portado bem e me estiver mesmo mesmo a apetecer, como uma colherzinha de Nutella.
Para conseguir cumprir com a dieta, o meu grande truque é planear. Á sexta, em vez de vir aqui ao blogue, ou ao facebook, ponho-me a planear as refeicoes da semana. Sábado, vou ás compras. Se por algum motivo, a coisa falhar, se me faltar algum ingrediente, a coisa descamba logo, que eu com fome, viro leoa e como a primeira porcaria que tiver na dispensa.
Apontar tudo o que como, também ajuda. A semana passada, já andava aqui armada em convencida, a imaginar os comentários quando passava “olha a magra” (que em inglês é Look at that skinny bitch) e já não apontei nada. Mau resultado.
A grande diferença na minha alimentação, actualmente, é não fazer nunca uma refeição sem salada. Uma das listas que me deram é a dos alimentos que aumentam o metabolismo e tomate, alface e pepinos e outras cenas bué da aborrecidas, não só enchem e fazem comer menos hidratos de carbono e carnes, como, dizem eles aumentam o metabolismo. Também descobri que a meloa é poderosíssima nesse aspecto, por isso, vá de enfardar meia meloa todas as manhas. Morangos, amoras e framboesas, também ajudam. Esses uso para enfiar no iogurte magro, para coisa passar melhor.
Também uso uns truques novos quando estou a cozinhar. Ao inicio, não usava azeite mas sim uma merda com que se da umas borrifadelas, com menos de uma caloria cada, mas quando estive de férias em Portugal, meti azeite em tudo e essa foi a altura em que emagreci mais.
E pronto, basicamente é isto. E resulta

quinta-feira, 19 de julho de 2012

É nisto que eu acredito

Descobri mais sobre mim própria num ano e meio a viver fora, que em 30 anos e meio, na minha zona de conforto.
Descobri o quão triste consigo estar, mas como consigo sobreviver.
Que tenho mais tomates do que achava para dizer a alguém num nível superior ao meu que, ou resolve o meu problema, ou terá um problema.
Que me adapto ao frio, à chuva, ao vento e até à neve (btw, dá para parar com essa merda dessa moda de pôr fotos, no facebook, dos painéis do carro que marcam temperaturas absolutamente proibitivas, que eu ainda hoje vesti o penado para levar a cadela à rua?).
Que sou muito mais forte do que pensava.
É por isso que me posso dar ao luxo de estar triste um ou outro dia. Esse é um desses dias.

E os meus planos para o fim de semana sao:
- maratona da serie o Sexo e a Cidade;
- balde de Nutella (segunda-feira logo volto à dieta);
- esvaziar por completo (por completo, Clara Maria!) o cesto da roupa suja;
- visitar os saldos do Ikea;
- e brincar com a Balti, que no meio disto tudo é quem me atura e bem merece.

Só me custa que isto seja tudo por causa dum mísero gajo, mas enfim, diz que é humano e que depois passa.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Momento alto do mes

Uma colega trouxe-me sal portugues, comprado na Alemanha.
Só quem já tenho vivido num pais onde o sal é merdoso, percebe.

Sem pontinha por onde se lhe pegue

É mais fácil  acreditar que se pode pegar na ponta da não indiferença e desemaranhar todo um novelo, desenrolar, desenrolar, até se chegar a essa outra ponta onde esta tudo o que sempre se quis, mereceu e essas tretas todas, que perceber que há pessoas e/ou situacoes que mais não são que uma pequena linha que nem para coser um botão serve.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Quando é que acaba?

Digam o que disserem, uma relação não acaba quando assim o decidimos. Não sei o que é necessário para acabar. Deixar de gostar é sem duvida o grande ponto final, mas será assim tao preto no branco?
Os outros pensam ver mais longe que nós, pensam ser mais inteligentes, pensam saber mais que nós, mas não sabem. Não estão lá, não sentem, não vêem com os nossos olhos.
A palomita escreveu aqui há tempos que é uma espécie de falta de inteligencia, mesmo em pessoas mais maduras, formadas, com idade para ter juizinho, enquanto a tal pessoa mais madura lhe disse que “sao as coisas do coracao” que são assim mesmo.
Talvez seja essa a explicação. Nem sei bem. Só sei que o que é verdadeiramente necessário é dar a coisa por acaba. E historias há em que não se dá a coisa por acabada assim.
Podemos ter a certeza que não é o que queremos para nós, que merecemos mais, que somos estúpidas, etc etc etc.
As coisas acabam quando acabam e é tudo o que posso dizer. Há coisas que tem que ser vividas e pronto. Pelo meio há situacoes desviantes? Há. Há excepcoes, sobretudos nos casos em que há um objectivo demasiado concreto para um tema tão cinzento.
Fui magoada, fui. Tenho alguma perspectiva positiva? Não. Terminou? Eu acho que não. Não faço nada, nem para dar continuidade, para dar a coisa por terminada, mas enquanto houver agua por rolar, não há muito mais que possa fazer senão deixar o tempo passar.



