terça-feira, 30 de julho de 2013

The first date

Se há coisa que eu gosto é de ir ao cinema. Como toda a gente, gosto de ver filmes. Como todas as gajas, pelo-me por uma boa comédia romântica. Eu que sou pró tecnologia, que rapidamente assumi a minha paixão pela fotografia digital e troquei os livros pelos ebooks, não prescindo dum bom cineminha, no escurinho, com um bom surround sound system.

Também acho muito romântico uma ida ao cinema a dois. Os ombrinhos que se tocam forçosamente, talvez uma mãozinha dada, uma cabecinha encostada e um silêncio, entre duas pessoas, confortável. Se o filme exigir, um salto para cima do gajo, escondendo a cara no seu peito. É giro. É fofinho.

Mas se há coisa que não acho piadinha nenhuma é o convite para ir ao cinema, num primeiro encontro.

Primeiro, começa por haver toda uma logistica alimentar. O horário do cinema a isso obriga, a menos que se vá à sessão da meia-noite, o que me parece um ainda pior principio para primeiro encontro. O que é que uma gaja faz numa situação destas? Janta às 7h da tarde? Espera que o gajo alongue o convite para um petisquinho depois do cinema? Interrompe o dito, porque a barriga já faz sons dignos de escavar um buraco para me esconder? Depois de não sei quantas horas, sem poder falar, ao lado dum gajo que se quer conhecer? E esse é o verdadeiro problema do cinema, num primeiro encontro. Não se pode falar. E eu, mais do que querer conhecer o rapaz cujo convite aceitei, quero falar. Eu gosto mesmo muito de falar. Num primeiro encontro, ui, nem vos conto. Forçarem-me a estar caladinha quando há ali dois ouvidinhos virgens relativamente à minha vida todinha, é pior que tortura chinesa.

Naaa, lamento, mas terei que recusar o convite. Talvez para a próxima. Um cafezinho. Pode ser?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A música

Há pessoas que nos são aquela música inesperada que toca na rádio. Aquela que não esperavas. Aquelas que te fez assobiar, trautear, fazer caretas qual Beyoncé no seu melhor concerto. Ali, dentro do carro. Bem no meio do trânsito da segunda circular. Sem que te importes que os outros vejam ou o que os outros pensam. Aquela é a música que te faz cantar.

Entras no carro, resignado a mais do mesmo. Talvez o Nuno Markl outra vez, ou o outro da Antena 3. O trânsito que te vão informando que continua caótico, que é precisamente o contrário de caótico e está sempre parado, paradinho. A senhora do carro ao lado que põe o rímel com mestria. O senhor do carro de trás que tira macacos do nariz. Mais do mesmo. O destino, que uma vez passado o pára arranca, será a mesma secretária de sempre, com a mesma colega do lado de sempre, o mesmo trabalho de sempre. Relembras o telefonema que tens que fazer quando chegares. Talvez só depois de uma vista de olhos ao facebook. Talvez saias ao final do dia, um copo, dois amigos, talvez três.

A informação do trânsito outra vez. Que não te informa, porque já o sabes. A senhora que passou ao batom. O senhor que mudou de fila e ficaste sem saber se lhe ficou a limpeza feita. O Nuno Markl outra vez? Não. A música. Aquela música. A que te faz cantar contente. E esquecer a maquilhagem da senhora, o destino que é a secretária e até, imagine-se, o facebook para entreter.

Há pessoas que me são a música que eu não esperava. Entre Irlandeses, outros portugueses, outras nacionalidades que não interessam nada. Entre a falta de sol, a chuva, às vezes, neve. A que me faz cantar qual Beyoncé, que é como quem diz, ser eu própria, sem importar que os outros vejam.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Diz que há gente que passa fome

