terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O vestido

E uma bela metáfora.

 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pára agora

Por mim, o tempo podia ter parado ali, naquele instante. Não sei precisar se foi um segundo, se meia hora. Sei que foi o tempo de um abraço, o nosso abraço, o beijo que não foi.

Recordo-nos como nos filmes, a preto e branco, o motorista do autocarro que nos esperava, dando-nos o tempo daquele abraço. A romântica que há em mim, imagina-nos como essas personagens que se despedem, à porta de um comboio, a minha perna levantada, qual heroína duma história de amor. Não me lembrei desse pormenor da perna. Será que o fiz?

Deixo que o meu tempo tenha parado ali, naquela memória, a preto e branco, a perna levantada, que já não importa se o foi ou não. Fecho os olhos e vejo-nos. Peço ao tempo que páre, peço-te a ti que não venhas, peço à memória que não me traia, peço que esta seja a última, peço este final, o feliz.

 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Se nao parecesse mal...

Diria que isto também se aplica aos homens:

"Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas."

António Lobo Antunes

 

 

Roubado descaradamente daqui.

 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Interesse?

Comentário de um amigo, depois de levar com o meu rol de queixas sobre a minha vida amorosa:
"Mas tu até tens alguns pontos de interesse".
Não fosse eu muita convencida e diria que me estava a chamar feia.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

E por falar em respostas

Ás vezes, as mesmas chegam-nos, de onde menos se espera. Uma espécie de sinal divino, em forma de post, em blogue alheio. Isto, por vezes, ate pode ser senso comum, mas precisamos de ver escarrapachadinho nas palavras dos outros, para as vermos.

Eu descobri a minha resposta aqui, mas parece que o original vem daqui. É tão isto, pá:

Desde pequenos somos programados para pedir, para perguntar. e menos para dar, ou responder. "quem não chora, não mama" deve ser das piores teorias que se ensinam, porque encerra em si o facto de quem dá, só o faz porque alguém lhe pediu/chorou. teoria triste, porque tudo o que recebemos, quando pedimos, sabe sempre - apenas - a resposta. e o melhor de ouvir não são respostas. "eu também gosto de ti" tem só metade do valor de: gosto de ti. "eu também quero estar aí", não vale quase nada ao lado de: eu vou aí! é que "eu também", podendo ser a melhor réplica que se pode ter, é apenas isso mesmo: uma resposta. e as coisas que contam mesmo não são respostas. são afirmações. desde pequenos somos programados para pedir: queres namorar comigo? dás-me um beijo? casas comigo? deve ser por isso que desarmam as pessoas que em vez de perguntar, afirmam. não dizem dás-me um beijo. dão. não perguntam: queres viver comigo. entregam as chaves da casa. não perguntam se vamos amar para sempre: tatuam esse amor na pele. porque as melhores afirmações não se dizem, não se escrevem, fazem-se! as afirmações que realmente contam são gestos: quando se vai contra um muro só porque se quer alguém que está do outro lado, quando se enfrenta o mar bravo só porque se quer ir mesmo naquele barco. quando alguém nos mostra com actos e atitudes que é ao nosso lado que quer estar, sem o termos pedido, ficamos com o peito cheio de certezas, algumas que nem sequer sabíamos que podíamos ter por isso "do you love me?.." é a pior pergunta que se pode fazer. por muita ansiedade ou necessidade que se tenha em ouvir, é preciso saber esperar, no nosso canto, que o mundo nos diga o que quer de nós, o que somos, e para quem contamos. porque nesse momento, quando sem pedirmos, o mundo se muda, se transforma, se vira de pernas para o ar, só para nos mostrar o que valemos, aí sim, vamos ter todas as certezas que nenhuma resposta nos podia dar.
desde pequenos somos programados para pedir. sorte a de quem aprendeu, ou foi ensinado, ou tem a capacidade natural de, antes de questionar, entender. antes de criticar, saber colocar-se do outro lado. antes de pedir, dar tudo. para antes de perguntar.. ver.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Para queijinho

Porque, em tempos, fui uma miúda dedicada às ciências, cedo aprendi que para se obter uma resposta é necessário saber formular a pergunta.

Há muitas formas de se formular perguntas e, muitas vezes, as mesmas são feitas já moldadas à resposta pretendida. Diz que esse era o erro de muitos chamados ciêntistas. Queriam provar uma teoria, antes de fazer a pergunta válida para a resposta válida.

Acho que, nós leigos, que procuramos resposta com muito mais valor pessoal, que cientifico, cometemos, no nosso dia-a-dia, esse erro. E quando não erramos na pergunta em si, erramos pela sua falta. Há falta de perguntas, procuramos apenas as evidências. Os famosos sinais que, quando inexistentes, se inventam.

Sendo eu uma existencialista de primeira apanha, estas coisas atormentam-me. Como fazer A pergunta. A que não induza à resposta que queremos ouvir, mas sim à verdadeira, a que efectivamente leve a todas as respostas que queremos, a boa, pronto.

Depois de pensar nisto, descobri o primeiro requisito. Hay que tenerlos.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Not my type


Amigo – Ainda vais conhecer alguém que esteja de coração aberto para ti.

Eu- Blhéc… Nunca gosto desses.

 

 



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Novo mote

O próximo gajo que eu beijar será o último.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

I'm in love

Sou uma eterna apaixonada. Apaixono-me com muita facilidade e intensidade. Desengane-se quem pensa que volto no mesmo registo, o dos gajos. Nada disso, aquilo de que falo é da paixão sem tesão. Sou apaixonada por objectos, animais, amigos e amigas. Coisas e pessoas que me fascinam e que tenho urgências em conhecer, em ver, em absorver tudo aquilo que têm para me oferecer.
Quando mudei de país, acho que foi isso que me custou, separar-me das minhas paixões. E não, não havia mouro na costa. Esclareço mais uma vez.
Mantenho essas paixões, à distancia, com muita saudade. A casa que tive que alugar, os amigos, tantos, o Jamaica antes de ter à entrada uma estrada côr-de-rosa que lhe deu o triste estatuto de ser in e frequentado por pessoas que dizem "encarnado", um certo oitavo andar em Miraflores e as pessoas que o preenchiam, as escadas de emergência onde fumava ilegalmente e tantas tantas outras coisas.
Demorei a perceber que, enquanto falava deste melancolismo que é viver fora, era isso que me faltava, paixões.
Comecei por me apaixonar pela cadelinha mais fofinha do mundo e, não me interpretem mal, que eu adoro-a de paixão (daí a redundância), mas este coração é muita grande e havia espaço por preencher.
Apaixonei-me outra vez, pelas gémeas mais giras que já vi, ainda que só por fotografia, pelas pessoas que conheci recentemente, pela A pessoa, a gaja (senhora gaja, sff) com quem mais me identifiquei desde que cá cheguei, o calmeirão mais pequenino que alguma vez vi e o sósia do Snowden. E mais haveria, se este post não estivesse já demasiado grande, secante e lamechas.
Eu cá, estou feliz. Por estar tão lamechas outra vez. Por ter encontrado os meus. Porque tudo ficou tão mais fácil.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Teaser

Apetece-me voltar.

 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

3 anos

A 4 dias deste blogue fazer 3 anos, decidi que este é um ciclo que se fecha.

Não é uma decisão fácil. Por muito que não se ligue aos números, não é fácil renunciar aos 200 seguidores , aos links em blogues que se admira, à plataforma de comunicação, às coisas boas que isto vai trazendo.

Em 3 anos, diverti-me muito com certos posts, chorei com outros. Conheci pessoas fantásticas, troquei e-mais com pessoas extrordinárias. Tive companhia no Natal que, forçadamente passei sozinha, e encontrei palavras de conforto.

Foi aqui que conheci a Cor do Sol, que se revelou uma amiga sempre disponível e me permitiu conhecer um grande comunidade portuguesa na Irlanda, que tornou esta aventura longe de casa bastante mais aprazível. Conheci o BILF, com quem dei boas gargalhadas mas também aprendi lições de vida. Troquei mails com a Secretária em horas de aperto. Troquei comentários com a Isa quem tem tanto para nos ensinar. Descobri a Rita Maria, aquela que quero ser quando for grande. E, a cereja no topo de bolo, tive direito a link no blogue do maior anão da blogosfera. Trouxe-me até um anónino que, se às vezes, me irritava, me divertiu grande parte do tempo.

Na verdade, este blogue fez parte de quem eu sou, enquanto assim fez sentido. Ainda assim, relendo-o, concluo que se afastou do propósito para que o criei. Tornou-se quadro de recados quando me deu jeito, alvo de parvoíces quando estava tontinha, enche chouriços quando me deslumbrava com as visitas.

É fodido quando deixamos de acreditar nos outros e nas histórias da carocHinha, mas é mil vezes pior quando deixamos de acreditar em nós próprios. A vida é feita de altos e baixos e eu, neste momento, estou numa fase má, em que preciso de fechar portas para encontrar saídas. Terminar este blogue é um passo que faz parte desta minha demanda.

Talvez volte, talvez com outro nome, talvez só porque batem as saudades, mas, por agora, fico-me por aqui.

Obrigada aos seguidores, aos que linkaram, aos que comentaram e aos que, simplesmente, perderam um pouco do seu tempo para ler as minhas linhas.

Até um dia.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

30 minutos

Todos os dias permito-me pensar em ti durante 30 minutos, nem mais nem menos. Durante esse tempo, percorro com pressa todos os lugares, todos os momentos, todos os toques, os abraços, os beijos com sabor a tabaco e a cerveja. O teu olhar, esse olhar, o olhar. Tento prender os pormenores na memória. Se o abraço em que me sussurraste ao ouvido essas estórias, terá sido aquele ao pé do rio ou o outro ao pé dos bares. 30 minutos é o tempo em páro só para pensar em ti. Para a semana serão 20. Até chegar esse dia em que a saudade não se sinta. Até chegar o dia em que não me assaltes o pensamento enquanto preparo um documento importante, ou durante a reunião enfadonha, ou durante a reunião importante, ou enquanto falam comigo, os colegas, os amigos, os pais, ou enquanto sonho. 30 minutos. Até um dia.

 

Dava-me jeito dormir

Mas depois do filme com o cão, eis que sou brindada com uma gata com o cio, praticamente debaixo da minha janela. Seguem-se as brigas entre os gatos que acorrem ao seu chamamento e percebe-se então que há um vencedor, que se encontra, neste preciso momento, ás 2 da manhã de 12 de Setembro de 2013, a fazer gatinhos bebés.

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Catarses

Quando estou muito triste, vá se lá perceber porquê, gosto de ver filmes desses que emocionam. Não sei se é masoquismo, se é só uma forma de puxar a lágrima, que às vezes é tão necessária, se uma forma de minimizar os meus problemas com os ficcionados.

Isto hoje está tão mal que estamos numa de "Marley e eu". Preparem os lenços.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Yes we can

Passas a vida a acreditar que vai ser sempre complicado, que és uma complicada, que tens que fazer pinos e manobras e manipulações.

Até que chega o dia. Afinal é simples. Afinal ele liga antes de olhares para o telefone. Abraça-te com desejo no momento que te vê. Bebe as tuas palavras como se fossem mágicas. Ouve-te. Procura-te. Diz-te o que queres ouvir. Faz-te sentir especial. Elogia-te. Trata-te como nenhum outro.

E afinal, vai-se a ver... E não é bom na cama. Damn it.

domingo, 8 de setembro de 2013

Ipsis verbis

 

Secaram-me as palavras, mas cantam-nas por mim. Isto é tão bonito. Tão eu. Tão hoje.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Stranger kindness

Depois de uma semana a trabalhar cerca de 12 horas por dia, hoje deu-me um piripaque.