(enquanto o corrector ortografico me punha os tils que o teclado irlandes nao me permite, percebi a quantidade de vezes que escrevi a palavra "nao". Talvez esse devesse o sinal.)

E a dieta, pá?

Quando uma pessoa percebe que, em 6 semanas, perdeu cinco quilos, o que é que faz?
Salta da balança, aos pulinhos e gritinhos, provocando um quase ataque cardíaco á cadela, volta a vestir as suas melhores roupas, dançando de forma atabalhoada enquanto verifica que a mesma serve outra vez, comemora, comemora, comemora, conta a toda gente, telefona á mãe, ao pai, ao periquito, manda mensagens ao ex, “agora é que estou boa como o milho, nem sabes o que perdes”, comemora, comemora, comemora.
Como é que se comemora qualquer coisa á boa e antiga moda portuguesa?
 Come-se.
Pronto, afinal são só 4,8 kg. Tendo em conta as comemoracoes, podia ser muito pior.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ao desengano

Desengane-se quem leu o post mais abaixo, sobre a idade e a velha e a gorda, que eu não sou propriamente nenhuma encalhada. Não sendo nenhum estampa, que não sou, sempre fui tendo a minha quota parte de pretendentes (como diz a minha avó). Uns mais giros, uns mais sérios, uns com melhores intenções, outros nem por isso. Tirando uma ou outra fase de maior seca, pode-se dizer que cheguei a estes meus 32 anos relativamente ocupada.
Desengane-se, também, quem está a ler isto e já a pensar "deves ser uma esquisitinha do pior". Também não é esse o caso. Tenho os meus requisitos, que isto também não está em saldos, mas são, digo eu, bastante razoáveis.
Enquanto muitas das gajas que conheço sonha com detalhes tipo olhos azuis, músculo até ao tutano, alguém disposto a prescindir da bola, para um curso de bonzai a dois ou mesmo que ele traga mesmo o cavalo branco entre as pernas (nunca antes tinha pensado nisso, será isto uma metáfora e afinal a cinderela é uma granda maluca?).
Eu tenho 3 requistos e apenas 3:

- que tenha sentido de humor;
- que entenda o meu sentido de humor;
- não seja um parvalhão que se atira a todo e qualquer rabo de saia.

Devo dizer que já tive algumas das combinações possíveis, duas a duas, mas há uma impossível de encontrar.
Até já conheci o gajo com sentido de humor, que não era muito parvalhão. Já tive o engraçado que percebe as minhas piadas. Mas, uma coisa é certinha, direitinha, quando eles percebem e acham piada ao meu humor, não há margem para dúvidas, são cabrões da pior espécie.

Toca a espevitar

Tenho andado afastada aqui disto e quando me acerco, faço-o muitas vezes numa perspectiva de encher chouriços, só para não deixar morrer a coisa.
Andei aqui com desculpas, faltas de inspiracoes,faltas de motivacoes e outros quejandos terminados em oes (e a falta que faz um til num teclado irlandes).
A idade pode ser uma puta de primeira apanha, que nos lixa, com f, a saúde, a aparência, a resistencia e sei lá mais o que, que eu ainda não estou nesse nível. Mas se há coisa que a idade me trouxe foi perder essa capacidade de passar do humor para o dramalhao e ficar, cada vez mais, pela parte humorística da coisa ou coisas.
E se eu tenho coisas para contar, oh se tenho. Só tenho que lhes apanhar a meada certa da coisa e depois é só desbobinar.
E isto tudo, apenas para informar que estou de volta, meu caros. Podem voltar, que eu estou por cá.

