terça-feira, 30 de outubro de 2012

Desvios

Esta semana fez dois anos que me mudei para Irlanda. Em tom de comemoração, resolvi repescar um post sobre o assunto. E não foi preguiça, acreditem. Tive que ler uma data de porcarias escritas por mim própria e é com muita pena que constato, sou uma seca.

De qualquer foram, gostei deste post, em particular, ao qual hoje, mudaria muito pouco. Talvez apenas a cena da data final. E é por isso mesmo que é interessante. É a minha prova de que vida dá muita voltas.

"You can't go home again, diz Thomas Wolfe, no titulo de um romance. 
Li isto há dias num comentário num outro bloque e fiquei a pensar nisto. 
A minha primeira reacção foi de negação. 
São muitas as vezes que, vivendo na Irlanda, penso que só quero voltar para casa. E acredito que um dia será possível".
Isto, às vezes, é duro e durante algum tempo, só me apeteceu fechar os olhos e esperar que passasse ou que, por algum milagre, me teletransportasse para casa. 
Quando decidi abraçar este desafio, fi-lo, por achar que iria encontrar algo melhor. Economicamente, profissionalmente, pessoalmente. E à primeira contrariedade, esqueci-me desse meu objectivo. 
Achei que isto não trazia nada de bom, nem nenhuma transformação na minha pessoa. 
Até que dei por mim a pensar, na quantidade de vezes que aprendo algo no trabalho e me ocorre como me daria jeito no meu antigo trabalho. Hoje, não o faria da mesma forma. Assim, como, não consideraria os mesmos pressupostos para aceitar um novo emprego. E outras transformações, mais pequeninas, menos visíveis, vão ocorrendo, sem que eu me consciencialize delas. 
Aprendi que, se tudo nos corre mal, temos que procurar um denominador comum e, muitas vezes, muito provavelmente, este denominador somos nós mesmos. 
Se todos têm medo de falar connosco ou, pelo contrario, todos sentem a liberdade de nos falar de qualquer forma, temos que mudar a nossa estratégia, a imagem que transmitimos. Deixar o ataque como defesa ou a defesa como ataque. 
Foi preciso mudar de pais para perceber isso, mas percebi e, ao mesmo tempo, relembrei o meu objectivo inicial. Melhorar. Sendo esse o objectivo principal, porque não começar por mim própria? 
Delineei o meu plano. Hoje, posso dizer qual vai ser o meu ultimo dia aqui. Qual a data em que vou regressar e como vou sobreviver. Um plano a longo prazo tem desvios e eu estou bem consciente disso, mas pelo menos, tomei as rédeas e deixei de esperar por outros ou por milagres. Quem esta mal, muda-se. A si própria se for preciso. "




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