Isto de ser gaja não é fácil e diz que o cansaço extremo aliado a frustração, hormonas e outras porcarias que para aqui andam, costuma manifestar-se na forma de secreções ao nível dos sacos lacrimais. Sim, abri a torneira no meio do escritório. Para fugir à vergonha e tentar acalmar-me, que isto quando as torneiras se abrem é um ver se te havias dum rio que nunca mais acaba, corri para rua, para esfumaçar cigarros atrás de cigarros. Naturalmente, transeuntes que se deslocavam ao supermercado que fica mesmo depois das esquina, repararam. Who cares, antes eles que a malta do escritório.

Foi então que a coisa mais estranha aconteceu. Duas das pessoas que passavam, pararam. Um homem, ofereceu ali o maior número de piadas que lhe foi possível, uma senhora, sentou-se ao meu lado e ofereceu-me um abraço. A irlanda nunca pára de me surpreender. Dou a mão à palmatória.

 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Já te disse?

Gosto de ler. Gosto de me deitar cedo, para adormecer tarde a ler. Gosto de gelado de limão. Gosto de cerejas. Gosto de ti.

Gostos de banhos longos e quentes. Gosto de cantar alto quando ninguém me vê (ou ouve). Gosto de ti.

Gosto dos dias quando acordo cedo. Nunca gosto de acordar. Gosto de dormir a sesta à sexta à tarde. Gosto de ti.

Gosto de blocos e bloquinhos. Gosto de puzzles. Gosto de pintar, ainda que mal. E gosto de ti.

Gosto da Baltinhas. Muito muito muito. Ah, e já quase me esquecia, gosto de ti.

Afinal, aqui, também se fala de roupa

Hoje li um artigo muito interessante sobre o fato de banho ideal para cada corpo.

Ele é umas tiras de lado para a anca larga, folhos para peito pequeno, um sem número de truques para esconder ou realçar o pior e o melhor.

Descobri assim, que o meu fato de banho ideal... é nem sair de casa. Viver na Irlanda tem as suas vantagens.

 

Btw, menos 3 kilos. Vai buscar!

Para mais tarde recordar

Quando o dia te estiver a correr mal, tens um berbicacho para resolver no escritório, andas chateada com outras merdas e achas que nada pode piorar, lembra-te que pode. Podes chegar a casa, pronta para aquecer a postinha de salmão no microondas e deparaste-te com uma inundação que causou um curto circuito. A vida pode correr muito mal, mas se o chão estiver molhado e não tiveres televisão, frogorifico, aquecimento, água quente e internet, pode ser muito pior.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Noticias da Irlanda

Por mais anos que aqui se viva, este país consegue sempre surpreender. É verdade que só vivo há dois, quase três, mas já deu para perceber que cada dia há uma coisa nova, nem que seja uma chuvada de 5 minutos, num dia de sol. Aliás, minto, o que surpreende mesmo são 5 minutos de sol num dia de grandes chuvadas. Surpreende-nos o sol e o irlandês que imediatamente despe a camisa, busca os chinelos e corre corre corre para fazer um barbacue.

Sair à noite continua a ser o meu grande momento de estudo antropológico. Durante o dia, vejo as minhas colegas de camisinha abotoada, sapatinho raso, quase prontas para ir à igreja. Á noite... É vestir o calção mais curto, despejar a maior lata de laca na cabeça e borrar o baton mais vermelho. Se não houver calção, veste-se o vestido de gala. Aquele que se levou ao casório da prima da mãe.

Nas casas de banho dos pubs há sempre uma senhora com um carregamento digno do melhor salão de estética de Portugal. Não só a senhora está lá para ir mantendo a coisa limpa, passar-nos o papel para limpar as mãos, como fornece desodorizante, perfume, pastilhas e, nos melhores pubs, preservativos.

Depois do fim-de-semana, há sempre fotografias marcantes a circular no facebook. Ele é gordas a engolir miúdos, ele é gajos desmaiados no chão, miúdas a fazer chichi para os caixotes de lixo no meio da rua. Este fim-de-semana, depois de um concerto de Eminen, circulou uma fotografia de uma miúda a fazer sexo oral a um ruivinho, no meio do concerto. Só classe, esta Irlanda.

E o melhor disto tudo é o bem que nos pode fazer ao ego. Primeiro, uma pessoa sente-se logo magérrima quando vê as vestimentas, depois, há uma espécie de jogo "passa a outra e não à mesma", que garante atenção masculina. Podes ter sido a décima tentativa do gajo, mas bolas, you still got it.

Se fores ao Coppers, o kaxaça cá do sitio, e levares uma palmada no rabo, não haja dúvidas, o gajo esteve ali a escolher. O teu foi o merecedor de tamanha atenção. O pontapé que lhe deste naquele sitio, foi carinhoso. Obrigadinha, toma lá a outra face.

Finalmente, há que admitir, a ganga aqui tem outra resistência. Outra loiça.


 

 

 

 

You make me happy

Se te escrevesse, contar-te-ia que há pessoas que me apaixonam. Não dessas paixões que envolvem beijos e sexo e essas coisas todas que tornam tudo tão confuso. Não paixões dessas que envolvem exigências e compromissos e actos socialmente incutidos.

Se te escrevesse, explicar-te-ia essas minhas outras paixões. Por objectos, projectos, livros, pessoas. Pessoas em geral. Pessoas em particulares.

Se te escrevesse, dir-te-ia que também há paixões por olhares, por empatias, por aquelas frases que só duas pessoas entendem. Há paixões que surgem só do facto de podermos ser nós próprios. Só por esquecermos tudo o resto, o trabalho, o gajo que nos deu com os pés, os quilos a mais, até as dores nos pés. Há paixões por coisas, pessoas, animais que, simplesmente, nos fazem felizes.

Se te escrevesse, confessar-te-ia que vou sentir a tua falta...

domingo, 11 de agosto de 2013

Descoberta do dia

Os cães, quando estão ávidos de atenção, ficam felizes mesmo que a atenção dada seja para ralhar.

Também há pessoas assim.

 

Geração youtube

Através do youtube já aprendi:

- a cortar o cabelo a mim própria;

- a montar uma cama sozinha;

- a ensinar a cadela a deitar e a rebolar;

- truques vários de maquilhagem;

- quase quase a arranjar uma televisão (não me atrevi);

Claramente, não aprendi a arranjar as sobrancelhas.

Quanto tempo é que esta porcaria leva a crescer? Que é como quem diz, quanto tempo vou ter que ficar escondida em casa?

 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dá para parar?

Primeiro foram os electrodomésticos todos da casa onde vivo, agora os da casa da qual sou proprietária. Tudo avariado.
E isto é uma chatice, é que para avariada, já basto eu.

Superstições e crenças

Não sou uma pessoa supersticiosa ou religiosa. Acredito muito pouco. Não tenho problemas com gatos pretos, não leio horóscopos, nem sequer sei rezar.
No entanto, acredito que as pessoas precisam de acreditar. E acredito em várias fés. Há quem precise de acreditar num Deus que as guia, há quem precise de acreditar num amigo que dá um conselho, há quem precise de acreditar num sistema de saúde ou no seu próprio sistema imunitário, há quem acredite num livro que dita as regras, há quem acredite em medicinas alternativas ou bruxarias. O efeito placebo é uma coisa muito poderosa e o simples facto de acreditar é algo que torna as pessoas mais optimistas, mais confiantes, mais fortes.
Um colega meu trouxe-me um amuleto do seu país. Inicialmente, pensei que aquilo era um porta-chaves. Uma cena de metal, com um olho pintado. Quando ele me explicou que aquele suposto olho era, no seu país, visto com uma fonte de protecção e uma forma de afastar as más energias, pensei que ia agradecer muito e enfiar aquilo numa gaveta. Entretanto, ele explicou-me também porque é que das 300 pessoas que trabalham naquele escritório, eu era aquela a quem ele fazia questão de fazer tal oferta e que aquela era, para ele, uma forma de me proteger. Comovi-me um bocadinho. Acabei por pôr o amuleto na minha mala. Mal não faria e também não ocupava assim tanto espaço. Raramente me lembro que tenho aquilo na mala, mas volta e meia, enquanto procuro um isqueiro, uma pastilha ou umas das mil e trezentas coisas que levo na mala, encontro-o. E ajuda a renovar um bocadinho aquela que sempre foi minha fé. A fé em mim mesma.

domingo, 4 de agosto de 2013

Sex and the city

Um amigo meu andava num dilema amoroso com uma miúda. A miúda era duma religião dessas que nos são estranhas e que impõem regras pouco ocidentais. Nós, os amigos, achávamos que ela estava mesmo a fazer-se ao piso. O meu amigo tinha problemas morais, porque ela também tinha deixado o namorado lá na terrinha dela. Eu achava que ela precisava dum passo da parte dele para largar tudo. Que estava desesperada para isso. Os gajos diziam que ele era um coninhas, que se fossem eles já lhes teriam feito e acontecido e outras coisas com mais detalhe, que proferem quando se esquecem que eu estou ali ou que não sou um deles. Diziam que se não fosse ele a fazer-se homenzinho, seria outro qualquer.

Ela mandava-lhe mensagem as duas manhã. "Ai que quero estar contigo, ai que não posso, ai que me vou arrepender, ai a minha religião, ai que já quero outra vez". Cada um nós mantinha a nossa teoria e o nosso amigo mantinha a conversa sem passar à acção.

Afinal, os gajos tinham razão. Não resolveu ele o assunto, ela arranjou quem resolvesse. Mas não outro, como se esperava. Afinal, foi outra. A miúda da religiãozinha virou lésbica ou bi ou seja lá o que lhe convenha.

E ainda eu me queixo que a minha vida amorosa é complicada. A isto é que eu chamo ramadão.

 

Domingo de manhã

Acordei a horas indecentes, para um Domingo de manhã, como esta a que vos escrevo. Acordei com os vizinhos a discutir. A gaja está histérica. Só a oiço a ela. Faz elevações e entoações de voz dignas de um teatro de Shakespeare. Imagino-a a levar a mão à testa, em tom dramático. Afinal, sou normal.

sábado, 3 de agosto de 2013

Bbbbbbb

Ontem tive saudades tuas. Tenho sempre, como bem sabes, mas ontem lembrei-me de como, ás vezes, entravas por aquele escritório a dentro, qual furacão, e nos levavas a todos á frente, com o teu entusiasmo. Saudades de quando se entaramelava a língua por teres tanto para dizer, saudades de quando tinhas uma ideia e passados 5 minutos, ali a tinhas, num powerpoint de primeira categoria. Saudades dessa tua generosidade, cujo o exemplo que uso é a do estoril open, mas que podiam ser tantos, tantos. Saudades de quando apostavas "se ela quer, consegue". Saudades das noites regadas a vodka e whisky.

Ontem tive um bocadinho mais saudades tuas, porque o mundo é pequeno e cruzei-me com alguém, nesta Irlanda, que te ouviu os briefings preparados com tanto detalhe e empenho, que só os tinhas dado por terminados, ás 4h da manhã, do dia anterior. Alguém de quem, muito possivelmente, nem te lembras, mas que não se esqueceu de ti e te admira. Alguém que me contou isto, sem saber que somos amigas.