10 anos

O meu ex-namorado trocou-me por uma gaja 10 anos mais velha. A mim pouco se me dava a idade da senhora. Tanto podia ter 90 como 16, tinha-me roubado aquele que eu achava que era o amor da minha vida e isso já lhe valia o denominação de "puta da velha". Uma puta duma velha que passava bem pela minha idade, mais magra, mais alta e que só não era mais gira porque as actuais dos nossos ex's são sempre grandes trambolhos, antipáticas, umas desgraçadas, pelas quais fomos trocadas, porque eles, num momento de lucidez, perceberam que éramos demasiada areia para o seu camiãozinho e puseram-se na alheta antes que a coisa lhes corresse mal. É senso comum.
Na altura, as minhas amigas, apenas para comprovar a teoria acima descrita, apontavam muitas vezes os defeitos da dita senhora, sendo o mais evidente a idade da senhora e a diferença de idade entre os dois. Lembro-me de acharem que para ser solteira numa idade dessas tinha que ter um problema grave, tinha que ser uma frustadinha qualquer, que já tinha esgotado os da sua idade, só podia ser um trambolho ainda maior que aquele que nos era evidente.
Adivinhe-se agora há quanto tempo isto se passou? 9 aninhos bem contadinhos. Ou seja, eu caminho, a largos passos, para a idade da puta da velha. A puta da velha hoje tem 43 anos, continua magra e alta, mas com um filho nos braços e um verdadeiro traste ao lado.
Eu? Eu continuo solteira.
Sou como qualquer outra rapariga. Não tenho desculpas esfarrapadas para a minha solteirisse, não apregoo aos 7 ventos que não quero ninguém, não estou focada só no trabalho, tal como justifica a minha avó às suas amigas, não me estou a descobrir a mim propria, nem nenhuma dessas tretas que muitas ressabiadazinhas inventam para si próprias. Simplesmente não aconteceu.
Felizmente, isso não me tira o sono. Claro que houve momentos em que tirou, sobretudo quando alguma fantasia com algum rapazinho se desmoronou e sucumbi ao cliché "porquê a mim, vou ficar solteira para sempre, ninguém me quer, blablabla, buahbuahbuah".
A semana passada tive um momento desses, depois do miúdo com que andava encantada (mais novo, como o da puta da velha) ter resolvido dar beijinhos noutra gaja (esta não era mais velha, por isso, chamemos-lhe a gorda nojenta) e ter partido, mais um pouco, do meu coração, mas a verdade é que nunca me senti tão bem, como nesta idade. Acabei de perder cinco quilos, sem ganhar rugas (digo eu), tenho um trabalho que me permite comprar cenas giras (e uma primark quase à porta), aprendi a maquilhar-me e acredito que, embora ainda não se note muito, estou a ficar um bocadinho mais esperta.
Estou feliz. Pelo menos, por agora, enquanto não baixa em mim, esse cabrão desse instinto que diz que temos que procriar de forma monógama e duradoura. E isso vale mais que qualquer idade.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

É só hoje

Lembro-me de me perguntar como é que a flausina, como lhe chamavam as vizinhas, do terceiro andar, tinha engravidado, se não era casada. De só mais tarde perceber que o que era preciso era sexo e que bem me tinham enganado nessa historias das abelhinhas felizes para sempre.
Mas tarde, descobri também que a historia dos sapos era mentira e que eles não se transformam em príncipes.
Continuei a minha vida, para continuar a descobrir que não há preto no branco. Que há divórcios, que há traições, que há quem não saiba quem é o pai da criança. Que há pessoas que sobrevivem sem sexo e aquelas que não vivem sem. Que há pais que vivem relações abertas em frente aos filhos, e filhos que contam como as mães gostam deles mais novos. Que há casamentos que sobrevivem graças a terceiros elementos, que há amantes que sobrevivem graças aos cônjuges.
E é por isso que me sinto um pouco mais normal. Afinal de contas, sou apenas como a do filme, uma rapariga que gosta de um rapaz e que lhe mandou uma mensagem ás tantas da manhã. O facto dele não gostar de mim é apenas acessório. Não faz de mim nenhuma anormalidade, nem me obriga a bater com a cabeça nas paredes por simplesmente lhe ter dito que me magoou.
E, agora, para me consolar e comemorar o sucesso da minha dieta e os cinco quilos a menos, vou só ali comer um granda big mac e granda sundae. É só hoje, tal como a mensagem foi só ontem.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Se eu mandasse

Se eu mandasse nao havia cá essa coisa do não é carne nem peixe. Tudo seria invariavelmente intenso, bonito e quentinho.
Se eu mandasse nao haveria analfabetismo emocional, como o meu e o teu, e não teriamos que sair desta trapalhada toda.
Se eu mandasse não teria que fazer o pino ao miúdo a quem acho piada, nem teria que mandar à fava o chato que não tem pontinha nenhuma por onde eu lhe pegue - que outras pegarão.
Se eu mandasse só havia amor e amizade. As mulheres não quereriam cá colherzinhas no final, nem os gajos teriam sono depois do dito.
Não haveria engordas ou agradecimentos e muito menos dietas, que já lá vão 4 kilos sem um pão com manteiga que se aproveite.
Não Haveria distancias, nem culturas, nem pronuncias irlandesas indecifráveis.
Não haveria um a tirar um curso num ano, nem outro a obter diplomas ao Domingo. Haveria muitos. Equivalências pelas competencias. Cursos de experiências. Diplomas de vida.
Se eu mandasse, tu não me inspirarias particularmente, mas sim, genericamente, tal como todas as generalidades do mundo.
Se eu mandasse, não te escreveria a ti, aqui e agora, estas mesmíssimas palavras. Escreveria sim, algo genial, mais do mesmo, porque tudo seria genial, até o rotulo do champô que lemos na casa de banho.
Se eu mandasse...