quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Aqui há tempos decidi que já não tinha espaço na minha vida para uma pessoa. Não foi uma resolução de final de ano, nem de final de Verão. Não foi uma limpeza na minha vida, tipo aquelas que a malta ás vezes anuncia no facebook. Foi uma única pessoa, a quem durante muito tempo, deixei uma fresta de uma porta aberta. Que servia, muitas vezes, para que entrasse de rompante, deixando um caos na minha vida, digno de muitos pacotes de Kleenex. Chegou o dia em que achei que o espaço que lhe cabia nesse mundo podia ser por mim controlado. Não foi uma decisão difícil, nem precisei de grande esforço para a por em practica. Viver longe ajudou no processo.
Tomei essa decisão e nunca mais me lembrei, até ao dia em que um evento importante se deu na sua vida. Estava a par do dito evento e, caso não estivesse, os facebooks e afins desta vida, estiveram lá para me lembrar. Nesse dia, perdi dois minutos da minha vida, para decidir que não fazia sentido qualquer tipo de comunicação da minha parte. Não pensei em consequencias, não achei que o meu silencio fosse causar qualquer reaccao, como tantas outras vezes o esperei, em tempos idos. E voltei a não pensar no assunto.
Pois que bastaram dois dias para essa pessoa voltar a dar noticias. Confesso que, dessa vez, perdi um pouco mais de tempo a pensar no assunto e pensei até numa possível resposta da minha parte, quiza a passar a mensagem sobre a minha decisão. Achei que  devia ser firme na minha decisão e que, se esta pessoa já não existe na minha vida, também a sua mensagem nao tinha sequer ocorrido e deveria ser ignorada. Voltei a não pensar nas consequencias. Pensei que a mensagem se devesse talvez a curiosidade e que o meu silencio daria a resposta procurada e o assunto estaria encerrado. Mas não ficou e essa pessoa voltou a insistir.
E isto fez-me chegar á conclusão que essas tretas todas que levamos a vida a ouvir são uma grande mentira. Não é o desprezo, não é silencio, não é esperar que tudo aconteça quando menos se espera, enquanto se assobia para o lado. As coisas acontecem e as pessoas aparecem no momento em que nos estamos, efectivamente, a cagar e demasiado ocupados a cuidar de nós próprios. É no momento em que nos focamos em nós próprios, genuinamente, sem egoísmos, sem forma de escape, que os outros reparam ou lembram que existimos.

5 comentários:

Pec disse...

Também tenho essa sensação. Não sei se é aquela atracção "ah, agora que não me ligas e estás focada em ti própria pareces uma pessoa interessante" se somos nós que estamos tão de bem connosco e com as nossas coisas que o que nos vem interromper o fio à meada nos "tira do sério". Mas não sou do tempo de acreditar em coincidências.

Anónimo disse...

"...as pessoas aparecem no momento em que nos estamos, efectivamente, a cagar..."

clara disse...

I'm a lady ;)

RBM disse...

been there. e não deixa de ser ingrato.

Anónimo disse...

Concordo, mas só acontece isso para quem nos devemos efetivamente estar a cagar. Para todas as outras, as que se preocupam, essas aparecem sempre. Mas como nunca sabemos quem é quem devemo-nos cagar para todos e depois selecionar:)
Gostei deste testemunho. parece simples, e qd metemos as coisas na cabeça até é. O que eu acho difícil não é a tomada de decisão de não lhe ligar. É a capacidade em ignorar qd nos liga ou envia uma mensagem. E aí o que fazemos?