sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Emigrar

Cada vez mais pessoas vem parar a este blogue, através de buscas no google sobre emigrar, viver fora, viver na Irlanda.
Tenho receio que os meus posts induzam as pessoas em erro e pensem que seja coisa que eu desaconselho.
Muito pelo contrário, eu aconselho vivamente.
Não é fácil, não senhora.
Custou-me muito estar longe da familia e amigos, custaram-me as diferenças culturais, o clima, a gastronomia.
Nunca na vida tinha visto nevar. Já tinha visto neve na serra da estrela, em andorra, na suiça. Em vários sitios. Mas nunca tinha visto o acto de nevar.
A primeira vez que vi nevar, estava cá há umas 3 semanas. Foi um Domingo. Achei o máximo. Abri as cortinas e enquanto bebia o meu chazinho, ficava a olhar da minha enorme janela, deste rés-de-chão, os putos a brincarem. Bolas de neve, bonecos de neve, anjos na neve. Muita giro.
Até chegar segunda-feira e ter que ir trabalhar. Abrir a porta e levar com a neve na tromba. Não conseguir abrir o carro, porque o gelo as colou. Perceber que não sei travar na neve. Perceber que não sei andar na neve. Cair de cú algumas vezes. Ter os pés molhados, porque a melhor bota comprada em Portugal, é uma merda na neve.
Foi-me dificil adaptar à comida. Só caril e comida indiana e agridoce e batata com batata. Chegar ao supermecado e não encontrar os produtos a que estava habituada, não os saber dizer em ingles, não perceber a organização da coisa. Não gostar da comida e engordar a olhos vistos.
Perceber que o ingles que considerava bom, não me chegava para conseguir comunicar. Desistir de tentar perceber alguma coisa nas reuniões, para tentar simplesmente manter-me acordada.
Achar que é um espectáculo sair às cinco da tarde, para perceber que para comprar alguma coisa tinha que ir a correr, a correr, porque fecha tudo às seis.
Não foi fácil, não senhora. Mas sobrevivi.
E essa é a parte que vale a pena. Uma pessoa que sai da sua zona de conforto, cai, mas levanta-se. É a natureza humana e faz parte de nós, desde que aprendemos a por-nos de pé.
O homem pode ser um animal de hábitos, mas, na verdade, adapta-se a tudo. Seja o que for.
Descobri que não sou melhor que ninguém, sou normal. Esse conhecimento, na minha opinião, é poder.
Venha o que vier, lá estarei, de pé.
Vale a pena

3 comentários:

Anónimo disse...

Ganda Clara Maria, estas-te a tornar uma leoa!!

tiago leal disse...

Também ando a pensar em emigrar, mas enquanto não tiver que ser, também faço como o macaquinho. Mas olha, sabes que mais? Acho que escreves mesmo bem! Beijinhos!

clara disse...

Obrigada, Tiago. Já ganhei o dia :)