domingo, 11 de novembro de 2012

Questão pertinente

Quem me conhece sabe que eu e exercício físico não andamos de mão dada. Fixe esta expressão. Obviamente, ninguém anda de mão dada com o exercício físico, mas a verdade é que há muita coisa que, se eu pudesse, se tivesse mãozinhas, eu daria logo a minha. Pois ao exercício físico, nem um abraço de misericórdia, que é aquela coisa que quase sou incapaz de negar.
Mas tudo tem uma razão e a verdade é que eu tenho um trauma. Uma daquelas coisas que nos marca para a vida. Não é por ser preguiçosa, nem nada disso. Não me subestimem, sff.
Quando comecei a trabalhar, ao lado do meu escritório havia um ginásio duma daquelas cadeias consideradas finórias, só porque nos dão uma toalha limpa, se lhes dermos 10% do nosso ordenado. Andava tudo doido com aquilo. Que era o melhor ginásio, que era o maior. Infelizmente, as pessoas ainda acreditam que tamanho é qualidade. Uma pena. Enfim, depois daquele alarido todo, eu lá resolvi experimentar.
Na altura em que me fui inscrever, havia uma promoção qualquer, que oferecia um check-up médico e umas aulinhas com um PT. Eu, na altura, ainda acreditava que PT era personal trainer.
A coisa começou logo mal com o check-up médico, que de médico tinha muito pouco. Era o próprio PT que nos ligava a umas máquinas, no meio do ginásio.
Estávamos no meio de pessoas-armário, a "encher" que nem as bestas que são, quando o dito PT me informa que tem que me meter uma merda duma máquina na cintura e para isso tenho que levantar a t-shirt. Ali, no meio de dezenas e dezenas pessoas que, claramente, estavam todas a olhar para mim. Era só a barriga que eu tinha que mostrar, não era para me armar em americana em cancuun, mas, foda-se, era para isso que eu lá estava, para dali a umas sessões poder mostrar a barriga em sítios tipo praia e quarto de casal.
Resultado, o gajo lá me põe aquilo na barriga, mais umas molas nos dedos e mais não sei quê e começa a olhar para o monitor. E eu fiquei só um bocadinho nervosa. E parece que isso altera ligeiramente, coisa muito pouca, os batimentos cardíacos. E o gajo começa a dizer que não com a cabeça e a dizer cenas tipo "isto é muito estranho", o que é capaz de me ter deixado um pouco, só um pouco, mais nervosa. Assim, enquanto eu me mantinha ali, firme e hirta, a fingir que aquilo era só a cena mais normal do mundo, o monitor informava o gajo que devia ligar imediatamente para o 115. Depois de alguma argumentação para o gajo não chamar nenhuma ambulância, ainda paguei outros 10% do meu ordenado, para os convencer que não precisava de nenhum atestado para certificar que não tinha nenhuma condição cardíaca e podia passar às aulas, sem problemas. Muito fina, esta cadeia de ginásio.
Passámos à aula e foi quando percebi que o P de PT, significa psicopata. O gajo queria matar-me. Mesmo. Já estava eu a deitar os bofes pela boca, o gajo pôs-me mais peso na máquina. Já estava prestes a desmaiar, ele veio e inclinou o tapete de corrida. Quando ia a rastejar, literalmente, para o balneário, o gajo aproveitou que já estava no chão e obrigou-me a fazer abdominais. Fugi assim que pude. Nunca mais voltei. E fiquei sem saber o que significa o T. Alguém sabe?

5 comentários:

Fuschia disse...

Passei de desprezo a medo. Se quisesse ir muito ir para a tropa não precisava de pagar 10% do ordenado.

Vai para a natação, hidroginástica ou alguma aula que tenha musica, eu acho que ajuda a ganhar motivação para ir.

Brenda disse...

Obrigada, dei uma boas gargalhadas com o texto.

O que me ri com o psicopata.

Esteve tudo errado, um bom ginásio não funciona dessa forma, tem que existir um espaço para essas avaliações, não dá uma toalhinha, dá duas no mínimo e as aulinhas com o PT servem precisamente para adaptar o treino às nossas características e expectativas...

Dúvidas e Certezas disse...

ahahahhahahah... será T de Tolinho da tola? :p

redonda disse...

:)))

Teresa disse...

O que eu já ri contigo! :)

Nunca tive uma experiência aterradora como tu, mas percebo-te perfeitamente, é que eu e exercicio fisico não somos muito intimos também.

:D