Ontem tive saudades tuas. Depois conto-te o resto. STF. Bbbbbb

Noves fora nada

Os meus trezentos e tal amigos ou conhecidos no facebook ou na minha vida menos virtual, trataram-me, durante 100% do tempo, como uma pessoa. Não puseram nem dispuseram a seu bel prazer, "hoje apetece-me isto, amanhã nem te dirijo a palavra". Todos os outros, que tenham entrado no meu mundo real ou virtual, foram eliminados. Essa foi a minha epifania. Sou gente e não aceito, nem que seja por breves instantes, que me tratem abaixo disso. Espero, assim, esclarecer qualquer dúvida pendente.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Menos é mais

Não sou perfeita. Também cometo erros. Também me arrependo de coisas. Ás vezes sou mesquinha, outras teimosa, às vezes tenho só TPM, que é um "só" que vem tudo e tudo leva à frente.

Tenho o meu lado negro. Tenho o meu lado ressabiado quando me sinto injustiçada, rejeitada ou outra coisa qualquer terminada em "ada", que agora não me estou a lembrar.

E para contrabalançar este post podia dizer que também tenho mil e uma qualidades. Temos todos. Afinal, sou só humana. Igual à maioria (há sempre alguém melhor, há sempre alguém pior). Eu, claramente, encontro-me na média. Não sou excepcional, também não sou horrivel. Sou o que sou. Já tive a minha fase adolescente complexada (talvez um pouco tardia), tenho dias maus, tenho momentos menos bons.

Sou igual a muitos de vós. Tão simples quanto isso.

Á noite, consigo deitar a cabeça na almofada. Sem pesos, durmo descansada. E isso sim, é mais do aquilo que muitos poderão dizer.

terça-feira, 30 de julho de 2013

The first date

Se há coisa que eu gosto é de ir ao cinema. Como toda a gente, gosto de ver filmes. Como todas as gajas, pelo-me por uma boa comédia romântica. Eu que sou pró tecnologia, que rapidamente assumi a minha paixão pela fotografia digital e troquei os livros pelos ebooks, não prescindo dum bom cineminha, no escurinho, com um bom surround sound system.

Também acho muito romântico uma ida ao cinema a dois. Os ombrinhos que se tocam forçosamente, talvez uma mãozinha dada, uma cabecinha encostada e um silêncio, entre duas pessoas, confortável. Se o filme exigir, um salto para cima do gajo, escondendo a cara no seu peito. É giro. É fofinho.

Mas se há coisa que não acho piadinha nenhuma é o convite para ir ao cinema, num primeiro encontro.

Primeiro, começa por haver toda uma logistica alimentar. O horário do cinema a isso obriga, a menos que se vá à sessão da meia-noite, o que me parece um ainda pior principio para primeiro encontro. O que é que uma gaja faz numa situação destas? Janta às 7h da tarde? Espera que o gajo alongue o convite para um petisquinho depois do cinema? Interrompe o dito, porque a barriga já faz sons dignos de escavar um buraco para me esconder? Depois de não sei quantas horas, sem poder falar, ao lado dum gajo que se quer conhecer? E esse é o verdadeiro problema do cinema, num primeiro encontro. Não se pode falar. E eu, mais do que querer conhecer o rapaz cujo convite aceitei, quero falar. Eu gosto mesmo muito de falar. Num primeiro encontro, ui, nem vos conto. Forçarem-me a estar caladinha quando há ali dois ouvidinhos virgens relativamente à minha vida todinha, é pior que tortura chinesa.

Naaa, lamento, mas terei que recusar o convite. Talvez para a próxima. Um cafezinho. Pode ser?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A música

Há pessoas que nos são aquela música inesperada que toca na rádio. Aquela que não esperavas. Aquelas que te fez assobiar, trautear, fazer caretas qual Beyoncé no seu melhor concerto. Ali, dentro do carro. Bem no meio do trânsito da segunda circular. Sem que te importes que os outros vejam ou o que os outros pensam. Aquela é a música que te faz cantar.

Entras no carro, resignado a mais do mesmo. Talvez o Nuno Markl outra vez, ou o outro da Antena 3. O trânsito que te vão informando que continua caótico, que é precisamente o contrário de caótico e está sempre parado, paradinho. A senhora do carro ao lado que põe o rímel com mestria. O senhor do carro de trás que tira macacos do nariz. Mais do mesmo. O destino, que uma vez passado o pára arranca, será a mesma secretária de sempre, com a mesma colega do lado de sempre, o mesmo trabalho de sempre. Relembras o telefonema que tens que fazer quando chegares. Talvez só depois de uma vista de olhos ao facebook. Talvez saias ao final do dia, um copo, dois amigos, talvez três.

A informação do trânsito outra vez. Que não te informa, porque já o sabes. A senhora que passou ao batom. O senhor que mudou de fila e ficaste sem saber se lhe ficou a limpeza feita. O Nuno Markl outra vez? Não. A música. Aquela música. A que te faz cantar contente. E esquecer a maquilhagem da senhora, o destino que é a secretária e até, imagine-se, o facebook para entreter.

Há pessoas que me são a música que eu não esperava. Entre Irlandeses, outros portugueses, outras nacionalidades que não interessam nada. Entre a falta de sol, a chuva, às vezes, neve. A que me faz cantar qual Beyoncé, que é como quem diz, ser eu própria, sem importar que os outros vejam.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Diz que há gente que passa fome

Se isto fosse como diz o Alvim, e o amor se comprasse, pela fresquinha, no mercado da Ribeira, é certo e sabido que a minha avó seria a primeira pessoa na fila. "É para minha netinha, que bem precisa".
Ao contrário do Alvim, eu acho que o que se devia poder comprar era o desamor. Na farmácia. Um comprimidozinho como aqueles para as dores de cabeça. Eu, assim que sinto uma pontada, já sei que vem dali enxaqueca. Enfio logo um nimed no bucho, que é por causa das coisas. Devia haver o mesmo para o sentir coisas (sejamos precisos que de amor sei muito pouco). Eu, assim que sinto um arrepio na espinha, já sei que vem de lá coisa. E, hoje em dia, não pode haver coisa. Não, se não nos derem o direito. Diz que temos que receber carta verde, senão é uma chatice. Ele depois tem que dizer que nunca nos enganou e nós vamos fazer finca pé "que faço eu agora com isto?. Deito ao lixo? quando tantos morrem de fome de amor (perdão, de sentir coisas, que eu de amor sei muito pouco)?". É que o Alvim tem razão, o Amor (ou sentir coisas) não se congela. Quer-se fresquinho. E que nem vos passe pela cabeça congelar segunda vez. Toda a gente sabe que descongelar e voltar congelar dá azo a salmonela. Uma chatice.
Assim como há o comprimido que evita a tontura perante uma luz mais brilhante, devia haver um que evita a cabeça que gira ao toque, ao beijo, à mensagem.
Devia haver o antídoto ao amor (ou ao sentir coisas, que é disso que vos falo).

terça-feira, 23 de julho de 2013

Torto

Aviso já que vou revelar um grande segredo da condição feminina. Não se zanguem comigo, isto é serviço público, só para percebermos que somos todas iguais e temos todas as mesmas angústias.
Nisto do gostar de alguém e não ser correspondido nós aceitamos muita coisa. O facto de não sermos correspondidas, o facto do gajo não estar para relações, o facto de não ter havido clique ou, até um "desculpa, mas foi só sexo". O que nos angustia mesmo mesmo é que haja outra.
E em havendo outra, temos um grande defeito que, acreditem, é pior para nós próprias. É a tortura auto-infligida. Nós vamos querer saber tudo. Se é mais gira, se fala mais línguas, se é mais inteligente, se escreve melhor ou se tem mais visitas no blogue. E até podíamos ficar pela coisa. Ver a foto, sim senhora, a miúda é gira, foi bem escolhida. Mas não, nós vamos procurar o defeito. As actuais dos nossos objectos de afeição tem que ter um defeito. No nosso meio, deixam de ter nome próprio e são conhecidas pela gorda, a velha, a magra, a burra ou, há falta de melhor, a puta.
Ela pode ser mais gira, mas nós somos mais simpáticas. Ela pode ser mais simpática, mas nós somos mais engraçadas. Ela pode ser o stand-up comedy em pessoa, mas nós temos mais amigos. Isto não nos acrescenta valor nenhum e faz de nós, as rejeitadas, mais em algo, sim senhora, mais parvas.
E procuramos, procuramos, até encontrar o defeito. Tem que haver algum. E se a única coisa que encontrarmos for o dedo mindinho do pé torto, vamos agarrar-nos a isso com unhas e dentes. E não contentes. Até podemos ter estado de manhã a reclamar da nossa celulite, ou do cabelo que nunca fica como queremos, ou a pela que não está lisinha, mas porra, a gaja tem o dedo mindinho do pé torto. Como é que o gajo não viu isso?

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Os meus vizinhos são melhor que os vossos

Quantas vezes serão necessárias para eles entendam que eu NUNCA lhes vou abrir a porta?

 

Sim, sou bicho do mato. Não vou a casa de ninguém sem me anunciar e agradeço o mesmo tratamento comigo. Gosto de andar por casa à vontadinha e não gosto que me interrompam.

Pára tudo!

Uma das coisas giras de se ter um blogue é perceber como é que a malta vem cá parar. E não é para estudos de Mercado, deixa lá ver, se eu escrever mais sobre o assunto, mais visitas e pardais ao ninho. É mesmo perceber que há gente com buscas extramamente pertinentes. Perguntas que eu me faço e raisparta, nunca me ocorreu googlar, como é que eu nunca me lembrei desta.
Hoje, alguém veio completamente ao engano trazido pelo google. Eis a pérola que procurava:


E esta busca deixa-me uma pergunta deveras pertinente. Preciso que, vocês, alminhas que me lêem, me expliquem isto, mas assim muito devagarinho. A grande questão que se me coloca ao deparar-me com o facto de alguém fazer tal bisca no google, é única e exclusivamente uma.
O que é um graço?

domingo, 21 de julho de 2013

São tão mariquinhas

O meu pai teve uma solipampa que lhe valeu dia e noite no hospital. Nada de especial, mas muitos exames para fazer despistes. Foi-lhe diagnosticado sindrome de Ménière, que é uma cena que faz com se perca o equilibrio e a noção de espaço. A malta mal se aguenta em pé ou esbarra contra cenas. Qualquer pessoa da minha familia está familiarizada com a coisa, já que a minha avó já tem isto há muitos anos. Já nos pregou valentes sustos, com tralhos a atravessar a estrada e idas ao hospital e muitas nódoas negras. É uma porcaria duma doença que nunca se sabe quando vai gerar um episódio. Mas é mesmo só isso, episódios. A coisa pode durar umas horas ou uns dias. Mas depois passa. Todos na familia sabemos que passa e ninguém fica com aquilo para sempre.

Liguei ao meu pai para saber como estava. A resposta:

- fiquei inválido (com a mesma voz dramática com que costuma informar toda a familia, quando está constipado, que está a morrer).

- não sejas tonto. Não ficaste nada.

- fiquei, fiquei. Não consigo fazer nada, não posso conduzir, tenho que andar agarrado ás coisas.

- mas isso depois passa.

-não passa, ainda não passou, NUNCA MAIS VAI PASSAR!

 

Escusado será dizer que, entretanto, já está fresco que nem uma alface.

sábado, 20 de julho de 2013

À la folie?

