quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Isto de ser emigrante

Isto de ser emigrante, às vezes é giro.

Há novidades todas as semanas, um sitio novo para visitar, um pub diferente, novas pessoas, novas culturas. Fazem-se amigos, recebe-se mimos dos que já cá estavam, sempre estiveram, mas agora um pouco mais longe. Queixa-se do frio na rua aqui, do frio dentro de casa aí.

Aprende-se muito e ceu passa a ser limite.

Mas volta e meia bate a saudade. A saudade da casa que se deixou para trás, dos avós que se queixam que se sentem sós, da comidinha da papá (no meu caso é o meu pai que cozinha), da amiga que tem um namorado novo, da que vai casar, da que vai ter bebés, da que se separou, da que perdeu o emprego.

Dizem que vim pela qualidade de via, mas raisparta, qualidade de vida é falar a nossa lingua, ir à nossa praia, voltar ao café de todos os dias, não chorar quando o dentista nos diz que nos vai anestesiar até à quinta casa e vamos precisar de apoio. Ás vezes, qualidade de vida não é isto.

É só às vezes, é um amoque que me dá, mas hoje, apetecia-me voltar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Isto das dietas

Há pessoas que não deviam perder peso. Vejo gente ficar com narizes maiores, com bochechas demasiado salientes, com mais rugas ou simplesmente feias. Não são todas, mas, pelo sim pelo não, vou deixar-me estar como estou.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A húngara

Tenho andado fascinada com a minha colega húngara. Já pensei escrever sobre ela várias vezes, mas acho sempre que as minhas palavras não lhe fazem justiça.

Ela é gira, veste-se bem e, pelo menos no trabalho, é absolutamente brilhante. Perfeitamente normal. Não fosse ela achar que é um gato. Assinar os mails com miau, atender o telefone com miau, despedir-se com miau. Nunca toca à campaínha, grita sempre um miau, enquanto raspa as unhas na porta. Deixa-me a cadela completamente doida e é só por isso que a oiço.

Não come depois das 5h da tarde. Deve ser algum horário felino que eu nunca ouvi falar. Se for a um McDonalds ou outro sitio qualquer onde coma muito ou mal ou sejam lá quais forem os critérios dela, no dia seguinte já não come. Ainda está cheia. Quando come, como cenas estranhas. Tipo sardinhas ou lá que peixe é aquele, ao pequeno almoço e fruta com iogurte grego ao almoço.

Não bebe, não gosta de sair à noite e não vamos falar sobre como dança, porque eu não sei descrever. No dia seguinte, enquanto eu me queixo dos pés, diz que tem dores musculares no pescoço.

Acho que tem medo que a achem anti social. Há para lá outro hungaro que toda a gente diz que é autista e eu acho que tem medo que pensem o mesmo dela. Mas depois aquilo é mais forte que ela e quando estamos todos em amena cavaqueira, sai-se com um "'tou farta, quero ir para casa" e lá se acaba a noite.

É das pessoas com quem passo mais tempo, já que trabalhamos juntas e somos vizinhas, mas não podiamos ser combinação mais improvável.

Abracinhoooo

"Eu gostava que os fins de semana fossem mais curtos."

Acho que isto foi das coisas mais tristes que ouvi nos últimos tempos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Lambão? Eis a questão?

