quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E é isto

Não posso generalizar e dizer que isto de mudar de país é igual para toda a gente. Para mim foi dificil. Posso dizer que o meu primeiro ano na Irlanda foi o pior da minha vida. Engordei 10 kilos, estive uns 6 meses sem o periodo e chorava, literalmente, o tempo todo. Acordava a chorar, adormecia a chorar, tomava banho, comia, trabalhava, sempre a chorar. Tive umas boas semanas de baixa, andei de mau humor, não dizia piadas, nem falava com ninguém. Eu, que sou a faladora mor, a seguir ao meu pai. Que falo em todas as situações, mas todas mesmo e se a coisa for mesmo boa, esquece lá o ingles, que tenho que dizer que a coisa é boa, mas em português.
Mais um ano passou e, surpresa das surpresas, hoje até digo que esse raio desse ano me trouxe coisas boas. Arranjei a cadela mais fofinha do mundo, com quem tenho uma ligação afectiva absolutamente surreal. O melhor do ano, sem dúvida. Mas também trouxe outras coisas. Isto vai soar a cliché, mas a verdade é que me trouxe uma aprendizagem muito grande. A de que tudo passa. Por esta altura, o ano passado, eu odiava isto, achava impossivel vir a sentir-me confortavel aqui e queria a todo custo regressar a Portugal. Hoje, surpreendentemente, não me apetece voltar. Não para sempre, mas para já. Tenho seguido todo o panorama politico e económico, mas confesso que me apetecia fazer como o macaquinho. Não ver, não ouvir, não falar.
Politiquices à parte, hoje sinto-me bem aqui. Aprendi que tudo passa, que eu sou eu em todo o lado e que há de tudo em toda a parte. Conheci pessoas más, mas também conheci pessoas fantásticas, daquelas que ficarão para a vida e que um dia convidarei para o casório, se isso acontecer. Desapaixonei-me por completo. Durante algum tempo, podia aparecer o irlandes mais charmoso do mundo, o Pierce Brosnan, claro, que eu não estava nem aí. Apaixonei-me por um irlandes bem menos charmoso que o Pierce e desiludi-me. E voltarei a apaixonar-me por outro gajo qualquer. Assim como o irlandes, o pouco charmoso, claro, há de voltar a pensar em mim, que isto, os homens voltam sempre, mesmo que, às vezes seja para mal dos nossos pecados e há de ser quando eu nao estiver nem aí e nem me lembrar que isto de andarmos desencontrados é uma chatice.
E por isso, aprendi a ser mais leve. A ficar triste, chorar um bocadinho, que também faz bem e é uma boa alternativa à ingestão desenfreada de nutella, mas lembrar-me destas coisas e voltar a sorrir enquanto as escrevo.

7 comentários:

Anónimo disse...

"E voltarei a apaixonar-me por outro gajo qualquer." Qualquer nao prinssuza! tem de ser aquele! aquele e somente aquele! que isso do qualquer soa a foda mal dada! Eh como se fosse uma night stand como muitas que acontessem e dai saem muitos bebes!!! Planeia lah a coisa melhor, que isto de surpresas agradaveis acontece pouco na vida real.

clara disse...

O qualquer refere-se a nacionalidade, que isto nunca se sabe o que é que nos calha na rifa. Pode nao parecer, mas sou uma miuda com criterios. Don't worry ;)

Anónimo disse...

Nice girl! You're going to get there.

Quel* disse...

Cada vez mais a ideia de emigrar no final do curso está presente na minha cabeça. Não há dia que não pense nisso, e em como vai ser difícil para mim, que adoro o meu país e não consigo estar longe dos que amo.

clara disse...

Não é fácil, não, Quel. Mas é como tudo na vida, também é uma experiencia muito gratificante, em vários aspectos. Apesar das agruras que passei, continuo a Aconselharvivamente toda a gente a ter uma experiencia internacional, uma vez na vida. Seja um erasmus, uma pos graduaçao, um trabalho. Acaba por valer a pena.

Karina sem acento disse...

Eu estou há 3 semanas na Irlanda, vim ter com o meu marido que está cá desde Março. E ainda estou nessa fase do chorar o tempo todo, e mesmo assim já estou melhor. Não é que não goste disto, mas as saudades da minha família são mais que muitas. E o frio... o frio tem-me deixado doida... por isso, para mim não tem sido muito fácil, não... Mas vamos ver, espero que se vá tornando mais fácil ao longo do tempo... ***

clara disse...

Karina sem acento, a mim o que me custou mais ao inicio foi a falta de sol. Nas ultimas tres semanas, a coisa até nem estado má ou então fui eu que me já habituei. A verdade é essa, nós acabamos por nos adaptar a tudo. Boa sorte neste teu começo. Não te vou dizer para não chorares, porque acho que faz parte, mas posso-te garantir, a coisa melhora. Um dia dás por ela e é muito mais facil.