Pas du tout. Plus jamais.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Última hora

Eu nem sei como é que vos vou dizer isto. Vão ser peitos a encher-se de felicidades, olhos mareados de emoção.
Mas eu tenho que vos dizer, tenho que desafar, tirar do peito o aperto por não anunciar tamanha coisa. Isto tem que ser partilhado.
Sou a melhor aluna da aula de natação!
É verdade que também levo uns 20 anos de avanço ao resto da turma (ou eles é que me levam a mim) e que tenho o professor mais fofinho do mundo (eu não disse giro, nem sexy, nem nada do que essas mentes pensam logo!).
A verdade é que passaram duas horas, eu ali dentro de água a bracejar qual Michael Phelps e a engolir água qual… o que quer que seja que engole muita água e eu nem dei pelo tempo passar. Tive pena que a coisa tivesse acabado.
Já o corpinho, mais habituado a serões ao sofá, não parece ter gostado muito e hoje só me deixa mexer as sombracelhas. E os pulsos, pá? Alguém já teve dores musculares nos pulsos ou é só aqui a lontrinha?

terça-feira, 9 de julho de 2013

O estágio

Na verdade, eu nunca tive começos fáceis. Na minha vida, tive dois relacionamentos sérios, que durante um determinado período de tempo, correram muitíssimo bem, mas na verdade, qualquer um dos dois deu um bocadinho de luta.

O primeiro, vinha muito desgostoso com uma miúda que tinha deixado lá na terrinha. A Ana. A Ana era a mulher perfeita. A que tinha direito a foto no quadro de cortiça, mesmo depois de um mês de namoro comigo. A Ana servia para apontar todos os meus defeitos, numa tentativa de me moldar. A Ana é que era porque a Ana não fumava. A Ana é que era porque não roía as unhas. A Ana isto e a Ana aquilo. A coisa nunca serviu para que eu deixasse de fumar ou de ser ou própria fosse lá de que maneira fosse, mas servia-me para ficar ali de coração apertadinho, porque eu nunca teria essa admiração. Num dia de copos, o rapazinho resolveu ir mais longe e contar a uma espécie de amiga em comum que eu era muito fixe, mas ele gostava mesmo mesmo era da Ana (sim, eu devia ter percebido logo, mas enfim...). Acabámos, mas, por força das circunstâncias, continuámos a ver-nos todos os dias. E eu, como sempre, tinha metido na minha cabeça que aquele é que era. Vá de passar os dias com olhos de bambi, a bater pestana, que no meu caso é invisível e na altura, ainda não usava rímel. A coisa resultou. Entretanto lá voltamos, muito felizes e apaixonados, seguiram-se muitas trocas de amor eterno e nunca mais se falou na Ana.

Mais tarde, tive outra relação. Curtimos (isto ainda se usa?) já eu estava apaixonadíssima pelo rapaz, mas nunca mais se passou nada. Só passado um ano é que ele lá se decidiu a pedir-me em namoro. Mas o primeiro mês não foi fácil. Eu devia ter logo visto que ele não era boa rês, porque saía sem se despedir, desaparecia com os rapazes e apesar do pedido, aquilo não era nem peixe nem carne. Quando chegou a altura de fazermos um mês, combinámos uma celebração em grande, já que o menino batia todos os seus recordes. Já esfregava eu as mãozinhas de contente com ideia das velas, dos presentes e todos os clichés românticos que podia imaginar, quando somos informados que nesse mesmo dia, havia um programa qualquer de rapazes. Daqueles que acontecem todas as semanas, tipo jogar à bola, mas que são sempre imperdiveis. Aquilo gerou discussão e terminou com um "afinal não quero namorar, que isto é uma granda chatice".

E eu voltei a não desistir, a bater a pestana, desta vez, já com rímel, e um dia do nada, ou por motivos que não vou explicar, que só pertencem a nós os dois, a coisa deu-se. E durante uns anitos aquilo foi uma paixão pegada. O fim foi outro tipo de pegada, mas isso agora não interessa nada.

E acho que é por isto que, venho confessar-vos só aqui entre nós, que ninguém nos lê, passou-me por breves instantes, pela cabeça, pôr-me para aqui a bater pestana outra vez.

Só que isto de gostar de alguém é como ter um estágio em Portugal. Se alguém te diz, taxativamente que não gosta de ti. Se alguém se encantou com outros beijinhos, depois de provar os teus, que são de primeira categoria, não vale a pena. Uma pessoa esforça-se, esforça-se, mas já sabe, chega o final do contrato e não fica com o emprego.

 

 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O nós e o vós

Aqui há tempos, numa conversa entre amigos, cada vez que um dizia “nós, os gajos” ou “vocês, gajas” havia um espertinho que interrompia, muito ofendido com e passo a citar, a descriminação positiva.
Eu sou muito femininista. Agradeço por ter hoje a possibilidade de fazer um trabalho de que gosto e para o qual, modéstia à parte, tenho aptidão. Por não ter que passar pelas dúvidas existenciais da minha avó, num tempo em que ou se escolhia carreira ou casamento.
Também sou contra a descriminação positiva em todos os aspectos. Não percebo porque é que tenho que ter simpatia por uma pessoa que é um traste só porque este nasceu com uma deficiência e é um bocado coxo. O gajo faltou-me ao respeito, escudou-se na deficiência dele e agora eu e que sou a má da fita porque devia dar um desconto, porque coitadinho ele coxeia (atenção que isso não impede de fazer absolutamente nada e resume-se a um simples complexo físico). Também não concordo com as quotas no parlamento, porque me assusta uma escolha só para satisfazer um numero e não competências. Acredito que algumas mulheres teriam muito mais potencial que os homens estão por lá, mas diz-me a experiência que, essas, não estão para isso. Este sistema não as satisfaz. E isto dava tema para um post inteiro.
De resto, meus amigos, nós somos diferentes. Começamos pelas diferenças físicas, das quais não vou sequer falar. A partir daí, o resto é natureza. Fomos feitos para funções diferentes para o tempo das cavernas e isso faz com que tenhamos aptidões e raciocínios diferentes.
E eu gosto disso. Gosto de abraçar a minha feminilidade ao mesmo tempo que visto um par de calças. Gosto que me segurem a porta, que conduzam o carro por mim, que me paguem o jantar, nem que seja na roulotte das bifanas e gosto, sobretudo, que me expliquem essas coisas do “nós, gajos” e “vocês, as gajas”. Há diferenças e eu gosto de aprende-las e tentar percebe-las.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Serviço público

Desde que o google reader morreu, andei aqui perdida com os blogues. Quando, finalmente, consegui resolver o problema com um substituto medíocre, fiquei com mil e tal posts por ler, metade dos quais até já tinha lido. Em vez de marcar aquilo tudo como lido, fui revendo alguns, na diagonal.

Perdi a conta às vezes que li as gajas que escrevem que o amor é tão lindo, que são tão felizes, ai que já me conheces tão bem, que são dois num só ou que têm medo de se apaixonar, mas este gajo leva-as tão bem. É a técnica do fazer-se dificil do século XXI. No século XX não iam para a cama com eles, no século XXI, são moderninhas, independentes, aceitam as suas necessidades, apaixonar-se é que não, deixando já nas entrelinhas um "mas, se te portares bem e esforçares um bocadinho, a coisa até vai".

Pois eu conto-vos já, para vos poupar sofrimento, o que é que se vai passar.

Das duas uma, ou o gajo vai cagar completamente para as vossas merdas e vocês vão mudar o discurso, e dizer que nem sequer são assim, eles é que são especiais e estrabuchar um "pick me, pick me", ou a coisa até vos corre bem, e o gajo até faz uma forcinha.

Vão andar todos apaixonados, ver coraçõezinhos em todo o lado, escrever quinhentas mensagens, dizer merdas fofinhas, atrevidas, sensuais e outras merdas. Depois vão ter a primeira discussão ou a primeira crise de ciúmes ou a primeira dúvida. Um cabo dos trabalhos que agora é que o gajo me ficou a conhecer ou agora é que tiveram surpresas que afinal ele... Enfim. Passado uns tempos um vai ter dúvidas, um vai mijar fora do penico, outro vai ter outro achaque qualquer. Uns acabam, outros lá vão continuando. com mais tempo ou menos tempos, há três e apenas três finais possíveis. Vão assinar os papeis do divórcio ou vão ficar juntos a odiar-se mutuamente ou um de vós ou os dois vai andar em aventuras extraconjugais.

E escusam de vir cá contar que não, que com vocês não é assim (eu também costumo acreditar nessa merda, comigo vai ser diferente. Connosco é sempre diferente) ou que conhecem não sei quem que yadayadayada. Eu explico-vos. A história ainda não acabou. Os finais felizes são para a cena final do filme. O que vem depois, ninguém nos conta.

 

E aproveito este post para dizer aos casalinhos enamorados, às românticas incuráveis, a mim mesma e à vizinha que tem a pior gargalhada do mundo, que está neste momento, de janela aberta, a rir com o maridinho e a deixar a cadela doida e a ladrar como se não houvesse amanhã: vão-se todos foder!

Castigo

Vou fazer como quando tinha 4 anos, outra vez. Vou fazer birra. Bater o pé. Não queres brincar comigo, já não gosto de ti. Não queres o meu jogo, então também não jogo o teu.

Vou pôr-te de castigo. Privar-te de mim. É sempre o nosso pior castigo, privar-vos de nós. Até pode não ser grande coisa, mas é o melhor que temos. Sempre podemos poupar esse melhor, para quando faça mesmo falta. A rainny day, como dizem por aqui. A grande merda, é que quando privamos alguém de interargir connosco, privamo-nos a nós próprias de qualquer interacção. É o feitiço contra o feiticeiro. É o castigo auto-infligido. A curto prazo. Acho.

A definição #2

Gostar de alguém é uma canseira. É pôr-nos com malabarismos. Contar mil histórias à velocidade da luz, numa tentativa frustada de mostrarmos que somos tão boas, até fazer os ouvidos do outro sangrar. É ser ridícula, perceber e continuar. É achar que vai ser um alivio, o não já tenho, já posso descansar e dar por nós a fazer tudo tudinho outra vez. É ridículo.

 

Hoje estou em modo não e modo tenho-quatro-anos-não-escrevo-nada-de-jeito-vou-fazer-birra.

A definição

Gostar de alguém é uma merda. Ponto.

E não me venham com tretas que com a pessoa certa e pardais ao ninho, blablabla. É um facto, eu gosto sempre da pessoa errada. Erradíssima. Não passo de começos-não-começos atribulados que me fazem sentir uma tontinha sem noção. Pelo menos, poupo-me a esse trabalho que vejo outros terem, das famílias, das casas, papeis de divórcio, gestão de expectativas, não do outro, mas de terceiros e outros quejandos que vejo por aí. É uma merda.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Já vos disse que a Isa é que sabe?

Por que escrever exorcisa, é como falar alto e já dizia o meu prémio Nobel da literatura de eleição: as coisas perdem metade da importância quando ditas alto. A partilha é de certa forma egoísta, como praticamente tudo o resto resume-se ao Ego.

