sexta-feira, 8 de março de 2013

Try to hard

Não estou para conversa fiada. Essas é uma das coisas que é lixada quando se vive fora e as relações criadas, mantidas ou a nascer não são aquelas duma vida inteira, em que não se precisa dizer nada.

Aqui há tempos conheci um americana que já tinha vivido numa data de países diferentes e que me explicou que só nos sentimos em casa quando já temos aquele amigo com quem podemos combinar não fazer nada. Só estar ali, lado a lado. A ver um filme, beber um café ou simplesmente enfrascarmo-nos forte e feio. Sem termos que explicar que estamos contentes ou descontentes ou que somos isto ou aquilo e, sobretudo, sem termos que nos esforçar. Try to hard, como se diz por aqui. E raios parta, que eu, sem os meus, tenho sempre tendência para me esforçar, mostrar quem sou, fazer rir, armar-me em salvadora da pátria ou em boa ouvinte, ser espectacular. É uma merda duma necessidade de aprovação que nasceu comigo.

Aos 32 anos isto é lixado, porque isto são provas há muito dadas e, às tantas, quando nos sentimos sozinhos, acabamos por só querer estar sozinhos. Porque não somos boa companhia, porque um livro não reclama, porque a televisão, mesmo com todas as cores, efeitos especiais, bandas sonoras e pardais ao ninho, ainda não exige atenção.

Enfim, continuo lixada com F, sem a parte boa do F, que até é coisa para exigir poucas falas. Um clichezinho aqui, um gemido ali e a coisa fazia-se.

 

1 comentário:

L. disse...

Acho que é normal sentires isso, essa necessidade de mostrares o teu lado bom e cativante. Dá trabalho, pois dá. Mas eu "apanho-me" a fazer isso algumas vezes quando conheço pessoas novas. :/