Se isto fosse como diz o Alvim, e o amor se comprasse, pela fresquinha, no mercado da Ribeira, é certo e sabido que a minha avó seria a primeira pessoa na fila. "É para minha netinha, que bem precisa".
Ao contrário do Alvim, eu acho que o que se devia poder comprar era o desamor. Na farmácia. Um comprimidozinho como aqueles para as dores de cabeça. Eu, assim que sinto uma pontada, já sei que vem dali enxaqueca. Enfio logo um nimed no bucho, que é por causa das coisas. Devia haver o mesmo para o sentir coisas (sejamos precisos que de amor sei muito pouco). Eu, assim que sinto um arrepio na espinha, já sei que vem de lá coisa. E, hoje em dia, não pode haver coisa. Não, se não nos derem o direito. Diz que temos que receber carta verde, senão é uma chatice. Ele depois tem que dizer que nunca nos enganou e nós vamos fazer finca pé "que faço eu agora com isto?. Deito ao lixo? quando tantos morrem de fome de amor (perdão, de sentir coisas, que eu de amor sei muito pouco)?". É que o Alvim tem razão, o Amor (ou sentir coisas) não se congela. Quer-se fresquinho. E que nem vos passe pela cabeça congelar segunda vez. Toda a gente sabe que descongelar e voltar congelar dá azo a salmonela. Uma chatice.
Assim como há o comprimido que evita a tontura perante uma luz mais brilhante, devia haver um que evita a cabeça que gira ao toque, ao beijo, à mensagem.
Devia haver o antídoto ao amor (ou ao sentir coisas, que é disso que vos falo).

terça-feira, 23 de julho de 2013

Torto

Aviso já que vou revelar um grande segredo da condição feminina. Não se zanguem comigo, isto é serviço público, só para percebermos que somos todas iguais e temos todas as mesmas angústias.
Nisto do gostar de alguém e não ser correspondido nós aceitamos muita coisa. O facto de não sermos correspondidas, o facto do gajo não estar para relações, o facto de não ter havido clique ou, até um "desculpa, mas foi só sexo". O que nos angustia mesmo mesmo é que haja outra.
E em havendo outra, temos um grande defeito que, acreditem, é pior para nós próprias. É a tortura auto-infligida. Nós vamos querer saber tudo. Se é mais gira, se fala mais línguas, se é mais inteligente, se escreve melhor ou se tem mais visitas no blogue. E até podíamos ficar pela coisa. Ver a foto, sim senhora, a miúda é gira, foi bem escolhida. Mas não, nós vamos procurar o defeito. As actuais dos nossos objectos de afeição tem que ter um defeito. No nosso meio, deixam de ter nome próprio e são conhecidas pela gorda, a velha, a magra, a burra ou, há falta de melhor, a puta.
Ela pode ser mais gira, mas nós somos mais simpáticas. Ela pode ser mais simpática, mas nós somos mais engraçadas. Ela pode ser o stand-up comedy em pessoa, mas nós temos mais amigos. Isto não nos acrescenta valor nenhum e faz de nós, as rejeitadas, mais em algo, sim senhora, mais parvas.
E procuramos, procuramos, até encontrar o defeito. Tem que haver algum. E se a única coisa que encontrarmos for o dedo mindinho do pé torto, vamos agarrar-nos a isso com unhas e dentes. E não contentes. Até podemos ter estado de manhã a reclamar da nossa celulite, ou do cabelo que nunca fica como queremos, ou a pela que não está lisinha, mas porra, a gaja tem o dedo mindinho do pé torto. Como é que o gajo não viu isso?

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Os meus vizinhos são melhor que os vossos

Quantas vezes serão necessárias para eles entendam que eu NUNCA lhes vou abrir a porta?

 

Sim, sou bicho do mato. Não vou a casa de ninguém sem me anunciar e agradeço o mesmo tratamento comigo. Gosto de andar por casa à vontadinha e não gosto que me interrompam.

Pára tudo!