Roubadissimo à Isa, daqui

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

E gostei

E finalmente, a coisa deu-se. Primeira aula de natação done!
Os balneários, esse meu grande pesadelo, superaram, em muito as minhas expectativas. Nao vi maminhas, nem tufinhos, nem ninguém nu. Porquê? Porque o balneário é misto.
O duche tem menos de um metro quadrado, o que dificulta um bocadinho a tarefa de não molhar toda a tralha que se leva atrás e a tarefa de me vestir sem bater com um cotovelo ou um joelho numa das 4 paredes.
Eu andava muito preocupada que o fato de banho para este efeito nao me servisse. Em vao. A malta aqui, não precisa de nada xpto nem de sunga ou lá o que aquilo é. Pelo que vi, fio dental é aceitável e tenho cá para mim que um dia destes terei que deparar-me com um toplessinho. Voluntário ou involuntário.
Alguém me tinha falado na logística da coisa, sobretudo para nós gajas, pés arranjados, depilação feita, etc. Pfff. Fiquei a saber que, na Irlanda, isso são pormenores facilmente negligenciados. Percebi isso depois do professor ter pedido a outra aluna para fazer um determinado movimento fora de água, que implicava levantar o braço. Nunca, nos meus piores dias, o meu pelinho loirinho baterá a imagem a que fui sujeita.
A aula fez-se bem. Não dei pelo tempo passar, o que tendo em conta que se trata de uma actividade a que se chama aula, é muito bom. Juntando-lhe a isso, o exercício,  ou seja, ser uma aula de exercício físico e foi para lá de espectacular.
Consegui atingir o objectivo de beber dois litros de água por dia. Dentro da piscina. É que e suposto estar com um olho na burra e outro no cigano, mas em difícil, que é um olho debaixo de água e outro fora, enquanto se tenta  bater os pés na proporção certa, fazer o movimento certo com os braços e respirar. Ou inalar. Agua ou ar, tanto faz.
Gostei.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Até que...

Ergues a cabeça e esticas o peito. Recomeça outra vez. Ocupas a mente e cansas o corpo. Dás novos passos, tens novas ideias, trocas o certo pelo incerto, que no fundo nunca foi nenhum dos dois, mas rouba à tua avó essa esperança duma neta casadoira e rende-a à ideia de que a que lhe calhou tem muitas ideias, um dia é mudar de casa, no outro correr o mundo. Sentes que já és grande. Fazes as tuas resoluções. Decides que nunca mais. Nem este, nem outro que não cuide de ti. Na verdade, nem um que cuide, que isto de escolher correr mundo não dá grande hipótese. Mas sentes-te bem, corajosa, madura, aventureira. Sentes-te bem, ponto.

Até que bate uma saudade...

Isso é…?

Aqui há uns anos havia um anúncio onde perguntavam “e se um homem te oferecer flores, isso é…?” . E depois ia-se a ver e era porque a gaja usava Impulse, um desodorizante ou perfume ou lá o que aquilo era. E hoje, quinhentos anos depois, a questão que se coloca é, e se o rapazinho da frutaria, onde passaste a ir todos os dias, por que andas a fazer dieta com muito afinco, com muitos vegetais e muita frutinha te oferecer… uma banana?

domingo, 30 de junho de 2013

Encher chouriço

 

 

sábado, 29 de junho de 2013

Ir à luta

De vez em quando, em muitas alturas da minha vida e não nesta especifica, que é para não virem cá com coisas, a malta pergunta-me "e porque é que não vais à luta?".

Como, senhores? É que à luta já ando eu, sobretudo a julgar pelo número de knock outs.

Faço mais o pino? Ponho mais maquilhagem? Visto a saia maus curta? Faço a dieta com mais afinco? Deixo-me ficar quietinha, à espera que a caça me apareça na mira?

Afinal, a resposta está aqui, que a Isa, tem resposta para tudo e quando não sabe, procura. Lóbiu.

 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ponha aqui o seu pezinho, devagar, devagarinho...

Fartei-me de reclamar de que ressonava sei lá como o quê, que nem um porco faz tanto barulho, que cada vez que se virava, se atirava ao ar fazia um mortal e caía na cama. O que nunca lhe contei, é que durante a noite, volta e meia, fazia-me uma festinha com o pé. Não houve cá conchinhas, nem abracinhos, nem vamos dormir juntinhos só porque houve striquini. Não sou muito dada a essas tretas, porque fico sempre com dores no pescoço ou peganhenta ou simplesmente desconfortável e já não durmo nada de jeito. Mas gostei tanto da festinha com o pé...

quinta-feira, 27 de junho de 2013

E a aula de natação, que tal correu?

Era na terça.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

As coisas são como são

Explicaram-me este fim de semana que as pessoas mais inteligentes são aquelas que, em chegando, a primeira coisa que fazem é gozar com elas próprias. E mais não digo.

A incansável busca

Ando há muitos anos á procura do “meu” desporto. Aquele que seja simpático, ate dê prazer e traga alguns benefícios.
Já tentei várias coisas e pensei noutras. Zumba e essas coisas novas, ate eram giras, se eu conseguisse não me ver ao espelho e perceber que, mais que nunca, pareço o Chico Treva. Aquela personagem toda atravancada de uma novela de há quinhentos anos.
Também achei que um personal trainer resultaria, porque me obrigaria a disciplina. Já escrevi aqui sobre a minha historia com o personal trainer, mas tenho preguiça de procurar o link. A verdade é que passado dois dias criei um ódio de morte ao gajo por me obrigar a fazer coisas que depois davam dores.
Tentei ténis, mas os meus reflexos estão ao nível de uma estátua das verdadeiras. Tive muitas dores. Mas só por ter levado com muita bola na tola e pela quantidade de vezes que apanhei bolas do chao. Agachamentos não faltaram. Eu gostei, mas nunca mais ninguém quis jogar comigo. Uma injustiça.
Pois diz que amanha é que vai ser. Isto agora vai. Brincar dentro de água sempre foi coisa que me agradou. E por isso, resolvi experimentar aulas de natação. Já me disseram que é duro, e que o instrutor ou professor ou lá o que homem é, grita um bocado enquanto diz coisas como “respira”, que é como quem diz “mete a cabeça debaixo de água, minha grande besta”. Também diz que obriga a mergulhar de cabeça e dar muitos chapoes ate conseguir. O gajo é que ainda não me conhece. Aposto em como desiste de me obrigar essas atrocidades na primeira aula. E não porque seja uma durona em quem ninguém manda. Sou mesmo só um caso perdido.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Gajas, pá

 

Esta merda é difícil. Eu bem podia ler o meu próprio blogue e aprender a teoriazinha toda. A cena que tudo passa, o não levar uma rejeição a nível pessoal, a descartabilidade, as escolhas, o caminho, essas tretas todas. Eu sei tudo, escrevo tudo.

Mas depois vem um cabrão que nos cai no goto (sem ofensa, tu sabes...) e vai-se a teoria toda pelo cano e pelos kleneex à beira da cama.

Está tudo à nossa frente e nós nunca queremos ver. Dizemos que não esperamos, é o que mais faltava, mas depois há uma puta de uma esperança que teima em nos acompanhar. Como se isso de alguém um dia acordar, ver a vida toda passar à frente e perceber que afinal aquela que ali sempre esteve é que é, acontecesse fora dos filmes.

Sou tão gaja que até irrita.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Créditos

Hoje, quando vi a foto da pipoca na praia e li os respectivos créditos às roupinhas e acessórios, quando li "barrigunfa" esperava que fosse como o chapéu e viesse do senhor seu esposo.

Afinal não, esclareceu-nos só que eram quase oito meses.

E assim, para sempre, fica a dúvida...

São todos iguais

O gajo até pode ser uma das pessoas mais inteligentes que conheces, pode proporcionar-te diálogos mordazes, pode dar-te respostas com duplos e triplos sentidos, que até te deixam zonza e afundada na dúvida.

Deita tudo por terra no momento em que te diz "aceito pagamento em géneros".

São tão previsíveis, pá!

É mais forte que eu

Digam o que disserem, há sempre um ponto de viragem. Nada acontece de um momento para outro. Há sempre, sempre aquele ponto em que podes escolher se queres avançar ou ficar por ali. E sabes que vai dar porcaria.
Até pode ser que vás lá só por curiosidade, por teres dúvidas se é mesmo aquilo que parece ou se são coisas da tua cabeça. Por achares que tens tudo sob controlo. Mas esse momento em que podes parar e pensar naquilo que estás a fazer, esteve lá. está sempre lá. Não há desculpas.

domingo, 23 de junho de 2013

A carta do Brad

Eu odiei a carta do Brad Pitt sobre a Angelina Jolie assim que a li. Primeiro, tenho a certeza de que não é real, não é escrita pelo dito. Mas vamos supor que era e dissecar a coisa.

A carta começa com uma incoerência. Alguém com tanto amor e respeito pela mulher, não iria nunca expôr uma fase difícil da vida dela. Não ousaria nunca dizer que ela estava magra de mais, desgrenhada e mais não sei quê. A suposta carta fala da necessidade de a elogiar perante tudo e todos. Neste caso, quem a escreveu parece fazer um elogio a si próprio.

Eu percebo a perspectiva de quem a lê. Acredito que as mais românticas leiam ali aquela coisa de se ter que conquistar todos os dias, pensam nos seus maridos/namorados/amantes/amores falhados e desejam que lhes fizesse certos reparos e miminhos. Percebo que nesta coisa de ter que se remar um barco, às vezes um tenha que dar mais ao braço, para permitir que o outro se restabeleça, desde que vá calhando a vez a cada um. Mas é necessário que ocorra um problema para que alguém se lembre de passar a ter este comportamento? Falo por mim, que quando estou apaixonada só falo nas qualidades. Seja às minhas amigas, seja ao próprio. Quando estou apaixonada, por mim, diria ao mundo. E não só porque, de repente, há essa necessidade.

 

Finalmente, "a mulher é o reflexo do seu homem?". Foda-se. Por mais que eu goste de um homem, prezo muito a minha individualidade. É que isto ultrapassa o machismo, o egocentrismo e o narcisismo. E o homem pode ser espectacular e eu posso muito querer que me apoie, mas ser o seu reflexo? Puta que o pariu. Mas porque é que anda meio facebook e blogosfera tão enternecido depois de ler esta última frase. Custa-me encontrar argumentos para refutá-la porque não percebo. Simplesmente, não percebo.

 

sábado, 22 de junho de 2013

Eu tenho dois amores

Cada vez que uma gaja leva uma desilusão, acredita piamente que aquele é que era. Eu ando assim com o raio da casa. Aquele é que era alto como eu gosto. Aquela é que estava bem decorada. Aquele é que era inteligente como eu gosto. Aquela é que tem bons electrodomésticos. Aquele é que se interessava pelas mesmas coisas. Aquela é que tem a varanda que eu nunca soube que precisava. Aquele é que me fazia rir. Aquela é que tinha parque de estacionamento. Se ele me desse uma segunda oportunidade iria apaixonar-se por mim, de certezinha absoluta sintética e analítica. Se conhecem-se a Balti iriam perceber que é a cadelinha mais fofinha do mundo.

Eu, neste momento, tenho dois amores. A cadela e a casa. Só que um é incondicional e para sempre. As gajas, nisto dos gajos, não sabem, mas também têm dois amores. E um também deveria ser incondicional e para sempre. O amor próprio.

 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Os meus amores são sempre não correspondidos

E isto é uma merda, que há coisas pelas quais eu me apaixono mesmo com muita facilidade.
Agora foi uma casa. Já tinha decidido que ia mudar de casa, lá para Setembro. Já estava escolhida. Mas de repente vi esta. Foi amor á primeira vista. Mas é no mesmo edifício do escritório. Pode parecer vantajoso, mas se fica o escritório muito acessível para mim, também fico eu muito acessível ao escritório. E sabe-se lá quem é que de lá sai  de manhãzinha...
E a casa não me quer a mim, porque tenho um cão. Já lhes expliquei que nem é bem um cão, é mais uma cena a pilhas que dorme 20h por dia. mas nas 4h que está acordada tem esse inconveniente de fazer aquilo que os cães fazem. Ladra. Não estraga nada, esta bem ensinadinha, mas gosta de ladrar, de vez em quando. É só por isso que se percebe que é cão.
Dizem os irlandeses, "caga nisso e põe lá a cadela ás escondidas". Sinto-me tentada. Nenhum amor é verdadeiro sem uma facadinha (bullshit, mas agora da-me jeito).

