segunda-feira, 16 de julho de 2012

10 anos

O meu ex-namorado trocou-me por uma gaja 10 anos mais velha. A mim pouco se me dava a idade da senhora. Tanto podia ter 90 como 16, tinha-me roubado aquele que eu achava que era o amor da minha vida e isso já lhe valia o denominação de "puta da velha". Uma puta duma velha que passava bem pela minha idade, mais magra, mais alta e que só não era mais gira porque as actuais dos nossos ex's são sempre grandes trambolhos, antipáticas, umas desgraçadas, pelas quais fomos trocadas, porque eles, num momento de lucidez, perceberam que éramos demasiada areia para o seu camiãozinho e puseram-se na alheta antes que a coisa lhes corresse mal. É senso comum.
Na altura, as minhas amigas, apenas para comprovar a teoria acima descrita, apontavam muitas vezes os defeitos da dita senhora, sendo o mais evidente a idade da senhora e a diferença de idade entre os dois. Lembro-me de acharem que para ser solteira numa idade dessas tinha que ter um problema grave, tinha que ser uma frustadinha qualquer, que já tinha esgotado os da sua idade, só podia ser um trambolho ainda maior que aquele que nos era evidente.
Adivinhe-se agora há quanto tempo isto se passou? 9 aninhos bem contadinhos. Ou seja, eu caminho, a largos passos, para a idade da puta da velha. A puta da velha hoje tem 43 anos, continua magra e alta, mas com um filho nos braços e um verdadeiro traste ao lado.
Eu? Eu continuo solteira.
Sou como qualquer outra rapariga. Não tenho desculpas esfarrapadas para a minha solteirisse, não apregoo aos 7 ventos que não quero ninguém, não estou focada só no trabalho, tal como justifica a minha avó às suas amigas, não me estou a descobrir a mim propria, nem nenhuma dessas tretas que muitas ressabiadazinhas inventam para si próprias. Simplesmente não aconteceu.
Felizmente, isso não me tira o sono. Claro que houve momentos em que tirou, sobretudo quando alguma fantasia com algum rapazinho se desmoronou e sucumbi ao cliché "porquê a mim, vou ficar solteira para sempre, ninguém me quer, blablabla, buahbuahbuah".
A semana passada tive um momento desses, depois do miúdo com que andava encantada (mais novo, como o da puta da velha) ter resolvido dar beijinhos noutra gaja (esta não era mais velha, por isso, chamemos-lhe a gorda nojenta) e ter partido, mais um pouco, do meu coração, mas a verdade é que nunca me senti tão bem, como nesta idade. Acabei de perder cinco quilos, sem ganhar rugas (digo eu), tenho um trabalho que me permite comprar cenas giras (e uma primark quase à porta), aprendi a maquilhar-me e acredito que, embora ainda não se note muito, estou a ficar um bocadinho mais esperta.
Estou feliz. Pelo menos, por agora, enquanto não baixa em mim, esse cabrão desse instinto que diz que temos que procriar de forma monógama e duradoura. E isso vale mais que qualquer idade.

6 comentários:

Quase nos "entas" disse...

Ai Clara!!
~`e ir vivendo um dia de cada vez!!
beijinho

nils disse...

Vai lá dizer ao rapaz que eu te beijei. Não beijei, mas é como se beijasse, dado que te beijava, se estivesses aqui à minha beira... ;)

clara disse...

nils, pensava que estavas morto, blogosfericamente falando. Vejo que, afinal, estas vivo... e atrevido ;)

Anónimo disse...

Entao estas livre outra vez fofinha?

clara disse...

Livre não é sinónimo de disponível, querido.

Anónimo disse...

Tu es dura de roer rapariga, mas como agua em pedra dura, tanto dah ate que fura!