sábado, 17 de novembro de 2012

Sempre a aprender

Ontem, tive um jantar da empresa. Um murder mistery night, que é um daqueles jantares mistério em que temos que adivinhar quem matou não sei quem.
A coisa começou logo mal, uma vez que, por motivos que agora não interessam nada, eu, inicialmente, tinha decidido não ir e por isso, nunca li os mails enviados sobre assunto. Quando decidi ir, lá dei o meu nome, mas esqueci-me de ir ler os mails outra vez. Isto significa que eu nunca percebi que havia um dress code. E que, havendo, nem sequer era uma cena para se ir, simplesmente, bem vestido. Só no próprio dia, quando ouvi as gajas todas a falar no assunto, é que percebi que as gajas tinham que ir à anos 20 e os gajos de gangsters. Eram praí umas 5h da tarde e tínhamos que estar prontas às 6h. Valeu-me o facto das irlandesas adorarem bandoletinhas e peninhas e adornos que não lembram ao diabo em Portugal, o que fez com que conseguisse engendrar qualquer coisa, no supermercado mais próximo. Ainda assim, longe de estar a rigor como todas as minhas colegas, que levavam vestidos a preceito, meias a preceito, perucas ou ondinhas como se faziam na época. Mas pronto, levava uma pena na cabeça e dei-me por contente.
Como o jantar era numa casa em carcanhois de cima, tivemos que apanhar um autocarro. Devo dizer que os irlandeses não param de me surpreender. Aquela gente apareceu toda com sacos e saquinhos que eu não fazia ideia o que traziam. Pois aquela gente levava já bebidas para beber no autocarro, que isto se é para beber, o melhor é começar quanto antes. Uns levavam vinho, outros cervejas e a velha guarda, armados em mais finórios, para condizer com a farpela, levavam champanhe. Houve rolhas a rasar a cabeça do motorista e muito champanhe entornado pelos chão e pelas ditas farpelas.
O jantar foi mais do mesmo. A cena do mistério foi uma seca, com maus actores a fingirem que andavam à briga e a meterem-se connosco e depois, lá tocou uma banda, e ficou tudo doido.
A minha equipa não adivinhou o raio do assassino graças a mim, que como percebo muito de horóscopos, não fazia ideia que o signo virgem em ingles, diz-se virgo e não virgin e por isso, achei que a pista que dizia, as estrelas dizem que eu sou virgem, era bastante óbvia e mostrava que o assassino tinha nascido em Setembro. Ficou tudo muito impressionado e, no final da noite, quando fomos reler uns apontamentos que o estagiário tinha ficado incutido de escrever, se resumiam a todas as calinadas que eu tinha dito. Não foi bonito ver assim, escrito, tudo o que eu tinha dito e perdemos. A cena do signo era a única certa.
No autocarro de volta já ninguém bebeu, mas toda a gente cantou musicas irlandesas que eu não conhecia de lado nenhum.
Hoje, estão todos orgulhosíssimos, a medir a intensidade das dores de cabeça, no facebook.

1 comentário:

Estudassesahah disse...

"Mas pronto, levava uma pena na cabeça0 e dei-me por contente "

Esses gajos são doidos!