Aqui há tempos, numa dessas revistas que enchem a nossa cabeça de merdas, li um artigo que dizia que nós só vemos aquilo que procuramos. A revista incitava a fazer um exercício para o comprovar. Durante um minuto, olhar à nossa volta e memorizar tudo o que havia de verde. Sem olhar novamente, apontar todas essas coisas. Depois, ainda sem olhar, enumerar o que havia de castanho á nossa volta. O meu cérebro bloqueou de tal forma, que nem me lembrei da cadelinha branca e castanha que estava sentadinha ao meu colo.
Sou uma pessoa insegura. Admito. Tenho tendência para acreditar que as outras pessoas são melhores que eu. No campo amoroso, tenho tendência para achar que serei trocada à mínima oportunidade. Sendo essa uma fatalidade na minha vida, acabo por procurar quem, efectivamente, me vai trocar, mas já agora que me faça rir pelo caminho.
Aqui há uns anos, escrevi um texto sobre autocarros e gostar de alguém. Como as pessoas têm facilidade em esquecer uma pessoa e passar a interessar-se por outra. Eu não sou assim, quando gosto, gosto e não há muito fazer durante uns tempos, fico ali bloqueada, tal como fiquei no verde, no exercício descrito acima. Só penso nisso, só escrevo sobre isso e ai do marmanjo que se tente aproximar, não estou disponível, que ainda estou a viver a minha história de (des)amor. Pois, isso, meus amigos, vai mudar. As culpas não são só minhas. Antes de me martirizar por alguém que preferiu retomar uma relação antiga a continuar no flirt comigo, vou-me lembrar que essa pessoa também cometeu os seus erros. Sendo o maior deles todos, dispensar-me. É que insegura ou não, sou espectacular. Neste caso concreto, a coisa nem sequer tinha passado do flirt (o que refuta a minha teoria de que temos o coração no pipi, nós temos coração em todo o lado). O gajo se calhar nem sabe dar beijinhos. Se calhar é um lambão, como o namorado que tive durante um mês, no oitavo ano, que era muito bom rapazinho, nas tornava-me a coisa num suplicio. Por isso, não vale a pena. E o tal gajo do flirt vai ler esta merda e vai concordar ou não, está no seu direito. Provavelmente, não vai concordar, porque eu também disse muita merdinha (devo ter alguma necessidade de provar que os outros são melhores que eu), mas, neste momento e, pela primeira vez, estou-me a cagar. Não interessa o que os outros pensam, eu sei o que valho.

Lei de Murphy

No dia em que decido ficar em casa para descansar de umas atribulaçõezinhas médicas, no momento em que me preparo para uma sesta, descubro que tenho um detector de fumo. E que o mesmo está a ficar sem pilha. Beep beep beep.
Já lhe tirei a pilha. Agora vai com o martelo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Eu tenho uma amiga que

Todos temos uma história duma amiga que.
Pois eu, tenho uma amiga que, durante anos ficou presa à história que viveu com um ex-namorado. Aquele que durante anos comparou com todos, aquele que a fez mais feliz, aquele por quem foi mais apaixonada, aquele.
Os anos passavam e ela coitadinha tinha ficado traumatizada. Nunca iria conhecer alguém com opiniões tão bem formadas, ou tão giro, ou que lhe preparasse piqueniques românticos ou que não sei o quê que já nem me lembro.
Os anos passaram-se e as conversas mantinham-se "ai que tenho tantas saudades tuas", "ai que só tu é que me percebes", "ai ai ai, que ando a passear com a minha namorada, mas tu...", enfim, as mais variadas tangas de quem percebe que tem ali um inflamador de ego instantâneo.
Os anos passaram-se e mudaram de trabalho, conheceram novas pessoas, um teve um filho, o outro arranjou um cão.
Os anos passaram, mas a memória é uma cena lixada. Altera-se a seu bel prazer. Adapta-se às circunstâncias, ao novo mundo, às novas ideias. Como se tivesse que manter uma puta de uma imagem, que no fundo se alterou ao longo do tempo.
A minha amiga mudou de país e as mensagens, conversas e encontros fugazes mantiveram-se. E a puta da memória altera-se, só para manter esse q de especial.
A minha amiga conhece novas pessoas. Algumas pelas quais chega até a nutrir semelhante admiração. A minha amiga é toda medinhos e lixa a coisa ao entrar em paranóias. Mal por mal, esta memória torna-se mais fácil que criar outras.
Pois o tal ex-namorado resolve dar-se ao trabalho de ir vê-la ao novo país. Tem que vê-la. Como se, hoje em dia, marcar um avião numa low cost fosse grande coisa e nunca ele se tivesse dado a tamanho trabalho.
Passam o fim-de-semana juntos e, porra, a memória é uma coisa lixada.
O mundo girou, tudo mudou. Uns mudaram, outros continuam nesse mundinho dos 19 anos, em que auge era ir à Kapital a um sábado à noite.
As opiniões tão bem formadas que passam a soar a pedantismo de quem não viu mundo. O giro que afinal engordou, ganhou cabelos brancos e a Kapital ao sábado à noite, passou a ser o fim de semana sem o filho, na discoteca local. Ou o curso de cozinha, que o tornou num master chef, a julgar pelo tom. Ou a empresa do pai que o tornou extremamente importante, no meio de meia dúzia de pessoas, metade das quais consaguinárias.
A minha amiga, só em meia dúzia de meses, fez viagens, trabalhou com vários países, aperfeiçoou línguas, conheceu um BILF, um actor duma série de prime-time, uma cor-do-sol muita fixe, uma húngara que acha que é um gato, irlandeses de géneros vários, um manager que toma speeds, outro que foi DJ, viu sexo em plena discoteca, escreveu parte de um livro, viu uma mete-nojo-cor-de-rosinha (alguém se lembra?) partir o nariz dentro da sua própria casa, em pleno coma alcoólico, viu, leu, ouviu, aprendeu.
Escusado será dizer que passou o fim de semana a desejar que o mesmo acabasse, enfiasse o ex no avião e mandasse a puta da memória que a traiu para a puta que a pariu.
Mais vale tarde que nunca.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Estou viva