Uma das coisas giras de se ter um blogue é perceber como é que a malta vem cá parar. E não é para estudos de Mercado, deixa lá ver, se eu escrever mais sobre o assunto, mais visitas e pardais ao ninho. É mesmo perceber que há gente com buscas extramamente pertinentes. Perguntas que eu me faço e raisparta, nunca me ocorreu googlar, como é que eu nunca me lembrei desta.
Hoje, alguém veio completamente ao engano trazido pelo google. Eis a pérola que procurava:


E esta busca deixa-me uma pergunta deveras pertinente. Preciso que, vocês, alminhas que me lêem, me expliquem isto, mas assim muito devagarinho. A grande questão que se me coloca ao deparar-me com o facto de alguém fazer tal bisca no google, é única e exclusivamente uma.
O que é um graço?

domingo, 21 de julho de 2013

São tão mariquinhas

O meu pai teve uma solipampa que lhe valeu dia e noite no hospital. Nada de especial, mas muitos exames para fazer despistes. Foi-lhe diagnosticado sindrome de Ménière, que é uma cena que faz com se perca o equilibrio e a noção de espaço. A malta mal se aguenta em pé ou esbarra contra cenas. Qualquer pessoa da minha familia está familiarizada com a coisa, já que a minha avó já tem isto há muitos anos. Já nos pregou valentes sustos, com tralhos a atravessar a estrada e idas ao hospital e muitas nódoas negras. É uma porcaria duma doença que nunca se sabe quando vai gerar um episódio. Mas é mesmo só isso, episódios. A coisa pode durar umas horas ou uns dias. Mas depois passa. Todos na familia sabemos que passa e ninguém fica com aquilo para sempre.

Liguei ao meu pai para saber como estava. A resposta:

- fiquei inválido (com a mesma voz dramática com que costuma informar toda a familia, quando está constipado, que está a morrer).

- não sejas tonto. Não ficaste nada.

- fiquei, fiquei. Não consigo fazer nada, não posso conduzir, tenho que andar agarrado ás coisas.

- mas isso depois passa.

-não passa, ainda não passou, NUNCA MAIS VAI PASSAR!

 

Escusado será dizer que, entretanto, já está fresco que nem uma alface.

sábado, 20 de julho de 2013

À la folie?

Pas du tout. Plus jamais.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Última hora

Eu nem sei como é que vos vou dizer isto. Vão ser peitos a encher-se de felicidades, olhos mareados de emoção.
Mas eu tenho que vos dizer, tenho que desafar, tirar do peito o aperto por não anunciar tamanha coisa. Isto tem que ser partilhado.
Sou a melhor aluna da aula de natação!
É verdade que também levo uns 20 anos de avanço ao resto da turma (ou eles é que me levam a mim) e que tenho o professor mais fofinho do mundo (eu não disse giro, nem sexy, nem nada do que essas mentes pensam logo!).
A verdade é que passaram duas horas, eu ali dentro de água a bracejar qual Michael Phelps e a engolir água qual… o que quer que seja que engole muita água e eu nem dei pelo tempo passar. Tive pena que a coisa tivesse acabado.
Já o corpinho, mais habituado a serões ao sofá, não parece ter gostado muito e hoje só me deixa mexer as sombracelhas. E os pulsos, pá? Alguém já teve dores musculares nos pulsos ou é só aqui a lontrinha?

terça-feira, 9 de julho de 2013

O estágio

Na verdade, eu nunca tive começos fáceis. Na minha vida, tive dois relacionamentos sérios, que durante um determinado período de tempo, correram muitíssimo bem, mas na verdade, qualquer um dos dois deu um bocadinho de luta.

O primeiro, vinha muito desgostoso com uma miúda que tinha deixado lá na terrinha. A Ana. A Ana era a mulher perfeita. A que tinha direito a foto no quadro de cortiça, mesmo depois de um mês de namoro comigo. A Ana servia para apontar todos os meus defeitos, numa tentativa de me moldar. A Ana é que era porque a Ana não fumava. A Ana é que era porque não roía as unhas. A Ana isto e a Ana aquilo. A coisa nunca serviu para que eu deixasse de fumar ou de ser ou própria fosse lá de que maneira fosse, mas servia-me para ficar ali de coração apertadinho, porque eu nunca teria essa admiração. Num dia de copos, o rapazinho resolveu ir mais longe e contar a uma espécie de amiga em comum que eu era muito fixe, mas ele gostava mesmo mesmo era da Ana (sim, eu devia ter percebido logo, mas enfim...). Acabámos, mas, por força das circunstâncias, continuámos a ver-nos todos os dias. E eu, como sempre, tinha metido na minha cabeça que aquele é que era. Vá de passar os dias com olhos de bambi, a bater pestana, que no meu caso é invisível e na altura, ainda não usava rímel. A coisa resultou. Entretanto lá voltamos, muito felizes e apaixonados, seguiram-se muitas trocas de amor eterno e nunca mais se falou na Ana.

