sábado, 15 de junho de 2013

O caminho

Para mim, o caminho sempre foi o da honestidade. Sempre ouvi dizer que se devia levantar só um pouco do véu, mostrar só o tornozelo, para deixa adivinhar o resto. Criar mistério como que para atrair a caça.

O problema é que só se consegue fazer isso até certo ponto. Os jogos são giros só quando levam a bom porto e o esforço que exigem é humanamente possível.

E é por isso que não capaz de esconder que algo me importuna, só em prol do véu que não pode ser levantado. Isso de que nos deixa mais vulneráveis é uma tanga. Quando se joga já se é, à partida, vulnerável ao comportamento e sentimento do outro e até a nós próprios, que perdemos um bocadinho a cabeça nestas situações. Esconder que algo nos magoa mais do que fingir que não se sente é esperar que o outro adivinhe, mude, compense. Começa-se a espiral do ressentimento com alguém que até se pode importar mas vai-se lá lembrar do que nos chateia.

Eu não estou zangada. Estive um bocadinho quando tive que me render às evidencias. Mas não estou. Nada me foi prometido, nada me foi declarado, nada foi, sequer, planeado. Simplesmente aconteceu. A velocidades diferentes para cada uma das pessoas. Como diz a Isa neste texto brilhante, se não se rema na mesma direcção, não se vai a bom porto.

Decidi ser feliz. Deixar o que me faz mal. Eliminar o mal pela raiz. Fechar essa porta da fantasia, para encontrar a da realidade. Tão somente isso. Não estou zangada, decidi ser feliz.

 

4 comentários:

Anónimo disse...

Pois se feliz prinssuza!

Ana A. disse...

Clara não temos dito melhor.
Nas minhas palavras seria qualquer coisa como: "Let go and let God".

Arisca disse...

Eu fiz a mesma escolha há algum tempo atrás e não podia ter sido mais acertada. "Fechar essa porta da fantasia, para encontrar a da realidade." soa-me muito familiar e por mais poderosa que seja uma fantasia, não se sustenta ad eternum. Já uma realidade à qual nos dedicamos, na qual investimos e pela qual damos o nosso melhor, será sempre melhor do que qualquer fantasia.

Isa disse...

e decidiste muito bem :)