quarta-feira, 24 de julho de 2013

Diz que há gente que passa fome

Se isto fosse como diz o Alvim, e o amor se comprasse, pela fresquinha, no mercado da Ribeira, é certo e sabido que a minha avó seria a primeira pessoa na fila. "É para minha netinha, que bem precisa".
Ao contrário do Alvim, eu acho que o que se devia poder comprar era o desamor. Na farmácia. Um comprimidozinho como aqueles para as dores de cabeça. Eu, assim que sinto uma pontada, já sei que vem dali enxaqueca. Enfio logo um nimed no bucho, que é por causa das coisas. Devia haver o mesmo para o sentir coisas (sejamos precisos que de amor sei muito pouco). Eu, assim que sinto um arrepio na espinha, já sei que vem de lá coisa. E, hoje em dia, não pode haver coisa. Não, se não nos derem o direito. Diz que temos que receber carta verde, senão é uma chatice. Ele depois tem que dizer que nunca nos enganou e nós vamos fazer finca pé "que faço eu agora com isto?. Deito ao lixo? quando tantos morrem de fome de amor (perdão, de sentir coisas, que eu de amor sei muito pouco)?". É que o Alvim tem razão, o Amor (ou sentir coisas) não se congela. Quer-se fresquinho. E que nem vos passe pela cabeça congelar segunda vez. Toda a gente sabe que descongelar e voltar congelar dá azo a salmonela. Uma chatice.
Assim como há o comprimido que evita a tontura perante uma luz mais brilhante, devia haver um que evita a cabeça que gira ao toque, ao beijo, à mensagem.
Devia haver o antídoto ao amor (ou ao sentir coisas, que é disso que vos falo).

5 comentários:

Anónimo disse...

Espera ai que vou inventar a pilula do dia seguinte para teus desamores e ja venho!



clara disse...

Não demores! ;)

hierra disse...

No livro " Admirável Mundo Novo, existia o tal comprimido mágico que chamava 'soma', e uma vez tomado, esquecia-se tudo!

clara disse...

Mas tudo tudo? Esquecer tudo também não. Há cenas fixes ;)

Miss S. disse...

Era uma maravilha!