Querida pessoa que volta e meia vem cá ler-me,

Estou bem. Os meus humores não andam os melhores. Muita coisa ao mesmo tempo. No trabalho, recebo informações diferentes todos os dias. Basicamente, não sabem onde me vão pôr a trabalhar. Um dia dizem que é nas "facturas", noutro dia é onde já estou, no terceiro dia, já ninguém sabe outra vez. Gostava de dizer que desde que me paguem, está tudo bem, mas depois há um parvo de um bichinho que acha que gosta de desafios, que não quer nada ir pra as tais das "facturas", que é como o meu pai resumiu a coisa à minha mãe, depois de eu estar 30 minutos a explicar a função.
E isto passa-se na semana em ando ressacada, depois de uma ideia brilhante de trazer tudo o que era gente, cá para casa, depois de uma festa da empresa. Estou a ficar velha para estas coisas. Tudo muito giro, muito divertido e depois ando a semana toda que nem posso com uma gata pelo rabo. Fui nomeada para aquilo que se pode chamar a comissão de festas da empresa. Afinal, permitir que 20 marmanjos e marmanjas me destruam a casa, pode ser uma coisa boa. Tendo em conta que há ano e meio chorava que não tinha amigos, que almoçava sozinha, que ficava em casa todos os fins de semana, ser nomeada por várias pessoas, devido à fama festaleira, deixou-me feliz.
Comecei a dieta há 3 semanas. Na mesma altura, na empresa, decidiu-se organizar a "baking friday". Todas as sextas feiras, alguém leva um bolo para comermos todos. E aquilo gerou uma espécie de competição e cada vez se esmeram mais na coisa. Esmero com bolos, na Irlanda, é sinónimo de enfiar lá mais calorias. After-eights, maltesers, só pedaços de mau caminho.
Pelo meio houve também a tal festa e começo a perguntar-me se isto que ando a fazer se pode chamar de dieta. Mas perdi um quilo. Só um. Mas não ganhei. Isto foi claramente lucro.
Esta semana nevou durante uma manhã. Um da fui-me deitar, estava tudo normal, nem estava vento nem nada, na manhã seguinte, abro a porta e está tudo branco. E eu, que em 2010 fiquei com um ódio de morte à neve, desta vez até gostei. Não tinha nenhum voo para perder, não tinha que conduzir e já tenho um bom casaco, boas luvas e bons gorros. Aqui o bairro estava bonito e as crianças estavam todas felizes, a brincar, enquanto pais desenterravam carros. Só durou umas horas. Foi giro.
De resto, tudo mais ou menos na mesma. A Balti continua a cadelinha mais fofinha do mundo e nunca se enrola em mantas mariquinhas como uns e outros (mas o cão anda???).

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

the moment of truth

Percebes que talvez tenhas bebido um bocadinho (muito pouco) a mais, não quando convidas, as três da manha, a empresa inteira para a tua casa, não quando, as 4h da manha, dás de caras com o big boss, a cantar cenas irlandesas, na tua sala, não quando acordas de mana e tens gente a dormir pelos cantos da casa que nunca mais acaba, não quando acordas com a pior ressaca da tua vida. Nada disso, o verdadeiro momento em que te apercebes que bebeste demais é quando, no dia seguinte, alguém te marca, no facebook, no raio do vídeo do gagnam style...