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Firme e hirta

O derradeiro teste à nova cama, montada por mim, foi finalmente feito. Ontem à noite. Dobrei peúgas. Aguentou-se bem à bomboca.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Perdas e ganhos

Dizia-me uma muito recente amiga que não é possivel que nos aconteça uma coisa boa, sem que o mundo não nos caia aos pés. Pode ser. Porra, que às vezes é mesmo. Mas a verdade é que isto é ciclico.

Sendo curta e grossa, que é por isso que gosto tanto desta amiga, não tivesse eu fodido tudo a ser gaja-mais-gaja-não-há e não tinha escrito os últimos posts. E não tinha recebido mails de pessoal muito fixe, comentários, não teria duplicado as visitas a este canto, nem me teria visto citada e partilhada noutros blogues e facebooks. Nem tudo são perdas. E eu acredito mesmo nisso. Assim como acredito naquilo que disse a um amigo quando este me falou na sua perda ao ter visto a sua relação terminada. E os ganhos para trás? E os 3 anos que passou com essa pessoa?

Apesar de aparvalhar de vez em quando, acredito no que escrevi aqui sobre os medos. Se a malta já sabe que vai lá, para quê pôr-se com merdas? Até pode iniciar-se uma coisa gira, sendo que gira não tem que ser dentro dos parametros que nos ensinaram as nossas avós, quando nos contaram a história da carochinha. Convém é não ir com a força toda, nem a pés juntos como eu. Limitações minhas, que é que se há de fazer?

Seja como for, posso ser descrente em muita coisa, mas nisto acredito, nada é uma fatalidade. A bonança tarda, mas não falha. Bem depois da tempestade. E isto dito por alguém que vive na Irlanda.

 

E hoje é isto

Quem quiser ouvir é p'ra ficar

Quem quiser prever pode sair

Mas quem quiser ouvir é p'ra ficar

Se eu nunca fiquei foi por sentir

Que a tristeza é sombra que nos cai

Quando tudo a volta nos destroi


Tiago Bettencourt em"Amor Maior"

terça-feira, 18 de junho de 2013

E tudo o que me apraz dizer neste momento é isto

Foda-se!

 

(não contem à minha avó)

 

Ás vezes compensa

Vir P'ráqui armar-me em drama queen:


Gosto de isto. Afinal, para quê preocuparmos com uma só pessoa, se tanta gente vem cá ler.

Ora toma!

É por breves segundos, mas é!

Os abutres

Gajos que vêm cá ler blogue, esclareçam-me, por favor? Vocês têm faro para estas coisas?
Durante anos da minha vida, sempre que eu conhecia alguém interessante e ficava um bocadinho mais entusiasmada, aparecia-me, do nada, o meu ex. E eu, tontinha, assim deixei para trás, várias vezes, a possibilidade de vir a ter uma bonita e saudável relação.
Desta vez foi ao contrário. Não conheci ninguém interessante. Perdi apenas o foco numa fantasia.
 Pois ele foi o gajo que não tem pontinha que se lhe pegue e achou que eu capaz de estar num sitio muito especifico de Portugal, só porque ele lá está e o espanhol de mierda que, depois dum mês, resolve ligar (ligar???Quando andávamos, levava uma mensagem e já ia com sorte se não fosse no facebook) só para me contar que já não tem pontadas no coração, mas tem uma costela solta. Diz que também põe muita manteiga no pão.
E isto até é bom. Assim, cada vez que o telefone toca, em vez de ter a esperança que seja alguém interessante, penso logo nestes abutres. E assim se cria uma totalmente nova relação entre mim e o senhor meu telemóvel.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fazer-se dificil

Tenho que confessar, ainda não percebi bem como é que é esta coisa de nos fazermos difíceis.

Uma amiga uma vez contou que tinha o namorado na mão. Que assim que ele se armava em esquisito, ela ligava e fazia o ultimato: "ou 'tás aqui em 10 minutos ou vou sair com as minhas amigas". E ele vinha logo. Oi? Mas ele não a deixava sair com as amigas? E era um gajo desses que ela queria?

Outra, contou-me que se o gajo lhe ligasse para saírem, dizia-lhe que não podia, só para ele achar que ela tinha vida social. Depois, passava a noite a ver a novela, comer gelado e a olhar para o telefone na esperança que o gajo ligasse. Nunca percebi se ela achava que ele ia implorar, só sei que vida temos todos. Uns mais atarefados, outros menos. Mas ficar em casa, quando se morre de saudades e até se teve convite, é coisa que eu não percebo. Expliquem-me? Isto resulta? E não dão em doidas?

Outra explicou-me, também, que quando o marido não lhe fazia as vontades, fazia greve de sexo. Epá, eu até percebo a greve de fome por uma causa maior, mas o castigo, afinal, é para mim ou para ele?

Finalmente, diz que se deve dizer não quando é sim, talvez quando é não e ainda descobri quando é mesmo não.Toda uma arte que eu claramente não domino.

Fica-me a questão, quando é que, finalmente, podemos fazer o que realmente queremos?

Excuse me?!?

Este fim de semana, inocentemente e só porque até gostei da rapariga, adicionei a namorada de um amigo no facebook.
Pois que esta manha tinha uma mensagem dele “se falares com a minha namorada no facebook, não lhe digas que naquele dia fomos a uma festa. Ela pensa que foi um jantar de trabalho”.
Ainda paciente, lá lhe respondi que não se preocupasse, não tinha qualquer intenção de falar com ela sobre o assunto.
Não contente, volta a mandar outra mensagem, para que não faca likes nem comentários nas cenas dela, sobretudo as que estiverem relacionados com ele, porque também sou amiga da não sei quantas e ela vai ver.
Já a achar que não tenho nada a ver com os imbróglios dele, lá lhe disse que sim.
Pois que o menino não está contente. Diz que os meus amigos vêem todos os likes e comments que faço a terceiras pessoas e só por causa dele, da nova namorada e da antiga, tenho que mudar os meus settings.

É preciso ter lata! Raio de corja esta do sexo masculino!

sábado, 15 de junho de 2013

O caminho

Para mim, o caminho sempre foi o da honestidade. Sempre ouvi dizer que se devia levantar só um pouco do véu, mostrar só o tornozelo, para deixa adivinhar o resto. Criar mistério como que para atrair a caça.

O problema é que só se consegue fazer isso até certo ponto. Os jogos são giros só quando levam a bom porto e o esforço que exigem é humanamente possível.

E é por isso que não capaz de esconder que algo me importuna, só em prol do véu que não pode ser levantado. Isso de que nos deixa mais vulneráveis é uma tanga. Quando se joga já se é, à partida, vulnerável ao comportamento e sentimento do outro e até a nós próprios, que perdemos um bocadinho a cabeça nestas situações. Esconder que algo nos magoa mais do que fingir que não se sente é esperar que o outro adivinhe, mude, compense. Começa-se a espiral do ressentimento com alguém que até se pode importar mas vai-se lá lembrar do que nos chateia.

Eu não estou zangada. Estive um bocadinho quando tive que me render às evidencias. Mas não estou. Nada me foi prometido, nada me foi declarado, nada foi, sequer, planeado. Simplesmente aconteceu. A velocidades diferentes para cada uma das pessoas. Como diz a Isa neste texto brilhante, se não se rema na mesma direcção, não se vai a bom porto.

Decidi ser feliz. Deixar o que me faz mal. Eliminar o mal pela raiz. Fechar essa porta da fantasia, para encontrar a da realidade. Tão somente isso. Não estou zangada, decidi ser feliz.

 

O caminho

Para mim, o caminho sempre foi o da honestidade. Sempre ouvi dizer que se devia levantar só um pouco do véu, mostrar só o tornozelo, para deixa adivinhar o resto. Criar mistério como que para atrair a caça.

O problema é que só se consegue fazer isso até certo ponto. Os jogos são giros só quando levam a bom porto e o esforço que exigem é humanamente possível.

E é por isso que não capaz de esconder que algo me importuna, só em prol do véu que não pode ser levantado. Isso de que nos deixa mais vulneráveis é uma tanga. Quando se joga já se é, à partida, vulnerável ao comportamento e sentimento do outro e até a nós próprios, que perdemos um bocadinho a cabeça nestas situações. Esconder que algo nos magoa mais do que fingir que não se sente é esperar que o outro adivinhe, mude, compense. Começa-se a espiral do ressentimento com alguém que até se pode importar mas vai-se lá lembrar do que nos chateia.

Eu não estou zangada. Estive um bocadinho quando tive que me render às evidencias. Mas não estou. Nada me foi prometido, nada me foi declarado, nada foi, sequer, planeado. Simplesmente aconteceu. A velocidades diferentes para cada uma das pessoas. Como diz a Isa neste texto brilhante, se não se rema na mesma direcção, não se vai a bom porto.

Decidi ser feliz. Deixar o que me faz mal. Eliminar o mal pela raiz. Fechar essa porta da fantasia, para encontrar a da realidade. Tão somente isso. Não estou zangada, decidi ser feliz.

 

Guilty pleasure

Tenho que confessar que li um bocadinho do novo livro do Arrumadinho. Não o comprei, nem faço tenções de ler mais do que li. Tinha ali uma curiosidade mórbida pela coisa. O pouco que li, estava escrito num português correcto (o que não é sinónimo de bem escrito) e não me pareceu que tivesse juízos de valor, o que significa que é bastante melhor que o blog do menino. O Arrumadinho fez um apelo no seu blogue e recebeu cento e vinte e tal histórias de desamor. E eu fiquei a pensar nisto. Realmente não percebo nada de marketing. É que sem precisar de apelar a ninguém, histórias de desamor não me faltam. E nem falo das minhas que, basicamente, são sempre a mesma. A semana passada estive em Portugal e vim de lá até perturbada. Desta vez, parecia que não havia uma pessoa que não tivesse em sofrimento ou a assistir a semelhante coisa.

Ouvi o rapaz que trabalhava num banco, mas me deixou na dúvida se seria um bordel. Ele foi a dos recursos humanos, a recém casada e só não foi a da caixa porque era demasiado fácil. Ainda assim, as excursões ao seu gabinete para mostrar o fio dental do dia, foram bastante apreciadas. A mulher, essa, estava em casa. Diz que é excelente dona de casa.

Ouvi a história da rapariga que se apaixonou loucamente pelo irmão do namorado.

Ouvi a história daquele que ao fim de X anos de casados decide que a sua preferência sexual é outra.

Ouvi a história do senhor que no 50o aniversário do seu casamento resolve contar à mulher que não sabe se tem outra filha. Bem anterior ao casamento. Fruto da relação com uma mulher casada que não quis tirar a pratos limpos quem era o pai. Contou também o senhor, nesse dia tão especial e ao fim de tantos anos, que não havia um dia que não pensasse na dita senhora.

Eu também podia escrever um livro. Mas como não sou casada com a pipoca era capaz de não ter quem me comprasse nem uma página. Uma pena.

domingo, 9 de junho de 2013

Preciso de tempo

Se uma pessoa me disser que não tem a certeza se quer ou pode sair num determinado momento porque não se sente bem ou não lhe apetece ou lhe morreu o periquito, eu consigo perceber. O que eu não percebo é que essa pessoa espere que eu fique à espera ad eternum e não siga a minha vida.

Nesta coisa das relações, começo a concordar com aquele texto do MEC partilhado e repartilhado quinhentas vezes nesta internet. Mais do que egoístas, as pessoas tornaram-se narcisistas, ao ponto de se esquecerem que se têm direito às suas escolhas, a outra parte também tem.

