domingo, 30 de dezembro de 2012

2012

Sou menina para ir contra a maré e não me por a fazer balanços, nesta altura do ano, só porque toda a gente faz, mas... Pus-me a pensar neste meu ano que passou e no balanço que teria feito o ano passado, por esta altura e sinto-me tentada a dizer que 2012 foi o meu ano. Pelo menos, até agora. Passaram-se milhares de coisas este ano e acho que dei um salto que precisava ter dado há muitos anos. Já 2011 foi o meu não ano. Também me sinto tentada a dizer que foi o pior e espero que nunca mais venha um minimamente parecido.

Já escrevi mil vezes sobre o quanto aprendi, sobretudo sobre mim própria, já escrevi mil vezes sobre a história do denominador comum, quando estamos no centro de situações comuns e não me canso de o fazer outra vez. Ás vezes, preciso de fazer esse exercício, outras vezes, tenho esperança que seja tão esclarecedor para outros como foi para mim.

Eu, como muito boa gente, tinha dois defeitos, até agora (entre outros, claro). Primeiro, deixava a minha sorte nas mãos das situações, depois, esperava que os outros vissem o meu valor escarrachapado na minha testa. Demorei a perceber que o mundo, os outros e a nossa vida, é o que nós próprios fazemos dela. Uma pessoa é só uma pessoa e tem, na nossa vida, o espaço que lhes dermos.

Esta minha vinda para a Irlanda é o melhor exemplo. Toda a minha vida quis ter uma experiência internacional. Quando finalmente, a tive e percebi que é bem menos glamorosa do que a pintam, fui-me completamente abaixo. Arrependi-me e achei que tinha, por que tinha, que voltar para Portugal. Enquanto isso não acontecia, nem vivia dum lado, nem doutro. Ia a Portugal já a queixar-me do pouco tempo e já a sofrer por antecipação, por ter que regressar.
Um dia, acordei e pensei, "espera lá, afinal de contas qual era o meu objectivo?" Era aprender a língua, perceber essa coisa das diferenças culturais, conhecer pessoas, melhorar os meus conhecimentos a nível profissional. Quantas destas coisas estavam ao meu alcance? Todas. Eu é que não estava a fazer nada por elas. Esperava que só por ter feito a viagenzinha de avião, carregadissima, iria ter tudo caído do céu. Fiz a minha lista e resolvi começar pelo mais fácil. A empresa até me pagava as aulas de inglês, por isso, bora lá aperfeiçoar a coisa. Um objectivo riscado. Depois foi sempre a andar e a pouco e pouco, vi-me integrada num país bué da frio, vi os amigos aparecerem, vi frutos do meu empenho no trabalho. Às vezes, ainda há dias difíceis, ainda há momentos de solidão, ainda há muitas saudades. Mas agora é só às vezes. E em Portugal haveria outra merda qualquer.

Agora no finalinho do ano, voltei a ter uma situação menos boa, mais a nível pessoal, que, hoje, acho que também teve a sua finalidade. Eu sou uma analfabeta emocional. Há anos que não tenho uma história de jeito e, sinceramente, às vezes, isso custa-me. Tenho saudades de ter saudades de alguém, de ter borboletas no estômago, de beijos longos e abraços apertados.
Também eu, por vezes, meto na cabeça que o sucesso ou insucesso da minha vida nesse aspecto me define. E tenho um medo danado da rejeição por causa disso. Depois de tudo o que descrevi lá em cima, ainda me passa pela cabeça que determinada pessoa não querer nada comigo faz de mim um fracasso. Ou melhor, achava, até ter conhecido um rapaz recentemente.
No momento em que o conheci, achei logo que se ele me desse bola, saltar-lhe-ia para cima. Comecei por estranhar quando ele deu e pus-me logo a pensar que, desta vez, não podia fazer disparates. E fiz. Claro que fiz. Quando achamos que tudo depende de nós, fazemos tudo o que a nossa imaginação permitir. E bolas, se eu sou criativa. Falo demais, escrevo demais, rio demais, choro demais. A história não correu bem. O rapazinho acabou por seguir outro caminho onde eu não estava incluída. Mas a grande surpresa, aquilo que só tive capacidade de perceber recentemente, é que não dependia de mim. Ou pelo menos, não só de mim. As outras pessoas também têm vontades, também têm histórias e também têm fantasmas. Enfim, percebi que nem tudo depende de mim e que uma rejeição também é só uma rejeição. Que não posso exigir às pessoas que desconhecem o meu valor e, também, que há que apresentar valor e não armar-me em maluquinha "olha outro que não quis nada comigo, mais um e pardais ao ninho". Não foi mais um (não chegou a ser), foi uma pessoa que me ajudou a subir mais um degrau.

E termino por aqui o meu balanço, que isto já está muita grande e não era esse o meu objectivo. A minha grande lição foi só uma: as coisas são aquilo que fazemos delas.

1 comentário:

Vanessa disse...

Descobri o teu blogue, hoje, por mero acaso. Emigrei há apenas 1 mês para a África do Sul e já me revejo em muito do que dizes. Sobrevivi (I guess!) ao Natal e passagem d'ano, e já achei que não ia aguentar nem mais um dia... Mas «ler-te» encheu-me de coragem. Mesmo não te conhecendo, obrigada!

E bom ano!