quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Na proporção certa

Tu não me conheces. Eu podia vir aqui e contar-te uma história, explicar-te que sou assim e sou assado, ocultar-te que acordo sempre de mau humor, mas refutar que esse é o único momento do dia.
Pedir referências aos amigos, que te contariam histórias que me envergonhariam, mas esconder-te-iam as que os envergonham a eles.
Fingir que estou feliz quando estou triste, publicar os rascunhos quando já não me importa.
Podia vir aqui e contar que comprei a lingerie, segundo a vendedora, cor de cereja e ocultar que não faço zumba há mais de mês e comi Nutella há cinco minutos.
Podia também contar que, em miúda, mentia aos meus pais para sair à noite, que a única vez que tentei cabular, numa escala de 0 a 20, tive 2, porque petrifiquei com aquela merda, que fui sempre apanhada nas mentiras, porque falo durante o sono. Também podia contar que sou muito boazinha, mas soa-me sempre à hipocrisia de quem se acha muito boa pessoa porque faz caridadezinha. Como a outra, que prefere a caridade à solidariedade social.
Sou ao contrário dos outros, que acham sempre que o mundo é que está ao contrário. Eu acho sempre que estou do avesso, até ouvir, ler, ver as mesmas histórias e perceber que afinal, isto é só natureza humana. Falo da minha inteligência emocional, até perceber que quem sofre de verborreia é a tal senhora que diz aquilo dos bifes e da caridadezinha num meio social, fazendo bandeira do seu analfabetismo.
Aqui, podia ser quem eu quiser, até porque, na verdade, sou um bocadinho de tudo. Mais proporções de um lado, menos do outras. Talvez as proporções erradas, mas quem sabe quais são as certas.

1 comentário:

a secretária disse...

gostei!