quinta-feira, 25 de julho de 2013

A música

Há pessoas que nos são aquela música inesperada que toca na rádio. Aquela que não esperavas. Aquelas que te fez assobiar, trautear, fazer caretas qual Beyoncé no seu melhor concerto. Ali, dentro do carro. Bem no meio do trânsito da segunda circular. Sem que te importes que os outros vejam ou o que os outros pensam. Aquela é a música que te faz cantar.

Entras no carro, resignado a mais do mesmo. Talvez o Nuno Markl outra vez, ou o outro da Antena 3. O trânsito que te vão informando que continua caótico, que é precisamente o contrário de caótico e está sempre parado, paradinho. A senhora do carro ao lado que põe o rímel com mestria. O senhor do carro de trás que tira macacos do nariz. Mais do mesmo. O destino, que uma vez passado o pára arranca, será a mesma secretária de sempre, com a mesma colega do lado de sempre, o mesmo trabalho de sempre. Relembras o telefonema que tens que fazer quando chegares. Talvez só depois de uma vista de olhos ao facebook. Talvez saias ao final do dia, um copo, dois amigos, talvez três.

A informação do trânsito outra vez. Que não te informa, porque já o sabes. A senhora que passou ao batom. O senhor que mudou de fila e ficaste sem saber se lhe ficou a limpeza feita. O Nuno Markl outra vez? Não. A música. Aquela música. A que te faz cantar contente. E esquecer a maquilhagem da senhora, o destino que é a secretária e até, imagine-se, o facebook para entreter.

Há pessoas que me são a música que eu não esperava. Entre Irlandeses, outros portugueses, outras nacionalidades que não interessam nada. Entre a falta de sol, a chuva, às vezes, neve. A que me faz cantar qual Beyoncé, que é como quem diz, ser eu própria, sem importar que os outros vejam.

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