Mais tarde, tive outra relação. Curtimos (isto ainda se usa?) já eu estava apaixonadíssima pelo rapaz, mas nunca mais se passou nada. Só passado um ano é que ele lá se decidiu a pedir-me em namoro. Mas o primeiro mês não foi fácil. Eu devia ter logo visto que ele não era boa rês, porque saía sem se despedir, desaparecia com os rapazes e apesar do pedido, aquilo não era nem peixe nem carne. Quando chegou a altura de fazermos um mês, combinámos uma celebração em grande, já que o menino batia todos os seus recordes. Já esfregava eu as mãozinhas de contente com ideia das velas, dos presentes e todos os clichés românticos que podia imaginar, quando somos informados que nesse mesmo dia, havia um programa qualquer de rapazes. Daqueles que acontecem todas as semanas, tipo jogar à bola, mas que são sempre imperdiveis. Aquilo gerou discussão e terminou com um "afinal não quero namorar, que isto é uma granda chatice".

E eu voltei a não desistir, a bater a pestana, desta vez, já com rímel, e um dia do nada, ou por motivos que não vou explicar, que só pertencem a nós os dois, a coisa deu-se. E durante uns anitos aquilo foi uma paixão pegada. O fim foi outro tipo de pegada, mas isso agora não interessa nada.

E acho que é por isto que, venho confessar-vos só aqui entre nós, que ninguém nos lê, passou-me por breves instantes, pela cabeça, pôr-me para aqui a bater pestana outra vez.

Só que isto de gostar de alguém é como ter um estágio em Portugal. Se alguém te diz, taxativamente que não gosta de ti. Se alguém se encantou com outros beijinhos, depois de provar os teus, que são de primeira categoria, não vale a pena. Uma pessoa esforça-se, esforça-se, mas já sabe, chega o final do contrato e não fica com o emprego.

 

 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O nós e o vós

Aqui há tempos, numa conversa entre amigos, cada vez que um dizia “nós, os gajos” ou “vocês, gajas” havia um espertinho que interrompia, muito ofendido com e passo a citar, a descriminação positiva.
Eu sou muito femininista. Agradeço por ter hoje a possibilidade de fazer um trabalho de que gosto e para o qual, modéstia à parte, tenho aptidão. Por não ter que passar pelas dúvidas existenciais da minha avó, num tempo em que ou se escolhia carreira ou casamento.
Também sou contra a descriminação positiva em todos os aspectos. Não percebo porque é que tenho que ter simpatia por uma pessoa que é um traste só porque este nasceu com uma deficiência e é um bocado coxo. O gajo faltou-me ao respeito, escudou-se na deficiência dele e agora eu e que sou a má da fita porque devia dar um desconto, porque coitadinho ele coxeia (atenção que isso não impede de fazer absolutamente nada e resume-se a um simples complexo físico). Também não concordo com as quotas no parlamento, porque me assusta uma escolha só para satisfazer um numero e não competências. Acredito que algumas mulheres teriam muito mais potencial que os homens estão por lá, mas diz-me a experiência que, essas, não estão para isso. Este sistema não as satisfaz. E isto dava tema para um post inteiro.
De resto, meus amigos, nós somos diferentes. Começamos pelas diferenças físicas, das quais não vou sequer falar. A partir daí, o resto é natureza. Fomos feitos para funções diferentes para o tempo das cavernas e isso faz com que tenhamos aptidões e raciocínios diferentes.
E eu gosto disso. Gosto de abraçar a minha feminilidade ao mesmo tempo que visto um par de calças. Gosto que me segurem a porta, que conduzam o carro por mim, que me paguem o jantar, nem que seja na roulotte das bifanas e gosto, sobretudo, que me expliquem essas coisas do “nós, gajos” e “vocês, as gajas”. Há diferenças e eu gosto de aprende-las e tentar percebe-las.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Serviço público

Desde que o google reader morreu, andei aqui perdida com os blogues. Quando, finalmente, consegui resolver o problema com um substituto medíocre, fiquei com mil e tal posts por ler, metade dos quais até já tinha lido. Em vez de marcar aquilo tudo como lido, fui revendo alguns, na diagonal.

