terça-feira, 9 de julho de 2013

O estágio

Na verdade, eu nunca tive começos fáceis. Na minha vida, tive dois relacionamentos sérios, que durante um determinado período de tempo, correram muitíssimo bem, mas na verdade, qualquer um dos dois deu um bocadinho de luta.

O primeiro, vinha muito desgostoso com uma miúda que tinha deixado lá na terrinha. A Ana. A Ana era a mulher perfeita. A que tinha direito a foto no quadro de cortiça, mesmo depois de um mês de namoro comigo. A Ana servia para apontar todos os meus defeitos, numa tentativa de me moldar. A Ana é que era porque a Ana não fumava. A Ana é que era porque não roía as unhas. A Ana isto e a Ana aquilo. A coisa nunca serviu para que eu deixasse de fumar ou de ser ou própria fosse lá de que maneira fosse, mas servia-me para ficar ali de coração apertadinho, porque eu nunca teria essa admiração. Num dia de copos, o rapazinho resolveu ir mais longe e contar a uma espécie de amiga em comum que eu era muito fixe, mas ele gostava mesmo mesmo era da Ana (sim, eu devia ter percebido logo, mas enfim...). Acabámos, mas, por força das circunstâncias, continuámos a ver-nos todos os dias. E eu, como sempre, tinha metido na minha cabeça que aquele é que era. Vá de passar os dias com olhos de bambi, a bater pestana, que no meu caso é invisível e na altura, ainda não usava rímel. A coisa resultou. Entretanto lá voltamos, muito felizes e apaixonados, seguiram-se muitas trocas de amor eterno e nunca mais se falou na Ana.

Mais tarde, tive outra relação. Curtimos (isto ainda se usa?) já eu estava apaixonadíssima pelo rapaz, mas nunca mais se passou nada. Só passado um ano é que ele lá se decidiu a pedir-me em namoro. Mas o primeiro mês não foi fácil. Eu devia ter logo visto que ele não era boa rês, porque saía sem se despedir, desaparecia com os rapazes e apesar do pedido, aquilo não era nem peixe nem carne. Quando chegou a altura de fazermos um mês, combinámos uma celebração em grande, já que o menino batia todos os seus recordes. Já esfregava eu as mãozinhas de contente com ideia das velas, dos presentes e todos os clichés românticos que podia imaginar, quando somos informados que nesse mesmo dia, havia um programa qualquer de rapazes. Daqueles que acontecem todas as semanas, tipo jogar à bola, mas que são sempre imperdiveis. Aquilo gerou discussão e terminou com um "afinal não quero namorar, que isto é uma granda chatice".

E eu voltei a não desistir, a bater a pestana, desta vez, já com rímel, e um dia do nada, ou por motivos que não vou explicar, que só pertencem a nós os dois, a coisa deu-se. E durante uns anitos aquilo foi uma paixão pegada. O fim foi outro tipo de pegada, mas isso agora não interessa nada.

E acho que é por isto que, venho confessar-vos só aqui entre nós, que ninguém nos lê, passou-me por breves instantes, pela cabeça, pôr-me para aqui a bater pestana outra vez.

Só que isto de gostar de alguém é como ter um estágio em Portugal. Se alguém te diz, taxativamente que não gosta de ti. Se alguém se encantou com outros beijinhos, depois de provar os teus, que são de primeira categoria, não vale a pena. Uma pessoa esforça-se, esforça-se, mas já sabe, chega o final do contrato e não fica com o emprego.

 

 

2 comentários:

Algures disse...

Às vezes há quem não chegue à entrevista...

PS: Gosto de te ler!

clara disse...

Verdade, chegar à entrevista já é um feito.
Obrigada :)