Uma relação implica um compromisso, cedências, partilhas, quiçá, sacrifícios. Acho válido que se tenham dúvidas e acho ainda mais válido que se seja honesto e se explique que se precisa de tempo, se precisa de pensar, se procuram certezas. Já não percebo aqueles que se armam em virgens ofendidas quando percebem que a outra parte escolheu não esperar.

Eu própria tenho as minhas incertezas, vou muitas vezes a um restaurante e fico ali indecisa se quero peixe ou quero carne. E acontece-me, muitas vezes, depois de saciado o desejo do peixe, ficar ali a pensar na carne que não comi e já não me cabe na barriga.

Quando dizemos a alguém que está ali a 100%, que afinal nós não estamos, seja porque se vive longe, ou perto, porque se é loira ou morena, porque se é gorda ou magra, quebra-se ali qualquer coisa e esses 100% tendem a decrescer. Às vezes quebra-se um pedaço de coração, outras vezes quebra-se mesmo a ligação. E há que saber viver com isso, arcar com as consequências, perceber, duma vez por todas, que as nossas palavras e comportamentos influenciam a imagem que o outro tem de nós.

 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Comigo é sempre mais complexo

Hoje disseram-me que sou muita castiça.

Isto é um elogio, uma ofensa ou só assim-assim?

 

Adenda: eu certifiquei-me, era mesmo castiça e não roliça.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ainda a vida de emigrante

Uma pessoa vem a Portugal, começa por aproveitar para festejar o seu aniversário. Com os amigos, com a família, com o pardal e o periquito.

Depois aproveita para tratar de cenas, a casa, os papeis, os bancos e todas as porcariazinhas que, nem nos meus melhores sonhos, a minha mãe deixaria passar.

Tudo debaixo de um calor abrasador.

Quando finalmente relaxa, põe creme, encolhe a barriga, põe os óculos de sol, endireita as costas e levanta o queixo, pronta para aquilo que durante um ano tanto almejou... chega à praia e está frio.

Resumindo

- o gajo auto-intitula-se "inho";

- o gajo usa calças vermelhas;

- como ainda não podia "andar na rua", o gajo levou o cão tipo pochette, ao colinho, para uma feira qualquer no CCB;

- o gajo criou um workshop sobre "como conquistar o homem dos seus sonhos";

- diz, hoje, que precisa de dormir com uma almofada entre as pernas e que não pode ter menos 2 cm.

 

Agora pergunto eu, como é que fizeram o filho?

Comáputassa

Eu já sei que lhes temos que dar muito valor, agradecer-lhes e pardais ao ninho, mas voltar a viver com os pais é obra.

Os meus passam a vida a perguntar o que quero comer. E o que cozinham, depois? Qualquer coisa totalmente diferente. Estão sempre a lembrar-me que estou gorda, que devia ir a pé para fazer exercicio, "quê? Só comeste as cerejas? Não vais comer os morangos que comprámos para ti? Se não tivesses comido tanto esparguete... Depois queixas-te que estás gorda. Por falar nisso, comprei-te torresmos."

Sempre que me telefonam lá para Irlanda queixam-se das mazelas todas, que se cansam, que estão velhos. É ir com eles a um supermercado para perceber que é tudo fita. Tenho dúvidas que um gajo do Quénia tenha capacidade para os acompanhar. Até porque eles fogem. E escondem-se.

Se tiverem um gato e ainda a fazer o luto do outro, nem vos conto. "Já viste, tão fofinho, o gato a miar?", "já!", passado duas horas, "olha o gato a miar, tão giro", passado um dia, "ai tao fofinho, como ele mia". Já tão fartos? Eu também.

Nunca pensei dizer isto

Será que em Portugal há alguma alminha que pare nas passadeiras ou que não acelere num amarelo ou não apite numa fila? Tenho saudades da Irlanda.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Vida de emigrante é isto

Uma pessoa vem a Portugal. Não vai à praia, não se põe ao sol numa esplanada, não se poe ao sol, ponto. Passa o dia, num carro, a correr a santa terrinha, dum lado para o outro, para tratar de merdas.

Apanha um escaldão.

domingo, 2 de junho de 2013

The bright side of life

Uma pessoa percebe as vantagens de viver na ilha do frio e da chuva, quando está mais gorda que um texugo e mais branca que uma lula.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O melhor elogio que já recebi na Irlanda

You're shit crack.

Se os tivesse

Trazer um carro português para a Irlanda e não o registar é, passado dois anos e meio, no caminho, de 5 minutos, para o trabalho, ás 9h da manha, levar com uma buzinadela no cruzamento desse bairro tão tranquilo onde se vive e onde as vezes cheira a estrume de vaca, responder bem á tuga um “passa por cima” e o carro que buzinou passar a ser só luzes e sirenes, “tinonitinoni”, levar com o aparato de 3 policias em cima, quais existencialistas, “donde vens?”, “para onde vais?”, “qual o teu propósito neste país?”, para depois, finalmente, depois de muita resposta ao melhor nível de desenrascanco tuga, lá nos deixarem partir.

Se os tivesse, tinha ido buscá-los ao chão.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O problema nao és tu

Um dos motivos pelos quais é difícil lidar com uma rejeição é o facto de levarmos a coisa a nível pessoal. Ate pode ser, ate podemos parecer o ser mais desinteressante á face da terra, mas diz-me a experiência e o que oiço, que não é bem assim.
Aqui há dias, um amigo meu contava que, num laivo de honestidade, disse á miúda com quem andava enrolado que não queria uma relação, porque estava ainda a recuperar de uma outra, que tinha terminado muito mal. Ela disse-lhe que podia esperar e eu tive pena dela. Primeiro, por não ter percebido que faz parte dessa recuperação, mais tarde, porque acho ela teve azar. Teve um mau timing. Tivessem eles se conhecido noutra fase da vida dele e talvez pudessem vir a ter uma saudável e bonita relação. Os ingredientes para isso estão lá. Tenha ela essa tal capacidade de esperar e talvez ate o consiga. O problema é que tudo o que ela tem é o aqui e agora e quase que aposto que se vão partindo pedaços do seu coração, enquanto as energias dele estão centradas nas suas dores, rancores e curas e não nela e no que ela merece e/ou precisa.
Pormo-nos no lugar do outro ajuda a perceber melhor a coisa. Quantas vezes deixamos de ver o que estava á nossa frente por estarmos demasiados centrados nos nossos fantasmas ou problemas. Nem sequer tem que ser relacionado com outro gajo, basta que outros problemas ocupem a nossa mente. E depois, vai se a ver e quando acordamos para a vida, até nos lembramos e até nos sai um “olha que pena, não estava para ali virada”.
No caso de rela coes mais duradouras a coisa pode ser mais complexa. Só posso falar pela minha experiência, que até é bem antiga, que cenas duradouras é coisa que me assiste muito pouco, nos últimos tempos. Quando tive necessidade de terminar uma relação, foram-me pedidas explicacoes e eu, na altura, não as tinha para dar. Não havia outra pessoa, aquela pessoa era uma boa pessoa, gostava de mim, tratava-me bem, acredito até que dificilmente encontrarei alguém que me veja com os seus olhos. Só muitos anos depois, numa mesa de café, percebemos que pequenas situacoes, feitios, disposicoes e vontades, que isoladas pareciam ter muito pouca inportancia, juntas e ao longo do tempo foram consumindo os sentimentos, até se tornar insustentavel manter uma relação daquela estirpe. Não significa que estivássemos inabilitados, que fossemos mas pessoas, que não nos soubéssemos relacionar, simplesmente não éramos aptos um para o outro.
No final, e já escrevi isto por aqui, por mais maleovola que nos possa parecer uma pessoa, por mais cabrão que o gajo seja (ou cabra, a gaja), temos todos algo em comum. Temos todos objectivos, sonhos, vontades, desgostos e, no final, resumindo, queremos o mesmo, ser feliz (soa lamechas, mas é verdade). Estamos todos na mesma onda, simplesmente, nem sempre, estamos no mesmo barco.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O meu tipo de homem

O meu tipo de homem nao é loiro, nem moreno, nao é baixo, nem alto, nao é gordo nem magro, nao me faz rir, nao quer colinho, nao é robusto e saudavel ou fraquinho e mariquinhas.
Nao. O meu tipo de homem é o indeciso. O que, se o vento soprar de favor, quer uma coisa, se o vento soprar para outro lado, quer outro e se nao soprar de lado nenhum, já nao sabe.
Só me falta virarem para o outro lado ou querem ir para padres. De resto, já ouvi de tudo.

(a porcaria do corrector hoje nao está a colaborar com os tils.)

domingo, 26 de maio de 2013

Isto é assim

Quando exercemos determinadas acções com outra(s) pessoa(s) temos que saber viver com as consequências. Esta porcaria já calhou a todos. Não conheço pessoa que não tenha estado já dos dois lados da barricada. Que não tenha tido já vontade de enviar 500 mensagens quando nem uma recebeu ou que não tenha já recebido 500, quando nem uma lhe apetecia mandar. E que não tenha sentido um certo regozijo, que o outro cabrão, que não saía da cepa torta, é que não sabia o que andava a perder. Este coitadinho é que sabe como elas mordem.

Quem semeia ventos, colhe tempestades e, às vezes, há que saber lidar com elas. Dar um murro na mesa, dizer um não, explicar que se desculpa qualquer coisinha, mas afinal, foi uma má ideia. Dispensam-se as respostas vagas, os banhos-maria ou as indirectas, às vezes, muito directas.

Para boa entendedora que sou, meia palavra basta-me. Se me mandam uma dúzia, rendo-me às evidencias e recolho à minha casquinha, onde já antes estava, tão quietinha e sossegadinha e contentinha. E, às vezes, é uma pena, sobretudo quando se sente confortável o suficiente para perceber que o que vier, virá. E será sempre bom. Se apetecer aos dois, tudo bem, se apetecer só a um, paciencia, se não apetecer a nenhum, tudo bem, também. Às vezes, venha o que vier, pode dali provir uma bonita amizade e eu não sou pessoa de virar as costas a esse bem tão escasso. Outras vezes, nem por isso e tampouco se perde o sono por causa disso.

O problema não és tu, sou eu, desculpa, mas não houve clique, gosto muito de estar contigo, mas... Há um mas e pronto. Desculpa, nem tudo tem explicação e também a mim, às vezes, faltam-me as palavras. Mas uma coisa é certa, não, é não.

Em Roma, sê romano

Que se faz na Irlanda, nos 360 dias em que não há sol?

Bebe-se para esquecer.

Que se faz na Irlanda, nos 5 dias em que há sol?

Bebe-se para comemorar.

 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Larga o gajo, pá!

