terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Já passou

Não gostei do meu Natal. Acho que não gosto do Natal e tenho vergonha de o assumir. Nunca vi ninguém que vibrasse tanto com o Natal como os irlandeses e há algo mágico nos seus olhares, nestes dias. Invejo-os um pouco por isso. Por terem a coragem de pôr corninhos de renas nos carros, de passarem o dia a ouvir e a cantar wham ou the pogues, enquanto ignoram os estrangeiros que dizem que já não aguentam e de se vestirem com camisolas de Natal.
Este ano estive longe. Fiquei pela Irlanda, porque todos estavam longe uns dos outros, o ano passado. Nasci numa família pouco pacifica que se recusa a tolerar-se, mesmo nestes dias. Obrigam a dividir-me e, por isso, decidi ser eu a egoísta. Não foi bom.
Tentei lembrar-me de um bom Natal. Só me ficaram dois na memória. Aquele em que recebi uma boneca que andava e outro, muitos anos mais tarde, em que o meu bisavô resolveu que devia poupar nos presentes e embrulhou o que tinha lá por casa. Livros do reader digest e revistas pornográficas do tempo de mil novecentos e troca o passo. Deu para perceber como eram essas coisas antigamente (e que estas coisas também são cíclicas, que a Rita Pereira fez uma produção parecedissima, este ano) e que ele tinha alzheimer. No ano seguinte, recusava-se a estar connosco porque não sabia quem éramos.
o resto, o que ficou, foram as filas no transito, os encontrões nas lojas e as discussões lá em casa.
Já passou. Venha daí o resto do ano que é, sempre, bem melhor.

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