Perdi a conta às vezes que li as gajas que escrevem que o amor é tão lindo, que são tão felizes, ai que já me conheces tão bem, que são dois num só ou que têm medo de se apaixonar, mas este gajo leva-as tão bem. É a técnica do fazer-se dificil do século XXI. No século XX não iam para a cama com eles, no século XXI, são moderninhas, independentes, aceitam as suas necessidades, apaixonar-se é que não, deixando já nas entrelinhas um "mas, se te portares bem e esforçares um bocadinho, a coisa até vai".

Pois eu conto-vos já, para vos poupar sofrimento, o que é que se vai passar.

Das duas uma, ou o gajo vai cagar completamente para as vossas merdas e vocês vão mudar o discurso, e dizer que nem sequer são assim, eles é que são especiais e estrabuchar um "pick me, pick me", ou a coisa até vos corre bem, e o gajo até faz uma forcinha.

Vão andar todos apaixonados, ver coraçõezinhos em todo o lado, escrever quinhentas mensagens, dizer merdas fofinhas, atrevidas, sensuais e outras merdas. Depois vão ter a primeira discussão ou a primeira crise de ciúmes ou a primeira dúvida. Um cabo dos trabalhos que agora é que o gajo me ficou a conhecer ou agora é que tiveram surpresas que afinal ele... Enfim. Passado uns tempos um vai ter dúvidas, um vai mijar fora do penico, outro vai ter outro achaque qualquer. Uns acabam, outros lá vão continuando. com mais tempo ou menos tempos, há três e apenas três finais possíveis. Vão assinar os papeis do divórcio ou vão ficar juntos a odiar-se mutuamente ou um de vós ou os dois vai andar em aventuras extraconjugais.

E escusam de vir cá contar que não, que com vocês não é assim (eu também costumo acreditar nessa merda, comigo vai ser diferente. Connosco é sempre diferente) ou que conhecem não sei quem que yadayadayada. Eu explico-vos. A história ainda não acabou. Os finais felizes são para a cena final do filme. O que vem depois, ninguém nos conta.

 

E aproveito este post para dizer aos casalinhos enamorados, às românticas incuráveis, a mim mesma e à vizinha que tem a pior gargalhada do mundo, que está neste momento, de janela aberta, a rir com o maridinho e a deixar a cadela doida e a ladrar como se não houvesse amanhã: vão-se todos foder!

Castigo

Vou fazer como quando tinha 4 anos, outra vez. Vou fazer birra. Bater o pé. Não queres brincar comigo, já não gosto de ti. Não queres o meu jogo, então também não jogo o teu.

Vou pôr-te de castigo. Privar-te de mim. É sempre o nosso pior castigo, privar-vos de nós. Até pode não ser grande coisa, mas é o melhor que temos. Sempre podemos poupar esse melhor, para quando faça mesmo falta. A rainny day, como dizem por aqui. A grande merda, é que quando privamos alguém de interargir connosco, privamo-nos a nós próprias de qualquer interacção. É o feitiço contra o feiticeiro. É o castigo auto-infligido. A curto prazo. Acho.

A definição #2

Gostar de alguém é uma canseira. É pôr-nos com malabarismos. Contar mil histórias à velocidade da luz, numa tentativa frustada de mostrarmos que somos tão boas, até fazer os ouvidos do outro sangrar. É ser ridícula, perceber e continuar. É achar que vai ser um alivio, o não já tenho, já posso descansar e dar por nós a fazer tudo tudinho outra vez. É ridículo.

 

Hoje estou em modo não e modo tenho-quatro-anos-não-escrevo-nada-de-jeito-vou-fazer-birra.

