domingo, 30 de dezembro de 2012

E porque é que decidiste emigrar?

Pois. Não decidi. Acho que esse é o truque.
Na minha empresa, todos os anos, temos que escrever um "Plano de carreira", onde temos que explicar o que gostávamos de fazer, onde nos vemos daqui a uns anos e mais umas tretas que dizem que servem para se lembrarem de nós, caso surja a oportunidade. Daquelas coisas que nós achamos que só servem para encher chouriço, quando nós até já tínhamos o chouriço quase a rebentar. Para despachar a coisa, todos os ano recorri à frase feita "experiência internacional para desenvolver e adquirir conhecimentos".
Praí em Maio de 2010, perguntaram-me se gostaria de integrar o novo projecto que estavam a desenvolver na Irlanda. Não me lembro de sequer ter parado dois minutos para pensar, "bora!" foi a minha resposta e já está. Porque na minha empresa as coisas não são tão taxativas, seguiram-se meses de muitas entrevistas, algumas negociações e muito tempo para pensar no assunto. Que, basicamente, não foi utilizado para esse fim. Tive momentos de medinhos "ai Meus Deus não quero nada ir", tive momentos de certezas absolutas "isto é mesmo o que eu quero", mas a verdade é que não pensei muito ano assunto. De repente, estávamos em Outubro e eu já estava a chorar em jantares de despedida. Quando dei por ela, estava a tentar enfiar todo um interior dum T2 na margem sul, numa mala emprestada.
Dois anos depois, já me arrependi, já me congratulei, já chorei e não foi pouco, já fui feliz. As saudades apertam sempre, mas com o tempo, vamos aprendendo a viver com elas e a desfrutar das novidades duma nova vida.
Poda ter sido muito diferente? Talvez. A verdade é que este foi o meu caminho e não conheço outro. Não sei se tivesse pensado muito no assunto, se seria diferente. Provavelmente, não teria vindo.

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