quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Bullshit

Quando saí de Portugal, os meus amigos fizeram um powerpoint com factos sobre mim. Um dos factos, num dos slides, dizia que uma das minhas qualidades era a capacidade de rir, até de mim própria. Já agora, agradeço-vos pela selecção de fotos para ilustrar o facto. É sempre bom, mostrar a umas quantas pessoas a nossa imagem de olhos tortos ou boca escancarada, com todos os chumbinhos á mostra.

Se há coisa que eu gosto muito é de contar historias. Saio ao senhor meu pai, embora, como pupila ainda não tenha suplantado o mestre. Ainda não consigo contar toda a minha vida á senhora da caixa do supermercado, enquanto arrumo as minhas compras. Mas la chegarei, um dia destes.
Gosto de me gabar que não é a mim que acontece toda a espécie de aventuras, histórias engraçadas ou dramas. Deixo as pessoas a pensar que é só a minha forma de ver as coisas que é engraçada (ou não). E essa é a minha grande mentira. Não há nada que não me aconteça. E esta porcaria, ás vezes, parece aquela novela da tvi que nunca mais acabava. Isto é o anjo selvagem com a trinca espinhas que nunca mais se decidia por aquele actor com cara de sonso, que afinal anda metido nas drogas, cujo o nome, agora não me lembro (Zé Carlos?).

Sou desastrada por natureza, por isso caio mais que as outras pessoas, bato mais vezes com o pé na esquina da cama e uma vez, entrei dentro do carro dum amigo, com a boca toda rebentada e cheia de sangue, sem me aperceber. Tinha conseguido a proeza de bater com a cara na porta do prédio, mas fingi que não era nada comigo, para ele não se aperceber.

Também tenho a capacidade de atrair toda a espécie de malucos. Desde a senhora do pontapé, aquela que estava sempre ao pé dos barcos do barreiro, que nunca me chegou a acertar, mas foi por uma unha negra, ao senhor benjamim, o arrumador de carros, á porta da minha faculdade, que nunca arrumou um único carro e gostava de vir contar que tinha aquecido os pés á cunhada ou que trazia no bolso uma garrafa de agua do luso, sem agua, mas sim cheia de tintol. Desde o amigo que fez 100 quilómetros com o travão de mão do carro puxado e achava que o cheiro a queimado era da cassete que rodou durante os tais 100 quilómetros, ao gajo com quem dei umas voltas e uns meses depois é colhido por um toiro, fica em coma e acorda a achar que tinha um cavalo e que eu era a mulher dos seus sonhos. Bem dizia a minha professora de Biologia, não os juntem que eles se juntarão. Este magnetismo, no fundo, no fundo, deve explicar muito sobre mim.

Isto para dizer que não há uma puta duma coisa que não me aconteça. O que me vale mesmo é tal capacidade de rir sobre as coisas. Não tivesse eu essa capacidade e era menina para fumar 500 cigarros, em vez de 250.
Isto hoje pode não ter muita piada, mas um dia ainda vou rir muito desta merda.

2 comentários:

Soneca disse...

Deixa lá, contenta-te em saber que há mais gente que partilha o mesmo "dom"! lololol

Cor do Sol disse...

LOL

olha que somos parecidas em algumas coisas. Devias ver as minhas mãos, tenho mais umas 3 feridas desde as últimas que te mostrei :p