A definição

Gostar de alguém é uma merda. Ponto.

E não me venham com tretas que com a pessoa certa e pardais ao ninho, blablabla. É um facto, eu gosto sempre da pessoa errada. Erradíssima. Não passo de começos-não-começos atribulados que me fazem sentir uma tontinha sem noção. Pelo menos, poupo-me a esse trabalho que vejo outros terem, das famílias, das casas, papeis de divórcio, gestão de expectativas, não do outro, mas de terceiros e outros quejandos que vejo por aí. É uma merda.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Já vos disse que a Isa é que sabe?

Por que escrever exorcisa, é como falar alto e já dizia o meu prémio Nobel da literatura de eleição: as coisas perdem metade da importância quando ditas alto. A partilha é de certa forma egoísta, como praticamente tudo o resto resume-se ao Ego.

Roubadissimo à Isa, daqui

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

E gostei

E finalmente, a coisa deu-se. Primeira aula de natação done!
Os balneários, esse meu grande pesadelo, superaram, em muito as minhas expectativas. Nao vi maminhas, nem tufinhos, nem ninguém nu. Porquê? Porque o balneário é misto.
O duche tem menos de um metro quadrado, o que dificulta um bocadinho a tarefa de não molhar toda a tralha que se leva atrás e a tarefa de me vestir sem bater com um cotovelo ou um joelho numa das 4 paredes.
Eu andava muito preocupada que o fato de banho para este efeito nao me servisse. Em vao. A malta aqui, não precisa de nada xpto nem de sunga ou lá o que aquilo é. Pelo que vi, fio dental é aceitável e tenho cá para mim que um dia destes terei que deparar-me com um toplessinho. Voluntário ou involuntário.
Alguém me tinha falado na logística da coisa, sobretudo para nós gajas, pés arranjados, depilação feita, etc. Pfff. Fiquei a saber que, na Irlanda, isso são pormenores facilmente negligenciados. Percebi isso depois do professor ter pedido a outra aluna para fazer um determinado movimento fora de água, que implicava levantar o braço. Nunca, nos meus piores dias, o meu pelinho loirinho baterá a imagem a que fui sujeita.
A aula fez-se bem. Não dei pelo tempo passar, o que tendo em conta que se trata de uma actividade a que se chama aula, é muito bom. Juntando-lhe a isso, o exercício,  ou seja, ser uma aula de exercício físico e foi para lá de espectacular.
Consegui atingir o objectivo de beber dois litros de água por dia. Dentro da piscina. É que e suposto estar com um olho na burra e outro no cigano, mas em difícil, que é um olho debaixo de água e outro fora, enquanto se tenta  bater os pés na proporção certa, fazer o movimento certo com os braços e respirar. Ou inalar. Agua ou ar, tanto faz.
Gostei.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Até que...

Ergues a cabeça e esticas o peito. Recomeça outra vez. Ocupas a mente e cansas o corpo. Dás novos passos, tens novas ideias, trocas o certo pelo incerto, que no fundo nunca foi nenhum dos dois, mas rouba à tua avó essa esperança duma neta casadoira e rende-a à ideia de que a que lhe calhou tem muitas ideias, um dia é mudar de casa, no outro correr o mundo. Sentes que já és grande. Fazes as tuas resoluções. Decides que nunca mais. Nem este, nem outro que não cuide de ti. Na verdade, nem um que cuide, que isto de escolher correr mundo não dá grande hipótese. Mas sentes-te bem, corajosa, madura, aventureira. Sentes-te bem, ponto.

Até que bate uma saudade...

Isso é…?

Aqui há uns anos havia um anúncio onde perguntavam “e se um homem te oferecer flores, isso é…?” . E depois ia-se a ver e era porque a gaja usava Impulse, um desodorizante ou perfume ou lá o que aquilo era. E hoje, quinhentos anos depois, a questão que se coloca é, e se o rapazinho da frutaria, onde passaste a ir todos os dias, por que andas a fazer dieta com muito afinco, com muitos vegetais e muita frutinha te oferecer… uma banana?