domingo, 19 de maio de 2013

Viver fora

Grande parte dos amigos que me vêm visitar, vão daqui sempre preocupados comigo. Não sei se sou eu que fico mais nostálgica quando tenho cá um pouco do meu Portugalinho, se é só impressão deles. Desta última vez, confesso que me custou e nos dias que se seguiram à sua partida, andei com uma neura que não se podia. E eu até sei porquê. Não só porque sentia falta do regabofe que estas três alminhas sempre me proporcionam, mas também por outros factores, que ocorreram todos ao mesmo tempo.

Eu sei que as pessoas se preocupam e sei que têm as melhores intenções e peço desde já à pessoa que me mostrou tal preocupação, hoje, que não leve a peito nada do que aqui vou escrever.

Na verdade, ninguém está contente todos os dias. Estivesse eu em Portugal, sem nunca ter saído, e se calhar até andava a tentar sair, a queixar-me dos impostos, do fmi e da puta que os pariu. Não sei.

Isto nem sempre é fácil. Tive um primeiro ano duríssimo, um segundo ano de euforia e o terceiro, que já vai a meio, vai oscilando entre diferentes estados de espirito. Hoje, por exemplo, estou com a azia. Porque o cabrão do espanhol (o Emilio, que o gilipollas já lá vai), me deixou pendurada, sem dizer água vai e sem me dar oportunidade para planos B. Daquelas coisas que também podia ter acontecido em Portugal.

Ás vezes tenho saudades. Às vezes, desdigo a vida social que, obviamente, depois de dois anos e meio, não é igual à de uma vida. Outras vezes, ando práqui toda contente, entre festas, ou cafezinhos, ou novos amigos ou só a passear (e a exibir) a cadela mais fofinha do mundo.

Não, isto não é fácil. Ou não é sempre. Mas, por favor, não duvidem das minhas escolhas. Eu conheço-me melhor que ninguém. Gosto do sitio onde moro, gosto de estar a 8 minutos do trabalho, gosto de ir ao centro e já encontrar sempre alguém conhecido. Não gosto de ginásio, não gosto de sair todos os dias da semana e não gosto de confusões e emaranhados de gente.

Foram as escolhas que fiz que me permitiram adaptar-me à falta de sol e às pronuncias difíceis e às comidas gordurosas. Como todo o emigrante (ou quase todo), tenho o sonho de voltar às raízes, mas isso não significa que não esteja feliz ou que o meu ritmo de vida seja o errado. É o meu. Em qualquer ponto do mundo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Ya sabes que yo siempre estare por aqui para darte el mayor amor del mundo quando necesites!

a_secretária disse...

A verdade é que não é fácil em lado nenhum. A vida não é fácil