sexta-feira, 24 de maio de 2013

Larga o gajo, pá!

De vez em quando, recebo mails de pessoas que lêem este a blog, a pedirem-me uma opinião. "ele disse-me isto", "fez aquilo", "que devo fazer?". Ainda não percebi bem como é que quem lê este blog não pensa que sou uma perfeita analfabeta emocional, mas confesso que gosto muito de receber estes mails. Na verdade, gosto de ouvir as histórias dos outros, porque também assim se aprende.
A propósito do consultório da Maçã de Eva, a Rita Maria, escreveu um dia, que mais valia a Maçã pôr um out of office a informar "larga o gajo". E eu acho que, efectivamente, daria menos trabalho, não deixando de ser uma resposta válida.
Quando alguém sente a necessidade de escrever sobre a sua relação, significa que a coisa não está a fluir. Se estivesse, nem havia cá tempo para a pôr num e-mail.
Na minha vida, aprendi que conseguia muitas das coisas que queria com esforço e dedicação. Levei algum tempo a perceber que isso não é válido para tudo. Podemos controlar as nossas acções, e há até quem controle emoções, mas não podemos nunca controlar o desejo do outro. Até podemos influenciar, fazer jogos, espernear um bocadinho, mas tem que haver uma predisposição já latente.
Também tive a minha dose de remar sozinha o barco. E nem sempre o via, mas com o tempo e com as histórias que vivi ou ouvi, fui percebendo. Sobretudo quando estive do outro lado da baliza. A coisa ou flui ou não flui.
Pode-se ter vários sentimentos por uma pessoa. Isto não é estanque. Pode gostar-se à séria, gostar de estar com, gostar de falar com, sentir tesão ou paixão. Diz que, às vezes, pode sentir-se isto tudo de uma só vez, mas também pode sentir-se cada uma destas coisas isoladamente ou em N combinações (é fazer as contas). E isso não faz mal. Não há ultimas Coca-Colas no deserto. E se hoje alguém nos encanta com os bonitos olhos, amanhã podemos encantar-nos por outra coisa qualquer.
E a coisa não tem que fluir só do outro lado. Isto não é uma meta. Uma pessoa pode estimular-nos muito intelectualmente (ou por outro motivo qualquer) e não estimular fisicamente. E vice-versa. E, às vezes, até parece uma pena, mas lá está, os sentimentos que se nutrem por uma pessoa não tem que ser só "aqueles". Volto a dizer, a coisa ou flui ou não flui. E se não fluir, é na boa. Ou devia ser.

 

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