segunda-feira, 8 de julho de 2013

O nós e o vós

Aqui há tempos, numa conversa entre amigos, cada vez que um dizia “nós, os gajos” ou “vocês, gajas” havia um espertinho que interrompia, muito ofendido com e passo a citar, a descriminação positiva.
Eu sou muito femininista. Agradeço por ter hoje a possibilidade de fazer um trabalho de que gosto e para o qual, modéstia à parte, tenho aptidão. Por não ter que passar pelas dúvidas existenciais da minha avó, num tempo em que ou se escolhia carreira ou casamento.
Também sou contra a descriminação positiva em todos os aspectos. Não percebo porque é que tenho que ter simpatia por uma pessoa que é um traste só porque este nasceu com uma deficiência e é um bocado coxo. O gajo faltou-me ao respeito, escudou-se na deficiência dele e agora eu e que sou a má da fita porque devia dar um desconto, porque coitadinho ele coxeia (atenção que isso não impede de fazer absolutamente nada e resume-se a um simples complexo físico). Também não concordo com as quotas no parlamento, porque me assusta uma escolha só para satisfazer um numero e não competências. Acredito que algumas mulheres teriam muito mais potencial que os homens estão por lá, mas diz-me a experiência que, essas, não estão para isso. Este sistema não as satisfaz. E isto dava tema para um post inteiro.
De resto, meus amigos, nós somos diferentes. Começamos pelas diferenças físicas, das quais não vou sequer falar. A partir daí, o resto é natureza. Fomos feitos para funções diferentes para o tempo das cavernas e isso faz com que tenhamos aptidões e raciocínios diferentes.
E eu gosto disso. Gosto de abraçar a minha feminilidade ao mesmo tempo que visto um par de calças. Gosto que me segurem a porta, que conduzam o carro por mim, que me paguem o jantar, nem que seja na roulotte das bifanas e gosto, sobretudo, que me expliquem essas coisas do “nós, gajos” e “vocês, as gajas”. Há diferenças e eu gosto de aprende-las e tentar percebe-las.

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