De vez em quando, recebo mails de pessoas que lêem este a blog, a pedirem-me uma opinião. "ele disse-me isto", "fez aquilo", "que devo fazer?". Ainda não percebi bem como é que quem lê este blog não pensa que sou uma perfeita analfabeta emocional, mas confesso que gosto muito de receber estes mails. Na verdade, gosto de ouvir as histórias dos outros, porque também assim se aprende.
A propósito do consultório da Maçã de Eva, a Rita Maria, escreveu um dia, que mais valia a Maçã pôr um out of office a informar "larga o gajo". E eu acho que, efectivamente, daria menos trabalho, não deixando de ser uma resposta válida.
Quando alguém sente a necessidade de escrever sobre a sua relação, significa que a coisa não está a fluir. Se estivesse, nem havia cá tempo para a pôr num e-mail.
Na minha vida, aprendi que conseguia muitas das coisas que queria com esforço e dedicação. Levei algum tempo a perceber que isso não é válido para tudo. Podemos controlar as nossas acções, e há até quem controle emoções, mas não podemos nunca controlar o desejo do outro. Até podemos influenciar, fazer jogos, espernear um bocadinho, mas tem que haver uma predisposição já latente.
Também tive a minha dose de remar sozinha o barco. E nem sempre o via, mas com o tempo e com as histórias que vivi ou ouvi, fui percebendo. Sobretudo quando estive do outro lado da baliza. A coisa ou flui ou não flui.
Pode-se ter vários sentimentos por uma pessoa. Isto não é estanque. Pode gostar-se à séria, gostar de estar com, gostar de falar com, sentir tesão ou paixão. Diz que, às vezes, pode sentir-se isto tudo de uma só vez, mas também pode sentir-se cada uma destas coisas isoladamente ou em N combinações (é fazer as contas). E isso não faz mal. Não há ultimas Coca-Colas no deserto. E se hoje alguém nos encanta com os bonitos olhos, amanhã podemos encantar-nos por outra coisa qualquer.
E a coisa não tem que fluir só do outro lado. Isto não é uma meta. Uma pessoa pode estimular-nos muito intelectualmente (ou por outro motivo qualquer) e não estimular fisicamente. E vice-versa. E, às vezes, até parece uma pena, mas lá está, os sentimentos que se nutrem por uma pessoa não tem que ser só "aqueles". Volto a dizer, a coisa ou flui ou não flui. E se não fluir, é na boa. Ou devia ser.

 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Mensagens

A tua mensagem ficou por ler. Até passar muito tempo, até passarem muitas coisas, até passarem muitas pessoas, até passarem as urgências de te ver.

Guardei-a, bem guardinha, escondida entre outras, camuflada entre outros. Entre outras histórias, outras línguas, outras experiências.

A tua mensagem ficou por ler, para me lembrar, até esquecer.

A tua mensagem ficou por ler, marcada, só para eu a ver.

Dois anos e meio de Irlanda

E ainda tenho muito que aprender.

Ainda não tinha o raio do sistema de aquecimento e de água quente e que, afinal, nestes três dias até podia ter aquecido a água de outra forma. Diz que sai mais caro, que se tem que esperar meia hora e que só aquece mesmo a água e aquecimento para a casa, que é bonito, nem vê-lo.

Também não sabia que nos poderiam perguntar se temos vaselina em casa ou algo para o efeito. Qual efeito? Olear a bomba do esquentador? Não fazemos disso cá em casa.

Também percebo pouco do sistema de entrega de mobiliário. Parece que é normal deixar a mobília à porta da casa, se ninguém abrir a porta. Mesmo que nem seja aquela a morada. Deixar uma cama ao relento é normalissimo. Mesmo que até esteja a chover pedra. Se se tiver combinado que é para também fazer a recolha da cama velha, nada está garantido. É que a dita pode estar partida e não lhes servir para nada. Para que é que querem aquela merda, para levarem para o lixo? Explicar-lhes que não queremos cá saber o que vão fazer à tal merda e que até a podem enfiar num sitio que eu cá sei, desde que a levem, também não é argumento. O que é preciso é ter uma cadela gira. Para quem não sabe, bitch, traduzido à letra significa cadela. Acho que era da Balti que estavam a falar, quando concluíram que até levavam a cama "'cause the bitch is cute". Até porque mais cute que esta cadela não há.

Lá fiquei com dois mastodontes plastificados, no meio do quarto, que diz que, aparafusados um ao outro, se transformam numa cama. Vou tentar.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Lei de Murphy

Ligo hoje para a loja dos moveis.

- estou? Boa tarde! Estou a ligar por causa da cama.

- sim, sim, foi entregue hoje. Algum problema?

- como foi entregue hoje?

- sim, na rua por trás do sol posto, número xpto, em Drogheda.

- sim, essa é a minha morada, mas eu não tenho cama nenhuma. Só ali a partidinha da silva.

 

Entregaram a cama numa casa qualquer que não a minha. E quem a recebeu não se fez rogado.

 

Anda tudo ao mesmo

Diz-me o blogger que grande parte das visitas ao meu blogue são geradas por buscas sobre "como curar desgostos de amor". Isto porque aqui há tempos, achava eu que era um desgosto só e resolvi escrever que para o curar, num Domingo à tarde, ia passar a tarde ao Ikea. Não fui. E, muito provavelmente, continuei o resto do dia a achar que o mundo ia acabar.

Mas curei o dito desgosto. Eventualmente. Não demorou um dia, nem dois. Nem foi isso do tempo passar, que o dito às vezes pára e a coisa não passa. Foi a vida. Aconteceu-me. E isto é a última coisa se que quer saber quando se anda amargurada. Não sei se por necessidade, se por obsessão, temos tendência a acreditar que nada nunca será igual. E é verdade. Só que, às vezes, surpresa das surpresas até melhora.

Tal como o tempo, a história de que um amor cura o desamor é um mito. Esse cabrão desse mito que faz com as pessoas acreditem que nada fará sentido sem essa componente na nossa vida. Mentira.

Estou feliz. Solteira e boa rapariga. O mundo é um mar de possibilidades. Gosto disso.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Dou a mão à palmatória

Nós queremos que os que gostam de nós, os que nos fazem rir, os que nos provocam arrepios na espinha, os que tem um sorriso bonito, os que vêem a cavalo branco (somos tão lamechinhas, benzádeus!), mas no fundo, no fundo, queremos aquele que não nos liga nenhuma.

 

Este post é uma correção ao post ali para baixo, em relação ao que as mulheres querem. A pedido de muitas famílias.

 

Não se aceitam devoluções

Conheço duas pessoas que se desfizeram dos seus animais de estimação. Um já vai no terceiro cão de que se desfaz, outra já vai no segundo gato. Um, porque o cão roía-lhe coisas e tinha que ser passeado e treinado, outra porque o gato começou a ter problemas de saúde e não parava de miar. Ela chegou a dizer-me que arranjou o segundo gato, porque saia mais barato comprar um gato novo de uma raça xpto que trazer o gato para a Irlanda. Não consigo perceber isto, juro que não. A minha Balti não tem preço, nada a substituiria e te-la longe de mim partir-me-ia o coração.
Quando decidi ter um cão, não tomei a decisão de animo leve. Sabia que ia haver momentos dificeis, que ia roer coisas, que ia ocupar-me tempo e acarrateria responsabilidades. Deixei de poder ir para os copos já directa do trabalho, porque ela tem as suas necessidades e seria muito cruel da minha parte deixa-la sozinha tantas horas, sabia que não poderia enfrascar-me em Dublin, porque teria que estar sujeita a um autocarro escasso ou a ter que conduzir de volta. Sabia que as ferias teriam que ser planeadas de outra forma, porque teria que a deixar nalgum lado. Tenho tido alguma sorte. Em dois anos de conveniencia, roeu-me apenas UM sapato. Chorou as duas primeiras noites e tive que recorrer a truques para a conquistar já que outros espécimes da raça humana já a teria maltratado e a bicha desconfiava de mim como o diabo da cruz.
Tive sorte, mas tinha plana consciência que poderia não ter tido quando tomei a decisão de a ter na minha casa.
Se com um cão ou um gato me custa atender as atitudes das pessoas, o egoísmo e a falta de afectos (bolas, como é possível não morrer de saudades daquele ser em particular que ocupou a nossa casa?), tenho ainda mais dificuldade no que a filhos diz respeito.
Não percebo como se toma a decisão de ter um filho de animo leve. Já tinha ouvido falar nas historias de pessoas que devolvem filhos adoptivos, ouvi uma historia ate de uma suposta mãe que conheço pessoalmente e nunca consegui entender. Hoje li este testemunho, na primeira pessoa, de alguém que esta a pensar devolver uma filha. Quando comecei a ler, pensei que essa pessoa ia contar como já tinha feito de tudo e mesmo assim era espancada/roubada/ ou sabe-se la o que por uma adolescente.
Esta mãe esperava uma filha que viesse já educada, curada, tratada de uma instituição. Em toda a minha vida, fui uma vez a uma instituição, levar uns brinquedos que se iam deitar fora. Não voltei, dada a vontade que tive de trazer aquelas crianças para casa. Vi que jantaram ovos com salsichas. Vi que os funcionários, que me lembre, três, se desdobravam em todos os trabalhos necessários. Aquelas crianças, que me ofereceram desenhos, que me mostraram a casa, que pedincharam o mais que puderam da minha atenção, são miúdos problematicos. E porque? Porque uma criança abandonada tem que ter muito pouca fé nos adultos. Porque com tantas crianças juntas, é difícil incutir-lhes regras, motiva-las, desenvolve-las, estimula-las. Uma pessoa que se predispõem a ficar com a sua guarda tem que ponderar todos estes factores. Seja um filho adoptado, seja biológico. Vão ocorrer problemas, vai ser necessário disciplina e muito amor para dar. E volto a dizer, seja adoptado ou biológico. Não podemos esperar que venham ensinados, criados e comportados. E não podemos devolver. As responsabilidades assumem-se. Não são camisolas que não foram feitas á medida. São seres, com sentimentos, vontades, sonhos, revoltas. Esta senhora, ainda não a devolveu, porque vieram duas em uma e a outra ate nem da trabalho. Perfilhação em serie, qual promoção de supermercado dois em um. Faltam-me as palavras para dizer o que sinto a esta senhora. É uma revolta muito grande de alguém que toda uma vida decidiu que seria mãe adoptiva, independentemente de ser biológica ou não. De alguém que lê sobre o assunto, que se informa e que, mesmo n sabendo ainda o quando, se prepara. De alguém que é filha, irmã, amiga, dona de um cão. As vezes, brutinha que nem uma porta, mas que desenvolve afectos como qualquer outro ser animal. Alguém que ainda não deu esse passo porque sabe que é cedo e que é necessária estrutura. Alguém que o fará, eventualmente, quando tiver condicoes. Físicas, financeiras, psicológica. Alguém que sabe que pode não ser fácil, mas que também será sempre recompensador.

Viver fora#2

E depois há os dias em que levas com uma filha da putice logo de manhã, arrasam contigo antes do pequeno almoço, deixam-te com um nó na garganta que sabes que te vai durar o dia inteiro e culpas (pelo nó, não a filha da putice) o que está mais á mão, que é a falta de colinho dos teus, que estão pra lá da ilha e esta coisa de se viver fora e deixar que tudo nos afecte a dobrar. Se calhar lá do outro lado afectava o mesmo, mas dá sempre mais jeito acreditar que não.

Todas diferentes, todas iguais

Se se pode dizer que os indivíduos pertencentes ao género masculino, andam todos, todinhos, à procura do mesmo, no caso das mulheres não se pode dizer o contrário. Também andam todas à procura do mesmo. Só que o mesmo para uns, não é o mesmo para outras.

As mulheres procuram todas que gostem delas. Ponto.

Não lhes interessa se o gajo até nem lhes faz tremer as perninhas, se até teriam vergonha de o apresentar às amigas ou se andam ali só para se distrair. O gajo tem que gostar delas.

E estrabucham, fazem o pino, seduzem ou reclamam. Querem atenção, querem conquista. O problema nunca é, nem será, que seja só mais um. É serem só mais uma.

E isto gera dicotomias, conflitos interiores, de quem quer, mas não quer. Dizem que é complicado, mas não é. As mulheres querem, em primeiro lugar, ser apreciadas. Só depois, talvez, queiram o resto.